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escribir-escribo-encerrarme-privado-desconectarme_MILIMA20131108_0042_11O argentino César Aira acaba de conquistar o Prêmio Iberoamericano de Narrativa Manuel Rojas. Um dos mais importantes prêmios de literatura do continente, o Manuel Rojas, patrocinado pelo Conselho Nacional de Cultura e Artes do governo chileno e atribuído por um júri internacional, oferece 60 mil dólares, um diploma e uma medalha como reconhecimento da criação literária de um autor latino-americano. Foi instituído em 2012, e o primeiro autor a ganhá-lo foi nosso Rubem Fonseca, seguido pelo argentino Ricardo Piglia.

Aos 67 anos, César Aira, com uma obra vastíssima, para lá de 70 títulos, e traduzido para 20 idiomas, é relativamente conhecido no Brasil. Em 2006, a Nova Fronteira lançou AS NOITES DE FLORES. Em 2013, a Rocco, que tem títulos dele contratados mas ainda por lançar, publicou COMO ME TORNEI FREIRA, e Aira veio para debates e autógrafos na Bienal-RJ. A crítica brasileira gosta muito dele. Sua obra é trabalhada internacionalmente pela agência alemã Michael Gaeb, que a VB&M representa no Brasil.

 Ainda assim, apesar de Aira estar bastante próximo, uma parada para refletir sobre o Prêmio Manuel Rojas dá a medida de quanto desconhecemos da literatura de nossos vizinhos. Pode-se dizer que a recíproca é verdadeira, mas o Brasil não tem prêmios que contemplem a produção continental, enquanto só o Chile promove dois que incluem brasileiros, o Manuel Rojas e o José Donoso, que recentemente homenageou Silviano Santiago.

Não chega a causar imenso estranhamento que os dois últimos premiados com o Manuel Rojas antes de Aira não digam nada ao leitor brasileiro: a mexicana Margo Glantz e o salvadorenho Horacio Castellano, inéditos no Brasil. Estranho mesmo é que um dos gigantes das letras chilenas e da ficção em língua espanhola, e que dá nome à premiação, Manuel Rojas, seja totalmente ignorado do público brasileiro, conhecido talvez por uma meia dúzia de especialistas.

A obra máxima de Rojas, FILHO DE LADRÃO, única entre muitos títulos traduzida para o português, está fora de catálogo há décadas. Saiu pela Civilização Brasileira em priscas eras, muito antes de a editora ser integrada ao Grupo Record. Ainda pode ser encontrada em sebos virtuais.

rojas_manuelParece haver por trás da premiação Manuel Rojas a ideia de aproximação dos territórios literários latino-americanos. Rojas, filho de chilenos mas nascido em Buenos Aires em 1896, simboliza isso. Passou a infância e a juventude entre Argentina e Chile até fazer, ainda muito moço, uma épica travessia a pé de Buenos Aires a Santiago, onde finalmente se estabeleceu e deu início a sua carreira de autor, enquanto realizava trabalhos humildes. É significativo que, de cinco edições do prêmio, duas tenham contemplado autores argentinos, indicando a tentativa por parte do Chile de contribuir para a sedimentação de um terreno comum que supere a histórica rivalidade entre os dois países.

Uma vez passada a grave crise econômica que se abateu sobre o país, será hora de o meio literário brasileiro criar um prêmio continental. Quando a América Latina tiver uma cultura literária comum, saberemos que o continente superou o atraso.

http://www.milenio.com/cultura/cesar_aira-premio_iberoamericano_narrativa_manuel_rojas-milenio-noticias_0_802119988.html

(LVB)