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Depois de assistir a “Paulina”, no Estação, sábado dia 9 de julho, Anna Luiza foi dar nosso clássico cheque na exposição de livros VB&M na Travessa de Botafogo. Ficou satisfeita com a visibilidade de Martha Batalha, com A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO (Companhia das Letras); de Edney Silvestre, com WELCOME TO COPACABANA (Record);  de Miguel Sanches Neto, com A BÍBLIA DO CHE (Companhia); de Alberto Mussa com OS CONTOS COMPLETOS (Record); de Raphael Montes com DIAS PERFEITOS (Companhia); e de Betty Milan, com A MÃE ETERNA (Record).

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A exposição do Chico Azevedo foi motivo de especial alegria, porque não era só O ARROZ DE PALMA a figurar com destaque. Também muito bem exposto estava DOCE GABITO, um dos romances mais injustiçados da safra recente da literatura brasileira, que somente agora, quatro anos depois de publicado, começa realmente a deslanchar. A essa altura, o ARROZ, de 2008, já se tornou um clássico com mais de 50 mil exemplares vendidos e saindo cada vez mais do estoque da Record.

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De estrangeiros, ela encontrou bem colocados QUANDO FINALMENTE VOLTARÁ A SER COMO NUNCA FOI (Valentina), de Joachin Meyerhoff, a história do filho de um psiquiatra que é criado entre loucos de um hospício, e PAPEL DE PAREDE AMARELO (José Olympio), de Charlotte Perkins Gilman, um clássico da literatura feminista americana, que conta a vida de uma mulher praticamente mantida em cárcere privado pelo marido, no final do século 19.”

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Goia Mujalli não é escritora ou cliente da VB&M, mas artista, grande pintora, e amiga. Por isso, a vontade de compartilhar o texto de apresentação de sua obra assinado por Mario Gioia, curador da exposição que abre amanhã, 21 de junho, na Galeria Marcus Soska, no Shopping dos Antiquários, em Copacabana.

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Resíduos de um ritmo

Nas telas de Resíduos de um ritmo, sua primeira individual na cidade, a carioca Goia Mujalli oferece ao observador uma série de embates contínuos da pintura contemporânea. Há o permanente e o transitório, o sedimentado e o índice, o certeiro e o ambíguo, o manual e o digital, o figurativo e o abstrato, entre variados duos que provocam fricções produtivas por meio do fazer artístico. Assim, a artista radicada em Londres habilmente lida com tensões próprias de um autor do presente e devolve para o mundo algo complexo, mas sem deixar de ser profundamente poético e com espaço para guardar enigmas.

Pode-se ter ideia do labor de Goia por meio, por exemplo, do maior trabalho presente na exposição. Ensaio de Balé (2015), com 200 cm x 190 cm, é uma impressão serigráfica sobre linho em que dois principais elementos dominam a composição. O da direita é o que mais instiga: é serial como um carimbo, possui um tom monocromático e atrita elementos dos campos digital e manual no seu ‘andamento’. A aproximação musical vem a calhar, pois a artista enfatiza com frequência esse caminho sinestésico, como ela afirma sobre Água-Viva (2016), outro de seus quadros apresentados hoje: “Em todo o meu trabalho tenho a vontade de criar repetições de uma mesma forma, sempre com um ritmo diferente em cada tela”. A composição de Ensaio de Balé ganha ainda mais interesse quando sabe-se que a forma algo circular que se repete vem da apropriação da imagem de uma bailarina, vista de cima. E esse movimento leva a forma a se desmanchar em algo mais gestual, informe, que predomina, então, no lado esquerdo da obra.

A qualidade vestigial da figura também transparece nos títulos de Resíduos de um ritmo. Há CabelosCéuNuvemPianoJanela. Em alguns deles, a imagem originária se esboça com mais reforço (como em JanelaPiano, por exemplo), mas as relações que se fundem e criam um outro corpo, a partir da mescla de procedimentos e materiais da serigrafia e da pintura (e, por que não, do desenho e da colagem), terminam por ostentar apenas fiapos e volumes tíbios do que poderia ser um figurativo mais estruturado. Goia, portanto, segue por uma vertente expandida do pictórico, que, apesar de tudo, fundamentalmente é pintura. “Vejo essas pinturas como espaços imersivos onde a essência de certos objetos podem existir. Pinturas com resíduos de gestos criando um ritmo através de outro espaço (onde serão expostas)”, relata a artista, a respeito de Nuvem (2016).

Nesse sentido, cabem alguns dados que ajudam a entender mais sobre o processo de Goia. Com mestrado fora do país em andamento sobre a linguagem – no Royal College of Art, em Londres – , ela traz referências importantes do pictórico internacional – podemos citar Laura Owens e Jacqueline Humphries – , porém a herança neoconcreta nacional ainda é patente em sua produção. E o legado de nomes como Lygia Pape (1927-2004) e Hélio Oiticica (1937-1980) vem menos de aproximações formais e mais de pensamentos e abordagens –  a imersão pretendida por Goia em suas obras, nesse ponto, é paradigmática. “A cor é a revelação primeira do mundo. Ela existe como luz, diluída nas aparências. (…) A cor passa, pois, a construir mundo, vontade suprema do artista, aspiração altamente humana” 1, diz Oiticica, no ano de 1960.

Na corporeidade da pintura, amálgama entre a escala generosa, a conferir fisicalidade e atestar o caráter fenomenológico do meio, e a especificidade de cada material, Goia esculpe em processos permeáveis a sua produção, não deixando de construir por vezes peças surpreendentes. É o caso de Cabelos (2015), óleo sobre tela de 167 cm x 167 cm. Com diagonais em vermelho, que rimam em pulsão com os ‘tufos’ alaranjados que pontuam marcadamente a superfície da tela, o conjunto reforça a temporalidade mais densa do óleo. Contudo, não deixa de criar novas relações profícuas com a agilidade sintética da acrílica e o dado mais gráfico da serigrafia. “Cada material proporciona uma duração diferente no processo”, frisa a artista.

Em Resíduos de um ritmo, Goia Mujalli desata amarras que fixam definições rijas nos escaninhos de cada suporte. Constrói um trajeto que se move por entre o visível e o apagado, o íntegro e o fragmentado, forjando atributos matéricos a partir do abstrato. Parece, então, criar em tintas vivas e não lineares uma sentença sobre questão do teórico Rudolf Arnheim (1904-2007), formulada em 1989: “O que tornou-se a abstração?” 2. Certamente a resposta da artista não vem de modo uno nem planificado.

Mario Gioia, junho de 2016

1. FAVARETTO, Celso; BRAGA, Paula. Hélio Oiticica – Estrutura Corpo Cor. São Paulo, Base 7/Fundação Edson Queiroz, 2016, p. 27

2. ARNHEIM, Rudolf. Ensayos para rescatar el arte. Madri, Cátedra, 1992, p. 29

Compartilhamos com os amigos da VBM um presente que recebemos da cliente alemã Kiwi. Três links (em alemão, com legendas em inglês ou espanhol, e em francês) levando a um documentário para a TV sobre a nova literatura de mistério tendo como pano de fundo o III Reich. Dominique Manotti, Philip Kerr (grande autor inglês bastante publicado pela Record na virada do século) e Volker Kutscher (de quem representamos a magnífica série Berlim Noir) contam como lhes veio a ideia de escrever literatura policial ambientada na Alemanha nazista e por que são fascinados pela temática.

Como leitora, só aprecio de verdade a literatura policial quando tem um fundo político. Neste momento, aguardamos com expectativa o lançamento em maio de A BÍBLIA DO CHE, de Miguel Sanches Neto, que explora as ambiguidades morais da esquerda no poder. Vamos cultivar a esperança de que os crimes de corrupção (mas não só, pois é preciso voltar ao assassinato de Celso Daniel, entre outros delitos) que atualmente traumatizam a vida brasileira  sirvam ao menos para desenvolver entre nós um gênero de ficção.

Como disse Raphael Montes outro dia no fb, a realidade brasileira está criando dificuldades para os ficcionistas. Como superá-la? Mas o nazismo – um horror impossível de se conceber como ideia – como recorte da história factualmente passada talvez seja o maior tema da literatura e da filmografia contemporâneas. Que o thriller literário do Miguel seja o aperitivo de um grande gênero da ficção brasileira.

(Não me cobrem uma indevida comparação sobre o momento brasileiro e a experiência nazista. Quem gosta da comparação indigna e espúria são Dilma Roussef e Lula da Silva. Estou apenas tratando de matéria para a literatura.)

 

LVB

 

(http://www.arte.tv/guide/fr/053937-000-A/les-romans-policiers-et-le-troisieme-reich)  

(http://www.arte.tv/guide/en/053937-000-A/crime-novels-and-nazi-germany?country=DE)

(http://www.arte.tv/guide/es/053937-000-A/la-novela-policiaca-y-la-alemania-nazi?country=DE)

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Notícias sobre um livro essencial para os dias de hoje que representamos para a Feminist Press: SLUT – A play and Guidebook for Combating Sexism and Sexual Violence (PIRANHA – Uma peça e um guia para o combate ao sexismo e à violência sexual), editado por Katie Cappiello e Meg McInerney. A peça está em carta em Dixon Place e é programa altamente recomendável para quem tiver viagem marcada a Nova York, pois a temporada acaba de ser estendida. The New Yorker publicou um artigo curto sobre a volta da peça à cidade depois de uma turnê nacional.


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SLUT tem sido considerada um grande sucesso no sentido de provocar a discussão sobre a violência contra as mulheres, principalmente na juventude, e por isso terá agora uma versão para meninos, NOW THAT WE’RE MEN (AGORA QUE SOMOS HOMENS), a estrear este mês. A nova peça vai explorar as experiências dos rapazes na luta contra uma cultura de ódio sexual e de padrões impossíveis de masculinidade. Em livro, sairá no outono do Hemisfério Norte também pela Feminist Press.

Você se lembra da “piranha” de sua turma na escola? Esse livro revela o enorme custo psicológico e social de estigmatizar as meninas pelo seu comportamento sexual. Um comportamento que, às vezes em versões infinitamente mais acentuadas, nos meninos sempre foi aceitável, ou até motivo de admiração. Se você foi alguma vez chamada de “piranha”por exercer a sua sexualidade ou desejo livremente, ou sem razão alguma, apenas por inveja social, há de se sintar vingada quando ler esse livro.