João Almino

João Almino

JOÃO ALMINO

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João Almino, cujos romances são altamente elogiados pela crítica brasileira, já conquistou alguns dos mais importantes prêmios literários. Está publicado internacionalmente e foi descrito pela Folha de S. Paulo “como um dos mais brilhantes autores de sua geração”. Desde seu primeiro romance, os críticos reconheceram a qualidade e a originalidade de sua linguagem.

Nas palavras do escritor mexicano Alberto Ruy Sanchez, “ele é um autor único, que sabe chegar a profundas ideias sem sugar fora a vida de suas histórias”. João Almino é também diplomata e foi recentemente eleito membro da Academia Brasileira de Letras.

ENTRE FACAS, ALGODÃO

Quase trinta anos depois de seu primeiro romance e após seis romances ambientados em Brasília, João Almino escreve, em texto que prima pela linguagem, uma história que se passa principalmente no seu Nordeste natal. Um advogado em fim de carreira, habitante de uma das cidades do entorno de Brasília, abandona sua mulher e vai ao encontro dos fantasmas e fantasias de sua infância pobre ao comprar parcela da fazenda que pertenceu a seu padrinho, no interior potiguar e próxima à cidadezinha de Várzea Pacífica, onde também viveu. Segue em busca de um antigo amor, da vingança pelo assassinato de seu pai e de êxito no trabalho agrícola.

Um painel de dramas familiares, educação sentimental, ciúmes, ganância e disputas políticas vai se desenhando na sua memória, às vezes falha, ao longo da viagem de regresso a sua terra. Após a chegada, em meio ao contraste entre o velho e o novo, se depara pouco a pouco com surpresas que mudam não apenas seu futuro, mas também seu passado, levando-o a confrontos judiciais. Quem ele é realmente? De quem é filho? Quem foi o verdadeiro responsável pelo assassinato que ele veio vingar? A volta a Brasília se faz em situações dramáticas que lhe trazem nova perspectiva do que foi e será sua vida.

Status/Publicação: pela Record em outubro de 2017.

CINCO SÉCULOS DE UTOPIA

O tema da utopia continua atual e merece reflexão renovada. Esse livro propõe interpretações originais e oportunas do clássico de Thomas More, quando completa seus quinhentos anos. No primeiro ensaio, a análise da estrutura narrativa da obra como peça literária, encenada por vários personagens, entre os quais quatro narradores, permite concluir que, através da dialética dos diálogos e do confronto entre os personagens, Utopia, em vez de elaborar uma demonstração linear, não sugere receitas prontas para serem aplicadas. Deixa espaço para o dissenso.

Ser ficção é uma vantagem, que atenua a “distopia” presente no livro de More – “distopia” manifesta na organização totalitária de uma sociedade que se quer transparente para si mesma e onde não há divisão entre o público e o privado. Ela se evidencia também, como defende o segundo ensaio, na ordem internacional unidimensional, unilateral, em que as regras são impostas por um só ordenador do mundo, autossuficiente e todo poderoso intérprete do bem, que se crê detentor dos valores da civilização. A Utopia é um império, como conclui este segundo ensaio.

Status/Publicação: Inédito.

ENIGMAS DA PRIMAVERA

O romance narra uma bela e bem construída história, passada entre 2011 e 2013, na qual sobressaem a qualidade da linguagem, a destreza dos diálogos, o frescor da voz de um jovem brasileiro de 20 anos em sua viagem de Brasília a Madri e Granada, confrontado com os dilemas e tensões do mundo contemporâneo, o papel das realidades virtuais, a desorientação identitária, a solidão e a fragilidade das relações sociais. Num misto de ficção e realidade, memória e imaginação, a história enfoca as crises do Oriente Médio, o Islã em suas várias facetas e os temas da tolerância e intolerância, ao mesmo tempo em que revê uma história mais antiga, a do reino árabe de Granada.

No centro de tudo estão as várias revoltas dos jovens, entre as quais a árabe, a dos indignados e a dos brasileiros.

Status/Publicação: pela Record em abril de 2015 e pela Dalkey Archive Press (EUA) em fevereiro de 2016.

CIDADE LIVRE

Seis meses após a morte do pai, o narrador, João, reconta a conversa que teve com ele, durante sete noites, entre quatro paredes sujas (que ao final do livro o leitor entenderá serem a cela de uma prisão). A narrativa é uma tentativa de realizar um projeto fracassado do pai: recontar a fundação e construção de uma cidade, Brasília, entre 1956 e 1960. À medida que conta sua conversa com o pai, o narrador narra também suas memórias de infância na Cidade Livre, o vilarejo construído para receber os trabalhadores, engenheiros, empresários e aventureiros, além de seitas místicas, durante as obras para erguer a capital do Brasil.

João tenta entender os crimes na vida do pai que o levaram à prisão e o que sucedeu ao projeto utópico de Brasília. Cidade Livre conquistou o Prêmio Literário Zaffari & Bourbon de Melhor Romance publicado no Brasil entre maio de 2009 e maio de 2011 e foi finalista das premiações Jabuti e Portugal-Telecom.

Status/Publicação: pela Record em 2010; Métailié (França) com o título de Hotel Brasília em 2012; Dalkey Archive Press (EUA), 2013.

O LIVRO DAS EMOÇÕES

Em um Brasil do futuro, um fotógrafo cego reflete sobre a sequências de suas velhas fotografias. Isolando em sua memória os momentos nos quais foram feitas, tenta analisá-las como se usasse uma lente. Mas, desprovido da visão, o fotógrafo deve agora reconstruir suas experiências como uma série de instantâneos afetivos. O resultado é não só a descrição de uma imagem recordada, mas também a memória emocional que a imagem evoca. João Almino oferece aqui um retrato incisivo de um artista tentando fechar o vácuo entre visão objetiva e memória sentimental, folheando um catálogo de suas realizações e fracassos numa cidade universal, artificial, violenta, e tentando compor o quebra-cabeças que foi sua vida.

Uma resenha da Publishers Weekly afirmou: “Almino consegue capturar a essência dessas fotografias – solidão e desejo – através da linguagem, e os leitores irão se solidarizar com o artista que nunca recebe o amor ou o respeito que procura e merece.” O BookForum disse que, “sendo um existencialista à maneira de Clarice Lispector, Almino escreve dos confins da consciência do narrador numa prosa sem enfeites”

Status/Publicação: pela Record; Dalkey Archive Press (EUA).

AS CINCO ESTAÇÕES DO AMOR

“João Almino produziu um quadro múltiplo, detalhado e historicamente ressonante.”
– Michael Palmer, poeta americano

A crítica americana Marjorie Perloff define esse romance como “brilhante e instigante”. Para cumprir um pacto da juventude, Ana Kauffman, 55 anos, planeja uma festa para celebrar o novo milênio. À medida que velhos amigos reaparecem e a contagem regressiva se aproxima, o passado de Ana atravessa inúmeras, inesperadas revisões, a começar pela chegada de Berta, a nova persona de um antigo namorado, Norberto. Ambientada no caos da Brasília contemporânea – onde mesmo as mais básicas coisas humanas, como amor, amizade, sexo e trabalho, tomam estranhas formas –, a história de Ana é simultaneamente moderna e eterna.

O livro cobre um período de três décadas.

Prêmio Casa de Las Américas de 2003.

Status/Publicação: pela Record em 2003; Host Publications (EUA); Alfaguara (México); Corregidor (Argentina); Il Sirento (Itália).