Tag: Romance

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Neste blog, já escrevemos sobre estranhos casos em que ficção de autores da VB&M previram no detalhe acontecimentos da vida real. O ex-torturador disposto a contar o passado e em seguida assassinado no romance TEMPOS EXTREMOS, de Míriam Leitão, antecipou a morte de um delator da Comissão da Verdade. Um operador financeiro forja a própria morte em A BÍBLIA DO CHE, de Miguel Sanches Neto, de maneira muito semelhante ao que se fala sobre José Janene no escândalo do Petrolão. A BÍBLIA DO CHE ainda está por ser publicado no fim do mês, mas eu li a história escrita pelo Miguel muito antes das especulações sobre a pseudo-morte do Janene.

Hoje podemos falar de a vida imitando a arte não com mortes, mas com um nascimento. No dia 21, será lançado no Rio de Janeiro pela Tordesilhas o romance do autor português Jorge Reis-Sá, A DEFINIÇÃO DO AMOR, que conta a história de um marido e pai apaixonado e angustiado refletindo à beira do leito da mulher grávida e em coma, à espera do nascimento do filho. Em Portugal, o romance de Jorge saiu em 2015 e encontrou uma crítica maravilhosa. Pois neste 8 de junho os jornais portugueses noticiam que no Hospital de S. José, em Lisboa, os médicos de Obstetrícia e da Unidade de Neurocríticos realizaram o parto de um bebê nascido de uma mãe há quatro meses em morte cerebral. Nunca em Portugal se tinha conseguido nada semelhante.

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A Guerra & Paz, de Manuel Fonseca, ótima editora portuguesa de A DEFINIÇÃO DO AMOR, emitiu um comunicado à mídia e presenteou os médicos do Hospital de S. José com exemplares do romance de Jorge. No Rio de Janeiro, o lançamento do livro terá a presença de Antônio Cícero, Eucanaã Ferraz e Alice Sant’Anna lendo trechos da obra e debatendo o fazer literário. Será a saudação dos poetas ao triunfo da vida sobre a morte para além da literatura.

LVB

 
A VIDA IMITA A ARTE
Um romance, A definição do Amor, de Jorge Reis-Sá, antecipou o milagre do Hospital de S. José
 
Ontem aconteceu o que, à falta de outro termo, poderíamos chamar um pequeno milagre. Foi no Hospital S. José, em Lisboa. Os médicos de Obstetrícia e da Unidade de Neurocríticos daquele Hospital realizaram o parto de um bebé, que nasceu de uma mãe há quatro meses em morte cerebral. Nunca em Portugal se tinha conseguido nada semelhante.
Ou melhor, já tinha acontecido, se considerarmos que a arte tem alguma coisa a ver com a vida. Um romance de Jorge Reis-Sá, A Definição do Amor, trata exactamente este tema. Um homem, marido e pai, reflecte, angustia-se, espera e vive, semanas em cima de semanas, à beira de uma cama onde a mulher, que amou e ama, está em coma, grávida. Pensa, sofre, e espera o nascimento de um filho, o mesmo milagre que, agora, na vida real, sempre pronta a imitar a arte, os médicos do Hospital S. José conseguiram realizar.
Um extraordinário romance, A Definição do Amor, foi publicado pela Guerra e Paz em Abril de 2015. Um romance que a editora acaba, agora, de enviar, aos médicos do Hospital de S. José, saudando este triunfo da vida sobre a morte, que não é afinal um exclusivo da arte.