Miguel Sanches Neto

Miguel Sanches Neto

MIGUEL SANCHES NETO

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Nascido em 1965 no sul do Brasil, Miguel Sanches Neto é um dos principais escritores da literatura brasileira contemporânea. Seus romances combinam profundidade humana, habilidade narrativa e visão crítica. Vindo de uma família de trabalhadores sem formação, Sanches Neto trabalhou na roça, foi técnico agrícola e professor primário. Atualmente, é professor universitário. Finalista dos principais prêmios de literatura do país,

ele recebeu o Prêmio Cruz e Sousa 2002 e o Prêmio Binacional Brasil-Argentina Artes e Cultura (2005). Sua produção literária tem sido contínua, como mostram os anos de publicação de seus romances: CHOVE SOBRE MINHA INFÂNCIA (2000), UM AMOR ANARQUISTA (2005), A PRIMEIRA MULHER (2008), CHÁ DAS CINCO COM O VAMPIRO (2010), A MÁQUINA DE MADEIRA (2012) e NOSSOS QUERIDOS NAZISTAS.

“O melhor autor de sua geração.”
– Revista Veja

 

“Um dos grandes escritores de nossa época.”
– O Globo

 

“Um autor reconhecido como um dos melhores escritores brasileiros da atualidade.”
– Revista Época

A BÍBLIA DO CHE

Ex-professor de literatura e detetive amador, Carlos Eduardo Pessoa (personagem nascido no romance A PRIMEIRA MULHER) mora há dez anos na sala comercial de um lendário prédio de Curitiba – o Edifício Asa. Não se afasta mais de mil metros de seu endereço, só anda a pé, tem horror a qualquer coisa que lembre a vida em grupos, seja de amigos ou de familiares. Mas esse isolamento começa a ruir quando figuras do passado o encontram, o que o coloca dentro de um trabalho e de uma nova paixão, depois de ter abolido qualquer mulher de sua vida. É contratado para encontrar um objeto de culto de ex-comunistas agora enriquecidos – uma bíblia em que Che Guevara, ao passar pelo Brasil na década de 1960,

tomara várias notas, traçando o perfil de um Jesus Cristo guerrilheiro. Por esse trabalho, o Professor Pessoa percorre o submundo da política, obrigando-se a fazer uma viagem amorosa pelo palco final da guerrilha guevariana no coração da Bolívia. Uma história policial em que mais importante do que desvendar crimes é percorrer o grande labirinto do tempo presente.

Status/Publicação: Pela Companhia das Letras em maio de 2016.

A SEGUNDA PÁTRIA

Uma narrativa sobre as possibilidades terríveis de uma dominação nazista no sul do Brasil. Durante o período da ditadura Vargas, um acordo secreto com a Alemanha dá poder ao Partido Nazista do Brasil, promovendo uma verdadeira militarização das colônias alemãs – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. O romance acompanha a vida de um negro genial, Adolpho Ventura, um engenheiro que sofre com a perseguição dos nazistas, principalmente depois que sua namorada ariana dá à luz um filho mestiço. Nossos queridos nazistas trata de uma página estrategicamente apagada da história do país, um momento de affair com a ideologia nazista, construindo uma história rica em tensões entre o Brasil tropicalizado e o europeu, numa assustadora proposta de saneamento social. Ao se alterar o curso da história, surge uma onda de violência que inebria a elite dirigente de uma nação que não se aceita como fruto de uma mistura de raças.

Neste outro Brasil, não existe mais espaço para os negros. Diz um dos personagens: “Getúlio Vargas está nos ensinando o que é ser negro no Brasil”. Neste país que se vê como ariano, não haverá piedade para os diferentes. Escrito com a intensidade dos filmes de Quentin Tarantino, este romance mostra que nossa história poderia ter sido um pesadelo.

Status/Publicação: Pela Editora Intrínseca em 2015. Direitos de adaptação para cinema e televisão vendidos à RT Filmes/Camisa Treze”.

A MÁQUINA DE MADEIRA

No Brasil da metade do século 19, numa sociedade baseada na mão de obra escrava e preocupada em estabelecer uma mitologia indígena, um padre cientista sonha com instrumentos destinados a libertar as pessoas do jugo do trabalho físico. Entre as suas invenções está a primeira máquina de escrever do mundo passível de ser produzida em escala comercial, finalizada em 1859 e premiada na Exposição Nacional de 1861, no Rio de Janeiro. A narrativa acompanha as tentativas de modernização do Brasil e os dilemas de um homem dividido entre o sacerdócio e a ciência, entre o celibato e o amor por uma ex-escrava.O autor descreve um país incapaz de aproveitar suas mentes mais brilhantes e que acaba ficando para trás.

Suas inovações são contrabandeadas para os Estados Unidos, onde a máquina de escrever é industrializada (com a marca Remington), enquanto o nome do padre é apagado da história. Um romance ágil, comovente e humano, que retrata o Brasil do passado e do presente, e um réquiem para o mundo mecanizado.

Status/Publicação: Pela Companhia das Letras em 2012 e pela Lux Éditeur (Canadá francês).

UM AMOR ANARQUISTA

No final do século 19, durante a onda científica do pensamento ocidental, um jovem italiano, Giovanni Rossi, decide testar as teorias do comunismo anarquista. Apostando nas oportunidades de emigração para o sul do Brasil, ele e um grupo de amigos partem para uma região não desenvolvida a fim de fundar uma colônia comunista – a Colônia Cecília, a primeira comunidade anarquista da América Latina. Adquirem terras do governo brasileiro e tentam pôr em prática seus princípios. Entre eles, o amor livre, que significa que as crianças nascidas nesta nova era pertencerão a todos em vez de a um pai específico.

Nesta busca por relacionamentos igualitários, as tensões de uma vida de adversidades emergem, demonstrando a impossibilidade prática da ideologia. A colônia não dura muito, mas um amor maior resiste. Giovanni Rossi vive para sempre com uma mulher que deu à luz filhos de diversos homens.

Status/Publicação: Pela Record em 2005 e pela Editora Beatriz Viterbo (Argentina).