Silviano Santiago

Silviano Santiago

SILVIANO SANTIAGO

Já um clássico da ficção e do pensamento literário brasileiros, Silviano Santiago – romancista, contista, crítico, ensaísta brilhante, professor universitário e teórico da literatura -, nasceu em Formiga, Minas Gerais em 1936. Aos 12 anos, mudou-se para Belo Horizonte, onde anos depois ingressaria no curso de Letras na Universidade Federal de Minas Gerais. Formado, partiu para o Rio de Janeiro para se especializar em Literatura Francesa. Logo depois, recebeu uma bolsa do governo francês para fazer doutorado na Universidade da Sorbonne. Nas décadas de 60 e 70, atuou como professor visitante em universidades ao redor do mundo.

Sua vasta obra (31 livros publicados) inclui poesia, contos, filosofia, romances e ensaios – todos aclamados pelo público e crítica especializada. Com mais de 10 prêmios, entre eles Portugal Telecom, Mario de Andrade, Jabuti, Machado de Assis (pelo conjunto da obra), e Prêmio Oceano escreve para os principais veículos da imprensa brasileira e do meio acadêmico, como fez ao longo de toda sua vida profissional e participa de eventos literários. Uma homenagem jamais recebida por outro autor brasileiro é o Prêmio Íbero-americano de Letras José Donoso, que lhe foi atribuído em setembro de 2014. Atualmente ele finaliza um volume de ensaios a ser publicado pela Companhia das Letras em 2018.

MACHADO

Com o pano de fundo do processo de modernização do Rio de Janeiro e o bota-abaixo dos casarões coloniais da cidade, este romance de Silviano Santiago narra os últimos quatro anos da vida do escritor Machado de Assis (1839-1908). Na terra desolada, constrói-se de um dia para o outro a Avenida Central, ladeada por belos e magníficos prédios art nouveau, enquanto Machado de Assis morre no momento em que a antiga Corte imperial é dividida ao meio por um amplo e arejado bulevar parisiense. Em carta, ele anota que morrerá exilado na cidade que o viu nascer e onde vivenciou a Abolição da escravidão africana (1888) e a transição do regime monárquico ao republicano (1889).

O romance encontra Machado como um viúvo recente e tomado por doença congênita e historia as metamorfoses que passam a definir a nova sociedade carioca do momento em que os cidadãos entregam a militares, engenheiros e médicos o comando da jovem República. Apresentando-se sob a forma de biografia do maior romancista brasileiro, MACHADO não se contenta com a descrição dos fatos nem com a inserção do mestre na História social brasileira. Penetra na intrincada vida privada e pública da elite carioca e do fundador e presidente da Academia Brasileira de Letras. Vale-se de ampla bibliografia e arriscada consulta a material original de época para tornar MACHADO um livro híbrido, em que a imagem ou o recorte de jornal ou de livro entram de modo artesanal na própria escrita do texto ficcional.

Status/Publicação: pela Companhia das Letras em outubro de 2016. [422 páginas]

MIL ROSAS ROUBADAS

No ano de 1952, dois rapazes se encontram em Belo Horizonte à espera do mesmo bonde. O acaso os transforma em amigos íntimos. Passam-se sessenta anos. Numa tarde de 2010, Zeca, então produtor cultural de renome, agoniza no leito do hospital. Ao observá-lo, o professor aposentado de História do Brasil entende que não perde apenas o companheiro de vida, mas seu possível biógrafo. Compete-lhe inverter os papéis e escrever a trajetória do amigo inseparável. Encantam-se na juventude com o charme de Vanessa, tutora literária. Com Marília, aprendem a ouvir o jazz de Ma Raney e se envolvem em impossível triângulo amoroso. Distanciam-se: um faz doutorado em Paris, o outro, jornalismo em São Paulo.

Reencontram-se no Rio de Janeiro, mas se afastam pelo estilo de vida: do mundo das drogas e do rock’n’roll, Zeca ridiculariza o acadêmico realizado, mas infeliz. Além de pôr em xeque os limites entre ficção e memória, biografia e autobiografia, este romance à clef oferece o rico testemunho de uma época e de uma amizade excepcional.

Ganhador do Prêmio Oceanos de Literatura em 2015.

Status/Publicação: pela Companhia das Letras em 2014 e pela Editorial Corregidor (Argentina) em março de 2016. Vendido para a Baldini & Castoldi (Itália). [280 páginas]

STELLA MANHATTAN

Eduardo da Costa e Silva – identidade oficial de Stella Manhattan – é um funcionário do Consulado brasileiro, protegido do coronel Valdevinos Vianna. O coronel tem o hábito de vestir-se de couro negro, transformando-se na violenta Viúva Negra. À volta deles movimentam-se personagens tão ricos e matizados em sua diversidade como Aníbal, intelectual paraplégico e voyeur, sua libidinosa mulher, Leila, e Paco, aliás, La Cucaracha, um cubano anticastrista. O romance articula um jogo entre aparência e realidade, entre público e privado, opressão e liberação. A cidade de Nova York é o pano de fundo onde um grupo de exilados brasileiros se envolve com movimentos políticos de liberação de todo o tipo – de Panteras Negras a revolucionários latino-americanos -, a fim de perpetrar um golpe contra o coronel.

Status/Publicação: publicado originalmente pela Nova Fronteira em 1985 e pela Rocco em 1991. Será relançado pela Companhia das Letras em novembro de 2016. Também publicado pela Editions Métailié (França), Duke University Press (EUA) e Corregidor (Argentina). Vendido para Baldini & Castoldi (Itália). [272 páginas]

EM LIBERDADE

A ação se passa no ano de 1937, e o cenário é o Rio de Janeiro, então capital federal. A experiência narrada – o sentimento de liberdade experimentado pelo escritor alagoano Graciliano Ramos ao deixar a prisão ordenada nos anos 1930 pelo regime Vargas – servirá de metáfora para se compreender a ditadura militar implantada pelos militares em 1964. Por conter um longo flash-back em que se historiam os mistérios que envolvem a morte do poeta Cláudio Manoel da Costa no século 18, a obra poderá ser lida como um vasto painel do poder discricionário do Estado no Brasil. As décadas de 1870, 1930 e 1960 se combinam. Escrito na primeira pessoa e sob a forma de pastiche, EM LIBERDADE é um diário íntimo de Graciliano Ramos (1892-1953), até então desconhecido.

É falso embora verossimilhante. Durante dois meses e alguns dias, o escritor anota os pequenos acontecimentos do cotidiano, ao mesmo tempo em que se dedica a reflexões de caráter político e estético.

Vencedor do Prêmio Jabuti de 1981 na categoria romance.

Status/Publicação: publicado originalmente pela Paz e Terra em 1981 e pela Rocco em 1994. Editorial Corregidor (Argentina) em 2003. [256 páginas]