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Com um tanto de atraso, em função da agitação da semana passada, repercutimos e festejamos a notícia da coluna do Ancelmo Góis, no Globo, sobre a publicação de LAVA-JATO, de Vladimir Netto, pela portuguesa Saída de Emergência, em abril de 2018. O autor irá a Lisboa e Porto para autógrafos e palestras sobre a luta titânica dos brasileiros contra a cleptocracia e a corrupção.

Taí uma negociação que causou grande alegria à equipe da VBM. Em grande parte consequência da expedição de Anna Luiza a Lisboa, em junho, para visitas a editoras lusas, a venda dos direitos de publicação de LAVA-JATO em Portugal é gratificante pela importância da divulgação internacional do livro de Vladimir e porque se trata de mais um autor da agência com a super parceira Saída de Emergência, que também publica lindamente nossa querida Luize Valente.

(Sobre Luize em Portugal, vem novidade por aí. Aguardem um tico.)

O Publishers MarketPlace noticiou esta semana a venda de MERCADORES DE GENTE, último livro de Loretta Napolioni, para a Ítaca, em Portugal. Isabel Castro e Silva, que fundou a editora e cuida sozinha da bela lista que vem construindo, já publicou A FÊNIX ISLAMISTA, livro anterior de Loretta, com grande sucesso na terrinha. Além de excelente literatura adulta e livros infantis de altíssima qualidade, ela vem focando em obras que questionem e dialoguem com a atual e ainda seríssima crise dos refugiados que vive a Europa.

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Em Berlim, de onde escrevo, tenho acompanhado de perto o desenrolar da situação. E é triste. Além do drama inicial da fuga, da perigosa travessia para a Europa e dos imensos obstáculos enfrentados na chegada, há um momento posterior de adaptação a um novo país, uma nova cultura, uma nova língua, combinados a uma espera longa, dura, e a uma esperança profunda de que a vida volte a andar no trilho, qualquer que seja ele. Esse pensamento me assalta por aqui a toda hora, nessa cidade à parte da Alemanha, habitada por estrangeiros de dentro e fora do país que é a capital alemã, e me põe a refletir sobre a importância de se pensar e falar sobre o assunto. Em tempos sombrios como os que vivemos, em que a intolerância parece se disseminar como praga, precisamos pensar sobre o outro. Sobre nós e sobre os outros. Tirar os olhos de nossos próprios umbigos e nos colocar no lugar do outro. O egoísmo e o desrespeito humanos são estarrecedores…

E é por isso que livros como os de Loretta Napolioni são importantes. Com linguagem acessível, ambos A FÊNIX ISLÂMICA/ISLAMISTA e MERCADORES DE GENTE dão ao leitor um panorama didático sobre a profunda crise humana que vivemos. Porque muito além de europeia, a crise dos refugiados é sintoma de uma doença da espécie, que vemos em metástase por todo o planeta. Enquanto A FÊNIX ISLÂMICA/ISLAMISTA dá o beabá do surgimento do Estado Islâmico, MERCADORES DE GENTE relata a cruel realidade da bilionária indústria do sequestro e tráfico de pessoas desenvolvida e explorada por grupos europeus em parceria a jihadistas no Oriente Médio.

No Brasil, MERCADORES DE GENTE está chegando às livrarias pelas mãos de Ana Paula Costa, na Bertrand, editora responsável também pela edição brasileira da FÊNIX. Recebemos as provas de capa e miolo recentemente e podemos garantir que o trabalho está impecável.

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Cumprida a missão da venda, ficamos na expectativa dos lançamentos. Que os livros tão cuidadosamente trabalhados possam chegar a seus leitores e neles despertar as reflexões e questionamentos que nos suscitaram. Afinal, essa é, também, mais uma das funções da literatura lato sensu.

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Neste blog, já escrevemos sobre estranhos casos em que ficção de autores da VB&M previram no detalhe acontecimentos da vida real. O ex-torturador disposto a contar o passado e em seguida assassinado no romance TEMPOS EXTREMOS, de Míriam Leitão, antecipou a morte de um delator da Comissão da Verdade. Um operador financeiro forja a própria morte em A BÍBLIA DO CHE, de Miguel Sanches Neto, de maneira muito semelhante ao que se fala sobre José Janene no escândalo do Petrolão. A BÍBLIA DO CHE ainda está por ser publicado no fim do mês, mas eu li a história escrita pelo Miguel muito antes das especulações sobre a pseudo-morte do Janene.

Hoje podemos falar de a vida imitando a arte não com mortes, mas com um nascimento. No dia 21, será lançado no Rio de Janeiro pela Tordesilhas o romance do autor português Jorge Reis-Sá, A DEFINIÇÃO DO AMOR, que conta a história de um marido e pai apaixonado e angustiado refletindo à beira do leito da mulher grávida e em coma, à espera do nascimento do filho. Em Portugal, o romance de Jorge saiu em 2015 e encontrou uma crítica maravilhosa. Pois neste 8 de junho os jornais portugueses noticiam que no Hospital de S. José, em Lisboa, os médicos de Obstetrícia e da Unidade de Neurocríticos realizaram o parto de um bebê nascido de uma mãe há quatro meses em morte cerebral. Nunca em Portugal se tinha conseguido nada semelhante.

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A Guerra & Paz, de Manuel Fonseca, ótima editora portuguesa de A DEFINIÇÃO DO AMOR, emitiu um comunicado à mídia e presenteou os médicos do Hospital de S. José com exemplares do romance de Jorge. No Rio de Janeiro, o lançamento do livro terá a presença de Antônio Cícero, Eucanaã Ferraz e Alice Sant’Anna lendo trechos da obra e debatendo o fazer literário. Será a saudação dos poetas ao triunfo da vida sobre a morte para além da literatura.

LVB

 
A VIDA IMITA A ARTE
Um romance, A definição do Amor, de Jorge Reis-Sá, antecipou o milagre do Hospital de S. José
 
Ontem aconteceu o que, à falta de outro termo, poderíamos chamar um pequeno milagre. Foi no Hospital S. José, em Lisboa. Os médicos de Obstetrícia e da Unidade de Neurocríticos daquele Hospital realizaram o parto de um bebé, que nasceu de uma mãe há quatro meses em morte cerebral. Nunca em Portugal se tinha conseguido nada semelhante.
Ou melhor, já tinha acontecido, se considerarmos que a arte tem alguma coisa a ver com a vida. Um romance de Jorge Reis-Sá, A Definição do Amor, trata exactamente este tema. Um homem, marido e pai, reflecte, angustia-se, espera e vive, semanas em cima de semanas, à beira de uma cama onde a mulher, que amou e ama, está em coma, grávida. Pensa, sofre, e espera o nascimento de um filho, o mesmo milagre que, agora, na vida real, sempre pronta a imitar a arte, os médicos do Hospital S. José conseguiram realizar.
Um extraordinário romance, A Definição do Amor, foi publicado pela Guerra e Paz em Abril de 2015. Um romance que a editora acaba, agora, de enviar, aos médicos do Hospital de S. José, saudando este triunfo da vida sobre a morte, que não é afinal um exclusivo da arte.