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Com um tanto de atraso, em função da agitação da semana passada, repercutimos e festejamos a notícia da coluna do Ancelmo Góis, no Globo, sobre a publicação de LAVA-JATO, de Vladimir Netto, pela portuguesa Saída de Emergência, em abril de 2018. O autor irá a Lisboa e Porto para autógrafos e palestras sobre a luta titânica dos brasileiros contra a cleptocracia e a corrupção.

Taí uma negociação que causou grande alegria à equipe da VBM. Em grande parte consequência da expedição de Anna Luiza a Lisboa, em junho, para visitas a editoras lusas, a venda dos direitos de publicação de LAVA-JATO em Portugal é gratificante pela importância da divulgação internacional do livro de Vladimir e porque se trata de mais um autor da agência com a super parceira Saída de Emergência, que também publica lindamente nossa querida Luize Valente.

(Sobre Luize em Portugal, vem novidade por aí. Aguardem um tico.)

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O novo romance de Rafael Cardoso, O REMANESCENTE, é estupendo. Perfeitamente definido pelo conceito de nonfiction novel, criado por Truman Capote, é daqueles livros que só se larga, e a muito custo, ao terminar. Conta a história real, porém romanceada, de seu bisavô Hugo Simon, um judeu, banqueiro, socialista e colecionador de arte, figura importantíssima na República de Weimar e grande financiador da resistência ao nazismo, que fugiu da Alemanha para um trágico exílio no Brasil durante a Segunda Guerra Mundial.

A história da família é fascinante e Rafael fez um trabalho de pesquisa e reconstrução históricas espetacular, traduzido em forma de romance com acuidade e profundo talento narrativo. As personagens são densas, seus dramas, vivos; e as transformações por que vão passando ao longo da narrativa nos fazem sentir quase que na pele suas dores, angústias e pequenas alegrias.

O REMANESCENTE será publicado simultaneamente no Brasil e na Alemanha, por Companhia das Letras e Fischer, respectivamente, em outubro próximo, e a campanha pré lançamento da Fischer está a todo vapor. Recebemos ontem o catálogo da temporada da editora, com página dupla dedicada ao livro, que sairá com o título de “Das Vermächtnis der Seidenraupen” (“O legado dos bichos da seda”, em tradução livre). Haverá, também, edição holandesa, pela Niew Amsterdam, mas essa só em meados do ano que vem.

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Nosso autor da área de negócios César Souza acaba de compartilhar conosco uma matéria impressionante da Veja.com sobre as perdas que o precário atendimento à clientela causa às empresas brasileiras. Segundo a consultoria Accenture, chegam a 217 bilhões de reais os prejuízos das empresas por problemas no tratamento com os clientes.

Não só com livros mas em vários segmentos da economia, o fator preponderante para a escolha do consumidor brasileiro é o boca a boca. A insatisfação com os serviços e a má reputação causam às empresas índices estratosféricos de baixa fidelização. Só em 2015, 85% de consumidores de vários serviços – de empresas aéreas a telefônicas – migraram de prestadores.

Um grande problema apontado na matéria da Veja é a maneira como se usa a tecnologia eletrônica. O brasileiro gosta de se sentir merecedor de um tratamento personalizado, e a linguagem digital representa o oposto disso, causando frustração para um grande número de pessoas. A incompetência no tratamento do digital é uma marca da empresa brasileira. Para a VB&M, entre os serviços que usamos, o Itaú é o campeão em matéria enfiar tecnologia goela adentro do cliente, sem contemplar as nuances de cada solicitação, criando assim situações de impasse.

Só tem uma notícia boa diante desse quadro: o lançamento de CLIENTIVIDADE: COMO OFERECER O QUE O SEU CLIENTE QUER, de César Souza. O livro mostra o que o empresário e os gestores têm que fazer para desenvolver uma atitude de clientividade em seus negócios. Tomara que eles aprendam.

Clique aqui para acessar a matéria da Veja.

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The Center for Fiction anuncia sua lista de finalistas para o prêmio 2016 de melhor romance de estreia. Entre 25 títulos está THE CASTLE CROSS THE MAGNET CARTER, de Kia Corthron, um épico da história norte-americana narrado a partir de dois pares de irmãos, brancos em Alabama, nascidos sob a égide da Klu-Klux-Klan, negros em Maryland, que carregam o legado de uma avó linchada. A narrativa começa em 1941 e vem até o século 21 cobrindo todo o movimento pelos direitos civis nos EUA.

http://centerforfiction.org/awards/the-first-novel-prize/2016-first-novel-prize-long-list/

Os acontecimentos da última semana – com os protestos em todo o país contra a violência policial contra os negros e a chacina de cinco policiais brancos por um veterano do Afeganistão – dão tragicidade ainda maior ao romance, forte candidato ao título de “great American novel” nestas primeiras décadas do século, que insistem em revelar os EUA como um país partido. As críticas são consagradoras.

VB&M representa a obra para a Seven Stories Press. Kia Corthron é conhecida dramaturga, com 15 peças produzidas nacionalmente e internacionalmente, e roteirista da aclamada série de TV The Wire. Super premiada com seu trabalho nas duas áreas, teatro e TV. THE CASTLE CROSS THE MAGNET CARTER é seu primeiro romance e foi muito aguardado.

Depois de assistir a “Paulina”, no Estação, sábado dia 9 de julho, Anna Luiza foi dar nosso clássico cheque na exposição de livros VB&M na Travessa de Botafogo. Ficou satisfeita com a visibilidade de Martha Batalha, com A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO (Companhia das Letras); de Edney Silvestre, com WELCOME TO COPACABANA (Record);  de Miguel Sanches Neto, com A BÍBLIA DO CHE (Companhia); de Alberto Mussa com OS CONTOS COMPLETOS (Record); de Raphael Montes com DIAS PERFEITOS (Companhia); e de Betty Milan, com A MÃE ETERNA (Record).

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A exposição do Chico Azevedo foi motivo de especial alegria, porque não era só O ARROZ DE PALMA a figurar com destaque. Também muito bem exposto estava DOCE GABITO, um dos romances mais injustiçados da safra recente da literatura brasileira, que somente agora, quatro anos depois de publicado, começa realmente a deslanchar. A essa altura, o ARROZ, de 2008, já se tornou um clássico com mais de 50 mil exemplares vendidos e saindo cada vez mais do estoque da Record.

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De estrangeiros, ela encontrou bem colocados QUANDO FINALMENTE VOLTARÁ A SER COMO NUNCA FOI (Valentina), de Joachin Meyerhoff, a história do filho de um psiquiatra que é criado entre loucos de um hospício, e PAPEL DE PAREDE AMARELO (José Olympio), de Charlotte Perkins Gilman, um clássico da literatura feminista americana, que conta a vida de uma mulher praticamente mantida em cárcere privado pelo marido, no final do século 19.”

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Anunciamos a entrada do publicitário e pesquisador José Roberto Walker para nossa lista VB&M de clientes revelando desde logo quem será o editor de seu sensacional romance NEVE NA MANHÃ DE S. PAULO, sobre o belo e trágico caso de amor entre Oswald de Andrade e a jovem Daisy, Miss Cyclone, uma normalista de 17 anos, única mulher a frequentar a notória garçonnière de reuniões intelectuais da grande geração modernista. O pano de fundo é o momento em que a aldeia paulistana transformava-se com a mirada para a grande metrópole de hoje.

Desde a cobertura da Ilustríssima da Folha de S.Paulo, em dezembro passado, sobre a descoberta que Walker fez do endereço preciso da garçonnière, o brilhante Flávio Moura, da Companhia das Letras, ficou de olho no livro. Sua leitura confirmou a joia rara de um romance de não-ficção especialíssimo, capaz de oferecer uma densa recriação da subjetividade da época, final da segunda década do século XX, descrevendo como o machismo e a discriminação sexual eram sentidos e sofridos por homens e mulheres. Embora o romance conte uma história rigorosamente factual, apenas com tratamento literário, não queremos aqui entrar em detalhes do entrecho, que não é assim tão conhecido do público leigo. Não queremos correr o risco de estragar qualquer surpresa.

Além da palpável textura amorosa do caso de Oswald e Miss Cyclone, com o preciso traçado psicológico dos personagens, NEVE NA MANHÃ DE S. PAULO faz uma recriação de época absolutamente extraordinária. Sou grata pela leitura porque, quando vou agora a São Paulo, vejo a cidade com um olhar muito diverso, mais nuançado, generoso, amoroso e histórico.

Depois do caderno da Ilustríssima sobre a garçonnière da Rua Líbero Badaró, a Folha voltou a falar do livro em deliciosa matéria publicada nessa quarta-feira, 22 de junho, na parte de Cotidiano, a propósito do frio intenso no inverno paulistano de 1918. Muita bem-vinda a chegada de José Roberto Walker à VB&M. Companhia lançará NEVE NA MANHÃ DE SÃO PAULO em março de 2017, ano de muitas efemérides ligadas ao romance, centenário da principal parte da narrativa.

Links para a matéria: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/06/1783228-sp-teve-neve-de-mentira-em-manha-fria-de-1918-caso-virou-folclore-local.shtml

Goia Mujalli não é escritora ou cliente da VB&M, mas artista, grande pintora, e amiga. Por isso, a vontade de compartilhar o texto de apresentação de sua obra assinado por Mario Gioia, curador da exposição que abre amanhã, 21 de junho, na Galeria Marcus Soska, no Shopping dos Antiquários, em Copacabana.

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Resíduos de um ritmo

Nas telas de Resíduos de um ritmo, sua primeira individual na cidade, a carioca Goia Mujalli oferece ao observador uma série de embates contínuos da pintura contemporânea. Há o permanente e o transitório, o sedimentado e o índice, o certeiro e o ambíguo, o manual e o digital, o figurativo e o abstrato, entre variados duos que provocam fricções produtivas por meio do fazer artístico. Assim, a artista radicada em Londres habilmente lida com tensões próprias de um autor do presente e devolve para o mundo algo complexo, mas sem deixar de ser profundamente poético e com espaço para guardar enigmas.

Pode-se ter ideia do labor de Goia por meio, por exemplo, do maior trabalho presente na exposição. Ensaio de Balé (2015), com 200 cm x 190 cm, é uma impressão serigráfica sobre linho em que dois principais elementos dominam a composição. O da direita é o que mais instiga: é serial como um carimbo, possui um tom monocromático e atrita elementos dos campos digital e manual no seu ‘andamento’. A aproximação musical vem a calhar, pois a artista enfatiza com frequência esse caminho sinestésico, como ela afirma sobre Água-Viva (2016), outro de seus quadros apresentados hoje: “Em todo o meu trabalho tenho a vontade de criar repetições de uma mesma forma, sempre com um ritmo diferente em cada tela”. A composição de Ensaio de Balé ganha ainda mais interesse quando sabe-se que a forma algo circular que se repete vem da apropriação da imagem de uma bailarina, vista de cima. E esse movimento leva a forma a se desmanchar em algo mais gestual, informe, que predomina, então, no lado esquerdo da obra.

A qualidade vestigial da figura também transparece nos títulos de Resíduos de um ritmo. Há CabelosCéuNuvemPianoJanela. Em alguns deles, a imagem originária se esboça com mais reforço (como em JanelaPiano, por exemplo), mas as relações que se fundem e criam um outro corpo, a partir da mescla de procedimentos e materiais da serigrafia e da pintura (e, por que não, do desenho e da colagem), terminam por ostentar apenas fiapos e volumes tíbios do que poderia ser um figurativo mais estruturado. Goia, portanto, segue por uma vertente expandida do pictórico, que, apesar de tudo, fundamentalmente é pintura. “Vejo essas pinturas como espaços imersivos onde a essência de certos objetos podem existir. Pinturas com resíduos de gestos criando um ritmo através de outro espaço (onde serão expostas)”, relata a artista, a respeito de Nuvem (2016).

Nesse sentido, cabem alguns dados que ajudam a entender mais sobre o processo de Goia. Com mestrado fora do país em andamento sobre a linguagem – no Royal College of Art, em Londres – , ela traz referências importantes do pictórico internacional – podemos citar Laura Owens e Jacqueline Humphries – , porém a herança neoconcreta nacional ainda é patente em sua produção. E o legado de nomes como Lygia Pape (1927-2004) e Hélio Oiticica (1937-1980) vem menos de aproximações formais e mais de pensamentos e abordagens –  a imersão pretendida por Goia em suas obras, nesse ponto, é paradigmática. “A cor é a revelação primeira do mundo. Ela existe como luz, diluída nas aparências. (…) A cor passa, pois, a construir mundo, vontade suprema do artista, aspiração altamente humana” 1, diz Oiticica, no ano de 1960.

Na corporeidade da pintura, amálgama entre a escala generosa, a conferir fisicalidade e atestar o caráter fenomenológico do meio, e a especificidade de cada material, Goia esculpe em processos permeáveis a sua produção, não deixando de construir por vezes peças surpreendentes. É o caso de Cabelos (2015), óleo sobre tela de 167 cm x 167 cm. Com diagonais em vermelho, que rimam em pulsão com os ‘tufos’ alaranjados que pontuam marcadamente a superfície da tela, o conjunto reforça a temporalidade mais densa do óleo. Contudo, não deixa de criar novas relações profícuas com a agilidade sintética da acrílica e o dado mais gráfico da serigrafia. “Cada material proporciona uma duração diferente no processo”, frisa a artista.

Em Resíduos de um ritmo, Goia Mujalli desata amarras que fixam definições rijas nos escaninhos de cada suporte. Constrói um trajeto que se move por entre o visível e o apagado, o íntegro e o fragmentado, forjando atributos matéricos a partir do abstrato. Parece, então, criar em tintas vivas e não lineares uma sentença sobre questão do teórico Rudolf Arnheim (1904-2007), formulada em 1989: “O que tornou-se a abstração?” 2. Certamente a resposta da artista não vem de modo uno nem planificado.

Mario Gioia, junho de 2016

1. FAVARETTO, Celso; BRAGA, Paula. Hélio Oiticica – Estrutura Corpo Cor. São Paulo, Base 7/Fundação Edson Queiroz, 2016, p. 27

2. ARNHEIM, Rudolf. Ensayos para rescatar el arte. Madri, Cátedra, 1992, p. 29

Chegaram à VB&M os exemplares da agência de QUANDO FINALMENTE VOLTARÁ A SER COMO NUNCA FOI, de Joachim Meyerhoff, um dos mais notáveis e consagrados autores da literatura alemã contemporânea. Um autor respeitado literariamente e que conversa com o público de seu país às centenas de milhares de livros vendidos. A edição brasileira da Valentina, comandada por Rafael Goldkorn com direção editorial de Rosemary Alves, ficou maravilhosa.

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Trata-se de um romance de formação muito baseado na vida do próprio Meyehoff, talvez por isso seu maior sucesso. A história é narrada por um menino filho de um psiquiatra cuja família mora dentro de um hospício. Claro que a noção de normalidade do narrador não pode ser a mesma de outros garotos de sua idade.

Gozado é que para nós o título da edição da Valentina, traduzido literalmente do original alemão, tem um eco muito brasileiro, muito nosso. Quem tem mais de 40 anos se lembra que ao fim do governo Collor, estávamos todos no Brasil exaustos de ser tão canhestros, tão diferentes do resto do mundo, com aquela inflação galopante que fazia a vida da gente ser tão absurda, com aquela impossibilidade de usar cartão de crédito internacionalmente, com aquelas histórias de milicos torturadores e militantes da luta armada que queriam fazer do Brasil uma grande Cuba, com aquela democracia que não deslanchava. Vieram o Plano Real, os dois mandatos presidenciais de FHC, o primeiro do Lula, e de repente pareceu que estávamos entrando no Primeiro Mundo, que finalmente havíamos nos tornado normais. Mas quando começamos a acreditar, caíram sobre nossas cabeças mensalão, a devastação econômica deflagrada por cinco anos e meio de incompetência desonesta de Dilma Roussef, a tragédia da Petrobrás e do petrolão.

A maioria de nós continua a acreditar que em algum momento demos certo e tivemos sucesso. Não creio. A bonança da era Lula foi uma fantasia sem lastro, e a consequência está aí na nossa infraestrutura aos pedaços, sem escola, sem saúde, com quase 12 milhões de desempregados. Mas o fato é que regredimos a nossa anormal normalidade. Podemos dizer como no romance de Meyerhoff que tudo que queremos é voltar a ser como nunca fomos.

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Apresentamos aqui a capa da Seven Stories Press para MERCADORES DE GENTE: O NEGÓCIO DO SEQUESTRO POR DENTRO DA CRISE DOS REFUGIADOS, de Loretta Napolioni. A tradução do título é nossa; não sabemos se será efetivamente esse o título definido por Ana Paula Costa, para a edição da Bertrand, no Brasil.
Seja qual for o título, livraço, leitura muito importante a sair por aqui em novembro. Deprimente mas fundamental, mostrando que a podridão não é exclusividade do Brasil. O mundo está desnorteado.

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A capa valerá para todas as edições em língua inglesa. Além dessa da SSP, nos Estados Unidos, a britânica e a australiana.

A vertiginosa política brasileira está destrinchada em mais esse lúcido e clarividente artigo de Sérgio Abranches.

“A decisão liminar do ministro Teori Zavascki afastando o deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados e do exercício do cargo eletivo é constitucional e lógica. Surgiu como surpresa na madrugada, embora a decisão fosse previsível, porque já havia pedido no mesmo sentido, embora com distinto fundamento, na pauta do dia. O ministro obteve confirmação unânime da medida cautelar. Outros fatos previsíveis, trazendo consequências irreversíveis, estão amadurecendo. Mas a previsibilidade do conhecido não afasta a possibilidade do inesperado.

A linha sucessória da Presidência da República é definida pela Constituição e condicionada pelo princípio da harmonia e independência dos poderes. O sucessor é o vice e os substitutos eventuais os presidentes da Câmara e do Senado. A decisão do ministro Zavascki respeita, com coerência, essa definição constitucional e estabelece isonomia nas decisões que o Supremo Tribunal Federal tem tomado ao longo dessa crise política. É mais um ato no processo de judicialização, provocado pela mediação do Judiciário na crise entre Executivo e Legislativo, que é a mãe das crises internas no Congresso. A decisão, apoiada por unanimidade, foi moderada. A obstrução da justiça, razão principal do afastamento de Cunha, no campo penal justifica a prisão preventiva, como lembrou o ministro Edson Fachin em seu voto. Não pode ser considerada uma intervenção indevida do Poder Judiciário no Poder Legislativo. Ela ficou na fronteira última da independência entre os poderes. Daí o relator defini-la como “excepcional, pontual e individualizada”. Ponto que também foi ressaltado pelo ministro Dias Toffoli, exatamente para deixar claro que não se trata de invasão de poder, de “empoderamento” do Judiciário em detrimento do Legislativo. O STF respeitou a reserva de poder constitucional do Legislativo ao apenas suspender o deputado de seu mandato como deputado e do cargo de presidente da Mesa. A cassação só pode ser decidida pela Câmara dos Deputados, a partir de manifestação da Comissão de Ética. A comissão fica agora sob forte pressão política e moral para aprovar o parecer pela cassação. Mas ela foi composta por Eduardo Cunha para evitar isso. Contudo, a política é dinâmica, move-se na direção dos ventos e eles sopram para longe de Cunha.”

Continua…

Acesse o link para ler mais: http://www.ecopolitica.com.br/2016/05/06/o-inexoravel-e-o-inesperado-no-momento-politico-brasileiro/