Antonio Salvador

Antonio Salvador

ANTONIO SALVADOR

Antonio Salvador é escritor e jurista brasileiro. Paralelamente à atividade de escritor, dedica-se à carreira acadêmica, tendo ministrado aulas em diversas universidades brasileiras e estrangeiras. Com escritos em diversas áreas do conhecimento, participou de institutos internacionais, como o DiverCult, desenvolvido na Espanha, e a RAIA – Rede Audiovisual Ibero-Americana. É copesquisador do documentário Ctrl-V – VideoControl, lançado em 2011, autor do livro ensaístico TRÊS VINTÉNS para a cultura, a ser publicado em 2014,

e coautor do livro documental VIDEOCRACIA, com publicação também prevista para 2014. Com o seu romance de estreia, A CONDESSA de PICAÇUROVA, foi vencedor do Prêmio Nascente de Literatura, concedido pela USP, além de finalista do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2013, e do Prêmio Machado de Assis da Biblioteca Nacional, em 2012. Nascido em 1980, em Natal, mudou-se para São Paulo ainda criança. Atualmente, vive em Berlim, onde está terminando o seu doutorado na Humboldt-Universität.

“A Condessa de Picaçurova é novela engraçada e perversa: se aproxima de delírio cômico-escatológico com base nos clássicos.”
– Alcir Pécora, Folha de S.Paulo

HOMEM-NÚMERO

Em HOMEM-NÚMERO, o narrador acompanha a existência de Regina, desde a colisão de gametas até seu último grão de pó sobre a face da Terra. Em que medida essa trajetória é a síntese da vida humana ou o recorte de uma criação ficcional? Entre ser gerado e apodrecer, Regina nasce, cresce, reproduz e morre. Nesse ínterim, fragmentos nada excepcionais: os amores, o trabalho, o casamento, as amizades, a decrepitude. Regina condensa os conflitos e aspirações do homem contemporâneo, procurando desempenhar com fidelidade os papeis sociais a ele destinados, bem como reafirmar a vida como espetáculo numérico. O número é a performance.

Numerados de 1 a 9, a entrada de cada personagem em cena marca o acúmulo de obsessões do protagonista e expõe uma contagem progressiva que conduz à erosão total da subjetividade. O que acontece à pessoa humana que se descobre personagem? O que acontece à personagem que não se aceita como pessoa humana? Seria mesmo a vida da personagem sua inescapável realidade? Ou a realidade da vida, pura ficção? Essas e outras questões alimentam o romance de Antônio Salvador e animam o esfacelamento do pacto entre o narrador e a personagem, entre o homem e Deus.

Status/Publicação: Inédito.

A CONDESSA DE PICAÇUROVA

Para aniquilar os “cretinos” e fazer sobressair o “sujeito-modelo”, o gênio hereditário Cesário Boaventura desenvolve a teoria de supremacia do macaco em relação à espécie humana. A teoria advém não só da observação dos habitantes de Coité, cidade fictícia montada sobre paradigmas de autodestruição, mas principalmente do aparecimento insólito de uma macaca saída do tronco podre de uma árvore, o orabutã, que na língua tupi significa “pau-brasil”. Este é o ponto de partida da narrativa. A macaca é acolhida pela sociedade e, astuciosamente, galga espaço e devoção. Mantendo sua condição simiesca, ela personifica-se, torna-se Benguela. Benguela humaniza-se, torna-se Condessa – a Condessa de Picaçurova. O título nobiliárquico, o patamar máximo da artificialidade, é alcançado.

O desabamento de toda a ordem social é o resultado da articulação de forças que passam pelos caprichos da própria Morte. O eixo do romance está fincado no Brasil profundo e é atravessado por opostos: o universal e o particular, o moderno e o arcaico, o real e o surreal. O tempo mítico e o espaço amorfo esboçam o painel cindido das sociedades contemporâneas.

Finalista do Prêmio São Paulo de Literatura em 2013.

Status/Publicação: pela Prólogo Selo Editorial em 2013. [288 páginas]