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A minissérie SE EU FECHAR OS OLHOS AGORA, baseada no romance homônimo, acaba de ganhar uma personagem que não figura na história de Edney Silvestre. Será a avó do protagonista Paulo, a ser representada pela veterana Ruth de Souza, hoje com 96 anos.

Saindo de literatura e passando para a saúde, um comentário inevitável: impressionante essas grandes atrizes atuando em papeis densos, longas falas _ Bibi Ferreira (95), Fernanda Montenegro (88), Ruth. Esse negócio de decorar roteiros e diálogos tem que fazer muito bem para a cabeça, prevenir qualquer Alzheimer. É a única explicação. 

Para saber mais, clique aqui.

No seu blog desta semana na Veja, Maicon Tenfen publica um artigo estritamente literário sobre as quatro grandes adúlteras do romance oitocentista: ANNA KARENINA, EMMA BOVARY, a LUÍSA, prima de BASÍLIO, e CAPITU. Defende-as pelo inconformismo que representam até hoje. Maicon vem atuando como legítimo paladino do inconformismo em seus textos.

Para ler o artigo na íntegra, clique aqui.

Alguns livros representados pela agência sumiram das prateleiras depois do Natal. Na primeira semana do ano, fomos à Argumento encontrar Martha Batalha, que estava no Rio para a temporada de festas. Luciana quis comprar A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO para compor um presente atrasado para seu médico, mas o último exemplar da loja tinha sido levado algumas horas antes. O curioso é que à noite Luciana descobriu o culpado: ela e Raymond foram jantar com o professor e físico Marco Moriconi, grande leitor de ficção, e havia sido ele, admirador incondicional do romance de Martha, que levara o último EURÍDICE também para um presente atrasado.

No pacote literário pensado para o médico, deveriam constar também OS NOVOS MORADORES, de Francisco Azevedo, O SOFRIMENTO É OPCIONAL, da Monja Coen, e SONATA EM AUSHCWITZ, de Luize Valente. Luciana acha que a cabeça e o gosto do dr. Francisco Abreu Lima vão por aí. Mas só conseguiu SONATA, de novo ultimíssimo exemplar; e a Ana da Argumento lamentou que passaria o primeiro fim de semana do ano sem os livros da Record, em recesso até dia 8 de janeiro. O estoque de EURÍDICE deveria estar reabastecido no dia 5.

Nada de EURÍDICE tampouco na Travessa de Ipanema. Felizmente, outros livros VBM ainda se viam em boas pilhas, como mostram as fotos.

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John Sargent, CEO da Macmillan norte-americana, enviou hoje uma carta aberta a todos os funcionários da editora chamando a atenção para a importância de se dar uma resposta firme ao presidente Donald Trump, que vem reunindo esforços para impedir a publicação do livro FIRE AND FURY, de Michael Wolff. A obra traz a público os bastidores da Casa Branca no primeiro ano de Trump à sua frente e despertou a ira do polêmico presidente. 

A nota de Sargent é digna de ser ressaltada. Representa não apenas os interesses da Macmillan, mas de todo o mercado editorial pela liberdade de se publicar o que deve ser publicado, sem qualquer tipo de censura ou intimidação. 

Confira aqui a íntegra da carta:

“To: All Macmillan Employees
From: John Sargent

Last Thursday, shortly after 7:00 a.m., we received a demand from the President of the United States to “immediately cease and desist from any further publication, release or dissemination” of Michael Wolff’s Fire and Fury. On Thursday afternoon we responded with a short statement saying that we would publish the book, and we moved the pub date forward to the next day. Later today we will send our legal response to President Trump.

Our response is firm, as it has to be. I am writing you today to explain why this is a matter of great importance. It is about much more than Fire and Fury. 

The president is free to call news “fake” and to blast the media. That goes against convention, but it is not unconstitutional. But a demand to cease and desist publication—a clear effort by the President of the United States to intimidate a publisher into halting publication of an important book on the workings of the government—is an attempt to achieve what is called prior restraint. That is something that no American court would order as it is flagrantly unconstitutional. 

This is very clearly defined in Supreme Court case law, most prominently in the Pentagon Papers case. As Justice Hugo Black explained in his concurrence:

“Both the history and language of the First Amendment support the view that the press must be left free to publish news, whatever the source, without censorship, injunctions, or prior restraints. In the First Amendment, the Founding Fathers gave the free press the protection it must have to fulfill its essential role in our democracy. The press was to serve the governed, not the governors. The Government’s power to censor the press was abolished so that the press would remain forever free to censure the Government.”

Then there is Justice William Brennan’s opinion in The New York Times Co. v. Sullivan:

“Thus we consider this case against the background of a profound national commitment to the principle that debate on public issues should be uninhibited, robust and wide-open, and that it may well include vehement, caustic, and sometimes unpleasantly sharp attacks on government and public officials.”

And finally Chief Justice Warren Burger in another landmark case:

“The thread running through all these cases is that prior restraints on speech and publication are the most serious and least tolerable infringement on First Amendment rights.”

There is no ambiguity here. This is an underlying principle of our democracy. We cannot stand silent. We will not allow any president to achieve by intimidation what our Constitution precludes him or her from achieving in court. We need to respond strongly for Michael Wolff and his book, but also for all authors and all their books, now and in the future. And as citizens we must demand that President Trump understand and abide by the First Amendment of our Constitution.”

— John Sargent

O grande poeta Lúcio Autran não é diretamente cliente da VBM, mas o pai dele é: um de nossos clássicos mais queridos, Autran Dourado, autor de ÓPERA DOS MORTOS, A BARCA DOS HOMENS e SINOS DA AGONIA, alguns de seus excelentes títulos em vastíssima obra. Do pai, Lúcio herdou o gênio literário, mas não para a prosa _ conto, romance, ensaios, memórias _, e sim para a poesia, que ele define como “pária na sociedade de castas da literatura brasileira”.

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Pois bem: o crítico paulista Alfredo Monte incluiu o livro de poesias publicado por Lúcio em 2017, FRAGMENTOS DE UM EXÍLIO VOLUNTÁRIO, na sua lista de melhores lançamentos do ano que passou no jornal A Tribuna. O autor diz que a lembrança mais confirma sua tese do que os méritos do livro – pura modéstia.

Os melhores lançamentos literários de 2017 - A Tribuna-1

Perfeita a resenha que saiu no Los Angeles Times do GRAPHIC CANON OF CRIME AND MYSTERY, editado por Russ Kick e publicado pela Seven Stories Press. Boa também a notinha do New York Times sobre o mesmo livro.

https://lareviewofbooks.org/article/creating-a-comics-canon/

https://mobile.nytimes.com/2017/12/26/books/review/new-noteworthy-bret-stephens.html

Russ Kick já editou três volumes de cânones gráficos da grande ficção universal e depois lançou um outro de literatura infantil. Com esse livro resenhado, inicia uma série de coletâneas de adaptações gráficas de literatura policial e de mistério.

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Um dos aspectos mais inteligentes e provocadores desse primeiro volume é que Kick não contempla exatamente a chamada literatura de gênero. Entre os livros de crime e mistério que pinçou para compor a antologia, tem CRIME E CASTIGO, A LETRA ESCARLATE, OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, muitos outros clássicos imensos, além de Conan Doyle, Agatha Christie, Jo Nesbo. Todos na linguagem gráfica dos melhores artistas dedicados a essa forma literária.

 

O prestigioso Times Literary Supplement publica hoje uma breve mas muito interessante resenha de A CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA, de Lúcio Cardoso, lançado nos Estados Unidos pela Open Letter com intermediação da VBM. A nota diz que o romance de Lúcio documenta, para quem tem alguma dúvida, que o pós-modernismo é um fenômeno literário que ultrapassou as fronteiras da América do Norte e da Europa e lamenta a demora da tradução da obra. Comenta ainda o prêmio conquistado pela edição da Open Letter de melhor livro traduzido no ano.

Brazilian Literature

O bate-papo entre Marina Colasanti e Miguel Sanches Neto, em torno da obra dessa autora, que aconteceu em outubro em Curitiba, como parte do projeto Um escritor na biblioteca, saiu inteirinho na edição de dezembro do Cândido. Lembrando que Miguel é o mediador perfeito para os interessantes encontros literários promovidos pela Biblioteca Pública do Paraná (BPP), um autor que reflete lindamente em sua obra a temática do amor pelos livros. Na VBM, seus contos em HERDANDO UMA BIBLIOTECA são muito queridos, sempre referidos, comentados, sempre surgindo em conversas na agência.

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 A edição de dezembro do jornal Cândido, publicado mensalmente pela Biblioteca Pública do Paraná (BPP), celebra os 80 anos de Marina Colasanti, uma das escritoras mais importantes do país, com cinco décadas de vida literária e 60 livros publicados. A autora participou da edição de outubro do projeto Um escritor na biblioteca, conteúdo editado e transcrito na edição, e durante o bate-papo, mediado pelo escritor Miguel Sanches Neto, Marina falou sobre a sua trajetória, produção e afirmou que não se fez leitora, uma vez que leu desde pequena: “Não tenho nenhuma memória de uma vida sem livros”. O especial conta também com um ensaio da professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie Marisa Lajolo, que analisa os principais aspectos da obra de Marina Colasanti e sua multiplicidade de temas e gêneros, do conto à literatura infantojuvenil, incluindo a crônica. “Qualquer que seja o assunto de suas crônicas, o resultado são novos olhos para olharmos o que vemos todos os dias. Saímos da leitura renovados”, escreve Lajolo.

O mérito dos artigos de Maicon Tenfen na Veja não está só na luz que ele joga sobre os assuntos quentes da pauta, tal como na semana passada sobre a histeria das denúncias de assédio sexual nos EUA (infelizmente chegando ao Brasil). Muitas vezes Maicon pinça temas sobre os quais ninguém falou.

É o caso desse artigo sobre a patetice dos formandos de hoje em dia. Estamos em plena temporada de formaturas, cerimônias que dão vergonha na gente se não da espécie humana, certamente da nossa condição de brasileiros.

O brasileiro não estuda, mas é louco por cerimônias de formatura

 

Nada se compara à mediocridade dos nossos estudantes, nem o cinismo e a picaretagem de um Brás Cubas

 

Se tem uma coisa que brasileiro detesta é estudar. Perdemos sempre que inventamos de competir com o estrangeiro, e não falo aqui dos nórdicos ou das demais nações europeias, mas das republiquetas africanas e dos países mais pobres da América Latina. Perdemos inclusive quando competimos com nós mesmos, haja vista a queda vergonhosa que os nossos índices de aproveitamento sofreram nos últimos 20 anos.

Mas isso não significa que desprezamos as pompas da educação. Pelo contrário: amamos os diplomas e as honrarias na mesma medida em que odiamos uma prova de linguística ou uma apostila de cálculo diferencial. Está na nossa literatura, em Machado, até agora a melhor radiografia do espírito nacional. “Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade”, diz em 1881 o personagem-narrador de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

“Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim: embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas para as despesas da conversação (…) Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação, que eram para o meu espírito, vaidoso e nu, o mesmo que, para o peito do selvagem, são as conchas do mar”.

Ah, se em 2017 os estudantes ainda decorassem a casca das matérias para as despesas da conversação! Parece que agora a regra geral é o formando bater no peito e gritar bem alto que passou os quatro ou cinco anos da faculdade sem entrar na biblioteca. Não é de admirar que muitos estejam nas redes sociais afirmando que a terra é quadrada ou que Hitler era um político de esquerda.

Você nunca viu um Brás Cubas ao vivo?

Basta comparecer a uma das cerimônias de formatura do chamado Ensino Superior que abundam nesta época do ano. Eis um retrato fidedigno da educação brasileira: amor pela simbologia e ódio pelo conteúdo. Valendo-se da ritualização medieval que tenta promover os formandos a nobres distintos da plebe, as instituições de ensino, na luta por mais visibilidade no mercado, transformaram as formaturas em showzinhos de marquetagem.

A cena que se repete no palco é de uma clareza assustadora: quanto mais malandro é o Brás Cubas da vez, mais comemora na hora de receber o “canudo”. Pula, grita, rebola, alguns até viram cambalhotas. É como se estivessem tirando um sarro do mundo, como se dissessem “consegui, apesar da minha indolência, mas só consegui porque vocês, professores, são mais medíocres do que eu”!

Os pais vão ao delírio — foi para esse momento que pagaram as caríssimas mensalidades —, mas a verdade é que toda simbologia funciona como uma faca de dois gumes. Geralmente, aquelas latinhas que os formandos recebem em triunfo vêm vazias, o que constitui uma excelente metáfora do nosso sistema de ensino. Estudantes ocos de conhecimento recebem diplomas que, comprados com dinheiro público ou privado, sequer existem no “rito de passagem”.

Nada em troca de nada — um saldo justo, afinal.

O brasileiro não estuda, mas é louco por cerimônias de formatura

 

É a voz de Maicon Tenfen na Veja. Para nós, ele diz, com brilho e graça, o óbvio. Mas nos dias de hoje tudo que é evidente torna-se motivo de gritaria na rede. Infelizmente nunca foi tão necessário repetir o óbvio. Felizmente para o Maicon, que já está entre os colunistas mais lidos da revista. 

Seu último comentário sobre a onda de denúncias de assédio sexual está uma delícia. No final, ele usa o conceito correto: histeria.

Quem tem um mínimo de contato com os EUA sabe que se trata de um país histérico. Pelo menos dois episódios de sua história demonstram a tese cabalmente: as Feiticeiras de Salem, da época colonial, transformado em peça clássica de Arthur Miller, e o macartismo da década de 50. Ambos episódios ancorados no puritanismo hipócrita que fundou a nação. 

Muito despistado quem não perceber a semelhança do momento atual com as acusações infundadas e falsas de crimes religiososo, sexuais ou políticos de épocas passadas. Tragédia é a mania brasileira de só adotar, adquirir, importar os que os EUA têm de pior _ pela esquerda ou pela direita, na cultura, na política e na economia. 

Passamos batido pelos muitos, inegáveis e inequívocos méritos da sociedade americana. Mas o politicamente correto mais histérico e contraprodutivo, os argumentos da luta contra o racismo que só se aplicam à experiência americana e que nada servem para combater a nossa forma de desigualdade e discriminação racial, o feminismo puritano e antierótico voltado contra os homens, que também em nada somam para uma convivência de harmonia e cooperação entre os sexos _ isso tudo, opa, é conosco mesmo junto com bonecas Barbie, McDonald’s e filmes de Hollywood de quinta categoria.

Clique aqui para ler a coluna de Maicon Tenfen na íntegra.