Categoria: LIVROS

A minissérie SE EU FECHAR OS OLHOS AGORA, baseada no romance homônimo, acaba de ganhar uma personagem que não figura na história de Edney Silvestre. Será a avó do protagonista Paulo, a ser representada pela veterana Ruth de Souza, hoje com 96 anos.

Saindo de literatura e passando para a saúde, um comentário inevitável: impressionante essas grandes atrizes atuando em papeis densos, longas falas _ Bibi Ferreira (95), Fernanda Montenegro (88), Ruth. Esse negócio de decorar roteiros e diálogos tem que fazer muito bem para a cabeça, prevenir qualquer Alzheimer. É a única explicação. 

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A temporada lusa de lançamento de SONATA EM AUSCHWITZ, romance de Luize Valente, não poderia estar melhor, com lançamento lotado no café da Fnac e excelente exposição nas livrarias lisboetas. Na Bertrand Livreiros do Chiado, o romance está ao lado dos clássicos António Lobo Antunes, Raúl Brandão e José Saramago, e do super best seller português José Rodrigues dos Santos. Ficamos sabendo que há grupos de viagens turísticas sendo organizados para visitar Guarda e Vilar Formoso, cenários de seu romance anterior, UMA PRAÇA EM ANTUÉRPIA.

Aqui no Leblon, na Livraria Argumento, SONATA segue ao lado de “Coluna de Fogo”, último lançamento de Ken Follett, o papa do romance histórico a quem Luize não deixa nada a dever.

Eu, Anna Luiza, sou particularmente apaixonada por romances históricos. Tenho um clube do livro com amigos ávidos leitores em que o gênero é especialmente querido, e por lá todos concordam sobre a qualidade dos romances da Luize. Sua formação jornalística leva a uma pesquisa exaustiva, com apuração perfeita de fatos e dados históricos e uma busca profunda por relatos de vivências pessoais que somam na construção e composição de personagens humanos em toda sua plenitude. Exatamente por isso, Luize vem se consolidando como grande nome do romance histórico nacional, gênero preferido de muitos leitores no Brasil, mas com produção pouco expressiva nas livrarias. Vamos lá, Luize, resolver esse problema!

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No seu blog desta semana na Veja, Maicon Tenfen publica um artigo estritamente literário sobre as quatro grandes adúlteras do romance oitocentista: ANNA KARENINA, EMMA BOVARY, a LUÍSA, prima de BASÍLIO, e CAPITU. Defende-as pelo inconformismo que representam até hoje. Maicon vem atuando como legítimo paladino do inconformismo em seus textos.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Alguns livros representados pela agência sumiram das prateleiras depois do Natal. Na primeira semana do ano, fomos à Argumento encontrar Martha Batalha, que estava no Rio para a temporada de festas. Luciana quis comprar A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO para compor um presente atrasado para seu médico, mas o último exemplar da loja tinha sido levado algumas horas antes. O curioso é que à noite Luciana descobriu o culpado: ela e Raymond foram jantar com o professor e físico Marco Moriconi, grande leitor de ficção, e havia sido ele, admirador incondicional do romance de Martha, que levara o último EURÍDICE também para um presente atrasado.

No pacote literário pensado para o médico, deveriam constar também OS NOVOS MORADORES, de Francisco Azevedo, O SOFRIMENTO É OPCIONAL, da Monja Coen, e SONATA EM AUSHCWITZ, de Luize Valente. Luciana acha que a cabeça e o gosto do dr. Francisco Abreu Lima vão por aí. Mas só conseguiu SONATA, de novo ultimíssimo exemplar; e a Ana da Argumento lamentou que passaria o primeiro fim de semana do ano sem os livros da Record, em recesso até dia 8 de janeiro. O estoque de EURÍDICE deveria estar reabastecido no dia 5.

Nada de EURÍDICE tampouco na Travessa de Ipanema. Felizmente, outros livros VBM ainda se viam em boas pilhas, como mostram as fotos.

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John Sargent, CEO da Macmillan norte-americana, enviou hoje uma carta aberta a todos os funcionários da editora chamando a atenção para a importância de se dar uma resposta firme ao presidente Donald Trump, que vem reunindo esforços para impedir a publicação do livro FIRE AND FURY, de Michael Wolff. A obra traz a público os bastidores da Casa Branca no primeiro ano de Trump à sua frente e despertou a ira do polêmico presidente. 

A nota de Sargent é digna de ser ressaltada. Representa não apenas os interesses da Macmillan, mas de todo o mercado editorial pela liberdade de se publicar o que deve ser publicado, sem qualquer tipo de censura ou intimidação. 

Confira aqui a íntegra da carta:

“To: All Macmillan Employees
From: John Sargent

Last Thursday, shortly after 7:00 a.m., we received a demand from the President of the United States to “immediately cease and desist from any further publication, release or dissemination” of Michael Wolff’s Fire and Fury. On Thursday afternoon we responded with a short statement saying that we would publish the book, and we moved the pub date forward to the next day. Later today we will send our legal response to President Trump.

Our response is firm, as it has to be. I am writing you today to explain why this is a matter of great importance. It is about much more than Fire and Fury. 

The president is free to call news “fake” and to blast the media. That goes against convention, but it is not unconstitutional. But a demand to cease and desist publication—a clear effort by the President of the United States to intimidate a publisher into halting publication of an important book on the workings of the government—is an attempt to achieve what is called prior restraint. That is something that no American court would order as it is flagrantly unconstitutional. 

This is very clearly defined in Supreme Court case law, most prominently in the Pentagon Papers case. As Justice Hugo Black explained in his concurrence:

“Both the history and language of the First Amendment support the view that the press must be left free to publish news, whatever the source, without censorship, injunctions, or prior restraints. In the First Amendment, the Founding Fathers gave the free press the protection it must have to fulfill its essential role in our democracy. The press was to serve the governed, not the governors. The Government’s power to censor the press was abolished so that the press would remain forever free to censure the Government.”

Then there is Justice William Brennan’s opinion in The New York Times Co. v. Sullivan:

“Thus we consider this case against the background of a profound national commitment to the principle that debate on public issues should be uninhibited, robust and wide-open, and that it may well include vehement, caustic, and sometimes unpleasantly sharp attacks on government and public officials.”

And finally Chief Justice Warren Burger in another landmark case:

“The thread running through all these cases is that prior restraints on speech and publication are the most serious and least tolerable infringement on First Amendment rights.”

There is no ambiguity here. This is an underlying principle of our democracy. We cannot stand silent. We will not allow any president to achieve by intimidation what our Constitution precludes him or her from achieving in court. We need to respond strongly for Michael Wolff and his book, but also for all authors and all their books, now and in the future. And as citizens we must demand that President Trump understand and abide by the First Amendment of our Constitution.”

— John Sargent

O grande poeta Lúcio Autran não é diretamente cliente da VBM, mas o pai dele é: um de nossos clássicos mais queridos, Autran Dourado, autor de ÓPERA DOS MORTOS, A BARCA DOS HOMENS e SINOS DA AGONIA, alguns de seus excelentes títulos em vastíssima obra. Do pai, Lúcio herdou o gênio literário, mas não para a prosa _ conto, romance, ensaios, memórias _, e sim para a poesia, que ele define como “pária na sociedade de castas da literatura brasileira”.

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Pois bem: o crítico paulista Alfredo Monte incluiu o livro de poesias publicado por Lúcio em 2017, FRAGMENTOS DE UM EXÍLIO VOLUNTÁRIO, na sua lista de melhores lançamentos do ano que passou no jornal A Tribuna. O autor diz que a lembrança mais confirma sua tese do que os méritos do livro – pura modéstia.

Os melhores lançamentos literários de 2017 - A Tribuna-1

Perfeita a resenha que saiu no Los Angeles Times do GRAPHIC CANON OF CRIME AND MYSTERY, editado por Russ Kick e publicado pela Seven Stories Press. Boa também a notinha do New York Times sobre o mesmo livro.

https://lareviewofbooks.org/article/creating-a-comics-canon/

https://mobile.nytimes.com/2017/12/26/books/review/new-noteworthy-bret-stephens.html

Russ Kick já editou três volumes de cânones gráficos da grande ficção universal e depois lançou um outro de literatura infantil. Com esse livro resenhado, inicia uma série de coletâneas de adaptações gráficas de literatura policial e de mistério.

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Um dos aspectos mais inteligentes e provocadores desse primeiro volume é que Kick não contempla exatamente a chamada literatura de gênero. Entre os livros de crime e mistério que pinçou para compor a antologia, tem CRIME E CASTIGO, A LETRA ESCARLATE, OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, muitos outros clássicos imensos, além de Conan Doyle, Agatha Christie, Jo Nesbo. Todos na linguagem gráfica dos melhores artistas dedicados a essa forma literária.

 

O prestigioso Times Literary Supplement publica hoje uma breve mas muito interessante resenha de A CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA, de Lúcio Cardoso, lançado nos Estados Unidos pela Open Letter com intermediação da VBM. A nota diz que o romance de Lúcio documenta, para quem tem alguma dúvida, que o pós-modernismo é um fenômeno literário que ultrapassou as fronteiras da América do Norte e da Europa e lamenta a demora da tradução da obra. Comenta ainda o prêmio conquistado pela edição da Open Letter de melhor livro traduzido no ano.

Brazilian Literature

Morreu aos 85 anos o artista plástico e visual Ivan Chermayeff, que ilustrou um dos livros mais queridos pela equipe da VBM em seu catálogo de clientes estrangeiros: SUN, MOON, STAR, o maravilhoso infantil de Kurt Vonnegut, publicado pela Seven Stories Press.

Vale a pena ler o obituário do New York Times. Que figura Chermayeff.

Criador de inúmeros dos logos mais marcantes de nossa era _ da editora Harper Collins, da Mobil Oil, da Exxon, da Panam, do Smithsonian Institute, da New York University _, ele continuou ativo até o fim em sua empresa de artes gráficas e publicidade sem nunca ter chegado perto de um computador. Só na prancheta.

A newsletter Publishnews anuncia hoje o lançamento de A VERDADE SOBRE A TRAGÉDIA DOS ROMANOV, do conceituado historiador francês Marc Ferro. VBM agenciou a venda desse livro publicado na França pela Tallandier em nome de nossa parceira L’Autre Agence, e a Record aproveitou os 100 anos da Revolução Russa para lançá-lo em outubro deste ano.

Marc Ferro é particularmente polêmico nessa obra, quando defende que a tsarina russa e suas filhas foram poupadas da execução pelos revolucionários bolcheviques de 1917 graças a um acordo com a Alemanha. Em troca teriam prometido silêncio eterno sobre a própria sobrevivência.

Há muito tempo não surgia uma tese tão contracorrente a respeito do destino da família imperial russa, tida como fuzilada em julho de 1917. É o que consta sem espaço para dúvida na wikipeda “House of Romanov”, por exemplo. Mas Ferro argumenta muito bem, apoiado em vasta documentação, e o livro deve atrair os aficionados dos temas Revolução Russa e Romanov, que são em muito maior número do que se pensa, Nelson Villas-Boas apenas um entre muitos brasileiros que compram todos os lançamentos sobre esse período histórico.

Para conferir a matéria do Publishnews, clique aqui.