MANUAL DE SOBREVIVÊNCIA A NARCISISTAS

Yasmin Ribeiro

A premiada comediante, atriz, apresentadora e comentarista Maddy Anholt é uma celebridade na Grã-Bretanha e, ainda que não tenha conquistado imensa fama internacionalmente, não há dúvidas de que se trata de uma mulher muito inteligente e bem sucedida. No entanto, quando ela fez um retrospecto de sua vida amorosa até cerca de seus 32 anos, deu-se conta de que todas as suas relações e casos foram com homens altamente narcisistas, chegando a graus de acentuada psicopatia. As consequências haviam sido devastadoras para sua psique e suas finanças.

Em fevereiro de 2022 será lançado na Grã-Bretanha o livro de Maddy HOW TO LEAVE YOUR PSYCHOPATH (Bluebird), extremamente relevante, engraçado e perturbador, mas com potencial de salvar vítimas de relacionamentos abusivos em todo o mundo. Em COMO DEIXAR SEU PSICOPATA, a autora responde a três principais perguntas: “Como as pessoas entram em relacionamentos abusivos? Por que elas não os deixam mais cedo? Por que não se pode mudar uma personalidade controladora?”

Nessa estreia literária, a autora aborda o assunto com humor, apresentando uma pesquisa ampla, cuidadosa e detalhada e compartilhando sua experiência como sobrevivente de abuso emocional e psicológico, adquirida ao longo de uma década de relacionamentos com o que define como “Controlls” – termo que engloba diferentes patologias como o narcisismo, a psicopatia, a sociopatia. São personagens que têm em comum a obsessão de controlar completamente a companheira em um processo de construção de poder sobre o outro que se inicia com a desvalorização progressiva de sua vida (família, amigos, conquistas profissionais) até alcançar a destruição de sua estrutura psíquica.

O livro de Maddy Anholt ainda conduz a leitora numa jornada de autoconhecimento de maneira a evitar que ela caia nas mesmas armadilhas de sempre. O resultado é um guia de sobrevivência que irá educar, entreter e, possivelmente, salvar vidas.

Desde o início da pandemia, com o confinamento e as restrições de circulação, os índices de violência doméstica aumentaram em todo o mundo. No Brasil, registraram-se mais de 105 mil denúncias de violência contra a mulher em 2020. É o quinto país do mundo onde mais ocorrem casos de violência contra a mulher. O interior dos lares continua como o lugar mais perigoso para elas, mas controladores e pessoas com traços narcisistas podem ser encontrados também no ambiente de trabalho, na política e a rigor em qualquer lugar.

Para Maddy Anholt, o mais chocante é a quantidade de pessoas, principalmente mulheres jovens, que continuam presas em relacionamentos abusivos. Em sua pesquisa, ela recorreu a uma grande quantidade de estudos acadêmicos, mas para chegar mais perto da leitora, Maddy acrescentou sua experiência pessoal com o apoio que recebeu da organização Women’s Aid. Teresa Parker, diretora de comunicação da organização, disse que o guia de Maddy “ajuda a explicar o que é controle coercitivo às jovens mulheres que pensam estar fora do alcance da violência doméstica e, fazendo isso, [o livro] oferece um conhecimento útil para a identificação dos sinais de perigo e para a procura de ajuda, caso seja necessária.”