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O Giro de Livraria na Travessa de Ipanema, há poucas horas, deu muita alegria. Gratificante ver muito bem expostos tantos livros com os quais nos envolvemos piscando para os clientes da livraria. Mas, pudera, todos livros lindos, importantes, alguns verdadeiramente seminais. Muito orgulho.

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Na vitrine já pronta para o Dia da Criança, brilha FLÁVIA E O BOLO DE CHOCOLATE, de Míriam Leitão (O ESTRANHO CASO DO SONO PERDIDO ainda vem aí). Bem na entrada, à esquerda, O ARROZ DE PALMA, de Chico Azevedo, e UMA PRAÇA EM ANTUÉRPIA, de Luize Valente; andam sempre juntos esses dois. Logo em seguida, na mesma estante, O ROMANCE INACABADO DE SOFIA STERN, de Ronaldo Wrobel. Um pouco mais para dentro da loja, mas na mesma parede, A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Martha Batalha. Na mesa, belas pilhas de WELCOME TO COPACABANA, de Edney Silvestre, e A PRIMEIRA HISTÓRIA DO MUNDO, de Alberto Mussa.

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Isso, de ficção brasileira. De estrangeira, estavam lá FABIÁN E O CAOS, de Pedro Juan Gutierrez, romance maravilhoso passado no início da revolução cubana, e QUANDO VOLTARÁ A SER COMO NUNCA FOI, de Joachim Meyerhoff.

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De não-ficção, mais uma bela pilha de TENENTES, a pesquisa competente e boa de ler de Pedro Dória sobre o movimento tenentista, e a presença já clássica de HISTÓRIA DO FUTURO, de Míriam Leitão.

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Chegaram à VB&M os exemplares da agência de QUANDO FINALMENTE VOLTARÁ A SER COMO NUNCA FOI, de Joachim Meyerhoff, um dos mais notáveis e consagrados autores da literatura alemã contemporânea. Um autor respeitado literariamente e que conversa com o público de seu país às centenas de milhares de livros vendidos. A edição brasileira da Valentina, comandada por Rafael Goldkorn com direção editorial de Rosemary Alves, ficou maravilhosa.

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Trata-se de um romance de formação muito baseado na vida do próprio Meyehoff, talvez por isso seu maior sucesso. A história é narrada por um menino filho de um psiquiatra cuja família mora dentro de um hospício. Claro que a noção de normalidade do narrador não pode ser a mesma de outros garotos de sua idade.

Gozado é que para nós o título da edição da Valentina, traduzido literalmente do original alemão, tem um eco muito brasileiro, muito nosso. Quem tem mais de 40 anos se lembra que ao fim do governo Collor, estávamos todos no Brasil exaustos de ser tão canhestros, tão diferentes do resto do mundo, com aquela inflação galopante que fazia a vida da gente ser tão absurda, com aquela impossibilidade de usar cartão de crédito internacionalmente, com aquelas histórias de milicos torturadores e militantes da luta armada que queriam fazer do Brasil uma grande Cuba, com aquela democracia que não deslanchava. Vieram o Plano Real, os dois mandatos presidenciais de FHC, o primeiro do Lula, e de repente pareceu que estávamos entrando no Primeiro Mundo, que finalmente havíamos nos tornado normais. Mas quando começamos a acreditar, caíram sobre nossas cabeças mensalão, a devastação econômica deflagrada por cinco anos e meio de incompetência desonesta de Dilma Roussef, a tragédia da Petrobrás e do petrolão.

A maioria de nós continua a acreditar que em algum momento demos certo e tivemos sucesso. Não creio. A bonança da era Lula foi uma fantasia sem lastro, e a consequência está aí na nossa infraestrutura aos pedaços, sem escola, sem saúde, com quase 12 milhões de desempregados. Mas o fato é que regredimos a nossa anormal normalidade. Podemos dizer como no romance de Meyerhoff que tudo que queremos é voltar a ser como nunca fomos.