Maria José Silveira

Maria José Silveira

MARIA JOSÉ SILVEIRA

Maria José Silveira é escritora e tradutora. Formada em Comunicação e em Antropologia, mestre em Ciências Políticas, trabalhou vários anos como editora. Seu primeiro romance, A MÃE DA MÃE DE SUA MÃE E SUAS FILHAS, recebeu o Prêmio Revelação da APCA em 2002 e teve seus direitos comprados para minissérie pela TV Globo. Desde então, dedica-se apenas a escrever e tem seis romances e inúmeros livros infantis e infanto-juvenis publicados,

vários dos quais premiados, comprados em grandes quantidades para bibliotecas públicas e adotados por diversos programas de governo. É também autora de três peças de teatro, todas encenadas. Nascida em Goiânia, mora há vários anos em São Paulo, cidade que foi tema de seu romance mais recente, PAULICEIA DE MIL DENTES, finalista do prêmio Portugal Telecom.

A MÃE DA MÃE DE SUA MÃE E SUAS FILHAS

O livro conta a história das mulheres que formaram a grande família que habitou e ainda habita o Brasil desde a época da colonização portuguesa e que tiveram importância no desenvolvimento do país. Cada mulher é a heroína de um capítulo, e as filhas vão tomando o lugar das mães, com relatos tão vivos que é como se estivéssemos presentes à época. Nessa teia de vivências e acontecimentos, a autora vai tecendo e recriando a História do Brasil, os costumes, os desafios, as mortes, os dilemas dessas almas ora tão puras, ora tão conturbadas.

Nessa teia de vivências e acontecimentos, a autora vai tecendo e recriando a História do Brasil, os costumes, os desafios, as mortes, os dilemas dessas almas ora tão puras, ora tão conturbadas.

Status/Publicação: pela Globo em 2002, e pela Open Letter Books (EUA) em outubro de 2017. [367 páginas]

CÉU BRANCO

Este romance-noir, passado em Brasília, conta a história de Capoano, um empresário corrupto, que encontra pela frente um alto funcionário honesto no Ministério do Meio Ambiente e não consegue a licença para criar sua “Brasineylandia”, um complexo imobiliário numa área de mananciais e espécies raras. O choque é inevitável. Há conflitos, ameaças, uma vingança sórdida, e uma morte. Há investigações e prisão. E, no final, outra morte, e algo inesperado. Mas a história do romance é também sobre a amizade especial entre duas primas

que cresceram no Centro-Oeste no seio de uma família de donos de terra e políticos: Teresa e Lígia. Uma delas morre e a outra, jornalista investigativa, quer justiça. A cidade solar que é Brasília adquire as sombras de seus bastidores. E essas sombras, entre lirismo e suspense, adquirem carne e osso, cérebro e sentimentos.

Status/Publicação: Inédito.

A TERRA SEM MALES

O romance se passa em um Brasil mítico e a-histórico. O Primeiro Povo é o herdeiro do segredo da Terra sem Males, procurada por todos que já ouviram falar de sua existência. Eles sabem que o segredo para essa “terra de muita alegria, liberdade e amor” é viver da melhor maneira possível e esperar. Mas o povo do El Dorado, o grande inimigo, acredita que o segredo deve ser algo mais concreto e material. Planeja descobri-lo e, para isso, arregimentam seu próprio exército, com o apoio dos Homens Sem Cor, dos Mortos-Vivos e Corpos-Secos. O Primeiro Povo tem em sua defesa as terríveis icamiabas (amazonas), e vários outros seres míticos da floresta como a M`Boitatá.

O romance se estrutura em torno do ataque do povo do El Dorado ao Primeiro Povo, com outros personagens aparecendo como a Uiara, o Curupira e o Saci, a velha Pisadeira, os gêmeos Macu e Naíma, e os Homens da Chuva. Por todo o romance, há suspense, mortes, cenas espantosas, paixões, muito humor e nenhum compromisso com qualquer verdade.

Status/Publicação: Inédito.

A BOA VIDA

Coletânea composta por dez contos, tratando cada um de um momento específico da luta de resistência à ditadura civil-militar no Brasil. Abarca o período que se inicia com o golpe de 64 e vai até 1987. Os contos falam do cotidiano e do entorno familiar e afetivo das pessoas que se envolveram na luta armada. Seus temas são momentos da vida clandestina, do trabalho político nas fábricas e bairros, da prisão e tortura, do exílio, e da volta ao país.

Entre as histórias, aparece a intervenção de um personagem, chamado Curinga, que brinca com a intertextualidade, comentando e refletindo sobre literatura e política, e funcionando como intermediário entre o que é narrado e o leitor. Primeiro livro de contos da autora.

Status/Publicação: Inédito.

PAULICEIA DE MIL DENTES

Um romance sobre São Paulo, a sexta maior cidade do mundo, que se estrutura em torno da invasão a um famoso escritório de advocacia por um jovem da burguesia paulistana. O jovem faz duas reféns: a ex-namorada que o rejeitou e a faxineira da firma. A partir desse fulcro, vários personagens entrelaçam

suas complexas histórias e mundos diferentes, num livro denso e de leitura prazerosa, construído com vários tipos de linguagem e vozes que mostram a diversidade, energia e vitalidade de uma megalópole.

Status/Publicação: Pela Editora Prumo em 2012.

GUERRA NO CORAÇÃO DO CERRADO

Damiana foi uma líder indígena da nação dos panará, desde pequena criada pelo governador de Goiás, no século XVIII. Aprendeu a falar com fluência o português e também os fundamentos da cultura branca e da religião católica. Tornou-se uma ponte entre os brancos e os indígenas. Viveu – e atuou – no coração da grande perturbação histórica que levou seu povo, considerado “o mais cruel e bárbaro”, à dizimação. Procurar entender o que aconteceu com Damiana e como pode ter acontecido é o desafio da ficção.

Assim, a autora desconstrói o mito heroico de uma Damiana evangelizadora para que em seu lugar apareça uma personalidade extraordinária na tentativa de ser a prova viva e, no entanto, impossível, da harmonia entre duas culturas drástica e violentamente incompatíveis.

Status/Publicação: Pela Editora Record em 2007.

O FANTASMA DE LUÍS BUÑUEL

Permanecendo um fantasma para toda a história contemporânea do Brasil, o golpe civil-militar de 1964 entra na vida de um grupo de cinco jovens estudantes em Brasília provocando a diáspora, mas também consolidando laços que os acompanharão para o resto de suas vidas. A costura da resistência é a paixão coletiva pelo cinema, encarnada no cineasta Luis Buñuel, que uma vez disse que não lamentaria morrer se pudesse, de dez em dez anos, se erguer de entre os mortos, caminhar até uma banca de jornais e comprar alguns para ver o que teria acontecido no mundo.

Essa ressurreição cíclica é a chave da teimosia dessa geração, que acusou o golpe, mas não desistiu de desenhar um mapa de possibilidades, alimentado pela imaginação, ao mesmo tempo incendiada pelo cinema e corroída por sucessivas derrotas.

Status/Publicação: Pela Editora Francis em 2004.

ÍNDIOS E RIOS – DUAS HISTÓRIAS

Este livro conta histórias verdadeiras. Francisca de fato existiu. E o Tietê é o “rio verdadeiro” e conhecido, que banha São Paulo, a principal cidade do país, mas que nem por isso deixa de ser um rio vivo-morto, um rio que há muito tempo vem morrendo. “Francisca”, a protagonista que dá nome ao primeiro conto, era uma índia manau que cresceu à beira do Rio Negro, no século XVIII. Quando jovem foi escravizada e, alguns anos depois, ousou processar os poderes da colônia pelo seu direito de ser livre. Francisca é seu nome ocidental. Seu verdadeiro nome indígena nunca saberemos.

Já no conto Tietê, é a menina branca que não tem nome. E não tem nome porque pode ser qualquer garota das nossas cidades. É uma entre os 2/3 dos brasileiros que têm sangue indígena e negro correndo nas veias. É para ela que um personagem misterioso conta a dramática história desse rio.

Status/Publicação: Vendido à Editora Rocco para publicação em 2015.

NOSSOS QUERIDOS MITOS

Os mitos e lendas brasileiros falam de matas, rios, tempestades. De seres mitológicos vivendo em íntimo contato com as forças naturais. Seres legados pela herança indígena, primeiro. Seres sobrenaturais trazidos pelos portugueses e pelos africanos, depois. Com humor, este livro reconta treze mitos: Sacis, Boitatá, Uiara, a Cuca, o Boto, a Velha Pisadeira, o Negrinho do Pastoreio, Curupira, a Morta-Viva, Corpo-Seco, Estrela-das-Águas.

São histórias do maravilhoso legadas pelos nossos antepassados, desde séculos atrás, e que de alguma forma continuam, vivos e lépidos, compondo nosso imaginário de brasileiros.

Status/Publicação: Vendido à Editora Rocco para publicação em 2015.

O VOO DA ARARA AZUL

André, o protagonista dessa novela juvenil, vive a primeira transformação de sua vida: uma imensa paixão platônica por uma jovem enfermeira que vive com o marido e um tio na casa vizinha. Estamos na época da ditadura no Brasil e a casa ao lado é de fato um “aparelho” cujos moradores são militantes clandestinos que lutam contra a situação em que vive o país. André aos poucos vai entendendo o que acontece ali através da paixão que, em vez de cegá-lo, abre seus olhos para a realidade.

Seu universo, representado por quadrinhos desenhados por ele, é mesclado com documentos históricos da época da ditadura militar, compondo um livro único.

Status/Publicação: Pela Editora Callis em 2007.