Lúcio Cardoso

Lúcio Cardoso

LÚCIO CARDOSO

Lúcio Cardoso (1912-1968) é um dos principais escritores brasileiros do período entre 1930 e 1960. Além de escrever inúmeros romances e contos, atuou também como dramaturgo, poeta, jornalista, cineasta e pintor. Dentro da história da literatura brasileira, suas obras fazem uma análise subjetiva do eu moderno, trazendo à tona os dilemas e dramas pessoais que permeiam a percepção da existência coletiva. Lúcio Cardoso teve uma criação fortemente católica, e seus diários (republicados em 2012) relatam suas dúvidas e culpas decorrentes de sua homossexualidade. Como escritor, ele se afastou do realismo social, moda literária na década de 1930 no Brasil, e abriu as portas da literatura brasileira às obras introspectivas, como as de Clarice Lispector – sua maior seguidora e admiradora.

Cardoso também foi uma grande força para a renovação do teatro brasileiro na década de 1940, autor da primeira peça encenada pelo grupo Teatro Experimental do Negro, criado por Abdias do Nascimento. Apaixonado por cinema, escreveu Porto das Caixas, primeira produção do Cinema Novo brasileiro, filmada por Paulo Cesar Saraceni. Parcialmente paralisado por um derrame, em 1962, Lúcio Cardoso foi forçado a parar de escrever e a pintura foi o escape encontrado. Nas palavras de Fausto Wolff, “ele começou a expressar em imagens o que já não podia dizer com palavras”. Em 1966, Lúcio Cardoso foi agraciado com o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Morreu dois anos depois, com 56 anos, em virtude de um segundo derrame.

CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA

A obra, cânone da literatura brasileira, narra a decadência dos Menezes, tradicional família de fazendeiros de Minas Gerais. Movidos por fortes sentimentos de inveja, incesto, desamor e ambição, os Menezes devoram-se uns aos outros até a mais completa desintegração financeira e moral da família. O fulcro da ação se dá no relacionamento amoroso entre Nina, mulher de um dos irmãos proprietários da fazenda, e o suposto filho deles, André.

Com uma variedade de instrumentos literários – como cartas, diários, memórias, depoimentos, confissões e relatos –, o autor tece uma história complexa e extremamente envolvente, com um estilo de prosa único na literatura brasileira.

Status/Publicação: Originalmente publicado em 1959, este clássico brasileiro está em sua 13a reedição pela Civilização Brasileira (Grupo Record). Publicado em francês pela Métailié. Vendido para a Open Letter Books (EUA).