Categoria: PONTO DE VISTA

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Já comentamos aqui como o romance de Míriam Leitão, TEMPOS EXTREMOS, e o novo livro de Miguel Sanches Neto, A BÍBLIA DO CHE, “previram”, anteciparam, fatos da vida real. No caso de Míriam, o assassinato de um ex-torturador do regime militar, que vinha confessando crimes e delatando cúmplices em depoimentos à Comissão da Verdade, exatamente quando a Intrínseca estava para lançar TE, que traz personagem e episódio rigorosamente idênticos ao que veio de fato acontecer. No caso de Miguel, há meu testemunho (LVB) de que li uma parte do livro sobre um operador de propinas em Curitiba que forja a própria morte antes de surgirem os rumores sobre o corrupto deputado paranaense José Janene, que acreditávamos defunto, estar possivelmente vivinho da silva. Agora é a vez de comentar MISSÃO PRÉ-SAL 2025, de Vivianne Geber.

Há três anos li o original de Vivianne e decidi assumir a representação literária dessa talentosa assessora jurídica da Marinha. Não tive dúvidas de estar diante de uma futura escritora. Fiquei feliz de ler um livro de espionagem internacional com personagens brasileiros sobre fraudes e roubo de tecnologia bélica _ submarinos movidos tanto a diesel como a energia nuclear _ made in Brazil. O que eu não poderia imaginar é que o livro viria a ser publicado pela Record em julho de 2015 coincidindo precisamente com a prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, até poucas semanas atrás presidente da Eletronuclear, acusado de fraudes bilionárias tanto na construção de Angra 3 como na construção de potentes submarinos nucleares e a diesel. Do thriller de Vivianne, não se pode pinçar uma passagem que seja perfeito espelho de alguma etapa do Petrolão _ ou melhor, Eletrolão, Atomicão, como queiram _, mas todo astral, ambientação, temática e personagens secundários são incrivelmente correlatos.

(LVB)

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Evangelia Avloniti

Nossa brilhante co-agente na Grécia, Evangelia Avloniti, divide conosco o artigo que escreveu para o Publishing Perspectives

http://publishingperspectives.com/2015/08/greek-publishings-summer-of-discontent/

sobre a situação do mercado editorial grego. “Greek Publishing’s Summer of Discontent”, algo como “o verão da desesperança do mercado editorial na Grécia”, é de certa maneira uma explicação e uma justificativa para os editores do país não estarem fazendo as remessas ao exterior dos royalties devidos, mas também descreve com grande nitidez um quadro terrível de desolação social.

Certamente, a situação grega é infinitamente pior do que a brasileira, e não só pela fragilidade estrutural da Grécia, se comparada com o potencial sócio-econômico do Brasil. Certamente, também os gregos são responsáveis e cavaram o próprio buraco financeiro, como fizemos os brasileiros _ mas só até certo ponto! Enquanto no Brasil não se pode apontar o dedo para ninguém de fora pela situação lamentável em que nos encontramos (a presidente Dilma insiste nessa atitude, mas há tempos ninguém dá crédito a suas explanações da crise em dilmês indecifrável), a Grécia foi em parte, mas de fato, vitimada pelo modo como se deu sua inserção na União Europeia _ e, aliás, continua sendo, pois sua derrocada tem sido muito benéfica para as potências regionais, principalmente a Alemanha. Certamente, o mercado editorial grego está muito mais desestruturado do que o brasileiro. Ainda assim, ou por isso mesmo, é relevante identificar os pontos em comum entre esse verão grego e o nosso inverno, além do calor excepcional para a estação nos dois países.

Desde o controle dos movimentos de capitais estabelecido em junho pelo Syriza, o partido de esquerda no poder, as cadeias produtivas de diversos setores foram implacavelmente quebradas na Grécia. No caso do mercado editorial, não se imprime mais nada porque não há papel nem maneira de comprá-lo, já que as contas bancárias foram bloqueadas, e as vendas das livrarias caíram entre 50% e 80%. Nem que quisessem, editores poderiam pagar royalties ao exterior, porque as remessas estão virtualmente proibidas pelo governo. Naturalmente, já começou o quebra-quebra das editoras, com a prestigiosa Script anunciando falência em pleno feriado bancário imposto pelo governo para impedir os saques de divisa.

No Brasil, a crise apanhou as editoras depois de um período de relativa bonança. Até o ano passado, compras governamentais garantiam bons resultados para a maioria das editoras. Se algumas delas, digamos, se viciaram nessa receita, o corte abrupto das compras não atingiu o mercado homogeneamente. Altamente capitalizadas, editoras como a Intrínseca e a Sextante, que nunca se dedicaram ao “canal governo”, não estão sentindo a crise de maneira aguda. Mesmo com a recessão já perfeitamente identificada, o setor livreiro ainda teve o maná dos livros de colorir no primeiro semestre.

Claro que a retração de movimento nas livrarias menos bem pensadas afeta e preocupa a todos, assim como juros altos doem no bolso de quem tem alguma dívida pendurada no banco. Por isso, a diminuição significativa do número de lançamentos, o esforço de redução de custos com dolorosas demissões em muitas casas e a restrição das contratações a livros de auto-ajuda; a títulos diretamente relacionados à crise, tanto de análise séria como de sátira; ou a obras de autores já colocados que a editora não queira perder de maneira alguma. Mesmo sem necessidade premente mas com desculpa para isso, algumas (poucas) editoras estão aderindo ao péssimo hábito de adiar ao máximo os pagamentos, ou simplesmente não cumprir seus compromissos, contribuindo para o ambiente de desconfiança, que só acentua a crise e deprime os agentes econômicos, piorando viciosamente o astral de todo mundo.

O que mais se aplica ao mercado brasileiro de tudo que traz de informação o artigo de nossa amiga Evangelia? É no mínimo curiosa, pelo que reflete de Brasil, a declaração da editora Chrysa Georgakopoulou diagnosticando a doença e morte de sua querida Scripta: “Livros nunca foram uma prioridade para os gregos. Sempre foram uns poucos que sustentaram o meio editorial grego em seu estado semi-comatoso.” Também a solução que a popular dublê de autora-editora, Soti Triantafillou, da Patakis, propõe: “estabilidade, uma moldura social que seja simpática aos negócios e alguma paz de espírito coletiva (para a sobrevivência).”  Nossa, Soti, a gente também quer!

Enquanto o Brasil decide se vale a pena ou não impedir Dilma, considerando a bandidagem política generalizada que há de permanecer até 2018, esperemos que não seja o intento da presidente e do PT conduzir a nau brasileira a um porto grego. Já entrou água demais em nosso barco, considerando o potencial e a riqueza de recursos de que dispomos. Quantas Grécias dão no Brasil, quantos ioles em nosso transatlântico? Mas, lembrem-se PT e Dilma, políticos em geral, quando naufraga, o transatlântico sofre muito mais do que o pequeno veleiro, e se vai embora primeiro o pessoal do porão, passageiros da primeira classe também não são poupados.

(LVB)

Para o blog da VB&M, o artigo rivotril de Eduardo Moreira. Recomendamos para quem está nervoso com a crise.

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Por Eduardo Moreira

Acalmem-se! O mundo não vai acabar! Por mais que relatórios econômicos, manchetes de jornais e programas de televisão tentem lhes convencer do contrário… Seus dias não merecem ser perdidos com um cenário que não irá se materializar. Acreditem, há razões de sobra para seguir adiante, otimistas, ousados e serenos.

Existe um mecanismo de preservação nos seres vivos chamado homeostase. É a capacidade de regular seu ambiente interno mediante múltiplos ajustes de equilíbrio, todos eles dinâmicos e inter relacionados. E é essa característica de se organizar naturalmente quando as coisas parecem caminhar para a direção errada que lhes da o nome de organismos. Curiosamente porém, na maioria dos casos, para a homeostase entrar em ação o desequilíbrio do organismo deve aumentar muito até que válvulas, gatilhos e outros mecanismos fisiológicos finalmente sejam acionados e o corpo volte a rumar para a direção do equilíbrio. As coisas costumam piorar antes de melhorar…

Com um país, desde que suas instituições sejam fortes, as crises funcionam de forma muito parecida. As coisas começam piorando marginalmente, a partir de um período de bonanza. Os que gozam do poder ignoram então os sinais de piora, e dobram a aposta no que vinham fazendo. Pequenas medidas paliativas e superficiais são implementadas mirando corrigir a manifestação dos desequilíbrios, e não os desequilíbrios em si. A percepção melhora, mas as causas dos desequilíbrios não. Pior, saem da mira dos governantes, e crescem sorrateiramente até surgirem muito maior adiante. E quando batem a porta para cobrar a conta que não foi assumida lá atrás, vem com aparência de monstros imbatíveis.

Quando as coisas chegam neste ponto, o processo de ajuste é dolorido. De certo, apenas sabe-se que ele acontecerá, queiram ou não, até que as coisas voltem a ser como eram. Só que ninguém gosta de sentir dor e, portanto, entram em ação mecanismos para abrevia-la. Se não em intensidade, pelo menos em tempo. Economistas, empresários e demais agentes econômicos desenham o caos. E, apesar de não terem esta intenção, fazem com que o cenário acelere-se em direção a ele. As taxas de juros sobem, a moeda se desvaloriza, as taxas de desemprego escalam, a inflação ganha corpo e os investimentos diminuem. Tudo numa velocidade enorme, para que a parte dolorida passe rápido. Até que no alto da montanha, na beira do precipício, prestes a cair, o vagão para. Para e começa a voltar para trás, na direção de onde veio.

As dividas passas a valer menos, porque a inflação come uma boa parte de seu valor. As commodities passam a valer mais, porque são negociadas em dólares. A terra para plantar, criar ou extrair, passa a custar menos, e a mão de obra fica também mais barata. As margens aumentam, e isto atrai investimentos, inclusive de estrangeiros que agora veem sua moeda valendo muito por aqui. A crise fez as empresas aprenderem a fazer mais com menos, e isto perdura por algum tempo, gerando eficiência na produção. E todo este ciclo faz a moeda voltar a se valorizar, os juros voltarem a cair, os investimentos voltarem a existir e a oferta de emprego aparecer novamente…

Economistas e analistas erram quase todas. Mas suas previsões catastróficas são essenciais para acionar os mecanismos de homeostase de uma nação e ajuda-la a voltar em direção ao equilíbrio. Os dias de bonanza sempre voltam. A única coisa que não volta é o tempo. Portanto deem um pouco menos de peso para o que os outros dizem e um pouco mais de peso para os momentos divertidos e prazerosos de seus dias. Lembrem-se que noticias como “A economia piorou um pouquinho” ou “Governo tem resultado na média dos últimos 10 anos” não vendem jornal nem propaganda…

Eduardo Moreira – Autor de Encantadores de Vidas, O Encontro, O Encantador da Montanha e Investir é para todos

PublishNews noticiou a abertura de inscrições da Revista Machado de Assis para avaliação de trechos de obras traduzidas para o inglês ou espanhol a saírem no número de outubro da publicação, que coincide com a feira de Frankfurt.  Para quem dispõe de alguma verba e sonha com publicação no exterior, vale a pena investir na tradução de um trecho do próprio livro.

 

Além de talvez emplacar o trecho na revista, o que sempre pode ajudar a disseminar a obra, autor que tiver um agente  vai facilitar um bocado o trabalho de representação. Como se sabe, é praticamente impossível conseguir um editor internacional para considerar um livro brasileiro sem acompanhar o original com uma boa amostra da tradução.

 

Muita gente não entende bem a função e a necessidade dessas amostras. Escritores têm dificuldades de pensar verbas, centros de custo, etc. Então expliquemos.

 

Editores internacionais com a veleidade de publicar literatura brasileira têm em sua grande maioria que enviar os livros para a análise de leitores de português externos à casa editorial. Há pouquíssimos editores internacionais contratados em gandes casas que leiam português _ alguns na Alemanha, alguns na Holanda, outros raros na Escandinávia. Pouquíssima gente. Mesmo quem lê espanhol não se sente apto a ler português.

 

Como é então o trabalho do agente? O trabalho é convencer o editor que vale a pena enviar a obra para leitura e análise externas. O parecer de leitura desse leitor externo será determinante para a contratação.

 

Infelizmente, os editores não dispoem de verbas infinitas para gastar em pareceres. É um importante dado do mundo real que os escritores, os criadores em geral, tendem a esquecer. Os editores só vão mandar para leitura livros dos quais tenham algum conhecimento, tenham lido pelo menos um trecho, que lhes pareceu excepcional e digno de uma avaliação externa.

 

A amostra de tradução é um investimento de risco. Pode não dar em nada. O editor pode considerar boa a amostra, mandar o livro para análise e receber um parecer negativo. Pode receber um parecer espetacular, mas por outras razões, falta de espaço na grande de lançamentos, por exemplo, rejeitar a obra da mesma maneira. Mas sem a amostra de tradução só pelo milagre da sorte se consegue um editor internacional.

(LVB)

 

O link para a matéria: http://publishnews.com.br/telas/noticias/detalhes.aspx?id=82712

Uma lição que nós, brasileiros, temos a aprender com os americanos é a de recorrer sempre à Justiça quando percebemos que nossos direitos estão sendo atacados. Americanos não deixam mole. Correm atrás. Eventualmente, podem até não ganhar, suas reivindicações não serem atendidas em sua totalidade, mas dão trabalho, e a gritaria, manchando a imagem que empresários e/ou capitalistas pretendiam projetar, acabam dando algum resultado.

 

O nome disso é democracia, um sistema pelo qual o Judiciário é um poder forte e completamente independente do Executivo e do Legislativo, como já pregava Montesquieu 300 anos atrás, mas que entre nós infelizmente não é tão óbvio. O espúrio encontro em Portugal entre a presidente Dilma Roussef e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandovsky, foi uma prova de que estamos longe de respeitar plenamente a independência entre os poderes. Mas a intenção deste post não era nem de longe tratar da lama brasileira (parece que não consigo pensar em outra coisa), e sim da eterna briga da Amazon com o mundo do livro.

 

Nosso querido autor e cliente Edney Silvestre nos chamou a atenção para a matéria em O Globo nesta terça-feira, traduzida do New York Times, sobre a inédita união de livreiros,  autores e agentes americanos contra Amazon por meio de suas instituições, a American Bookseller Association, a Authors’Guild e a Authors United e ainda a Association of Authors’ Representatives. Liderado pelo autor best-seller Douglas Preston, da Hachette, o grupo tenta demonstrar ao DOJ (Department of Justice) que as práticas monopolistas da Amazon prejudicam até o consumidor final, o leitor, embora isso não esteja claro em um primeiro momento: a impressão que superficialmente se tem é que a varejista é muito boazinha e só quer praticar preços baixos. O ataque à toda ecologia do mundo editorial acabará custando caro para o leitor e para a literatura.

 

Só há um probleminha, provavelmente de tradução, na matéria de O Globo. No final, diz lá que a ABA representa 2.200 lojas, com 9.000 associados, citando em seguida autores importantes como Jennifer Egan e Richard Russo. Certamente, são os sindicatos de escritores que reúnem 9.000 associados. De resto, uma matéria relevante para quem está ligado de alguma maneira ao meio editorial e ao mercado do livro. (LVB)

 

Link para a matéria: http://m.oglobo.globo.com/cultura/comunidade-literaria-americana-acusa-amazon-de-violacoes-antitruste-leva-denuncias-justica-16751736


O fechamento da tradicional livraria Leonardo da Vinci, no Centro do Rio, foi o gancho para a Globonews/Jornal das 10 fazer uma reportagem sobre a crise do mercado editorial. No espaço reduzido de uma matéria de noticiário de TV, a reportagem conseguiu de alguma maneira distinguir as dificuldades de uma livraria como a Da Vinci, de perfil extremamente elitista, impossibilitada de competir com os grandes varejistas desde o fortalecimento do comércio eletrônico, da maneira como a profunda crise especificamente brasileira está batendo nos editores, que só se salvaram no primeiro semestre graças aos livros de colorir.

Com produção de Christina Cabo, a reportagem de Bernardo Menezes me ouviu (é Luciana escrevendo aqui), e a declaração saiu fazendo sentido, o que nem sempre acontece nessas lapadinhas de reportagens televisivas. Disse lá que os editores só estão querendo contratar e publicar livros que, creem eles, serão percebidos por uma grande massa de leitores como absolutamente fundamentais, indispensáveis. Nesse momento, ou durante a primeira metade do ano, editores acharam _ aparentemente, com razão _ que o fundamental para o leitor seria desestressar com livros de colorir.

Realmente, nenhuma crítica ao editor, é claro. Em um momento de crise em que o governo provoca uma economia adversa a todos os agentes na sociedade, o empresário tem que recorrer ao que está a sua mão para sobreviver, até publicar livros de não-ler. O que não deu para dizer é que no plano cultural, até porque é internacional, esse fenômeno do livro sem texto é patético. A humanidade está realmente regredindo.

O gozado, e só para terminar rapidamente o comentário, é o consumidor pagar preço de livro por esses blocos de colorir. Quem me conhece na intimidade brinca comigo pelo meu hábito de desenhar umas bonequinhas de perfil enquanto assisto palestras, às vezes até conversando, ouvindo o que o outro tem a dizer. Sempre disse que, sem me impedir de prestar atenção em outra coisas, minhas bonequinhas me desestressavam. Recomendo! Sem gastar um tostão em blocos de colorir, desestresso gastando apenas a tinta da Bic. Quem quiser pode colorir também.

http://g1.globo.com/globo-news/jornal-das-dez/videos/t/todos-os-videos/v/crise-no-mercado-editorial-obriga-livrarias-tradicionais-a-fechar-as-portas/4308913/

Eduardo Moreira reflete sobre a atitude do jovem profissional diante do ritmo de sua carreira.

 

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Um Waze para as carreiras

 

É incrível como alguns aplicativos podem gerar mudanças incríveis em nossos dias. Entram timidamente em nossas vidas propondo soluções para problemas que todos temos, e antes do que poderíamos imaginar nos tornamos quase que escravos de suas funcionalidades. Passa a ser difícil viver um momento glorioso sem poder compartilha-lo com os amigos através do facebook. O que dizer então de visitar um lugar lindo sem postar uma selfie no Instagram? Não tem a mesma graça. Receber uma lição de moral e não poder “twitta-la” para os amigos… Desesperador! E quanto a enviar uma mensagem pelo whatsapp e saber se já foi lida ou não? Nunca tivemos tanto poder para “cobrar” uma resposta do outro assim. Mas nem todas funcionalidades destes aplicativos são de ordem social. Algumas efetivamente trazem praticidade e eficácia para nossos dias. Como é o caso do Waze, o aplicativo que promete ter sempre a rota mais rápida para nos guiar no penoso trânsito das grandes metrópoles. E que na verdade oferece muito mais do que isso…

Ouvi recentemente, de um taxista, uma interessante colocação sobre qual seria o maior ganho que o Waze trouxe para a vida dos motoristas. E curiosamente não era o fato de trazer o melhor caminho para levar condutores de um ponto a outro da cidade. Segundo ele, o maior beneficio em usar este aplicativo era saber com grande acurácia o horário em que se chegará ao destino desejado. Além de permitir que o motorista se programe e adeque sua agenda para os trajetos que irá percorrer, o fato de saber que o horário previsto para chegada é o melhor que se pode fazer, retira como mágica a ansiedade do condutor. E ao retirar a ansiedade, permite que ele aproveite o caminho. Imediatamente imaginei como seria ter um Waze para as carreiras profissionais.

Ingressar em uma carreira significa percorrer uma trilha que promete levar do ponto A ao B. Da dependencia a independencia financeira. Do descaso ao respeito profissional. Do anonimato ao estrelato. E ao vislumbrarmos aonde queremos chegar, imediatamente surge um componente avassalador em nossas vidas: a ansiedade. Afinal não queremos apenas chegar ao destino final. Queremos chegar rápido! Mas o que é rápido? Um mês, um ano, dez anos? Ao não ter a resposta, rápido se transforma em agora. E a caminhada deixa se ser prazerosa e passa a ser agoniante, quase uma tortura. E numa atitude masoquista, raramente colocamos a culpa no “transito”. Achamos sempre que a culpa é do condutor, no caso nós mesmos.

Seria tão saudável saber que por mais esforço que fizéssemos, e por mais capazes que fossemos, seria impossível alcançar um objetivo profissional antes de uma data especifica. Afinal, existe um caminho que precisa ser percorrido. Carros que tem que ser ultrapassados. Sinais de transito que devem ser respeitados. Nos focaríamos apenas em fazer nosso melhor e em nos manter no melhor caminho. E tiraríamos de nós a ansiedade e a culpa de ainda não ter chegado lá. Curiosamente, ao tirar todo este peso das costas, o caminho ficaria mais divertido, prazeroso e fértil para o aprendizado. E ao promover essa mudança possivelmente receberíamos um aviso do Waze: “uma nova rota foi descoberta, seu tempo de percurso diminuiu”. Exatamente por deixar de ser uma preocupação…

Eduardo Moreira

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O respeitado professor e livre-docente, historiador Francisco Palomanes Martinho, talvez o maior especialista em histórica ibérica no Brasil, publicou hoje um artigo devastador na página 3 da Folha de S.Paulo sobre o estado da melhor universidade brasileira, a USP. Uma descrição impressionante do campus: condições profundamente adversas para as atividades fundamentais de uma universidade, o ensino e a pesquisa. Se a USP converteu-se nesse lixão físico e de ideias, o que pensar de outros espaços universitários menos cotados pelo Brasil afora?

A causa, além do desgoverno e da irresponsabilidade que caracteriza o exercício do poder público no Brasil, é a super-ideologização da sociedade. Qualquer tentativa de realizar um trabalho decente, de criar regras de convivência, de fazer nossos espaços funcionarem minimamente, passou a ser vista como uma ação de “direita”.

O resultado é esse Brasil em que vivemos, um país do passado, voltado para o passado, que só acelera em direção ao abismo. Ou alguém acredita que com universidades assim conseguiremos ser considerados um país de média importância no conjunto das nações?

LINK: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2015/05/1635112-francisco-carlos-palomanes-martinho-a-universidade-nao-e-uma-agora.shtml

A excelente publicação The Atlantic traz uma reportagem e um perfil sobre o italiano Mario Marazziti, o grande ativista contra a pena de morte em todo o mundo, autor de 13 WAYS OF LOOKING AT THE DEATH PENALTY, livro que representamos no Brasil para a Seven Stories Press. O artigo dá destaque ao fato de os Estados Unidos estarem pessimamente acompanhados: China, Irã, Iraque (que, diga-se, enfrenta guerra em seu território), Arábia Saudita e Indonésia são alguns dos outros países que ainda aplicam a pena de morte.

No mundo todo, 105 países já aboliram a pena de morte oficial, e 43 declararam moratória para a sentença _ entre estes, Gabão, Mongólia, Camboja, Quirguistão, Albânia e Rússia. Cuba, neste momento, não tem nenhum condenado à morte. Já nos EUA, onde o Estado matou oficialmente 1.400 americanos desde 1976, o estado de Utah é o mais espantoso, restituindo a morte por esquadrão de fuzilamento.

Quando a pena recai sobre um monstro como Dzhokar Tsarnaev, o terrorista da maratona de Boston, tendemos a mirar só a árvore em vez da floresta e a pensar que talvez a sentença fatal não seja tão bárbara, mas até justa. Mas se lembrarmos quantas vezes a Justiça já errou em sua condenações e a irreversibilidade da pena de morte, veremos que em lugar nenhum do mundo ela pode vigorar. Nem nos EUA, nem _ jamais _ no Brasil.

This man came from Rome to show Americans why the death penalty is wrong

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Com muito orgulho, anunciamos a contratação de uma nova cliente nos Estados Unidos: The Feminist Press, que tem sede na City University de Nova York. E nosso orgulho não se deve somente à beleza de seu catálogo, que nos encantou e fascinou e do qual já vendemos um título, meteoricamente – TATTERHOOD, organizado por Ethel Johnson Phelps, uma reunião de narrativas folclóricas e mitológicas do mundo inteiro com grandes protagonistas femininas. Conseguimos promover até um pequeno e rápido leilão, e Julia Schwarcz, da Seguinte na Companhia das Letras, arrematou a obra.

O orgulho tem mais a ver com a visão de mundo de quem trabalha na VB&M. Somos todas feministas e mais o Raymond Moss, que tem uma visão sobre a mulher mais aberta e justa do que muita brasileira. Vemos com enorme alegria que a ideia do feminismo, tão simples, de igualdade de direitos entre homens e mulheres, finalmente começa a entrar no Brasil, com décadas de atraso, começa a “pegar” entre nós. (No Brasil, como sabemos, leis e ideias “pegam” ou “não pegam”.)

Livros sobre a condição da mulher, com mensagens de teor feminista, começam a ter sucesso. As colunas de Ruth de Aquino, na Época, e de Helena Celestino, no Globo, crescem em popularidade, sem falar nos textos maravilhosos de Míriam Leitão, quando ela aborda o tema da desigualdade de gênero. Matérias saem nos jornais dizendo que o feminismo está na moda entre nós. (Todo mundo deve ter visto a que saiu no Caderno Ela, de O Globo.)

Ficamos docemente surpreendidas com a recepção calorosa dos editores ao catálogo e aos “highlights” para a Feira de Londres de The Feminist Press, que enviamos na semana passada. Não que tenhamos qualquer dúvida sobre a qualidade, a inteligência e a originalidade da lista, em um momento em que todo mundo anseia por algo diferente. Mas, simplesmente, não esperávamos tanta resposta.

No que me diz respeito (quem escreve é Luciana), o feminismo e os direitos dos (outros) animais, foram o que me restou de paixão ideológica. Não há como negar a justiça das duas causas ou temer que mulheres e cães, gatos, feras de todo tipo, tomem os aparelhos de Estado para criar novas formas de dominação.

Escrevendo este texto, só me vem uma frase em inglês à cabeça: The human species sucks. A espécie humana fede, o capitalismo fede, e as alternativas políticas que chegaram ao poder federam mais ainda: União Soviética, China, Romênia, Cuba, Coreia do Norte, etc. e etc., e o PT, que na prática nem anticapitalista foi.

Já as mulheres apanham dos homens (e os animais apanham dos homens e de muitas mulheres também, mas isso é outra história e não pode ter lugar neste post). Por isso consideramos tão importante uma iniciativa como The Feminist Press; por isso temos tanto orgulho de representar esta quarentona – 45 anos, mais em forma do que nunca. FP é a mais antiga editora independente de mulheres em todo o mundo com uma jovem equipe que atua com entusiasmo e brilho. Uma inegável contribuição para disseminar a ideia do feminismo e conscientizar as mulheres de sua situação e seus direitos.

Ainda vamos falar muito da Feminist Press neste blog. De cada um de seus livros. Estamos loucas para divulgar SLUT, um livro feito graças a um impressionante trabalho de crowd funding para conscientizar meninos e meninas, pais e professores, da maldade, da grosseria, da injustiça que é classificar uma adolescente de “piranha”, das consequências desse rótulo na vida de uma mulher. Do absurdo que é a sociedade ficar fiscalizando a maneira como as jovens conduzem suas vidas sexuais, enquanto para os rapazes qualquer trepada é motivo de aplauso e admiração.

Por enquanto, vamos somente reproduzir uma carta de Jennifer Baumgardner, diretora da FP, pedindo apoio de seus leitores para a editora. Quem contribuir com cem dólares ou mais vai ganhar uma sacola ecológica com o logo FP45. Tudo a ver: para as mulheres, ter orgulho da própria idade é libertação.

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Dear Luciana,

At 45, the Feminist Press is the longest-running independent women’s publisher in the world. Our staff is young and vibrant, our books are relevant as ever, and we plan to continue transforming culture for at least the next 45 years with your help!

Support feminist thinkers, doers, and books that change the world with a contribution of $5, $25, $45, $250, or $450.

And if you support us today with a gift of $100 or more, you will receive a limited-edition tote bag, proudly embellished with our special “FP45” logo. Let’s wear our age like the badge of honor it is!

Thank you,

Jennifer Baumgardner

Executive Director