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A coragem de Alison Entrekin: tradutora vai encarar GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de Guimarães Rosa. Adoramos gente destemida.

Link para a matéria completa: http://www.revistapessoa.com/2015/07/o-nonada-no-mundo/

 

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Quem não é do meio talvez nem imagine, mas existe uma competição feroz entre as livrarias pelas noites de autógrafo de autores queridos e populares. Claro: um lançamento de um autor que trabalhe, digamos, na TV-Globo faz acorrer à livraria centenas de pessoas que compram o livro que está sendo lançado e, às vezes, muito mais. Um movimento na loja impossível de ser reproduzido sem uma noite de autógrafos. Imaginem então a disputa de um lançamento de Míriam Leitão, que atrai, além de muitos colegas e amigos, outro tanto de fontes de sua atividade jornalística, em geral nomes de grande prestígio, mais os parentes, mais os fãs.

Para o lançamento de HISTÓRIA DO FUTURO, em agosto, a Editora Intrínseca, que há muito tempo já mostrou a que veio em matéria de profissionalismo, foi salomonicamente sábia. Aproveitando que a autora tem bases profissionais e sociais em pelo menos três cidades, distribuiu as noites de autógrafo entre as livrarias Cultura, em Brasília, no Iguatemi; Travessa do Leblon, no Rio; e Saraiva, em São Paulo, no shopping Higienópolis.

Dessa maneira, a editora contará com o comprometimento de três cadeias livreiras importantíssimas e superabastecidas da obra, que contribuirão para a carreira de HISTÓRIA DO FUTURO. (Diga-se logo que o livro é mesmo fundamental para todo e cada brasileiro.)

Se a Intrínseca contemplasse somente uma ou duas redes, as outras fariam um chororô espetacular. Agora resta ver quem vai convidar para o lançamento de BH, onde Míriam tem (muita) família.

Só para terminar, não pensem que ser poderoso ou da Globo é o único critério para a cobiça das livrarias. Livreiros experientes sabem que quase qualquer professor universitário tem capacidade de lotar uma loja; por isso essa é outra categoria profissional muito disputada. O professor, no entanto, precisa mostrar que é querido. Se for, abarrota uma livraria de alunos e ex-alunos.

(LVB)

 

Os convites para os lançamentos: Brasília: https://www.facebook.com/events/1617808598476326/
Rio de Janeiro: https://www.facebook.com/events/1471016283197780/
São Paulo: https://www.facebook.com/events/406938389499345/

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Ela é minha cabeça ao avesso, tudo que eu queria ser e não sou. Ela me completa. É papagaio de pirata, empoleirado no meu ombro, me censurando, e, doula paciente, ajudando nos partos mais dolorosos, ano após ano. Quando a chamo de “chata”, ela acha graça. “Mala sem alça”, praticamente chora. Porque, para nós, tradutoras literárias, são as atribuições mais elogiosas imagináveis. A gente se orgulha de ser cricri.

Conheci minha advogada do diabo anos atrás, no curso de tradução da Associação Alumni, em São Paulo. A primeira vez que a vi, estava toda de preto, com unhas azul-cintilante, meia-calça roxa comprada em Londres (escutei ela contando para outra pessoa), e uma improvável queimadura solar vermelho-camarão encobrindo a brancura paulistana habitual. Um dia, ela me deu carona para a pensão onde eu dormia quando estava em São Paulo, decidimos então ir a um bar próximo para continuar o papo. A dose se repetiu nas noites de aula seguintes, e a conversa nunca mais teve fim. Vibrávamos com as mesmas coisas, geralmente de ordem linguística. Nos cafezinhos entre aulas, trocávamos artigos sobre teoria de tradução e nos divertíamos cotejando textos originais e traduzidos para achar pistas que entregavam a direção da tradução.

Um dia, resolvi traduzir alguns contos da escritora goiana Augusta Faro, para enviar para algumas publicações no exterior. Se quisesse ingressar no mercado editorial, imaginava, era preciso ter currículo, coisas traduzidas e publicadas, para depois conseguir, quem sabe, que alguém me pedisse a tradução de um livro. Pedi para a Daniela ser minha revisora/consultora. Deu muito certo. Eu mandava os contos para ela com as dúvidas assinaladas e ela devolvia com explicações, contextos e empurrões em outras direções. O que mais me encantava era a sua maneira de lançar luz sobre as partes mais encrencadas do texto sem insistir nesta ou naquela solução. É claro que, quando lhe ocorria alguma coisa óbvia, falava, mas a maior parte do tempo ela me contava uma historinha que me levava a enxergar aquilo de forma diferente, ou sugeria que eu investigasse tal sinônimo ou “algo nessa linha”.

Mas ela não parava por ali. Também olhava as coisas que não tinha pedido para olhar, e quando via algo que a incomodava, falava. Foi aí que descobri, com muita alegria, que ela era muito chata. As nossas conversas, sempre à noite, por ela ser uma criatura noturna (sem falar que as ligações interurbanas eram menos caras – ainda não existia o Skype), eram um verdadeiro cabo de guerra entre línguas e culturas. Discutíamos acepções, impressões e associações por horas a fio. Desligávamos só para beber água e ir ao banheiro, e em seguida retomávamos a conversa. Às vezes, ficávamos um tempão em silêncio, cada uma metida num dicionário de sinônimos. E aquilo era maravilhoso.

Era tão maravilhoso que fiquei esperta: quando ficava ligeiramente em dúvida sobre alguma coisa, mas não muito, eu passei a não grifar nada. Ela é tão obsessiva que, se eu grifava algo, era capaz de cismar sobre aquilo por dias a fio até chegar a alguma conclusão, ou cismar sem fim. Mas se eu não grifava, ela só chamava minha atenção àquilo que realmente a incomodava. E, como o taco dela é tão bom, eu queria aproveitar sua reação espontânea, em vez de eu ir lá plantar uma semente de dúvida numa mente já pra lá de surtada.

Depois vieram os livros. Não pude trabalhar com ela em todos, mas em todos os mais difíceis trabalhei (Cidade de Deus, O filho eterno, Perto do coração selvagem, entre outros). Quando é assim, e sei que vou alugá-la um monte, pago alguma coisa – sempre menos do que ela merece, mas proporcional ao que eu ganho. E quando sei que só vou alugá-la um pouquinho, lá vou eu pedir ajuda fiado, e a gente pendura na conta de um futuro hipotético em que todos os profissionais do livro ganham bem e as contas são acertadas da forma mais justa.

Quando ela viaja ou quando, às quintas-feiras, a faxineira dela está passando o aspirador e não dá para conversar, é um sofrimento. Mas, depois de tantos anos de convivência, se eu começar a elaborar minhas dúvidas para ela num email, às vezes consigo até escutar sua voz me dizendo para olhar em outra direção, e encontro a solução.

Bem que ela me disse que seu masterplan era me viciar. Já tentei me livrar dela, sem sucesso. Nas vezes que tentei tirar dúvidas com pessoas “normais”, tive que dar tanto contexto para que a pessoa compreendesse a dúvida, para depois ouvir um “acho que sim” ou “acho que não” ou “sei lá, nunca pensei nisso”, que desisti. Com ela, meia palavra basta. Às vezes nem isso. Às vezes basta grifar uma palavra ou frase e ela já sabe por que estou surtando, porque sabe como penso. E essa economia de tempo e palavras não tem preço. Adoro não ter que me explicar. Até chegamos a desenvolver uma espécie de taquigrafia para encurtar ainda mais as palavras necessárias para chegar a um entendimento. VDB, por exemplo, significa o “valor do bonitinho”, quando a graça ou fofura da palavra é tão ou mais importante que o significado. “Superornou” é o mais alto elogio. E um suspiro ao telefone pode ser uma de duas coisas: ou a tradução está péssima, ou ela nem sabe por onde começar a responder a dúvida. De qualquer maneira, significa que estou frita.

Alguns anos atrás, ela deixou de trabalhar como tradutora em tempo integral porque estava deprimida com o mercado e as baixas perspectivas. Por ser perfeccionista, ela não consegue entregar um texto perfeito em menos tempo do que o necessário, o que acaba esbarrando no prazo… e como ela é muito cricri, imagine quão perfeito tem que ser! Só que, de forma geral, o mercado não remunera pelo perfeccionismo e o tempo gasto para chegar lá, e sim por lauda, ou por palavra, o que realmente torna a sobrevivência do tradutor perfeccionista problemática (falo por experiência própria). Foi fazer outras coisas da vida, mas nunca conseguiu largar de vez a tradução. E eu continuo batendo na porta dela toda hora, por hábito, por vício, por amor. Porque ela estava lá na gênese de tudo. Porque sem ela não dá.

REPRODUÇÃO DO SITE REVISTA PESSOA: http://www.revistapessoa.com/2015/05/minha-mala-sem-alca/

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Em nome da Seven Stories Press, vamos começar a representação de um romance magnífico, que está mexendo com o mundo psicanalítico norte-americano e, se publicado no Brasil, vai chacoalhar o nosso também. É o novo livro da feminista Anne Roiphe, The Ballad of the Black and Blue Mind (daríamos o título de “A balada dos deprimidos”), uma narrativa que, tendo Nova York como pano de fundo, conta histórias de ladrões e cleptomaníacos, crianças infelizes, gente que se auto-mutila e que está perturbada quanto à própria sexualidade _ tudo sob o ponto de vista da dra. Estelle Berman, uma psiquiatra que vive e trabalha no Upper West Side.

A dra. Estelle é capaz de perceber sinais de seu próprio declínio, aceitando-o da maneira como observa as idiosincrasias de seus pacientes, uns mais queridinhos que outros. São gente como Justine, filha de um colega, estrela do cinema muito louca, que não consegue deixar de provocar os paparazzi, criando complicações para si; Edith Forman, poeta espaçosa cujos finos livros que publica têm a magreza que ela não consegue conquistar fisicamente; e Anna, uma universitária que se auto-mutila, filha de renomados professores. Há ainda Gerald, o filho de Estelle, que nunca criou com ela a intimidade que tinha com o falecido pai. E agora tem também o neto de Estelle, filho de Gerald, o primeiro a se tocar de que algo muito errado está se passando com a própria psiquiatra.

O romance ganhou uma resenha estrelada da Booklist, legítimo objeto de desejo dos escritores americanos. Diz a publicação: “(o romance) explora o arsenal completo das emoções, motivações e frustrações humanas através do mundo rarefeito daqueles cujo trabalho é decifrar o comportamento da espécie.” Finaliza afirmando que, com uma prosa pungentemente bela e incrivelmente sábia, Roiphe demonstra uma paixão brilhante e aguda pela investigação e pela compreensão da vida humana.

Ficcionista e ensaísta, Anne Roiphe já publicou dezoito livros, desde os romances Up the Sandbox e 1185 Park Avenue até volumes de memórias como Art and Madness e Epilogue. Fruitful foi finalista do National Book Award. Ela colabora frequentemente com The New York Times Magazine, Vogue, Elle; já teve colunas no The New York Observer e no The Jerusalem Post.

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Um comentário já velho sobre a VB&M na imprensa do fim de semana. Saiu no Globo uma simpática matéria sobre a despedida de Karin Schindler, que está encerrando suas atividades como agente. Eu (Luciana) fui ouvida e minha declaração aparece no alto da matéria, mas não achei que estivesse clara. O jornalista me perguntou se Dona Karin era realmente a doce senhora que dava a impressão de ser, ou se tinha seus momentos de durona, como diziam. Afirmei que ela sempre foi doçura pura e, se algumas vezes batia o pé quanto a algum ponto da negociação, eu sempre soube que estava seguindo a orientação do cliente. O agente que representa clientes estrangeiros para o Brasil, o que também fazemos na VB&M, às vezes recebe solicitações despropositadas. Podem vir de um lado ou de outro, do editor brasileiro ou do cliente estrangeiro, e nem sempre é fácil intermediar e encontrar o necessário equilíbrio. Foi isso que eu quis dizer.

Dona Karin é a decana nesse ramo do negócio do livro no Brasil, sempre fez com maestria essa intermediação. Ela jamais representou autores brasileiros, seja para o Brasil ou para o exterior, um aspecto do negócio com características muito diferentes do co-agenciamento.

“Para quem se aposentou há menos de um mês, Karin Schindler demonstra uma disposição invejável. Com 84 anos, vividos entre Alemanha, Uruguai e Brasil, esta senhora judia alemã naturalizada uruguaia trabalhou 41 anos como agente literária e praticamente testemunhou a formação do mercado editorial brasileiro como o conhecemos hoje. Daqui para a frente, diz ela, vai fazer o que mais gosta: sentar no jardim nos fundos de sua casa e ler, de preferência nada que seja literatura.

— Estou lendo um livro (em alemão) sobre a origem de expressões idiomáticas. Gosto mais disso do que de literatura — admite Karin em seu sotaque carregado, que mascara um português perfeito.

O aspecto meigo e bem-humorado esconde a negociadora implacável que várias gerações de editores tiveram de enfrentar. Luciana Villas-Boas, ex-diretora editorial da Record e hoje agente literária, conta que trabalhou diretamente com Karin durante 17 anos e continua vendo-a como a “doce senhora”.

— O convívio sempre foi muito bom enquanto estive na Record e continua sendo hoje em dia — diz Luciana. — Ocorre que o agente que representa o escritor e a editora estrangeiros muitas vezes tem demandas e necessidades diferentes. Ele tem que explicar as peculiaridades daqui e nem sempre eles entendem lá. Eu sempre soube quando ela estava sendo dura para atender a uma necessidade dos clientes dela.

À frente da Agência Schindler, que instalou em um anexo no fundo do sobrado onde mora no Brooklin, Zona Oeste de São Paulo, Karin representou desde F. Scott Fitzgerald até Stephen Hawking, passando por Agatha Christie, Isaac Asimov e Harold Robbins, entre outros best-sellers.

Suas histórias envolvem menos a relação direta com autores e mais casos de negociações com editores e livros.

— Para nós, (os autores) são apenas pedaços de papel — observa ela, o sorriso aberto e o olhar atento.

Entre outras coisas, Karin conta que quando começou a agenciar autores, em meados dos anos 70, o mercado editorial era informal e os contratos ainda eram muito amadores. Segundo ela, os adiantamentos, verba dada para os escritores antecipando a venda dos livros, não ultrapassavam US$ 200.

Uma história curiosa da agente aposentada diz respeito à disputa dos direitos de um livro cujo autor é sinônimo de sucesso garantido. Depois de instituir um leilão em que sobraram apenas dois editores, um deles arrematou os direitos de publicação por US$ 95 mil.

— Liguei para ele e disse: “Você ganhou”. Desligamos o telefone e estava tudo bem. Até eu receber uma nova ligação dele, agitado, dizendo que me pagaria US$ 100 mil. E eu falei que não precisava, porque os direitos já eram dele. Mas ele insistiu, dizendo que queria ter certeza de que publicaria a obra — conta ela, que não revela nomes, mas confirma que a compra valeu cada centavo investido.

Karin fala muitos nomes estrangeiros ao citar seus autores, de Sigmund Freud a Dale Carnegie, este último autor do sucesso “Como fazer amigos e conquistar pessoas” (lançado aqui pela Companhia Editora Nacional). Não menciona escritores brasileiros por uma simples razão: não quer ser “babá”.

— Uma única vez aceitei agenciar um autor brasileiro, há muito tempo. Um dia, eu estava em casa em um fim de semana com a família, recebendo amigos para um almoço, quando o telefone tocou. Era esse escritor me perguntando: “Por que o meu livro não está exposto na livraria Brasiliense da Barão de Itapetininga?” Nunca mais.

Lucia Riff, que atuou como editora na Nova Fronteira antes de abrir a Agência Riff há 24 anos, guarda com carinho o gesto da veterana agente literária quando soube que deixaria a edição para passar a agenciar autores e representar editoras.

— Ela foi muito carinhosa comigo me chamando para um café da manhã. Falou sobre como seria e me alertou sobre autores brasileiros, inclusive contando essa experiência dela com o tal escritor — lembra Lucia. — E é verdade que isso acontece, mas era uma das coisas que eu queria ao mudar: trabalhar com autores brasileiros.

Nascida em um subúrbio de Berlim, Karin Schindler fugiu de casa com a família em abril de 1940 levando apenas a roupa do corpo. Do porto de Gênova, na Itália, partiu para o Uruguai, que acolhia judeus alemães fugidos do nazismo.

— Por isso não abro mão da cidadania uruguaia. Eles nos acolheram e aqui (no Brasil) nos fecharam as portas. O senhor Getúlio (Vargas, presidente à época) estava no balanço da conveniência — diz Karin.

Ela desembarcou no Porto de Santos em 1955, casou-se no ano seguinte e mudou-se um ano depois para o sobrado do Brooklin onde mora até hoje. Depois de um período de adaptação, o marido conseguira equilibrar as contas e sugeriu que a mulher parasse de trabalhar como secretária trilíngue. Após um período, ela voltou à ativa, como secretária de Johannes Bloch, dono de uma das primeiras agências literárias do Brasil, a Bloch.

Filho do fundador de uma editora de peças teatrais, Bloch fugira primeiro para a Inglaterra, onde continuou trabalhando como editor, e depois veio para o Brasil a fim de representar oito editoras, entre as quais Penguin, Oxford e Cambridge. Foi Jorge Zahar, da editora homônima, quem sugeriu a ele a abertura de uma agência. Pouco tempo depois, Bloch se afastou do trabalho em razão de saúde e ela foi obrigada a cuidar do negócio.

— Me jogaram do lado fundo da piscina e tive que aprender a nadar — lembra.

Em 1976, dois anos depois de mergulhar no mundo literário, ela foi a Londres visitar as editoras que passaria a representar. Das 36 contatadas, 35 aceitaram a representação de Karin. A única que recusou pediu desculpas porque havia se adiantado em razão do estado de saúde de Bloch e procurou outra pessoa, lembra ela.

Trinta e cinco anos depois, Karin está satisfeita com o arranjo que mantém a agência nos fundos de sua casa, agora sob os cuidados da ex-editora Sueli Pedro dos Santos.

— Eu fico aqui e eles ali, ambos respeitamos os nossos espaços — conta, apontando primeiro o chão da sala de sua casa, e depois o apertado escritório que divide os fundos da construção com o orquidário deixado pelo falecido marido, Rodolfo. — Mas eu não entendo nada de orquídeas e plantas. Para mexer nisso, chamo um jardineiro.”

Reprodução do site O Globo: http://oglobo.globo.com/cultura/livros/agente-literaria-karin-schindler-relembra-formacao-do-mercado-editorial-brasileiro-15966665

Por Anna Luiza Cardoso

          Muita gente acha que na Europa tudo é melhor que no Brasil. Não é. Mas se tem algo, além do sistema de transportes, que precisamos aprender já com o velho continente é o hábito da leitura. Aqui, todo mundo lê, e lê muito, lê de tudo, o tempo todo, em qualquer lugar. Os números de vendas no Brasil são risíveis se comparados aos de países como França e Alemanha, por exemplo, tão menores em extensão e população. Se vendemos dez mil exemplares já vibramos com o bom desempenho do livro. Os alemães ficam envergonhados. E essa diferença é vista nas ruas, nos ônibus e metrôs em que quase todo mundo leva um livro a tiracolo. Felizmente, a meu ver, puxa saco que sou do livro de papel, a proporção de ebooks nesse quantum de leitores é ainda pequena. Nada contra, pessoalmente, o livro digital cumpre um papel importante e admito já ceder a ele em tantas ocasiões; mas não há nada no mundo como o cheiro de um livro, a textura de suas páginas, a diagramação de seu texto. Faz parte da experiência sensorial, da performance interativa em que autor, designer, editor, livreiro e leitor participam.

          Essa experiência sensorial alcança o seu auge na ida a uma livraria, cada uma um pequeno – ou não – templo literário, espaço que está para os livros como as galerias estão para as artes. Mesmo diante da invasão amazonesca, que passa por cima dos livreiros com o ímpeto e poder de destruição de um trator desenfreado, cidades como Barcelona, Londres e Paris ainda são um paraíso para os aficionados pelas livrarias: têm uma a cada esquina, para todos os gostos, com todos os focos. Tivesse eu tido antes a ideia de colocar em texto meus lugares literários prediletos por aí, a lista seria imensa, passando por tantas cidades. Mas me restrinjo aqui a alguns endereços que valem a visita em Paris, onde passei uma semana durante esta temporada de feiras, entre Bolonha e Londres:

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SHAKESPEARE & COMPANY

Figurinha fácil em qualquer lista de livrarias parisienses, a charmosa Shakespeare & Co é especializada em literatura em língua inglesa, é linda, linda e tem uma bela vista da catedral de Notre Dame.

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L’ÉCUME DES PAGES

Situada bem ao lado do famoso Café Flore, no Boulevard Saint-Germain, número 174, a L’Écume des Pages tem um belo acervo de ensaios literários e filosofia política, além, é claro, de literatura francesa. Sua arquitetura me lembra a da querida Argumento, no Leblon, toda em madeira e tons de verde escuro.

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LA HUNE 

Também em Saint Germain, na esquina das rue Bonaparte e rue l’Abbaye, a La Hune é uma livraria charmosíssima que fica aberta até tarde da noite. É especializada em literatura, principalmente francesa, ciências humanas e belas artes, e faz parte do grupo Flammarion.

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F. DE NOBELE 

No número 35 da mesma rue Bonaparte está a De Nobele, um sebo especializado em livros de arte difíceis de se encontrar.

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 GIBERT JEUNE

A Gibert Jeune é uma rede de livrarias parisiense com várias lojas espalhadas nos arredores da Place Saint Michel – são nove! A maior delas, com vários andares dedicados à literatura de todo o mundo, fica na própria praça, e tem livros tanto em francês quanto nos idiomas originais. Na dúvida sobre onde encontrar qualquer coisa, só ir até lá!

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LA BELLE HORTENSE

Situada no coração do Marais, na esquina das ruas Vieille du Temple e Sainte-Croix de la Bretonnerie, a La Belle Hortense é uma cave bar literária super charmosa. Ali você pode sentar para tomar um café ou uma taça de vinho no meio do dia, enquanto lê seu próprio livro ou dá uma fuçada nas recheadas prateleiras. Vira e mexe há eventos literários e/ou artísticos no espaço e vale a pena ficar de olho na programação.

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COMME UN ROMAN

No número 39 da rue de Bretagne, também no Marais, fica a Comme un Roman…, que além do nome bonito e interessante costuma organizar encontros literários e exposições artísticas em seu amplo espaço. O acervo de literatura é bom e a parte de livros infantis também não deixa a desejar. Em 2009, recebeu do ministério da cultura francês o selo LIR pelo seu papel na cena cultural parisiense.

Uma mulher, com pouco mais de 30 anos andava, com passos firmes e curtos, em um enorme quintal. O vento balançava ligeiramente a saia rodada e atrapalhava seus cabelos finos e muito lisos. No céu, o sol não dava trégua. Havia algumas árvores nas beiradas do terreno, uma goiabeira grande e carregada oferecia sua sombra e frutos numa área lateral. A maior parte da terra, no entanto, era aberta, um descampado. Atrás dela alguns homens seguiam em silêncio carregando pás e enxadas. Ela olhava em volta, mirava o chão e, às vezes, encarava o céu. Investigava. A luz do dia fazia seus olhos ainda mais azuis; sua pele, mais branca.

Em silêncio ela andava; em silêncio os homens a seguiam. A mulher se distanciava da casa, depois voltava mais um pouco. Caminhava para a esquerda, voltava. Procurava. Atrás dela, os homens e suas ferramentas. Cada vez que parava, retomava o ritual de interrogar o céu, o entorno e o chão. Em um determinado ponto, parou decidida. Voltou, então, o rosto convicto para os homens e disse:

– Aqui. Podem cavar aqui. E desenhou um círculo imaginário.

Eles começaram. Não demorou muito e eles gritaram para a mulher que já voltara para o trabalho na casa.

– É aqui mesmo!

As crianças correram para ver. Ela veio conferir e baixou novo decreto

– É boa, podem continuar a cavar.

Assim foi feito o poço da casa. Ela conhecia a técnica e explicou aos trabalhadores como cumprir cada etapa da construção do poço. Enfatizou a segurança da tampa que afastava as crianças dos riscos. Ela trouxera o conhecimento talvez da fazenda em que passara sua infância.

Ninguém mais na casa se preocupou com o abastecimento incerto da empresa fornecedora de água da cidade. Nunca se tirou mais do que o poço poderia suprir. Ele estava sempre cheio. Mesmo assim os filhos eram orientados a escovar os dentes, ou tomar banho usando apenas o necessário. Uma parte da água usada era reutilizada em funções menos nobres. Ela criara a fartura e alertava sobre a escassez. O gasto a mais, ela se permitia apenas quando fazia a limpeza geral da cozinha. Então, ela se divertia com os pés descalços na água, como se o trabalho fosse uma brincadeira. Ou quando aguava a horta que plantou numa parte do quintal e que enchia a mesa de verduras e legumes. Seus banhos eram sempre frios e saía deles com ânimo juvenil.

O Brasil estava se urbanizando rapidamente, da forma improvisada de sempre, com serviços públicos precários. O desmatamento avançava na Zona da Mata, produzindo desequilíbrios. Nas estiagens, os vizinhos pediam baldes de água. Levavam. Ela sabia encontrar a água, previa sua chegada e temia sua força.

– Vai chover – decretava, às vezes, mesmo sem sombra alguma no céu.

Chovia.

– Está armando uma tempestade – dizia.

A tormenta caía com violência. Então, ela pedia baixinho:

– Jesus, misericórdia.

Se piorasse muito e raios cortassem os céus, ela aumentava o fervor da oração. Um dia, o marido programou um passeio numa cachoeira da vizinhança. Ela disse que tinha muito trabalho a fazer. Ficaria. Ele levou os filhos maiores e a irmã caçula da mulher. Ela orientou as crianças sobre os perigos das águas. Todos se cuidaram. A irmã se descuidou. Por um tempo, que pareceu longo demais, a moça forte e morena afundou nas águas. Foi resgatada com esforço.

– Não digam nada para a sua mãe quando chegarmos em casa. Deixem que eu sei como contar para não assustá-la – avisou o homem.

A moça ainda meio fraca seria a última a sair do carro para não assustar a irmã. As instruções foram seguidas. Crianças em silêncio, a moça, mais atrás, e o homem bem na frente.

– Onde está minha irmã? O que aconteceu com ela? – perguntou aflita a mulher tão logo viu o marido.

– Ela está bem, veja você mesma, mas quem te contou?

– Um pressentimento.

Assim eram ela e a água. Uma relação de respeito, medo, conhecimento e prenúncio. Ela sabia onde as águas moravam, temia seus excessos e sua ausência.

Era assim, a mulher. Com uma sabedoria que nem sei explicar. Nessa seca dei de me lembrar dela assim, do nada, tentando entender pelo menos um dos seus muitos mistérios. Estava linda, Mariana, minha mãe, andando no quintal, investigando céu, terra e ar atrás da água que nos abasteceria.

Estamos inaugurando hoje o Blog da VBM com um artigo que escrevi originalmente para a edição 17 da revista do Observatório Itaú Cultural, que foi distribuída em Paraty. O título é “Ser ou Não Ser Brasileiro” e trata da literatura que autores brasileiros estão tentando emplacar no mercado internacional. Nosso blog será um espaço para nós nos manifestarmos a respeito de temas literários, editoriais ou relativos a nossos autores e estará aberto para todo mundo ligado à agência – profissionais ou clientes.

SER OU NÃO SER BRASILEIRO

Brasileiro tem pavor de ser exótico. É compreensível. Algumas de nossas melhores contribuições ao acervo artístico da humanidade poderiam ser enquadradas no exotismo, mas essas manifestações nos remetem a um tempo de nenhuma autonomia cultural e política, de subserviência aos ditames coloniais e imperialistas do que cabia a cada um criar e produzir; conduzem-nos à recente memória de nossa condição de quintal norte-americano, brasileiro compondo, escrevendo, pintando, para Tio Sam e o Velho Continente aprovarem a nossa batucada.

O exotismo seria a negação de uma sofrida e dolorosa urbanização e (incompleta) industrialização. Na literatura, não produzimos mais ficção que possa ser considerada exótica, embora sigamos atormentados com a aprovação do “Primeiro Mundo”. Minha experiência pessoal diz que, no Brasil, a pergunta mais frequentemente dirigida a um agente literário é: “o que espera o editor estrangeiro da literatura brasileira?”. Com olhar ansioso, repetem escritores, produtores culturais e jornalistas: “o editor estrangeiro ainda quer de nós uma literatura exótica?”. Há quase cinquenta anos não desembarcam nas livrarias americanas e europeias mulatas tão lindas e sensuais, tão contraditórias e divertidas, quanto Florípedes e Gabriela. Os editores que primeiro traduziram a obra de Jorge Amado estão aposentados ou já morreram. Para leitores e editores internacionais de hoje, a referência amadiana é desbotada, sem nitidez. Posso garantir: o editor estrangeiro não tem qualquer expectativa de que o autor brasileiro entregue uma ficção de caráter exótico para publicação internacional. O editor estrangeiro ignora nossos problemas com o exotismo, bem como nossas cólicas narcísicas em relação à nossa autoimagem e àquela que projetamos. O que talvez o editor estrangeiro espere de nós é que não tenhamos tanto problema em ser brasileiros. Será assim tão absurdo que se espere do Brasil uma literatura brasileira? Os EUA podem fazer uma literatura americana, a Itália, italiana, a Índia, definitivamente indiana, assim como os países latino-americanos apresentam sua produção nacional. No entanto, do Brasil não se pode querer, segundo cartilha que não se sabe quem entre nós determinou, uma ficção brasileira que, por meio de personagens densos, de uma voz própria, de uma linguagem inovadora, reflita dramas de nossa história e cultura naquilo que têm de local e universal. Para escapar à pecha do exotismo, novos autores brasileiros parecem se dedicar a suprimir de suas obras qualquer mínima marca nacional.

Mas logo que abri a agência VB&M, em 2012, ouvi, a esse respeito, um questionamento interessante por parte da scout Carmen Pinilla, que busca títulos em língua espanhola ou portuguesa para uma carteira que tem, entre seus clientes, algumas das mais importantes editoras do mundo:

“O Brasil é tão imenso, tem uma história tão intensa e diferente, com a influência africana, com tantos imigrantes da Europa, do Japão, com tantos cenários possíveis; por que sua literatura não reflete isso? Por que há tantos protagonistas que são autores autores com bloqueio criativo, em relações homo ou heterossexuais, mas sempre frustradas e bizarras, em metrópoles que se supõe que sejam São Paulo ou Rio, ou até fora do Brasil, mas nada muito delineado?”

Respondi que não era só isso que tínhamos a oferecer, mas a scout insistiu que era essa a ficção que dava o tom à literatura brasileira de hoje. Em seguida, recomendou enfaticamente a seus clientes O Arroz de Palma, de Francisco Azevedo, que apresenta uma história de família e imigração portuguesa, atravessando várias gerações, cujos direitos de tradução foram comprados em doze países, por editoras como Simon & Schuster, Planeta e Mondadori. Há muitas outras obras que exalam Brasil a cada parágrafo, como a ficção de Alberto Mussa, Edney Silvestre, Miguel Sanches Neto, Luiz Ruffato; ou ainda Tempos Extremos, de Míriam Leitão, Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, Eufrásia, de Claudia Lage; e outras cujos protagonistas nada têm a ver com aquele descrito por Carmen. No entanto, talvez façam parte mesmo de uma minoria. A escravidão e a ditadura estão espocando nos entrechos do romance brasileiro, mas há que se acatar as razões de Carmen para afirmar que o Brasil contemporâneo está estranhamente ausente de sua literatura.

Quando se olha para a produção literária norte-americana, a comparação causa ainda maior estranheza. Nos EUA, cada acontecimento histórico provoca tamanha profusão literária, que se criam quase subgêneros. Os ataques terroristas de setembro de 2001 propiciaram romances magistrais como Extremamente Alto e Incrivelmente Perto, de Jonathan Safran Foer, Ao Pé da Escada, de Lorrie Moore, e Deixe o Grande Mundo Girar, do irlandês residente em Nova York, Colum McCann, para citar os de minha preferência. Recentemente, a crise financeira gerou, entre múltiplos títulos, pelo menos um rigorosamente impactante, Union Atlantic, de Adam Haslett, sobre titânico conflito entre um banqueiro poderoso e uma professora de História aposentada. Muito além do thriller e do policial, há desde o romance de beisebol até o romance universitário (campus novel) e a ficção sulista, afro-americana ou americano-nativa. São tantos gêneros e subgêneros que cada aspecto da realidade dos EUA parece refletido literariamente. Cada subgênero tem exemplos do mais descartável até a alta literatura. O que dizer dos romances de beisebol de Richard Ford? São memoráveis. Claro que não é uma comparação justa. O Brasil jamais cumpriu um básico compromisso burguês: a rede escolar universal e eficiente. Ainda assim é difícil entender por que não comparecem um pouco mais em nossa criação temas tão palpitantes como a humilhação que nossos políticos infligem à sociedade, com entrechos nos corredores do Congresso; ou o terremoto ideológico e existencial provocado por 12 anos de um partido supostamente socialista no poder. Não temos romances passados em plataformas de petróleo, bancos, laboratórios, universidades, casernas, redações, na selva amazônica violada pelas motosserras. O campo em guerra parece não ser da conta dos escritores.

Durante mais de uma década, resmunguei não entender como a experiência social, violenta e traumática, do confisco do dinheiro das pessoas na era Collor não tivesse espelho na literatura. Minha irritação foi aplacada quando recebi para publicar A Felicidade É Fácil, de Edney Silvestre. Mas deveria haver muitos outros livros com esse pano de fundo. Talvez os autores não abordem esses temas por recear serem desancados pela crítica universitária, tão poderosa na mídia. É certo que se escritores brasileiros assinassem romances equivalentes aos de Updike, Roth ou Cormac McCarthy, seria dito, aqui, que “escrevem para o mercado”, ainda que não se saiba onde há mercado para literatura brasileira no Brasil. Mas a razão mais provável para o que já me foi apontado como “mesmice”, “sameness”, na ficção brasileira, talvez seja o poço pequeno e homogêneo de peixes da mesma espécie, no qual os editores pescam os originais. Se a mirada editorial fosse mais larga, abrangendo o vasto território nacional e escritores das mais variadas formações, é possível que a denunciada mesmice fosse atenuada.

Seria bom também que houvesse um grande corpo de agentes, com gosto literário variado, e nos quais os editores pudessem confiar, uma vez que o trabalho de analisar originais não solicitados é insano demais para quem tem que, além de ler, produzir os livros. Em um sistema literário maduro, a grande contribuição do agente é “despatotizar” a literatura. Infelizmente, devo confessar que, como agente, eu mesma já cometi o pecado que denuncio. Dentre as centenas de solicitações de representação que a VB&M recebe todo mês, eventualmente, pesco textos de valor escritos por cientistas, militares, profissionais liberais diversos, residentes em vários pontos do país, que hesito em agenciar por receio da reação do meio a um nome sem conexões, no quase inexpugnável bloco de poder cultural que funciona entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Como apresentar a um editor um autor novo que não seja conhecido nos grandes diários e/ou nas instituições culturais dessas duas cidades, ou sem cartas de recomendação de outros escritores do mesmo eixo?

No entanto, para usar a inesgotável metáfora de Edmar Bacha, cada região brasileira é Belíndia e, apesar de pouco acesso à educação para a maioria, em toda cidade brasileira há uma elite intelectual, bastante expressiva em números absolutos, que está produzindo e criando obras de interesse artístico e cultural. No Brasil, o poder cultural é ainda mais concentrado do que o financeiro. A concentração tem contornos não só de classe, como também geográficos. Os Estados Unidos, além de terem uma classe média instruída muito maior do que a nossa, no seio da qual podem surgir muito mais talentos, contam, em seu sistema literário, com milhares de agentes. E ninguém nesse sistema tem que ser mais profissional do que o agente literário, porque ele jamais vai se dar ao luxo de representar um escritor por amizade. O agente só pode representar a obra na qual acredita, porque será remunerado apenas quando fechar um contrato editorial. Se o livro apresentado não for considerado interessante para publicação, seu tempo de trabalho terá remuneração negativa, e ele pode se prejudicar. É por isso que o agente literário deveria ser muito bem-vindo no sistema editorial brasileiro. Se disserem que advogo em causa própria, vejam também que incentivo minha própria competição.

O editor brasileiro, aliás, acolhe o agente. O problema é o baixo número desses profissionais. No entanto, isso está mudando, e a riqueza e variedade da ficção, que a médio prazo estará em oferta, apontarão o novo grande romance nacional a representar o Brasil, tão galhardamente quanto o faz Viva o Povo Brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro, lançado em 1984. Teremos então o livro que os editores estrangeiros esperam. E, mais importante que isso, esse livro será, exótico ou não, o romance que também leitores brasileiros estão aguardando para voltarem a ler a literatura do Brasil.

Luciana Villas-Boas