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Antonin Scalia morreu, e Nelsinho Villas-Boas Moss, como todos os americanos de bem e do bem, estão festejando. Nelsinho não é hipócrita e, quando morre algum malvado, ele festeja e explica por quê. Segundo Nelson, não há contradição em festejar a morte de um sujeito que era a favor da pena de morte. Luciana Villas-Boas concorda plenamente. A palavra fica com Nelsinho, que pode desenvolver melhor as posições de ambos, mãe e filho, e destrinchar no detalhe por que as contradições são de Scalia, chegando até o tema da morte desejável de malvados brasileiros.

“O juiz Antonin Scalia morreu aos 79 anos depois de completar quase três décadas na Suprema Corte dos EUA, tendo sido nomeado pelo presidente Ronald Reagan, em 1986. Eu, Nelsinho Villas-Boas, nem sonhava em nascer, mas não precisamos viver a história para conhecê-la, basta ler e ouvir nossos pais. Raymond acabara de se formar advogado e ralava em um escritório de Manhattan, sendo ele originalmente do Queens, que nem o juiz, e por isso conhecendo bem a mentalidade da figura. Minha mãe cobriu as primeiras decisões do Scalia para a Internacional do Jornal do Brasil, onde ela era subeditora.

Há quem diga que é contradição eu festejar a morte de um sujeito porque ele era a favor de pena de morte. Só que o juiz tinha uma lista de posições do Mal que não se esgotava no tema da cadeira elétrica. Catolicão e contraditório era ele: como alguém pode ser contra o aborto e apoiar a pena de morte? Outra, não menos importante: o cara caçava, assassinava patos e búfalos, espécies inocentes de qualquer crime. Quando morreu, ele estava em um resort do Texas para uma expedição de caça. Era contra o aborto, mas achava uma curtição atirar em seres vivos.

São essas incoerências que me dão vontade de partir para cima de conservadores hipócritas que nem eu tenho feito, para constrangimento da minha mãe, contra todo homem sozinho andando na rua e falando no celular. Já disse que isso não é maneira de se portar em público, e nas meninas eu até aturo, mas marmanjo, não me passe pela frente com um celular no ouvido.

Esse Scalia bancava tanto de maluco radical que, ao ficar em minoria no julgamento do casamento gay, uma votação de 5 a 4, invocou-se com o juiz Anthony Kennedy e saiu gritando que iria “esconder a cabeça em um saco” se seu nome fosse um dia associado àquela decisão da Suprema Corte. Sim, porque eu não gosto de marmanjo falando no celular, mas não tenho nada de homofóbico e, embora ache esse papo de casamento de papel passado uma bobagem para todo mundo, o gay que quiser dar o mal passo tem todo o meu apoio; cada um sabe de si.

Menos ainda do que de gay, o Scalia gostava de mulher, não as deixava entrar em lugar nenhum, vetava todas as leis para lhes dar acesso a escolas, academias, clubes militares, o que fosse.  Eu, Nelsinho, tinha essa diferença fundamental com ele: gosto muito mais de mulher do que de homem. Por isso aprecio tanto meu emprego, gerencio um espaço em que funcionam a VB&M e a Bossa, sete moças lindas, mais a Maria José e a minha mãe.

Voltando ao saco onde o Scalia escondia ou não a cabeça: era cheio de malvadezas até a borda. Além de ter lutado contra a legalização do aborto, foi contra o Obamacare, que tentou muito melhorar a saúde nos EUA, cujo sistema é péssimo, como se sabe. Se você não souber, veja o filme do Michael Moore porque, apesar da reforma do Obama, o sistema continua uma bosta. A Bebel Sader, minha irmã, acabou de ver e só fala disso.

Sabe o que o Scalia respondeu quando lhe perguntaram sobre a garfada que o George Bush deu no Al Gore, na Flórida, nas eleições de 2000? “Sai dessa” (“Get over it”), disse o cínico.

Por isso tudo, podemos festejar a morte do sujeito, tipo de ausência que supre uma lacuna de equilíbrio e bom-senso. Não quero mal a ninguém, não desejo metástases ou sofrimentos de qualquer ordem a quem quer que seja. A morte é um fato da vida e, do jeito que vai o mundo, uma notícia até boa para muita gente. Só sou contra a pena de morte porque não acredito que caiba a um humano definir quando o outro vai morrer. Mas posso muito bem achar que tanto melhor quanto mais cedo morram aquelas pessoas que vieram ao mundo exclusivamente para causar males e sofrimentos.

Nesse sentido, depois de longa discussão com minha mãe sobre o efeito benéfico da morte do Lula, passei a fazer caninas orações diárias pela morte dele. Dele e da Dilma. Seria muito bom para o Brasil, que logo se arranjaria e retomaria o crescimento. O PT já não consegue mais fazer de Lula um mártir em hipótese alguma, seria mesmo a última pá de cal nessa Orcrim. Além do mais, a morte do Lula tem sentido diferente daquela, por exemplo, de um terrorista, que abatido aqui, acolá estão nascendo mais mil iguais a ele. Não, para o mal e nada para o bem, Lula é insubstituível, e o Brasil sem ele ficará muito melhor. Sem a burrice da Dilma nem se fala, dificilmente surgirá outra igual. Vejam: não desejo metástases, só que sumam, desapareçam, nos deixem em paz, que nem o Scalia está fazendo com os americanos, parando de idear maldades contra os seres comuns, pessoas ou outros animais.”