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O autor de DOCE GABITO e O ARROZ DE PALMA, Francisco Azevedo, será o convidado especial da sessão de abertura do clube do livro do Gabo Café, que está montando com a Editora Record uma exposição na Fábrica Bhering em homenagem a Gabriel Garcia Márquez no aniversário de 50 anos da publicação de CEM ANOS DE SOLIDÃO. PublishNews traz detalhes sobre a programação.

DOCE GABITO, como se pode supor pelo título, é um romance tocante que paga tributo a García Márquez pelo intenso prazer literário que a vasta obra do autor colombiano propiciou a seus leitores. Para quem só conhece o Chico de O ARROZ DE PALMA, recomenda-se vivamente a leitura de DOCE GABITO, outro romance eterno, assim como será OS NOVOS MORADORES, último lançamento do autor.

 

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Ancelmo Gois noticiou em sua coluna do Globo a negociação dos direitos de O SEGREDO DO ORATÓRIO e UMA PRAÇA EM ANTUÉRPIA, de Luize Valente, visando a dois seriados de TV. Compraram os direitos os super brilhantes e competentes diretores e produtores de cinema Paula Fiúza, do documentário “Sobral”, e Breno Silveira, de “Dois filhos de Francisco”. Realmente, o trabalho literário de Luize parece pronto para a linguagem cinematográfica.

Ancelmo revelou também que o novo romance da autora, SONATA EM AUSCHWITZ, sai pela Record em outubro. Outro livro a apresentar aspectos ainda incrivelmente desconhecidos da tragédia do Holocausto, com cenários em Berlim e Orade, esta uma cidadezinha romena com um terço da população de judeus, na época da ascensão do nazismo e durante a guerra; nos campos de Terezin e Auschwitz; e em Lisboa e no Rio de Janeiro, estas as partes contemporâneas.

Luize Valente tem um talento impressionante para comunicar como se sentiam e vivenciavam aqueles tempos negros. A Noite de Cristal descrita em SONATA DE AUSCHWITZ é tão viva que, terminada a leitura da passagem, achamos que vamos abrir a porta de casa e na rua encontrar cacos de vidro das vitrines quebradas. Dois protagonistas do romance já apareceram em UMA PRAÇA EM ANTUÉRPIA. Para quem quer material para grandes seriados, nada mais impactante e bem construído.

Os exemplares de hoje chegando à VB&M são de ANITA, o romance de Thales Guaracy, que a Record desembarcou nas mesas das livrarias ao longo das duas últimas semanas. É uma linda história de mulher _ como se diz hoje _ empoderada, brilhantemente narrada do ponto de vista de Giuseppe Garibaldi, seu homem, seu grande amor,  única pessoa que poderia conhecer e contar a infância e a juventude da guerreira Anita.

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Empoderada é termo nosso. A narrativa de Thales é perfeita, sem anacronismos. Mas é inacreditável que em pleno século XIX tenha havido uma mulher como Anita Garibaldi, tão destemida e segura de seus desejos, tão certa de seu valor.

ANITA é uma leitura para a mulher de hoje, que ainda precisa romper com seus demônios interiores. Uma leitura também para o homem de hoje, que ainda tem tanto a aprender sobre o que é ter uma companheira. Um romance de profundas batalhas do coração e de tremendas batalhas campais para todo tipo de leitor.

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Chegaram hoje à agência os exemplares de cortesia de MEDITERRÂNEOS INVISÍVEIS: Os muros que excluem os pobres e aprisionam os ricos, do senador Cristovam Buarque, publicado por Andreia Amaral, pela Paz & Terra, selo do Grupo Record. A edição do livro ficou bonita com uma capa eficaz de Sergio Campante.

Misto de ensaio, reportagem e relato de viagens, MEDITERRÂNEOS INVISÍVEIS aborda o problema dos refugiados do Oriente Médio na Europa dentro do quadro conceitual que o senador desenvolveu em A CORTINA DE OURO: depois da queda do Muro do Berlim, a divisão fundamental da humanidade passou a ser a apartação entre pessoas ricas e pobres. O livro começa com a viagem de Cristovam à fronteira da Turquia com a Síria, onde ele entrevistou refugiados e suas famílias; e a narrativa segue passando por vários outros lugares críticos, do Nordeste brasileiro a países africanos.

Cristovam Buarque, o “Senador da Educação”, tem mais de 30 livros publicados. Sua campanha à presidência da República em 2006 centrou-se  na defesa de uma revolução educacional no Brasil. Passada essa triste década de bolha e mentiras, a ilusão da distribuição de renda a partir de concessão de crédito para consumo completa e devidamente implodida, as teses de Cristovam Buarque não poderiam ter comprovação mais enfática.

No fim de semana, Ancelmo Gois noticiou em sua coluna do Globo a contratação dos direitos de publicação de CIDADE LIVRE, de João Almino, pela Ikona, na Macedônia. O romance, um empreiteiro da fundação de Brasília contando ao filho sua história de corrupção, já está em inglês e francês. É um livro lindo.

O romance de João Almino “Cidade Livre” em que um construtor de Brasília conta ao filho sua história de corrupção nas obras de fundação da capital, vai sair em 2017 na Macedônia, pela editora Ikona. O livro já tem tradução francesa da Metailié e inglesa da Dalkey Archive Press.

Depois de CIDADE LIVRE veio ENIGMAS DA PRIMAVERA, lançado pela Record no ano passado e que também já saiu em inglês, sempre pela Dalkey Archive Press. Talvez por estar finalista do Prêmio São Paulo, ENIGMAS tem despertado interesse em várias casas no exterior nas últimas duas semanas. Muita gente lendo.

João Almino acaba de por o ponto final em um novo livro, ENTRE FACAS, ALGODÃO. Diferente de todos os outros. Aliás, os romances do João são sempre perturbadores em si e por se colocarem como ruptura em relação à obra anterior. Um romance de vingança passado no Nordeste. Carlos Andreazza, seu editor, está lendo.

http://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/cidade-livre-romance-de-joao-almino-sera-publicado-na-macedonia.html

O artigo de Evaristo de Miranda sobre a agricultura brasileira no Estadão de segunda-feira, 26 de setembro, como sempre chacoalha todas as nossas ideias, proporciona um ponto de vista totalmente diferente sobre a realidade. Continuamos pensando que as memórias de Evaristo sobre seu tempo no Sahel, pesquisando a agricultura e a pecuária da região, A GEOGRAFIA DA PELE, publicado pela Record, é um dos mais belos e importantes livros que a VB&M representou desde sua fundação há quatro anos.

Alimentar o mundo

Divida a produção de grãos de um país pelo seu número de habitantes. Se o resultado ficar abaixo de 250 kg/pessoa/ano, isso significa insegurança alimentar. Países nessa situação importam alimentos, obrigatoriamente. E são muitos os importadores de alimentos vegetais e animais em todos os continentes, sem exceção. O crescimento da população, da classe média e da renda, sobretudo nos países asiáticos, amplia anualmente a demanda por alimentos diversificados e de qualidade, como as proteínas de origem animal.

O mais vendido refrigerante do mundo define sua missão como a de “saciar a sede do planeta”. A missão do Brasil já pode ser: saciar a fome do planeta. E com os aplausos dos nutricionistas.

Em 2015 o Brasil produziu 207 milhões de toneladas de grãos para uma população de 206 milhões de habitantes. Ou seja, uma tonelada de grãos por habitante. Só a produção de grãos do Brasil é suficiente para alimentar quatro vezes sua população, ou mais de 850 milhões de pessoas. Além de grãos, o Brasil produz por ano cerca de 35 milhões de toneladas de tubérculos e raízes (mandioca, batata, inhame, batata doce, cará, etc.). Comida básica para mais de 100 milhões de pessoas.

A agricultura brasileira produz, ainda, mais de 40 milhões de toneladas de frutas, em cerca de 3 milhões de hectares. São 7 milhões de toneladas de banana, uma fruta por habitante por dia. O mesmo se dá com a laranja e outros citros, que totalizam 19 milhões de toneladas por ano. Cresce todo ano a produção de uva, abacate, goiaba, abacaxi, melancia, maçã, coco… Às frutas tropicais e temperadas se juntam 10 milhões de toneladas de hortaliças, cultivadas em 800 mil hectares e com uma diversidade impressionante, resultado do encontro da biodiversidade nativa com os aportes de verduras, legumes e temperos trazidos por portugueses, espanhóis, italianos, árabes, japoneses, teutônicos e por aí vai, longe.

À produção anual de alimentos se agrega cerca de 1 milhão de toneladas de castanhas, amêndoas, pinhões e nozes, além dos óleos comestíveis – da palma ao girassol – e de uma grande diversidade de palmitos. Não menos relevante é a produção de 34 milhões de toneladas de açúcar/ano, onipresente em todos os lares, restaurantes e bares. A produção vegetal do Brasil já alimenta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, usando para isso apenas 8% do território nacional.

E a tudo isso se adiciona a produção animal. Em 2015 o País abateu 30,6 milhões de bovinos, 39,3 milhões de suínos e quase 6 bilhões de frangos. É muita carne. Coisa de 25 milhões de toneladas! O consumo médio de carne pelos brasileiros é da ordem de 120 kg/habitante/ano ou 2,5 kg por pessoa por semana. A estimativa de consumo médio de carne bovina é da ordem de 42 kg/habitante/ano; a de frango, de 45 kg; e a de suínos, de 17 kg; além do consumo de ovinos e caprinos (muito expressivo no Nordeste e no Sul), de coelhos, de outras aves (perus, angolas, codornas…), peixes, camarões e crustáceos (cada vez mais produzidos em fazendas) e outros animais.

O País produziu 35,2 bilhões de litros de leite (ante 31 bilhões de litros de etanol), 4,1 bilhões de dúzias de ovos e 38,5 milhões de toneladas de mel, em 2015. É leite, laticínios, ovos e mel para fazer muitos bolos, massas e doces nas casas do maior produtor de açúcar.

Em 50 anos, de importador de alimentos o Brasil tornou-se uma potência agrícola. Nesse período, o preço dos alimentos caiu pela metade e permitiu à maioria da população o acesso a uma alimentação saudável e diversificada e a erradicação da fome. Esse é o maior ganho social da modernização agrícola e beneficiou, sobretudo, a população urbana. O Brasil saiu do mapa dos países com insegurança alimentar.

Com o crescimento da população e das demandas urbanas, o que teria acontecido na economia e na sociedade sem esse desenvolvimento da agricultura? Certamente, uma sucessão de crises intermináveis. Era para a sociedade brasileira agradecer todo dia aos agricultores por seu esforço de modernização e por tudo o que fazem pelo País. A Nação deve assumir a promoção e a defesa da agricultura e dos agricultores, com racionalidade e visando ao interesse nacional.

De 1990 a 2015 o total das exportações agrícolas superou US$ 1 trilhão e ajudou a garantir saldos comerciais positivos. A Ásia responde hoje por 45% das exportações do agronegócio brasileiro e a China, sozinha, por um quarto desse montante. Com a China, um parceiro estratégico para o futuro da agropecuária brasileira, criaram-se perspectivas novas e mútuas para indústrias de processamento, tradings e para investimentos em infraestrutura de transporte, armazenagem e indústrias de base.

A recém-concluída missão de prospecção e negócios de quase um mês por sete países da Ásia, liderada pelo ministro Blairo Maggi, buscou um novo patamar de inserção da agropecuária no comércio internacional. Acompanhado por uma equipe ministerial e por cerca de 35 empresários de 12 setores do agro, essa missão histórica percorreu China, Coreia do Sul, Hong Kong, Tailândia, Mianmar, Vietnã, Malásia e Índia. Alimentar o mundo é sinônimo de alimentar a Ásia. Isso exige empreendedorismo, inovação, coordenação público-privada e parcerias de curto e de longo prazos.

Mas o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, juntamente com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, tem uma meta ambiciosa: passar de uma participação decrescente de 6,9% no comércio agrícola internacional para 10%. E ser capaz, em breve, com tecnologia, sustentabilidade, competência e competitividade, de alimentar mais de 2 bilhões de pessoas.

http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,alimentar-o-mundo,10000078155

O PublishersMarketplace noticiou hoje a contratação de dois títulos do nome maior do romance histórico, Anya Seton, pela editora Renata Pettengill, da Record, em negociação conduzida por Anna Luiza Cardoso.

Brazilian rights to Anya Seton’s KATHERINE and DRAGONWYCK, to Renata Pettengill at Record, by Anna Luiza Cardoso at Villas-Boas & Moss Literary Agency, on behalf of Debbie Engel at Houghton Mifflin Harcourt.

Para quem ainda não conhece a obra de Seton, trata-se da rainha do romance histórico, principal referência para, por exemplo, a contemporânea Phillipa Gregory, que nas novas edições da Houghton Mifflin Harcourt, nos EUA, prefacia vários dos títulos da mestra.

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KATHERINE, de 1954, é na verdade uma renovação contratual, pois o livro figura com sucesso no catálogo da Record há alguns bons anos. Reconta como ficção a história real de um dos maiores casos amorosos da história britânica, entre Katherine Swynford e o Duque de Lancaster, John de Gaunt, da casa dos Plantagenetas, relação extraconjungal que atravessou boa parte do século XIV até o casamento dos dois, depois de quatro filhos. É uma leitura absolutamente encantadora e irresistível, que eu (LVB) não poderia recomendar mais vivamente. Anya Seton, falecida em 1990 aos 86 anos, construiu reputação como imensa pesquisadora, e lendo seus livros sentimo-nos completamente mergulhadas na época descrita, que varia muito de romance para romance.

A boa notícia do dia é portanto a decisão da Record de continuar a publicação da autora no Brasil com a contratação de DRAGONWYCK. A história não poderia ser mais diferente daquela de KATHERINE, em meados do século XIX, nos Estados Unidos, levantando várias questões sociais da época. Foi um de muitos livros de Seton adaptados para Hollywood, produção de 1946 (o romance é de 1944), com direção de Joseph Mankiewicz, e Vincent Price, Gene Tierney e Walter Huston nos papéis vértices do sofrido triângulo amoroso que é relatado.

Nem a Inglaterra do século XIV nem os EUA pré-Guerra Civil são cenários típicos do romance histórico que cativa leitores brasileiros, mais apreciadores de narrativas passadas na França ou, em se tratando de Inglaterra, na era Tudor. KATHERINE, no entanto, é um sucesso para a Record, gerando royalties muito interessantes anos após ano à proprietária dos direitos nos EUA por meio da editora Houghton Mifflin Harcourt, cliente da VB&M. A originalidade dos temas e das histórias que escolheu para contar tornam a ficção de Anya Seton ainda mais fascinante e de várias maneiras instrutiva, oferecendo a seu público um olhar culto sobre períodos obscuros da história ocidental.

[C2BR - 1]  ESTADO/CAD2&CULTURA/PAGINAS ... 23/07/16

O professor da USP Elias Thomé Saliba assinou no Estadão resenha consagradora de TENENTES: A GUERRA CIVIL BRASILEIRA, de Pedro Dória, recém-lançado pela Record. Disse que Dória reconstruiu “a história dos movimentos tenentistas da década de 1920 com uma narrativa trepidante, à maneira de um filme, composta de planos curtos que, às vezes, lembram uma biografia coletiva, com a diferença que a descrição dos principais personagens se faz por um rápido esboço, suficientemente capaz de segurar o leitor para este não perder o fio da trama.”

Crítica bem feita e bem escrita, atrativa para o livro e para si mesma, refletindo uma leitura atenta e perspicaz, mas seu valor não é só esse. Bom testemunhar que a academia brasileira está superando a velha bronca de ver jornalistas tornarem-se escritores de narrativas históricas de apelo popular.13584651_719391504866943_7562430360257392755_o

Não pode ser de outra maneira. Quanto mais a população puder apreciar o saber histórico por meio de livros escritos não com a linguagem técnica da historiografia mas com o sabor das melhores reportagens, mais valorizados serão a formação e o ofício do historiador.  Ainda: quem sabe de trata de mais um sinal de que o tempo dos corporativismos mesquinhos, de uma sociedade fatiada em feudos protecionistas, esteja finalmente começando a declinar no Brasil.

(LVB)

 http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-de-pedro-doria-reconstroi-a-historia-dos-movimentos-tenentistas-da-decada-de-1920,10000064511

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O editor Sérgio Machado, falecido na quarta-feira, 20 de julho, uma vez compartilhou comigo seu divertido critério no processo de tomada de decisões. Ele pensava sempre como constaria em seu obituário a ação a ser decidida. Se houvesse risco de figurar de maneira negativa, passava a tema fora de questão. Se não fosse algo a constar do obituário, não merecia seu tempo de reflexão. Mas se, ao contrário, fosse algo que afetaria positivamente o texto sobre sua vida, então mãos à obra.

Trabalhei com Sérgio durante 17 anos, sua principal executiva dentro do Grupo Record no posto de diretora editorial. Naturalmente, ontem, alguns jornalistas me pediram declarações sobre ele. Tentei realçar aspectos de sua trajetória que o próprio Sérgio gostaria de ver em destaque no obituário.

Primeiro, o fato de que mais que triplicou a Record em relação à empresa recebida de herança do pai, Alfredo Machado, pelos três irmãos _ Sérgio, Sônia e Alfredinho. Narcisista assumido após curto período de psicanálise no final dos anos 90 (narcisista dos bons, dos que realizam), ele encarava o desafio de deixar uma obra igual ou superior à do velho Alfredo, um modernizador da indústria e do mercado editorial brasileiros. Tinha pavor da figura do herdeiro sanguessuga, que dissipa a fortuna recebida, e se entregou ao trabalho de engrandecer a Record, corrigindo desvios de rumo dos quais uma editora _ devendo atravessar ao longo de sete décadas várias moedas nacionais e períodos de inflação de até 500% ao ano _ fatalmente não poderia escapar.

Como traço da personalidade, destaquei nas entrevistas a generosidade do Sérgio com o próprio conhecimento. Compartilhava sua experiência não só com discípulos eleitos como eu, ou mais recentemente o editor Carlos Andreazza, mas com toda a equipe. Gostava de ensinar, todo mundo aprendia com ele, que não escondia o pulo do gato.

Sérgio tinha um temperamento forte, e o meu também às vezes é explosivo. Tivemos brigas medonhas, mas a simbiose foi intensa. Tanta e, sem consciência de minha parte, tão visível ao olho externo, que ontem me surpreendi com a quantidade de mensagens de autores da Record e da VB&M e também de colegas do exterior que me escreveram notas de pêsames.

Chico Azevedo mandou email lindo falando do respeito que tinha pelo Sérgio, do orgulho de pertencer à Record, do trabalho “excepcional” que fizemos juntos e do mundo de lembranças boas e difíceis que deveriam estar passando por minha cabeça, uma história de “disposição e garra”. Ao voltar do velório, Míriam Leitão enviou mensagem recordando um almoço nós três que, para ela, foi o momento de deslanche de sua carreira literária.

Muita gente expressou a ideia de fim de uma era. Nossa amiga britânica Jessica Buckman, a agente mais linda e doce do mercado internacional, escreveu que sabia que já havia anos Sérgio e eu termináramos a colaboração profissional, mas foi tanto tempo juntos e formávamos uma equipe tão legal _ “you were such a good team” _ que “(a morte dele) deveria ser terrivelmente triste” para mim; “o fim de uma era”. Super carinhoso Rafael Cardoso imaginou que eu estivesse abalada e mandou um abraço: “é toda uma época que passou.” Muitos emails e muito nó na garganta.

Ao longo do dia e hoje ainda, conversei por telefone ou eletronicamente com as scouts Agnes Krupp, Louise Allen-Jones, Lucy Abrahams, que trabalham ou trabalharam para a Record. (Scouts são as olheiras que reportam para os editores clientes os originais com potencial que estão entrando no mercado em cada um de seus territórios.) Agnes quer organizar um serviço ecumênico no Frankfurterhof, durante a feira de Frankfurt, para dar oportunidade aos colegas americanos e europeus de também fazerem seu luto pela morte do Sérgio.

Acredito, porém, que o fim daquela era a que as pessoas se referem já havia se dado há mais de quatro anos, quando saí da Record para fundar a VB&M. A saída não foi fácil, não estava nos planos do Sérgio, e ele não gostava de ser surpreendido, mas depois a ferida fechou. Nos encontramos algumas vezes, tudo certo, uma relação então mais distante, mas pacificada. Como agente, com o Grupo Record e toda a equipe tão maravilhosa de lá, a relação continou densamente afetiva, pois em determinado momento chegamos mesmo a formar uma família _ os Machado, eu, o editorial, a contabilidade, o pessoal de vendas; um laço nos unia a todos.

A hospitalização do Sérgio, da qual tive notícia somente em março, e as notícias sobre sua condição de saúde reacenderam em mim a noção de quanto eu o admirava e lhe queria bem. Pensava nele todos os dias. Sonhei uma noite que o apresentava a meus pais (já falecidos) e eles o acolhiam e abraçavam. Acordei perturbadíssima tentando entender o significado do sonho.

Sua morte e as mensagens que recebi foram o que me fez refletir sobre a dupla que chegamos a compor, algo que realmente existiu, funcionou, teve consequências, sem que eu definisse o que era aquilo enquanto o vivia e sem lhe haver atribuído o devido valor. Éramos parecidos em muitos aspectos e creio que simplesmente tentávamos fazer a coisa certa _ empresarialmente, culturalmente, pessoalmente. A cada momento, mas sem maiores reflexões.

Eu gostava mais de livro do que ele, Sérgio media o sucesso das coisas mais monetariamente, mas ambos adorávamos o jogo editorial. Obviamente, eu não tinha prazer algum em dar prejuízo à Record, também queria livros que vendessem e uma editora líquida financeiramente, ao mesmo tempo em que tentava embicar a casa como vanguarda de tendências culturais e de gostos literários. Ele apreciava como eu as apostas inusitadas e confiava no meu taco.

Juntos, transformamos a Record numa verdadeira indústria de novos talentos brasileiros _ Alberto Mussa, Edney Silvestre, Francisco Azevedo, Luize Valente, Miguel Sanches Neto, Rafael Cardoso, Ronaldo Wrobel, me desculpem todos os outros cujos nomes tenho que omitir porque senão a lista fica longa demais; só dá para entrar os que primeiro me vêm à mente. Ao mesmo tempo em que buscávamos os novos, tentávamos conferir devida glória a imensos escritores até então patinando sem o reconhecimento merecido, como Cristóvão Tezza, Manoel de Barros, Lya Luft, Betty Milan e, em certa medida, também Adélia Prado, que contratamos ainda antes de ela ser representada por nossa amiga Lúcia Riff, e um clássico como Lúcio Cardoso.

Sérgio Machado, um liberal convicto, achava divertido sua editora transformada em plataforma da esquerda marxista na época do Fórum Social, entre 2001 e 2003, quando levei para a Record livros como SEM LOGO, de Naomi Klein, IMPÉRIO, de Antonio Negri e Michael Hardt, e um número sem fim de autores brasileiros engajados. Na época, eu ainda acreditava ideologicamente naquilo; hoje, embora não pense exatamente como ele, estou muito mais próxima de alguns de seus valores políticos. Claro que Sérgio achava divertida a esquerdice da Record _ localizada não só, mas bastante, no selo Civilização Brasileira, que ele adquirira já com esse perfil _, porque os livros vendiam espetacularmente.

Depois, em 2003, Lula assumiu a presidência, e a esquerda brasileira no poder começou a revelar sua verdadeira cara e natureza. Aquela brincadeira do Fórum, editorialmente, perdeu toda a graça. Para mim, o mensalão foi uma ducha de água fria, e o pensamento único esquerdinha ultrapassou todas as medidas do que eu podia tolerar. Precisamente, tanto Sérgio como eu gostávamos de épater, e nos divertimos chocando com a guinada da Record para LULA É MINHA ANTA, de Diogo Mainardi, e O PAÍS DOS PETRALHAS, de Reinaldo Azevedo. Sem chegar à loucura e à irresponsabilidade, Sérgio era muito corajoso como editor.

Nossos pontos em comum eram muitos eticamente e como temperamento. Na medida do humano e do possível, tentávamos ser leais e justos um com o outro e com as pessoas em geral. O ser humano carrega inerentemente seu egoísmo, e ser justo não é fácil, exige uma luta diária consigo mesmo. Sérgio se exasperava quando algo evidente não era compreendido por terceiros, ou quando percebia alguém querendo dar um jeitinho para lhe passar a perna. Acho que não me exaspero tanto diante de situações equivalentes, mas me irrito bastante.

Enfim, isso já não interessa a ninguém. Quero só terminar apontando uma característica que nos distinguia radicalmente: meu obituário não me importa a mínima. Tenho certeza, infelizmente, que Sérgio Machado não está podendo curtir as muitas páginas sobre seu falecimento e sua disseminada presença na internet hoje.

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Nosso autor, Marcel Novaes.

A coluna Gente Boa, do Globo, deu uma nota sobre a aposta de Carlos Andreazza, editor da Record, na história e política dos EUA como tema editorial para o público brasileiro. Além de uma biografia de Ronald Reagan, o livro do autor da VBM Marcel Novaes sobre a Revolução Americana, O GRANDE EXPERIMENTO, maneira como Alexis de Tocqueville se referia à sociedade que se desenvolvia no outro lado do Atlântico Norte em oposição à Europa de tradições feudais.

O livro de Marcel é espetacular, e nós concordamos totalmente com Carlos Andreazza. É fundamental que o brasileiro compreenda mais profundamente a trajetória dos Estados Unidos, muito mal ensinada nas escolas e até nos cursos de História, em que figura em posição secundária aos processos europeus. A Revolução Americana e todas as propostas sociais que dela surgiram, resultando na potência que são hoje os EUA, precisam ser entendidas em seu caráter libertário, resultante de um movimento de iguais – os colonos – contra a metrópole britânica.

Ao contrário do que veio a se passar no Brasil, a resistência dos colonos nos EUA não foi dificultada pelo interesse de manter a ordem escravocrata. Entre nós, a cada vez que os movimentos contra Portugal ou contra o regime imperial se radicalizavam, os rebeldes davam para trás com medo de que se passasse no Brasil uma experiência como a haitiana em que a independência nacional se deu pela revolta dos negros e abolição do regime escravocrata. No que veio a ser os EUA, as regiões escravocratas do Sul tiveram que se subordinar às formulações das colônias do Norte, que praticamente desconheciam a escravatura negra.

Daí a beleza e a saúde da Revolução Americana. Temos muito que aprender nesse processo. O livro do Marcel lembrou-me uma frase fundamental para nós, brasileiros, que nos últimos anos descuidamos completamente de proteger nossos mais importantes bens: “A eterna vigilância é o preço a pagar pela liberdade”. Vamos saber mais sobre a história americana e dar menos bobeira na política brasileira.

Eleições americanas são aposta da editora Record

POR MARIA FORTUNA

11/04/2016 17:45

Ronald Reagan

Ronald Reagan | AP:Associated Press

As eleições americanas serão um campo editorial bastante explorado pela Record no segundo semestre. Além de uma biografia de Ronald Reagan, a editora lançará “O grande experimento”, livro de Marcel Novaes sobre a Revolução Americana. “Vai inaugurar uma frente de popularização agora da história internacional”, acredita o editor Carlos Andreazza.