Categoria: BLOG DO NELSINHO

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Só mesmo a chegada de um livro espetacular para tirar Nelsinho Villas-Boas do abatimento profundo em que se encontra com a situação política brasileira. Para tal, não teria livro melhor do que PRESOS NO PARAÍSO, de Carlos Marcelo, que está saindo do forno pelas habilidosas mãos de Raquel Cozer, na Tusquets/Planeta de Livros Brasil.

O romance de estreia do premiado jornalista é literatura policial em sua melhor forma. Ambientado em Fernando de Noronha, tem um quê de Agatha Christie, com a ação confinada a um espaço isolado do resto do mundo, tão típica na autora inglesa. A narrativa fluida alterna muito sutilmente entre a primeira e a terceira pessoas, e os protagonistas são cativantes, Tobias e o delegado Nelsão.

Nelsão, por sinal, de quem Nelsinho é grande fã, inclui nosso chefe de segurança nos agradecimentos da obra. Apesar de figura constante no meio literário, já tendo sido até capa de A CABEÇA DO CACHORRO, de Alexandra Horowitz, é a primeira vez que Nelsinho recebe agradecimentos formais num livro. Ficou emocionado.

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Míriam Leitão se diverte com Nelson Villas-Boas, que pediu a Luciana para ir ao lançamento de O ESTRANHO CASO DO SONO PERDIDO, na Livraria Travessa do Leblon, na tarde de domingo. “Ainda mais com o calorão que está fazendo na rua, é o melhor programa”, disse ele. “Encaro qualquer escada rolante de shopping para expressar minha admiração pelo trabalho infantil da Míriam”, completou.

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O grande cientista político e romancista Sergio Abranches, sempre no apoio a Miriam Leitão, recebeu Nelson com todo o respeito tratando-o como “o CEO da agência”. Com humildade, Nelson respondeu que é não mais do que gerente.

Realmente, estava um ambiente muito gostoso na Travessa, com a presença da editora de infanto-juvenil da Rocco, Ana Martins Bergen, contação de história para as crianças e a fila para os autógrafos sempre fluindo. Míriam assinou das três às sete da noite.

No sábado, o lançamento na Cultura de Brasília foi gostoso igual, com o diferencial para a autora da presença dos netos. Mariana, que inspirou O ESTRANHO CASO DO SONO PERDIDO, assinou os livros junto com a avó “workaholic” da história.

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Nelsinho Villas-Boas, que andava muito ausente deste blog, retomou suas funções de gerente e amou abrir o pacote da Best Business com os lançamentos do César Souza pelo selo do Grupo Record: CLIENTIVIDADE: COMO OFERECER O QUE O SEU CLIENTE QUER, tinindo de novo, e VOCÊ É DO TAMANHO DOS SEUS SONHOS, já um clássico da auto-ajuda de negócios, tendo vendido mais de 200 mil exemplares em edições da Gente e da Agir, agora na BB todo revisto e com novos aparatos. Nessa crise, Nelsinho e as torcidas do Flamengo e do Corínthians querendo se reinventar para enfrentar os novos tempos. Os livros do César vêm muito a calhar.

 

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Nasci nos EUA, infelizmente não em Nova York, como meu pai, Raymond Moss, que é do logradouro do Queens, mas no longínquo Missouri. Felizmente, na mais tenra idade fui transferido para Manhattan, mais precisamente para a Lexington Avenue, o que me propiciou, vejam as voltas do destino, acabar no Rio de Janeiro, lugar onde eu adoro viver, apesar do calorão e de o Brasil estar se desmilinguindo. Mas ainda me sinto um pouco americano e, como tal, estou acompanhando as primárias dos partidos Democrata e Republicano com toda atenção, morrendo de medo de que meu segundo país caia nas mãos de Hillary Clinton, do Donald Trump, ou do Ted Cruz.

Não seria um desastre tão espetacular como o Brasil nas mãos de Dilma Roussef, mas ainda assim as proporções do cataclisma poderiam assustar o mundo, considerando que estamos falando de Estados Unidos. Por isso mergulhei de corpo e alma na campanha pela nomeação democrata à candidatura presidencial, leio todo o noticiário e torço loucamente pelo socialista e judeu como eu, Bernie Sanders. Na família, eu e minha irmã Bebel Sader, que me enviou o vídeo da campanha do Bernie, somos os mais engajados, mas ela não tem cidadania americana.

Todo esse nariz de cera para compartilhar com vocês uma notícia do jornalzinho The Forward, que achei bem engraçada e, tendo caráter literário, simpática ao blog da VB&M. É sobre um climão criado em 1983 entre o então prefeito de Burlington, maior cidade do estado de Vermont, Bernie Sanders, e o poeta beat Allen Ginsberg. Doidão, homossexual e socialista (gaúchos apelidariam o poeta de Além, e essa é uma piada para muito poucos, que não vou explicar, a fim de não ser preso pela polícia do Departamento de Politicamente Correto), Ginsberg foi lá manifestar apoio à governança do Sanders e conversar com ele sobre ideais utópicos. Tudo às mil maravilhas, como a foto do Forward demonstra.

À noite, houve um recital do poeta numa grande sala da prefeitura  e, como sempre a partir de 1976, ele foi acompanhado pelo guitarrista Steve Taylor, que é quem conta a história ao Forward. O prefeito fez a apresentação de Allen Ginsberg para o público, todo pimpão e orgulhoso como ficam os políticos em atividades culturais ou perto de artistas famosos. (Eu só fico assim quando saio puxando a Bebel ou a Anna Luiza Cardoso pelas ruas do Leblon; não dou a mínima para artistas famosos.)

Segundo Taylor, naquela época o Ginsberg estava com o costume de toda vez que fazia um recital experimentar junto ao público algum poema que estivesse escrevendo. Ele se animava e tascava o poema em progresso. Só que naquela ocasião o poema em construção era o “What you up to?” (ou “Você está a fim de quê?”), que pode ser lido ao final da edição de sua POESIA REUNIDA e que descreve graficamente o sexo anal. Foi a maior saia justa. O prefeito se levantou de sua cadeira no prédio de sua prefeitura, em meio a seus eleitores intelectuais, e saiu constrangido durante a leitura.

Aqui o relato do Taylor, que  deve ser um boa-gente bem gozado, contando que achou aquilo a maior sacanagem: “Que pesadelo para um político. O cara já é socialista, já deve estar cheio de problemas. E aí entra o Allen para ler sobre sexo anal (em um evento da prefeitura) Era um pouco a militância gay dele, mas também seu gosto de falar pornografia em público. O Ginsberg não deveria ter feito isso.”

Meio sem noção o poeta. Não se pode aprontar assim com os raros políticos do Bem. Mas ainda mais sem noção é o pessoalzinho do Forward. Não é que estão atrás do Bernie para que ele comente sobre o episódio? Querem o quê, criar um clima entre ele e os gays, cujo voto pode ir bem para a lacraia Hillary?

De resto, é interessante observar na foto que o Bernie parece o poeta, e o Ginsberg, o político engravatado. Mas diz o Taylor que ele comprou o terno na lojinha do Exército da Salvação só para visitar o prefeito socialista.

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Antonin Scalia morreu, e Nelsinho Villas-Boas Moss, como todos os americanos de bem e do bem, estão festejando. Nelsinho não é hipócrita e, quando morre algum malvado, ele festeja e explica por quê. Segundo Nelson, não há contradição em festejar a morte de um sujeito que era a favor da pena de morte. Luciana Villas-Boas concorda plenamente. A palavra fica com Nelsinho, que pode desenvolver melhor as posições de ambos, mãe e filho, e destrinchar no detalhe por que as contradições são de Scalia, chegando até o tema da morte desejável de malvados brasileiros.

“O juiz Antonin Scalia morreu aos 79 anos depois de completar quase três décadas na Suprema Corte dos EUA, tendo sido nomeado pelo presidente Ronald Reagan, em 1986. Eu, Nelsinho Villas-Boas, nem sonhava em nascer, mas não precisamos viver a história para conhecê-la, basta ler e ouvir nossos pais. Raymond acabara de se formar advogado e ralava em um escritório de Manhattan, sendo ele originalmente do Queens, que nem o juiz, e por isso conhecendo bem a mentalidade da figura. Minha mãe cobriu as primeiras decisões do Scalia para a Internacional do Jornal do Brasil, onde ela era subeditora.

Há quem diga que é contradição eu festejar a morte de um sujeito porque ele era a favor de pena de morte. Só que o juiz tinha uma lista de posições do Mal que não se esgotava no tema da cadeira elétrica. Catolicão e contraditório era ele: como alguém pode ser contra o aborto e apoiar a pena de morte? Outra, não menos importante: o cara caçava, assassinava patos e búfalos, espécies inocentes de qualquer crime. Quando morreu, ele estava em um resort do Texas para uma expedição de caça. Era contra o aborto, mas achava uma curtição atirar em seres vivos.

São essas incoerências que me dão vontade de partir para cima de conservadores hipócritas que nem eu tenho feito, para constrangimento da minha mãe, contra todo homem sozinho andando na rua e falando no celular. Já disse que isso não é maneira de se portar em público, e nas meninas eu até aturo, mas marmanjo, não me passe pela frente com um celular no ouvido.

Esse Scalia bancava tanto de maluco radical que, ao ficar em minoria no julgamento do casamento gay, uma votação de 5 a 4, invocou-se com o juiz Anthony Kennedy e saiu gritando que iria “esconder a cabeça em um saco” se seu nome fosse um dia associado àquela decisão da Suprema Corte. Sim, porque eu não gosto de marmanjo falando no celular, mas não tenho nada de homofóbico e, embora ache esse papo de casamento de papel passado uma bobagem para todo mundo, o gay que quiser dar o mal passo tem todo o meu apoio; cada um sabe de si.

Menos ainda do que de gay, o Scalia gostava de mulher, não as deixava entrar em lugar nenhum, vetava todas as leis para lhes dar acesso a escolas, academias, clubes militares, o que fosse.  Eu, Nelsinho, tinha essa diferença fundamental com ele: gosto muito mais de mulher do que de homem. Por isso aprecio tanto meu emprego, gerencio um espaço em que funcionam a VB&M e a Bossa, sete moças lindas, mais a Maria José e a minha mãe.

Voltando ao saco onde o Scalia escondia ou não a cabeça: era cheio de malvadezas até a borda. Além de ter lutado contra a legalização do aborto, foi contra o Obamacare, que tentou muito melhorar a saúde nos EUA, cujo sistema é péssimo, como se sabe. Se você não souber, veja o filme do Michael Moore porque, apesar da reforma do Obama, o sistema continua uma bosta. A Bebel Sader, minha irmã, acabou de ver e só fala disso.

Sabe o que o Scalia respondeu quando lhe perguntaram sobre a garfada que o George Bush deu no Al Gore, na Flórida, nas eleições de 2000? “Sai dessa” (“Get over it”), disse o cínico.

Por isso tudo, podemos festejar a morte do sujeito, tipo de ausência que supre uma lacuna de equilíbrio e bom-senso. Não quero mal a ninguém, não desejo metástases ou sofrimentos de qualquer ordem a quem quer que seja. A morte é um fato da vida e, do jeito que vai o mundo, uma notícia até boa para muita gente. Só sou contra a pena de morte porque não acredito que caiba a um humano definir quando o outro vai morrer. Mas posso muito bem achar que tanto melhor quanto mais cedo morram aquelas pessoas que vieram ao mundo exclusivamente para causar males e sofrimentos.

Nesse sentido, depois de longa discussão com minha mãe sobre o efeito benéfico da morte do Lula, passei a fazer caninas orações diárias pela morte dele. Dele e da Dilma. Seria muito bom para o Brasil, que logo se arranjaria e retomaria o crescimento. O PT já não consegue mais fazer de Lula um mártir em hipótese alguma, seria mesmo a última pá de cal nessa Orcrim. Além do mais, a morte do Lula tem sentido diferente daquela, por exemplo, de um terrorista, que abatido aqui, acolá estão nascendo mais mil iguais a ele. Não, para o mal e nada para o bem, Lula é insubstituível, e o Brasil sem ele ficará muito melhor. Sem a burrice da Dilma nem se fala, dificilmente surgirá outra igual. Vejam: não desejo metástases, só que sumam, desapareçam, nos deixem em paz, que nem o Scalia está fazendo com os americanos, parando de idear maldades contra os seres comuns, pessoas ou outros animais.”

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Cumprindo à risca as atribuições de seu posto na VB&M, Nelson Villas-Boas abriu a dentadas e unhadas, mas com toda delicadeza, o pacote de livros enviado pela Sesi-SP Editora e descobriu novas edições da obra de Eduardo Alves da Costa: CEM GRAMAS DE BUDA e A SALA DO JOGO, volumes de contos em reedição, e o poema longo BALADA PARA OS ÚLTIMOS DIAS, trabalho mais recente do autor.
Eduardo é um escritor fundamental, niteroiense que passou a maior parte da vida em São Paulo, revelado, como Roberto Piva e Carlos Felipe Moisés, pela clássica ANTOLOGIA DOS NOVÍSSIMOS (1961), e autor do famoso poema NO CAMINHO COM MAIAKOVSKI_ que de tão bom foi equivocadamente mas muitas vezes tomado como criação do poeta russo. Infelizmente e injustamente, Eduardo andava meio esquecido, mas Rodrigo Faria e Silva, na Sesi, e Ibraíma Tavares, na Alaúde, que lançou no ano passado o romance TANGO, COM VIOLINO, estão trazendo-o de volta à cena literária.

Somente a sensibilidade de Rodrigo para publicar A BALADA PARA OS ÚLTIMOS DIAS, um poema épico de 130 páginas que fala da destruição do planeta entregue à sanha assassina da espécie humana. Diz o poeta: “Enfermo o homem, adoeceu a Terra.” Uma impactante, fortíssima, eloquente narrativa poética do fim dos tempos, que agora pode ser lida também com um foco nacional; é também e especificamente do Brasil que se fala.

Sabiamente, Nelsinho sugere a reprodução aqui de alguns trechos para que os seguidores da VB&M tenham ideia do grau de realização estética de que estamos falando:

Nem de fome nem de loucura
morreu Van Gogh:
Mataram-no os corvos
a esvoejar sobre os trigais.
Lançou-lhes o Pintor uma pergunta
E se puseram todos a crocitar:
Nunca mais! Nunca mais!
E em linguagem cifrada,
qual agouro desfraldado sobre
o amarelo da tela derradeira,
ficaram, à sua maneira, a parolar
sobre futuras ocorrências fatais.
……………..
Não foi a brincar que Nietzche
anunciou a morte de Deus.
Se olharmos bem, Deus já não há,
ao menos cá, neste lado da Eternidade.
Não só o matamos nós, a patadas,
como o deixamos a sangrar, à luz
do dia, pasto de moscas e zombaria.

E vago o trono, posto Deus a nu,
sentamos lá o traseiro humano.
Deus morto, Deus posto, como se dizia
no tempo em que abatíamos os deuses
quando nos apetecia.
………………

Não só assassinamos Deus como
de seu Filho Divino fizemos um produto,
vendido a poder de reclame
retalhado nos balcões feito salame.

Nenhum ação na Bolsa de Valores
ou em outro qualquer museu
de horrores _ e estou seguro
quando vos digo isto _ subiu
tanto quanto as da indústria
e do comércio de Cristo. Um ramo
de vertiginoso progresso, de espantoso
incremento, fundado em capital
insignificante: singela Bíblia
e o mais vulgar atrevimento.
………………………………….

Não sabemos, ao certo, quando decidiu
o homem transformar a Terra num deserto.
Mas as sementes dos ingentes
esforços para aniquilá-la, que hoje
se tornam tão patentes, foram lançadas
à mente humana pela serpente ainda
no Paraíso. A expulsão, a malfadada
Queda que nos lançou como cadente
seta às plagas deste planeta,
já nos encontrou modificados; prediletos
filhos abastardados pela autoexclusão
da Luz, que não só iluminava
nossas almas, inocentes e calmas,
como as mantinha aquém da linha
divisória entre o ser e o não ser.

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Segue um highlight da newsletter de nossa querida cliente Seven Stories Press. O fundador e editor-chefe, Dan Simon, é brilhante. Ele conta aí que está festejando a publicação de BERNIE, a biografia gráfica do candidato à chapa democrata, assinada pelo Ted Rall, autor também de SNOWDEN, esta por sua vez já traduzida no Brasil pela WMF.

A candidatura de Bernie Sanders está se fortalecendo a cada dia, e o livro da SSP, que acabou de sair, disparou para o 8º lugar da lista do Boston Globe. Isso com o candidato se assumindo como “socialista” nos EUA, as voltas que o mundo dá.

Diga-se que há algumas semanas Nelson Villas-Boas, gerente e vigia da VB&M, já previra no fb da agência que a candidatura de Bernie revelar-se-ia viável. Para seu pai, Raymond Moss, lembrou que, quando foi apresentada a candidatura Barack Obama, oito anos atrás, ninguém achou que um candidato negro sem maior experiência executiva poderia ameaçar Hillary Clinton. Ameaçou e levou.

Nelsinho agora está torcendo por Bernie. Faz dele a afirmação do Dan na newsletter sobre o trabalho do Ted Rall: “o livro certo, na hora certa, do cara certo, sobre o cara certo”.

http://rall.com/?utm_source=Jan+16+Newsletter&utm_campaign=April+2014+Newsletter&utm_medium=email

http://catalog.sevenstories.com/products/bernie?utm_source=Jan+16+Newsletter&utm_campaign=April+2014+Newsletter&utm_medium=email

 

Sabedor do interesse do filho, Nelson Villas-Boas, por tudo relacionado à crise político-institucional brasileira, o advogado americano Raymond Moss partilha com ele toda e cada notícia publicada sobre o assunto na mídia eletrônica de língua inglesa. Ray assina muitas dezenas de sites legais, isto é, com assuntos ligados ao Direito, é impressionante. Hoje, horrorizado, ele descobriu no DLA Piper o programa de leniência do governo petista de Dilma Roussef que vai premiar empresas bandidas autorizando a repatriação legal de dinheiro roubado do povo com punições ridículas. Nelsinho tem um comentário a fazer:

“Minha mãe não comentou com o Ray o programa de repatriação dos recursos roubados do povo brasileiro que foram parar nas off-shores do mundo, da Suíça ao Panamá passando por Liechtenstein e todo o Caribe, bolado pela presidente Dilma e pela AGU. Coitada, Mami (é assim que Bebel, Miguel e eu nos referimos a ela) às vezes têm vergonha do Brasil, da corrupa generalizada do governo, da relação espúria de um partido que se supôs socialista com a lúmpen-burguesia mais historicamente safada do continente americano e, principalmente, da passividade do povo diante disso tudo. Por constragimento, ou por preguiça de traduzir, acaba omitindo uma ou outra história mais complicada nas conversas com o Ray. Coisas de casal binacional. Ela deveria pedir minha ajuda, pois eu sou perfeitamente bilíngue.
Daí que até ler o DLP Piper meu pai estava por fora do programa de leniência que vai permitir aos gângsteres do Brasil limpar suas barras devolvendo apenas um terço do que roubaram do povo. Ficou tão chocado que, às pressas, no meio da rotina louca de seus casos, me mandou uma mensagem curtinha, cheia de gralhas: This was passed for PT and PmTB!’ Ele queria dizer: ‘Isso foi aprovado para o PT e o PMDB’. Como se eu e minha mãe não soubéssemos.
Mostrei para ela, que, muito encabulada, teve que dizer a ele por skype: ‘Isso é notícia velha, Ray, até Nelsinho já está a par. Não quis comentar com você porque é um assunto que me incomoda.’ Pobre Mami, a crise brasileira faz mal a ela em todos os planos: ideológico, profissional, social, pessoal e até matrimonial.”

This was passed for PT and PmTB!
https://www.dlapiper.com/…/publications/2016/01/brazil-rep…/

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Nelson Villas-Boas adora a comida do Antiquarius. É mais um ponto de concordância entre ele e o pai, o advogado Raymond Moss: restaurantes do Rio têm que ser os mais populares, tipo a lanchonete Bibi, que ambos acham o máximo, ou então aqueles que botam para quebrar nos preços. Entre estes, Antiquarius e Esplanada Grill são os preferidos.

Problema para o Nelson é que, ao contrário do que se passa no Bibi (e na Bottega del Vino, no Quadrucci, Origami, Jobi, Veloso, Diagonal e Sushi Leblon), ele conhece apenas a comida do Antiquarius, umas tantas vezes surrupiada da bancada da cozinha, não o ambiente do restaurante. Teve um arroz de pato para ele inesquecível. Mas ele nunca pôde frequentar o lugar, sua presença não é permitida.

Uma única vez Nelson entrou naquele recinto de acepipes dos deuses. Estava fazendo sua caminhada noturna com a mãe, a Luciana Villas-Boas, passou em frente ao restaurante e com seu poderoso narigão sentiu um cheiro irresistível; forçou a entrada em disparada. Muito inadequadamente vestida, Luciana teve que ir atrás do filho, toda avacalhada naquele ambiente chique, morrendo de medo de encontrar algum conhecido. Nelson acabou arrastado pelo maitre de uma mesa onde rapidamente fizera alguns amigos e dos quais esperava interessantes bocados.

Tudo bem, ele compreende que sua presença não seja tão bem vinda em ambientes fechados. Mas não dá para aceitar quando se sabe da ida do Eduardo Cunha ao Antiquarius, onde foi hostilizado por outros clientes mas defendido pelo pessoal do estabelecimento. Ficou indignado. Como assim um canino idôneo e de sabido bom caráter não pode entrar, enquanto uma lacraia ladrona é defendida pelo maitre? Indignação agravada no dia 31 de dezembro quando sua família foi injuriada pela presença de um certo advogado no Antiquarius.

Nelson pediu para dar um depoimento para o blog e que se enfatizasse que só o faz como introdução a outra postagem sobre assunto muito sério, o “Manifesto dos Advogados que Cobram de R$ 3 milhões a R$ 15 milhões de Honorários dos Maiores Bandidos da Nação”, veiculado com 104 assinaturas nos mais importantes jornais. Ele não está aqui para fazer crítica gastronômica e de restaurantes, e sim para analisar a conjuntura nacional e internacional. Fala Nelsinho!

“Meus pais escolheram o Antiquarius para a almojanta de fim de ano dizendo que era perto da agência e não haveria outros restaurantes abertos onde eu e minha filha, Maria Augusta Sader, pudéssemos ir. Tivemos que ficar do lado de fora, mas Deus é justo e nossa vingança – minha e de Guta – não tardou. Contarei aqui o que se passou exatamente como me foi relatado por eles, mamãe e papai, com algumas pequenas interferências minhas, porque mesmo do lado de fora meu ouvido capta tudo o que é dito em um recinto, inclusive atravessando obstáculos como paredes e muros. Tenho alguma contribuição a dar nesse episódio. Poucos humanos têm compreensão precisa de minha capacidade auditiva.

Assim que entraram, meus pais deram de cara com uma mesa redonda de umas seis pessoas com dois sujeitos bem esquisitos, um perturbador quadro de Bosch. Um deles, minha mãe conhecia; um tipo Nestor Cerveró mas bem piorado, se é possível, jornalista e político pedetista que teve um dia sua fama, Sebastião Nery. Minha mãe se lembra dele porque uma vez o tal sujeito vendeu para meu avô, Augusto Villas-Boas, um terreno que não existia de um suposto condomínio em Arraial do Cabo chamado Terramares de Quiçamã. Vovô sentiu pena do cara, pensou que ele estava chegando sem grana do exílio e comprou. Minha mãe, muito novinha, na tenra adolescência, adorou a ideia, sonhou muito com uma casa na praia e ficou desapontadíssima quando soube que não havia terreno algum, era tudo um esquema. O outro tipo estranho na mesma mesa do restaurante, um coroa na faixa dos 50 (bem mais jovem que o Nery, claro) com um cabelão nojento, pareceu familiar a Luciana, mas ela não conseguiu por nome na figura.

‘Que gente esqusita, desagradável’, traduzo aqui o comentário de minha mãe para meu pai, que batera o pé sobre a última refeição do ano ter de ser no Antiquarius. O maitre sentou-os relativamente perto da mesa que poderia estar retratada em um quadro de Bosch, e durante todo o almoço eles sentiram-se incomodados porque aquele pessoal falava muito alto. Em determinado momento, o cabeludo pegou o celular e gritou: ‘Saiu!’ Outros da mesa festejaram no mesmo diapasão: ‘Parabéns, Kakay!” Finalmente, para minha mãe, caiu a ficha; tratava-se do Advogado-Mor dos Grandes Ladrões da Nação, Antonio Carlos de Almeida Castro, o notório Kakay.
Minha mãe ficou transida de ódio. Todo mundo sabe que ela anda obcecada com o Brasil, com a destruição de nossa Pátria pelos gafanhotos petistas mancomunados com a mais ladrona e escrota oligarquia dos negócios brasileiros, os bandidos históricos da Nação que um governo socialista deveria ter posto para correr mas que viraram os irmãos de sangue da canalha do PT. Ela se levantou vermelha dizendo para o Raymond que não podia ficar mais um minuto na vizinhança daquela gente.

(Aqui entre nós, Raymond e eu achamos que Luciana está um tanto maluca com essa história. Papai se preocupa, diz que desconhece outro brasileiro mais afetado pelas revelações da Lava-Jato do que ela. Eu explico, digo a ele que compreenda e dê um desconto, pois evidentemente se trata de culpa por ter votado quatro vezes no Lula. Mamãe precisa voltar para seu antigo analista, Arnaldo Goldenberg, a fim de resolver isso. Não quero que meu pai interne minha mãe em um manicômio de Atlanta.)

Raymond disse que não deixaria que seu almoço fosse interrompido por causa de um bandido ou outro e pediu que ela explicasse o que estava acontecendo. Luciana confessou então que naquela virada do ano sua ideia-fixa era que os gângsteres da Lava-Jato não poderiam ter direito a passar o Natal em casa. Não pensava em mais nada; quando caía em seus longos silêncios, que tanto dão nos nervos de papai, era isso que lhe passava pela mente. A maior preocupação era o Marcelo Odebrecht, que, felizmente para a saúde mental dela, para minha família e para o Brasil, ainda está em cana. Se o Kakay gritou ‘Saiu!’, isso queria dizer _ explicou mamãe ao Ray _ que o Odebrecht fora solto, o que justificaria plenamente sua reação intempestiva.

Outro esclarecimento: minha mãe é do tipo que promete que não vai reagir no próximo assalto e sempre reage. Tem uma sorte danada, mas jamais ela poderá portar uma arma. Quando se sente ultrajada, simplesmente não se contém e, juro, é melhor não estar por perto.

Aqui me adianto para contar que Luciana, tendo que fazer uma pequena cirurgia no dia 4 de janeiro, passou o Dia da Paz e os seguintes pesquisando na internet o nome do ladrão liberado para chegar à conclusão que provavelmente o que saíra para o Kakay fora alguma grana, decerto com origem na roubalheira devastadora de uma empresa pública brasileira. E ela saiu da anestesia perguntando se o Odebrecht continuava no Pavilhão 6, vejam que louca.

Voltando ao Antiquarius: minha mãe pediu para meu pai mudar de lugar e ficou fotogrando o advogado dos bandidos, compulsivamente, sem saber para quê. Diz o Ray que os caras perceberam o transtorno dela e saíram rapidinho. Meu pai insistia sobre o fato de o sujeito ser só um advogado, não exatamente um bandido. Se fosse um Odebrecht qualquer ou um político petista envolvido nas roubalheiras, Ray até daria força para ela soltar um impropério, mas não era o caso. Só que depois, diante do “Manifesto dos Advogados que Cobram de R$ 3 milhões a R$ 15 milhões de Honorários dos Maiores Bandidos da Nação”, traduzido para ele no dia 16, meu pai disse que, estivesse a par do documento a 31 de dezembro, teria compreendido bem melhor um rechaço enfático, violento até, da minha mãe àquele esqusitão do cabelo sujo.

Aqui entra o meu ouvido tão poderoso quanto meu nariz. Digo a meus pais, e eles não me acreditam, mas pude entreouvir a conspiração sobre a redação do manifesto dos advogados de ladrões. Luciana e Ray dizem que as datas não batem, naquele momento ainda havia esperança de Odebrecht ser solto, não seria possível que o Kakay já estivesse elaborando a carta, mas tenho certeza disso. Por isso, dediquei-me a estudar e conversar por longas horas com o Ray, experiente advogado de casos de ‘whistleblower’ nos EUA, uma legislação americana espetacular que visa a defender o dinheiro dos cidadãos no Tesouro público, a fim de desenvolver minhas ideias, que agora as tenho muito claras, e algumas considerações sobre o manifesto dos advogados dos ladrões dos brasileiros. Este post aqui é só para criticar os restaurantes que preferem em seus recintos lacraias ladronas e advogados milionários dos bandidos mais deletérios ao Brasil a cachorros idôneos, mas me aguardem sobre o manifesto. Já deixo a pergunta de abertura: onde estavam esses advogados quando a Justiça brasileira fazia mofar nas penitenciárias criminosos perrapados, às vezes com a pena já cumprida, imagine falar de habeas corpus, em celas desumanamente lotadas, como, aliás, ainda acontece? Só reclamam da Justiça quando ela pune quem pode pagar honorários de R$ 3milhões a R$ 15 milhões? Estranho, né?”

Aguardaremos seu post, Nelsinho.

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Nelson Villas-Boas está irritadíssimo com o protagonismo de Donald Trump nas primárias republicanas. Nelsinho sempre detestou gente com cabelo da cor do dele. Acha que ninguém mais tem direito àquelas melenas louras. Passa um Golden Retriever pela frente nas ruas do Leblon e é brigalhada na certa, uma baixaria que mata Luciana (a Villas-Boas) de vergonha. Wanna a piece of me?, quer sair na porrada?, pergunta Nelson, que fora esses momentos é um gentleman, um cavalheiro, um gentledog.

Agora os incompetentes republicanos vêm com esse candidato boçal com cabelo igualzinho ao do Nelson, que desaforo. E como diz besteira. Que campanha de imbecilidades. Nelson se pergunta se os americanos estão fazendo assim para consolar os brasileiros mostrando que no geral político é safado e grosso em todo lugar.

Apesar das declarações de Trump de cunho bastante fascista a respeito dos imigrantes e das mulheres, de todas as frases estúpidas proferidas durante essas  primárias americanas a que mais ofendeu Nelsinho foi a de Ted Cruz sobre o rival. Dizer que Trump representa os valores de Nova York é demais. Ele e o pai, Raymond Moss, são legítimos novaiorquinos, Ray de Jackson Heights e Nelson um manhattanite da Lex Avenue, e acreditam que New York representa tudo de avançado, libertário e de bom gosto nos EUA. Raymond até tem uma ressalva ou outra a respeito do estilo profissional de novaiorquinos tanto na advocacia como no meio literário, mas Nelson admira a cidade e seus cidadãos incondicionalmente e adorou o pito que seu prefeito Bill de Blasio deu em Ted Cruz. Quando se trata de prefeito, o esnobe do Nelsinho diz que o dele é De Blasio, não Eduardo Paes.

Para Nelson Villas-Boas, o consolo foi a entrada de Bernie Sanders na campanha democrata. Porque ele o-deia Hilary Clinton, diz que o populismo dela é quase tão desonesto quanto o do Lula. “Pobres povos sem opção”, diz Nelsinho. Mas ele gostou muito do Sanders no debate com a Hilary e agora vai vestir a camisa, mergulhando na campanha presidencial americana. Aguardem uma entrevista com Nelson sobre Bernie Sanders em que explicará não só o que há de mais positivo no candidato como também por que ele tem chance de virar o jogo.