Sérgio Abranches

Sérgio Abranches

SÉRGIO ABRANCHES

Cientista político com PhD pela Universidade de Cornell, Sérgio Abranches é comentarista diário da rede de rádio CBN sobre Ecopolítica. Ele é cofundador de O Eco, uma agência de notícias ambientais dedicada a treinar jovens jornalistas na cobertura de temas do meio-ambiente e a facilitar o diálogo entre cientistas e jornalistas, com apoio da Avina e da Hewlett Foundation.

Em 2010, publicou Copenhagen: antes e depois, sua cobertura da conferência de cúpula sobre a mudança climática e a política global para o meio-ambiente. Sua reportagem sobre os muriquis (macaco-aranha), em coautoria com Miriam Leitão, recebeu o Prêmio SOS Mata Atlântica de jornalismo ambiental.

A ERA DO IMPREVISTO

O mundo vive conturbada e longa transição. Os modelos econômicos não conseguem mais prever o que acontecerá na economia nos meses apenas seguintes. Setores que antes indicavam as tendências para o conjunto da economia já não têm esse poder. A estrutura produtiva está em metamorfose. As categorias socioeconômicas e demográficas tradicionais, antes usadas para descrever as populações por idade, sexo e etnia, não têm mais o mesmo significado. A sociologia já não explica satisfatoriamente os novos comportamentos sociais e a mudança vertiginosa dos papéis sociais. As classes, que antes eram o eixo do conflito social, foram diluídas com o surgimento de novos estratos na sociedade. As análises políticas não preveem as explosões de revolta, o confronto armado entre países, ou as consequências da crise de legitimidade da democracia representativa. Nem mesmo modelos meteorológicos conseguem prever secas, enchentes, nevascas, ondas de calor, que parecem estar se tornando mais frequentes e mais intensas.

Em um mundo cada dia mais instável, observamos uma sucessão de rupturas de paradigmas científicos e sociopolíticos. Três grandes movimentos disruptivos e interrelacionados estão conduzindo o mundo por uma grande transição: a nova revolução científica, tecnológica e digital; a aceleração da mudança social e a crise de credibilidade da democracia representativa; a mudança climática e a sexta extinção das espécies. Na grande transição, o imprevisto se torna frequente, as velhas estruturas se rompem enquanto as novas ainda não estão maduras o suficiente para serem claramente reconhecíveis, embora já afetando a economia, a sociedade e a política.

Status/Publicação: pela Companhia das Letras em março de 2017. [416 páginas]

QUE MISTÉRIOS TEM CLARICE

Clarice é uma autora de relativo sucesso, que ensina literatura e criação literária na universidade. Feliz, aberta, mãe divorciada de um jovem casal, ambos profissionalmente bem situados. Quando seu médico lhe diz que ela tem um câncer terminal, Clarice escreve para seu filho, Jorge, e sua filha, Marina, e começa a preparar sua partida como se fosse para uma longa viagem. Lê seus livros preferidos, ouve música, passa tempo com os filhos, quietamente, sem queixas, mas sua memória trai sua calma. Ela começa a lembrar de uma criança que esquecera, uma estranha que invade sua mente e revolve pecados e segredos que deveriam permanecer enterrados.

Agora ela tem que lidar com eles pela última vez, mas decide não revelá-los aos filhos. Depois de sua morte, é a vez de Marina e Jorge procurarem esses segredos, e eles descobrem mais do que gostariam de saber sobre o papel da mãe na história recente do país e por que ela sempre insistira na relatividade da verdade.

Status/Publicação: pela Globo em 2014.

O PELO NEGRO DO MEDO

Um romance sobre os medos e as paixões de um casal. Ele é escritor, ela, compositora. Passam um fim de semana na cidade colonial de Paraty, Brasil, na década de 80. Enquanto caminham pelas ruas seculares, recordam seus medos e suas paixões: suas relações fracassadas, suas vidas familiares tumultuadas. O tempo curto de um final de semana se expande e se torna uma expedição ao passado à medida que ambos são tomados pelas memórias de histórias que viveram ou ouviram contar, mergulhando em suas vidas, suas relações familiares e suas raízes ancestrais. A narrativa cobre décadas da história brasileira: de país rural a nação urbana;

das esperanças da década de 50 à repressão da ditadura militar; das mulheres que negavam o amor e o sexo a mulheres que aprenderam a livremente saborear um e outro. Eles caminham, fazem amor, conversam. Trocam impressões sobre literatura, música, amor, perdas e felicidade. O medo, porém, está sempre a assombrá-los a cada esquina, revelando lados escuros e desconcertantes de si mesmos e de um ao outro.

Status/Publicação: pela Record em 2012.