Cezar Tridapalli

Cezar Tridapalli

CEZAR TRIDAPALLI

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Cezar Tridapalli é um escritor brasileiro, nascido em Curitiba em 1974. É mestre em Estudos Literários pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Romancista e tradutor de livros sobre literatura e migração, estuda psicanálise e atualmente é responsável pelo módulo de Experiência Estética do programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura da Universidade Positivo. Ele ensina criação literária.

Em 2011, publicou seu primeiro romance pela Editora 7Letras, Pequena biografia de desejos, aclamado pela crítica, assim como O beijo de Schiller, escrito em 2012 e vencedor do Prêmio Minas Gerais de Literatura ano seguinte, publicado pela Arte & Letra em 2014. Vertigem do chão é seu terceiro romance.

VERTIGEM DO CHÃO

Dois protagonistas distantes um do outro, cujas histórias são narradas simultaneamente: Leonel, um dançarino brasileiro desiludido pelo estado de sua arte no Brasil, se muda para Utrecht, na Holanda, um dos mais importantes centros de dança contemporânea do mundo; e Stefan, um holandês que, tendo visto seu namorado assassinado por um fanático religioso, decide deixar o país em busca de ar respirável. Professor de educação física, Stefan se alimenta de estereótipos, confundindo uma espécie de alegria com boas vindas, e escolhe o Brasil.

As Olimpíadas recentemente organizadas e a realização da Copa do Mundo contribuem para sua decisão. Nessa intersecção de territórios, inversão de destinos, Vertigem do chão encontra lugar, tropeçando em noções difusas de centro e periferia, com personagens marroquinos, turcos e haitianos cruzando seus caminhos. Os territórios – entre a geografia e o corpo – são explorados para investigar como a subjetividade é transplantada para uma terra estranha e estrangeira.

Status/Publicação: pela Moinhos em novembro de 2019.

“Sobre VERTIGEM DO CHÃO, acredito não ser exagero dizer que é dos mais verdadeiramente contemporâneos romances escritos em língua portuguesa nos últimos anos.”
“Ao colocar em cena dois personagens homossexuais, um brasileiro e um holandês, fazendo-os vivenciar as circunstâncias culturais e a familiaridade por vezes opressiva do país e da cidade do outro, Cezar traz para o centro do enredo a questão mais premente do mundo de hoje: numa palavra, o embate das diferenças.”
– Christian Schwartz, professor de Literatura e crítico

O BEIJO DE SCHILLER

Emílio Meister, um escritor autocentrado e narcisista, é sequestrado por um pivete, e este acontecimento rompe todas as aparências de sua vida e joga suas máscaras no chão, em um jogo de perde e ganha que o faz rever as posições mantidas até então. Levado para a própria casa pelo bandido-mirim, Emílio tem oportunidade de chamar a polícia e não o faz. Passa a conviver com o garoto, experiência que remodela seu cotidiano e rompe o véu que encobria certas mistificações do escritor-narrador. A partir daí, surgem conflitos com a esposa, questionamentos da própria obra e do relacionamento com uma vizinha, além de um sentimento ambíguo de paternidade com o rapaz que manda e desmanda, sob a mira do revólver, e depois de se apropriar da casa do escritor.

O cafajeste desperta certa admiração em Emílio por representar um modelo de vida livre que o narrador nunca teve. Tridapalli marca sua literatura com uma dicção jovem, ancorando-se no romance de prospecção, de ideias, ultrapassando o realismo desgastado de nossa ficção, com um discurso original, poético e com pitadas de humor noir diante dos impasses. O que se tem aqui é a história de perdas: da vida de aparências diante da autenticidade do sequestrador e da aura romântica que construíra para sua trajetória até Emílio perceber que cria personagens fictícias, mas é incapaz de lidar com as pessoas reais.

Vencedor do Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura.

Status/Publicação: Pela Arte & Letra, em 2014.

“O romance de Tridapalli promove uma revelação. Não do extraordinário, ou do fantástico, mas daqueles aspectos mais dolorosos que guardamos dentro de nós.”
– José Castello

“Olha, ‘vivo’ é o adjetivo mais adequado para o seu livro. Os personagens existem, a cidade, o livro sendo escrito… E como você é engraçado! Gargalhei várias vezes. Um livro que continua reverberando após a leitura.”
– Jorge Emil

“Que vigor, que humor, que acidez!”
– Aly Muritiba