Tag: Alberto Mussa

Bolívar Torres e Leonardo Lichote assinam excelente matéria, publicada n’O Globo no último sábado (10), sobre a Livraria e Edições Folha Seca, na rua do Ouvidor: goo.gl/Ru67Z1

Point de leitores, escritores, pensadores, todos boêmios, a Folha Seca funciona como um dos poucos espaços em que a cultura carioca ainda pode ser chamada assim: carioca. Num Rio de Janeiro em que o estar na rua e os encontros casuais são cada vez mais raros, o que acontece ali na Ouvidor é pura e simples resistência. Mas nada organizada! Encontro de quem vive, pensa e escreve o Rio com os pés na atualidade e a cabeça e o coração num momento pré cosmopolitização da cidade, quando o tempo não era cronometrado e o ir e vir eram apenas questão de estar. Afinal, por que não dar uma paradinha para uma gelada e um bom papo na ida ou na volta de qualquer lugar?

Foi o que aconteceu sábado, no lançamento de A HIPÓTESE HUMANA, do Alberto Mussa, belo exemplo de que o tempo é o que dele fazemos. Ao longo de uma tarde agradável, em meio a amigos e pessoas queridas, tomando uma cerveja gelada e um caldinho de ervilha, Beto assinou livros e tirou fotos com convidados e transeuntes que iam chegando e partindo, com planos ou não de chegar_ e ficar_ num lançamento. A mesa montada em frente à livraria, o autor com a caneta na mão direita e a tulipa na esquerda, vivemos ali uma daquelas tardes que me fazem sentir falta daqui todas as vezes em que vou embora. Com todos os seus problemas, que não admito serem enumerados por qualquer forasteiro, esse Rio reitera o amor que sinto por ser carioca.

 

Folha Seca

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A melhor entrevista já dada por Alberto Mussa está hoje nas páginas do caderno Pensar do Estado de Minas. O grande entrevistador _ que deu oportunidade ao Beto de revelar com clareza ímpar a sua visão do fazer literário (o seu, sem generalizações) e detalhes de seu método, além do grande sentido de sua criação e de seu último romance, A HIPÓTESE HUMANA _ foi o brilhante Carlos Marcelo, que está neste momento lançando PRESOS NO PARAÍSO, pelo selo Tusquets da Planeta.

Muito bom ver juntos dois queridíssimos autores-clientes, unidos por raro talento como escritores e, talvez tão raro quanto, pela qualidade do caráter pessoal. Representar a obra de ambos é para nós um privilégio e uma honra.

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http://www.uai.com.br/app/noticia/pensar/2017/05/26/noticias-pensar,207161/alberto-mussa-lanca-a-hipotese-humana-quarto-volume-de-compendio-m.shtml

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Olhem que foto legal desses dois rapagões, ambos escritores consagrados, Alberto Mussa e Edney Silvestre. Foi a entrevista do Beto, em sua casa, ao Edney, para o programa GloboNews Literatura, que vai ao ar sexta-feira, 19 de maio.

O tema: A HIPÓTESE HUMANA, o brilhante, para dizer o mínimo, e literário quarto título da pentalogia de mistérios do Rio, que está sendo desenvolvida pelo Beto. Pela qualidade de entrevistador e entrevistado, uma conversa enriquecedora, que estamos ansiosas para assistir.

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Repetimos o convite para o lançamento amanhã de VIBRATIONS BRASIL, coletânea de contos brasileiros unidos pela temática da música, traduzidos para o francês numa edição da Passages. Tem Alberto Mussa, José J. Veiga, Autran Dourado. Tem alguns dos melhores escritores brasileiros. Projeto de Emilie Audigier. Vejam aqui quem é ela.

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O Espaço Cultural A MAISON organiza o ciclo Quintas da Maison, voltado para assuntos da atualidade, gastronomia, fotografia, imagem e música.

A 2a quinta-feira do mês é dedicada a temática “Olhares cruzados” : o olhar de um Francês sobre o Brasil ou de um Brasileiro sobre a França.

Dia 11 de maio, o Espaço cultural A Maison recebe Emilie Audigier, Paulo da Costa de Oliveira e Márcio MM de Meirelles para uma noite de literatura e música, com o lançamento da antologia “Vibrations Brasil”, antologia de textos literários sobre música.

SOBRE O COLETIVO “VIBRATIONS BRASIL”

O coletivo “VIBRATIONS BRASIL” reune 12 textos curtos de grandes escritores brasileiros sobre a música : Paulo Lins, Alberto Mussa, Machado de Assis, Milton Hatoum, Nei Lopes, Lima Barreto, João do Rio, José J. Veiga, Autran Dourado, João Antonio, Ronaldo Correia de Brito, Beatriz Bracher.

Coletivo traduzido em francês por Emilie Audigier pela editora Passages.
SOBRE EMILIE AUDIGIER

Depois de uma formação em Letras e Profissões do Livro (Université de Provence) e experiências em diversas editoras na França (L’Aube, Chandeigne e Hoёbeke), ela coordena o Escritório do Livro da Embaixada da França em 2005.
Doutora em Letras (Universidade Federal do Rio de Janeiro e Université de Provence) em 2010, suas pesquisas focam na literatura brasileira traduzida para o francês, publicadas nos livros Traduire le même, l’autre et le soi (PUP), O trabalho da tradução (Contracapa), Retraduire en littérature de jeunesse (Peter Lang), Bestiaire fantastique des voyageurs (Arthaud), Traduire les littératures migrantes (PUP), Histoire des Traducteurs en Langue française, 20e s (Verdier), La poésie du Brésil (Chandeigne). Traduziu na França escritores lusófonos como Ronaldo Correia de Brito, Ondjaki, Daniel Galera, Valter Hugo Mãe, entre outros.
Ela mora no Brasil onde ensina e coordena uma coleção de ficção curta na Editora Passage(s).
Quintas da Maison – Olhares cruzados – Lançamento da antologia “Vibrations Brasil” (ed. Passage(s))

Entrada franca, evento em português, sujeito a lotação.
Espaço cultural A Maison – Avenida Presidente Antônio Carlos, 58 – 11 andar.

Na sexta-feira, fim de tarde, VB&M recebeu a visita de Emilie Audigier, que colabora com a Passage(s). Emilie trouxe seu bebê Ruben, um lindo franco-brasileiro de oito meses, e nosso exemplar de VIBRATIONS BRASIL, reunião de contos e crônicas brasileiros sobre música ou nos quais o elemento musical tem parte importante, por ela reunidos e traduzidos para a editora francesa.

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VIBRATIONS BRASIL é uma joia, doze textos pegando desde Machado de Assis, João do Rio e Lima Barreto, passando por Autran Dourado e José J.Veiga, “Os cavalinhos de Platiplanto” e “O triste destino de Emílio Amorim”, estes da VB&M, e chegando até autores contemporâneos como Milton Hatoum e Alberto Mussa, com “A vingança inesperada de Maria do Pote”, este também cliente, como se sabe. O volume traz uma apresentação de Emilie com sua concepção da obra, “Sobre a música antes de tudo!”, um posfácio da professora Fernanda Coutinho, “E a literatura do Brasil se apaixonou pela música”, notas bio-bibliográficas sobre os autores e uma rica lista com “referências e orientações bibliográficas” indicando antologias de literatura brasileira publicadas na França e no Brasil, além dos títulos dos quais se extraíram as histórias do livro. VIBRATIONS BRASIL precisa sair no Brasil com os textos originais das histórias e crônicas selecionadas por Emilie Audigier.

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O Giro de Livraria na Travessa de Ipanema, há poucas horas, deu muita alegria. Gratificante ver muito bem expostos tantos livros com os quais nos envolvemos piscando para os clientes da livraria. Mas, pudera, todos livros lindos, importantes, alguns verdadeiramente seminais. Muito orgulho.

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Na vitrine já pronta para o Dia da Criança, brilha FLÁVIA E O BOLO DE CHOCOLATE, de Míriam Leitão (O ESTRANHO CASO DO SONO PERDIDO ainda vem aí). Bem na entrada, à esquerda, O ARROZ DE PALMA, de Chico Azevedo, e UMA PRAÇA EM ANTUÉRPIA, de Luize Valente; andam sempre juntos esses dois. Logo em seguida, na mesma estante, O ROMANCE INACABADO DE SOFIA STERN, de Ronaldo Wrobel. Um pouco mais para dentro da loja, mas na mesma parede, A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Martha Batalha. Na mesa, belas pilhas de WELCOME TO COPACABANA, de Edney Silvestre, e A PRIMEIRA HISTÓRIA DO MUNDO, de Alberto Mussa.

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Isso, de ficção brasileira. De estrangeira, estavam lá FABIÁN E O CAOS, de Pedro Juan Gutierrez, romance maravilhoso passado no início da revolução cubana, e QUANDO VOLTARÁ A SER COMO NUNCA FOI, de Joachim Meyerhoff.

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De não-ficção, mais uma bela pilha de TENENTES, a pesquisa competente e boa de ler de Pedro Dória sobre o movimento tenentista, e a presença já clássica de HISTÓRIA DO FUTURO, de Míriam Leitão.

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Consagrador o comentário do super escritor Nelson Motta sobre a ficção de Alberto Mussa no alto da página de Opinião de O Globo de sexta-feira, 15 de julho. Depois de refletir sobre a intensidade maior da fruição literária em comparação com outras formas de arte, Motta revela que leu A PRIMEIRA HISTÓRIA DO MUNDO e O SENHOR DO LADO ESQUERDO de enfiada, completamente imerso nos crimes do Rio de Janeiro criados e recriados pelo Beto.

 

CRIMES CARIOCAS

O mesmo livro não é igual para dois leitores: cada um o complementa com sua imaginação e suas memórias

Quando quero descansar a cabeça do trabalho, sair um pouco das tragédias e vergonhas brasileiras e do pequeno mundo dos problemas cotidianos, é para os livros que viajo. Porque na música, na dança, nas artes plásticas, no teatro e no cinema, o espectador é passivo e só lhe cabe desfrutar e absorver a arte, o que já é muito bom, mas um bom livro só existe com um leitor ativo e participante, criando junto com o escritor as caras e os corpos dos personagens, os cenários, as ações, na tela da cabeça de cada um.

O mesmo livro não é igual para dois leitores: cada um o complementa com sua imaginação, suas memórias, seus medos e desejos pessoais. E isso exige completa concentração e envolvimento, viajar para o universo da narrativa e mergulhar. Ler é um lazer de imersão.

Pode-se assistir a um show, uma peça, um filme, pensando em outras coisas, olhando uma tela paralela, mas lendo um livro não dá, você perde o fio da história se não estiver totalmente conectado. Ainda bem que, nesse caso, o livro permite que você releia o que perdeu.

Passei muitas horas excitantes e relaxantes no Rio de Janeiro de 1567, entre índios, portugueses e escravos, acompanhando a investigação do primeiro crime da cidade, que tinha dois anos, três ruas e 450 habitantes. Crime passional, com vários suspeitos e testemunhas, com o passo a passo da investigação baseado em documentos da época. E na imaginação de Alberto Mussa, sem que se fique sabendo onde uma termina e a outra começa em “A primeira história do mundo”.

Depois, viajei com Mussa para o Rio de Janeiro de 1913, quando um alto político do governo Hermes da Fonseca é assassinado misteriosamente em um bordel clandestino que um médico polonês mantinha no palacete que havia sido da Marquesa de Santos em “O senhor do lado esquerdo”, um romance de mistério eletrizante misturando sexo, poder, mulheres fatais e feitiçarias, com um final assombroso.

São dois dos cinco romances policiais de época em que Mussa mostra que não é a geografia, a arquitetura, os heróis nem as batalhas que definem uma cidade: é a história dos seus crimes.

Nelson Motta é jornalista

http://oglobo.globo.com/opiniao/crimes-cariocas-19717861