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O Segundo Caderno de O Globo dedicou primeira página de sua edição dominical aos 20 anos da morte de Renato Russo, o ícone roqueiro da Legião Urbana, e todas as manifestações artísticas a que a efeméride dá direito: o livro do próprio músico descoberto e saindo pela Companhia das Letras, filme, musical, álbuns dele ou sobre ele e a nova edição da biografia seminal assinada por Carlos Marcelo, O FILHO DA REVOLUÇÃO. Passaram-se sete anos desde o lançamento da edição original pela Ediouro, que teve três reimpressões, mas nenhuma atualização.

Agora pela Planeta, o livro não foi apenas revisto por Carlos Marcelo. Ele reescreveu o texto de olho em toda a releitura feita de Renato Russo ao longo dos anos, entrevistou mais gente, como Marisa Monte, e acrescentou um capítulo final sobre os últimos dias do músico. “Mesmo doente, Renato foi perfeccionista”, disse Carlos Marcelo ao Globo. Perfeccionista é Carlos Marcelo.

Indo para a gráfica de maneira a estar prontinho nas livraria à espera da criançada no dia 12 de outubro, O ESTRANHO SONO CASO DO SONO PERDIDO, de Míriam Leitão, lindamente editado por Ana Berger, da Rocco. Quarto livro infantil de Míriam Leitão (depois de A PERIGOSA VIDA DOS PASSARINHOS PEQUENOS; A MENINA DO NOME ENFEITADO; e FLÁVIA E O BOLO DE CHOCOLATE), é o favorito da agência.

A favor do SONO PERDIDO, vemos alguns fatores. O primeiro é que a autora, que sempre foi boa de diálogo, chegou à absoluta perfeição nesse livro. Mariana e sua avó conversam de uma maneira especialmente real e próxima da gente. O protagonismo da neta, que conduz a avó pela imaginação e pelos fatos da vida, é desconcertante e genial. Elas precisam encontrar, no mundo da imaginação, o sono perdido da avó, que, coitada, só adormece com remédios. Quando chega à casa da Mariana e se apronta para dormir no quarto dela, descobrindo que não trouxe o ansiolítico, é um deus nos acuda.

Também poder-se-ia dizer (sempre gostamos de mesóclise, mas agora ficamos encabuladas de usá-la, depois do presidente Temer, que compartilha nosso gosto) que Mariana e vovó compõem um original caso de auto-ficção na literatura infantil. Mariana é uma das netas de Míriam. Além disso, a avó, que desembarca com sua mala de rodinhas, a mochila do laptop e a bolsa onde carrega celulares, maquiagem e a carteira, é paradigmática dos dias de hoje. Basta ver os filmes que estão passando (de Aquarius a O vale do amor a 45 anos), só se fala da nova velhice.

Como toda a obra infantil de Míriam, O ESTRANHO SONO CASO DO SONO PERDIDO vai ser um estouro. Já estamos apostando que mais um prêmio da carreira da super premiada Míriam Leitão há de ser o Christian Andersen.

capa_blogPronto, Sextante anunciou a biografia de Rogéria, assinada por Márcio Paschoal, para outubro, saindo pelo selo Estação Brasil, de Pascoal Soto. Agora podemos falar do livro, ROGÉRIA: MULHER E MAIS UM POUCO, um dos orgulhos da agência. A capa, que a equipe de Virginie Leite preparou, ficou deslumbrante. Uma das capas mais bonitas e impactantes que vimos este ano. Rogéria ajuda.

A narrativa é divertidíssima, repleta de fofocas envolvendo centenas de nomes do showbiz e da alta sociedade internacional e com um vivo panorama das artes cênicas brasileiras da década de 60 até hoje – o que era ser artista sob a ditadura militar. Artista e travesti, já imaginou? Mas o livro não é só isso.

Márcio e Rogéria contribuem com uma visão originalíssima e profundamente honesta da questão trans. Fica evidente que Rogéria nunca foi misógina, não tem inveja de mulher, não tem bronca com palavras como útero e vagina, a la transgêneros norte-americanos. (Acreditem que nos EUA os trans não apoiam o movimento pelo aborto Free Womb pela referência ao útero em seu nome.)

ROGÉRIA é uma visão brasileira do travestismo. Basta pensar que, com todo o preconceito do brasileiro, ela conquistou o Prêmio Mambembe em 1979 como melhor atriz. Sem nunca ter se submetido a mudança de sexo. Até hoje isso não aconteceria nos Estados Unidos.

Vender não-ficção para tradução não é fácil mas, dada a urgência e o interesse que a temática transgênero vem despertando, estamos apostando em ROGÉRIA no exterior e trataremos o livro como destaque em nosso catálogo para Frankfurt. Acreditamos que essa grande personagem da cultura brasileira dá uma contribuição fundamental ao debate e envidaremos esforços pela divulgação da obra. Raymond Moss deu o título de trabalho em inglês: ROGERIA: MORE THAN A WOMAN.

http://www.publishnews.com.br/materias/2016/09/08/augusto-cury-volta-a-lancar-livro-pela-editora

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Quando Raphael Montes, grande autor mas também propagandista-mor da literatura policial no Brasil, vier a conhecer Rosa Ribas e Sabine Hofmann, ele vai se apaixonar. Uma catalã e uma alemã se uniram para escrever uma trilogia policial de primeira, altamente envolvente, cujo terceiro título, AZUL MARINO, acaba de chegar às livrarias espanholas para fechar a série.

Representadas pela agente Ella Sher, nossa parceira nos dois sentidos (para fora e para dentro do Brasil), a catalã Ribas e a alemã Hofmann criaram uma jovem jornalista muito charmosa e lutadora, Ana Martí, para por meio dela contar histórias de crimes complicados e terríveis durante a era franquista (1939-1975). Mas outro mérito das duas autoras é recriar perfeitamente o opressivo ambiente histórico de uma ditadura, com um talento que talvez só quem tenha vivido sob um regime autoritário possa reconhecer plenamente.

Os outros títulos da série, que acontece na década de 50 do século passado, são EL GRAN FRÍO e DON DE LENGUAS. Este último, premiado com o Novelpol de 2013, o prêmio espanhol para romance, “novela”, policial, foi traduzido por grandes editoras para o francês, italiano, alemão, inglês, turco, polonês e japonês.

Tem que vir para o Brasil. Outro dia, conversando com Fátima Leone de Carvalho, da Livraria Argumento, tomei conhecimento do impacto sobre vendas que têm os comentários de Raphael Montes sobre literatura policial em O Globo. Ela lamentou que houvesse pouca literatura policial em oferta. Claramente, está se formando afinal um público para a literatura de mistério no Brasil. Falta que os editores produzam os livros.

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A escritora e jornalista Valeria Parrella, muito famosa e respeitada na Itália, com obra vasta já publicada, tem coluna literária na revista feminina Grazia e abriu espaço para A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Martha Batalha. Ela diz lindamente que “os leitores que amam a literatura sul-americana reconhecerão um rumor de fundo ao qual convencionamos chamar ‘realismo mágico’”.

Não é a primeira vez que a crítica italiana fala de realismo mágico em relação a Martha Batalha e EURÍDICE. Curioso, porque no Brasil não vemos realismo mágico na narrativa de Martha. Ela não busca dar verossimilhança ao fantástico. Somente usa humor e ironia para realçar a estranheza de aspectos de um cotidiano, que nós, brasileiros, sabemos ser perfeitamente reais e comuns.

Um leitor italiano de A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, amigo da agência, Giovanni Cannistrà, celebrou o retorno de Jorge Amado em linguagem feminina e feminista, mas com um humor que faltava à literatura brasileira contemporânea, seguida por ele desde a Sicília, onde vive, depois de ter morado no Brasil por várias décadas. Jorge Amado não é nem nunca foi visto como um nome do realismo mágico brasileiro.

Não como José J. Veiga, querido cliente da agência por intermédio de Gabriel Martins, herdeiro e proprietário da obra, ou como Murilo Rubião, dois imensos autores hoje no acervo da Companhia das Letras. (Aliás, três, quatro autores, Jorge Amado e Martha, todos de quem estamos falando são Companhia.)

De fato, para mim (LVB), a construção das frases de Martha ecoa mais García Márquez do que Jorge Amado. Creio que a influência do mestre colombiano do realismo fantástico foi mais forte sobre ela do que as histórias de Gabriela, Dona Flor e Tieta. Vejam só o primeiro parágrafo de A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO. Mas Martha é de fato engraçada como Jorge e não temos dúvida de que sua capacidade de ridicularizar o machismo configure o principal fator para o deslumbramento dos europeus com EURÍDICE. Aguardem e apostem: a acolhida dos franceses a EURÍDICE será ainda mais apaixonada do que a dos italianos e portugueses.

Quando Eurídice Gusmão se casou com Antenor Campelo as saudades que sentia da irmã já tinham se dissipado. Ela já era capaz de manter o sorriso quando ouvia algo engraçado, e podia ler duas páginas de um livro sem levantar a cabeça para pensar onde Guida estaria, naquele momento. É verdade que continuava a busca, conferindo nas ruas os rostos femininos, e uma vez teve a certeza de ter visto Guida num bonde rumo a Vila Isabel. Depois esta certeza passou, como todas as outras que teve até então.

Chega às livrarias francesas amanhã LES VERTUS DE L’ÉCHEC, de Charles Pépin, um livro que celebra as virtudes do fracasso, lançado pela Allary, cliente da 2-Seas e portanto, no Brasil, da VB&M. O livro é precioso, pura filosofia disfarçada de auto-ajuda.
Pépin é mais ou menos conhecido por estas plagas. Companhia das Letras lançou em 2014 O PLANETA DOS SÁBIOS, uma divertida históriacouverture-pepin-hd-tt-width-326-height-468-lazyload-0-crop-1-bgcolor-ffffff das ideias, ilustrada com humor pelo cartunista Jul, cobrindo 3 mil anos de filosofia. Em 2011, a Sulina lançara OS FILÓSOFOS NO DIVÃ, no qual Pépin põe Platão, Kant e Sartre em sessões de psicanálise com Freud; beleza de livro.

Em AS VIRTUDES DO FRACASSO, Pépin defende que não há história de sucesso sem uma série de derrotas que o antecedam. Demonstra sua tese com as trajetórias de personagens mais ou menos contemporâneos, como Rafael Nadal, J.K. Rowling, Steve Jobs, Charles De Gaulle ou Thomas Edison. Relê o percurso dessas figuras geniais à luz de Marco Aurélio, São Paulo, Freud, Bachelard e Sartre.

Pelo livro, percebemos que o fracasso é muito menos manifestação de fraqueza, falta ou erro do que o resultado de um lance de audácia, ou uma rica experiência. É curioso, mas se aprende a ter sucesso no fracasso, porque cada prova ou desafio, confrontando-nos com o real ou com nossos desejos mais íntimos, têm o potencial de nos tornar mais lúcidos e combativos. Mais vivos. Como diz o release da Allary, um pequeno tratado de sabedoria que põe o leitor na estrada do autêntico e verdadeiro sucesso.

O mais incrível disso tudo é que Charles Pépin, de 43 anos, com mais de dez livros publicados em 20 países, é professor de filosofia não na Sorbonne, mas na Maison d’éducation de la Légion d’Honneur da região de Saint Denis, isto é, para alunos do liceu francês, o equivalente da escola média brasileira. Já imaginou ter 15 anos e estudar filosofia com um professor desses numa escola pública?

http://www.allary-editions.fr/publication/les-vertus-de-lechec/

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PublishersMarketplace noticiou a venda VB&M, em nome da editora Houghton Mifflin Harcourt, do novo livro do autor best-seller Timothy Ferriss, TOOLS OF TITANS (As ferramentas dos titãs), para Lucas Telles, na Intrínseca. A negociação ocupou a agência na primeira metade de setembro.

Quatro editoras desde logo manifestaram interesse na obra, até antes de HMH anunciar a propriedade publicamente, duas disputaram o livro até o final, com ótimas apostas e compromisso com marketing de lançamento altamente profissional. Queremos crer que, ao longo de um mês agitado e promissor como não víamos desde maio de 2015, o leilão pelo livro de Ferriss aponte uma retomada do setor editorial, talvez ainda cautelosa, mas certamente refletindo um astral mais positivo, a confiança de que o Brasil vai melhorar a partir de 2017. Há muito tempo não vivíamos a excitação de um leilão na faixa dos cinco dígitos, muito menos em dólares…

É verdade que não se trata de qualquer aposta no escuro. Tim Ferriss é considerado um dos profissionais mais inovadores no mundo dos negócios, e seus dois livros publicados no Brasil, por diferentes editoras, são um imenso sucesso, altamente vendedores: TRABALHE 4 HORAS POR SEMANA e 4 HORAS PARA SEU CORPO, este, já da Intrínseca, que sempre sabe o tamanho de suas investidas.

TOOLS OF TITANS é resultado das entrevistas feitas por Ferriss para seu podcast, um dos mais populares do mundo, com mais de 100 milhões de downloads. No Tim Ferriss Show, ele entrevista gente que tem alto desempenho em qualquer campo – atletas, estrategistas militares, enxadristas campeões, artistas de todas as áreas – visando a descobrir seus métodos para dar certo e vencer. Para o livro, ele tratou de experimentar em sua própria vida as centenas de dicas, adaptou tudo, viu o que funciona mais e menos e está tratando de passar o conjunto para texto, que em breve será entregue na íntegra.

Entre os entrevistados, tem Jamie Foxx, Edward Norton, general Stanley McChrystal, montes de pessoas de sucesso. Mas quem mais serve de exemplo para a gente é o próprio Ferriss. Aos 39 anos, ele é bilionário, investidor anjo de várias start-ups que se tornaram mega, como Ali Baba e outras, está na maior forma, é um charme só.

INTERNATIONAL

Non-fiction
Brazilian rights to Timothy Ferriss’s TOOLS OF TITANS, to
Lucas Telles atIntrinseca, in a very nice deal, by Anna Luiza Cardoso and Luciana Villas-Boasat Villas-Boas & Moss Literary Agency, on behalf of Debbie Engel, at Houghton Mifflin Harcourt.

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A São Paulo Review of Books traz perfil de Marco Lucchesi assinado por ele próprio. Lindo de chorar. Sua relação com os mares e as bibliotecas; com a música e a poesia; com os idiomas, que ampliou para todos os continentes a partir de seu bilinguismo de nascença; com a cidade de Niterói, que vive dentro do escritor. Parabéns à SPR pela contribuição.

Ficou simplesmente divina a edição da Seguinte/Companhia das Letras para uma antologia de contos folclóricos do mundo todo com grandes personagens femininas e lindas heroínas, cujos direitos representamos no Brasil e em Portugal em nome da Feminist Press, de Nova York. O título original do livro é TATTERHOOD; o da Seguinte, muito bem sacado, CHAPEUZINHO ESFARRAPADO E OUTROS CONTOS FEMINISTAS DO FOLCLORE MUNDIAL. Está indo para as livrarias nas próximas semanas.

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Ethel Johson Phelps pesquisou, coletou e organizou a antologia. Tem histórias antiquíssimas e quase esquecidas, mas também outras que ainda são contadas nas famílias, como “Três mulheres fortes”, um clássico japonês. Tem folclore de várias regiões da Grã-Bretanha; da Noruega; do sul da África, do Sudão, da Costa do Marfim; do Punjab, no Paquistão; dos índios norte-americanos; de todo lugar. Para nós, foi uma surpresa descobrir que no mundo todo existe esse folclore de caráter feminista, que, no entanto, termina subjugado pelas histórias dos grandes príncipes valentes.

CHAPEUZINHO ESFARRAPADO tem que virar leitura adotada nas as escolas. Sugerimos fortemente que pais de meninas deem esse livro de presente no Dia da Criança, e não importa muito a idade da filha. Até se já for adulta!

Diga-se que a introdução do volume da Seguinte é assinada pela queridinha dos jovens leitores, Gayle Forman. As ilustrações de Bárbara Malagoli são de extasiar. A tradução de Julia Romeu, perfeita. Meninas e meninos modernos e antenados vão amar esse livro de folclore revolucionário.

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Rejane Dias dos Santos e Silvia Masini, da Autêntica, investiram na edição de A GAROTA NO GELO, de Robert Bryndza, que está indo agora para as livrarias pelo selo Gutenberg. A capa ficou lindíssima. O livro de Bryndza é daquelas narrativas de mistério inglesas, que não conseguimos largar até chegar ao final. E, quando chegamos ao fim, ficamos com gosto de quero mais.

Por isso, a segunda notícia boa sobre Bryndza no Brasil é que Rejane e Silvia já contrataram os dois livros seguintes a A GAROTA NO GELO, estrelando a detetive Erika Fosters: THE NIGHT STALKER (O perseguidor noturno) e DARK WATERS (Águas escuras). Na Grã-Bretanha, nos EUA e na Europa, Bryndza já é um sucesso fenomenal, número 1 e 2 de vendas na Amazon americana e britânica, 500 mil exemplares vendidos na terra do Brexit.

http://grupoautentica.com.br/gutenberg/livros/a-garota-no-gelo/1400