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A implacável e contundente denúncia do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero contra o desprezível comportamento do ministro Geddel Vieira Lima não foi suficiente para fazer o presidente Michel Temer tirá-lo do cargo. Pelo jeito, o que melhor ficará desse episódio será uma nova luz sobre a biografia do músico Renato Russo escrita por Carlos Marcelo, O FILHO DA REVOLUÇÃO, que ganhou espaço em matéria coordenada do noticiário de O Globo repercutindo mais esse capítulo de baixaria peemedebista.
A matéria ficou divertida porque os trechos da biografia abordando Geddel são divertidíssimos. A biografia é toda incrivelmente boa de ler e quanto mais divulgação, melhor.

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Renato Russo considerava o futuro ministro de Temer absolutamente “in-su-por-tá-vel”. Bloqueava sua entrada nos grupos de trabalho da escola.

Carlos Marcelo revela no livro, relançado em agosto pela Planeta, que o apelido de Geddel entre os colegas do Colégio Marista de Brasília era Suíno, um pateta gorducho que chegava para as aulas dirigindo um Opala na maior exibição, tirava péssimas notas, mas que já sabia então que seria político quando crescesse. Os brasileiros também sabem que a classe política brasileira só vem recrutando esse tipo de gente.

Na VB&M, não aprovamos usar outras espécies para agredir humanos repulsivos e de baixo nível. Não dá para chamar figuras como Dilma ou Geddel de vaca ou porco sem ofender profundamente esses animais, que, convenhamos, não merecem isso. Feita essa ressalva, Renato Russo era um gênio; além do talento musical, identificava de longe um chato oportunista, aproveitador e deslumbrado, do tipo que, adulto, será capaz de usar seu poder em cargo público para pressionar e obter vantagens privadas.

De resto, VB&M pergunta se além de manter Geddel no cargo o presidente Temer vai liberar o gabarito do edifício La Vue para agradar seu querido ministro, que comprou apartamento no 27º andar de um prédio em área autorizada a ter edificações de no máximo treze pisos, com a disposição de avacalhar de vez o centro histórico de Salvador para ter seu panorama oceânico. Caso positivo, podemos concluir que Geddel sabe muito mais a respeito de Temer do que sonha a nossa filosofia.

RR: O Brasil deveria ter levado em consideração até suas visões e ideias dos tempos de menino.

Carlos Marcelo: obrigada por essa biografia estupenda.

 

Pivô da demissão de Calero do MinC, Geddel era desafeto de Renato Russo no colégio
Passagem da biografia ‘O filho da revolução’ entrega desavença entre os dois

http://oglobo.globo.com/cultura/pivo-da-demissao-de-calero-do-minc-geddel-era-desafeto-de-renato-russo-no-colegio-20509509

 

 

 

 

Cory Silverberg, autor de SEX IS A FUNNY WORD: A BOOK ABOUT BODIES, FEELINGS AND YOU (“Sexo é uma palavra gozada: um livro sobre corpos, sentimentos e você) ganhou US$ 10.000 com o prêmio Norma Fleck, atribuído à melhor obra infantil de não-ficção segundo The Canadian Children’s Book Center (o Centro do Livro Infantil Canadense). Realmente o trabalho de Cory, publicado pelo Triangle Square, o selo para crianças e jovens da Seven Stories Press, é um primor de inteligência, generosidade afetiva e lucidez.

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Winners Announced for the
2016 Canadian Children’s Book Centre Awards

$145,000 in prize money awarded to Canadian children’s authors and illustrators

Sex Is a Funny Word: A Book About Bodies, Feelings, and You, written by Cory Silverberg and illustrated by Fiona Smyth, won the Norma Fleck Award for Canadian Children’s Non-Fiction ($10,000)

http://us8.campaign-archive1.com/?u=f4462418034e4d4e98484c8f0&id=f40dddccb8&e=91949da88c

O Brasil lidera em número de candidatos – nada menos que sete – concorrendo esta noite ao Emmy internacional, que premia produções para a TV feitas fora dos Estados Unidos. Mas nossa torcida vai para um filme alemão.

De todas as produções na competição, só assisti (no cinema, em festival nos EUA) a NUCKT UNTER WOLFEN, “Nu entre os lobos”, baseado no livro de Bruno Apitz e lançado originalmente nos anos 50. A super editora Márcia Batista, da Universo dos Livros, acaba de contratar esse clássico da literatura do Holocausto com a VB&M em nome da Aufbau, cliente da agência em Berlim, que vem conduzindo o relançamento da obra com enorme repercussão.

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Dramática é um adjetivo que não exprime a história, da qual Apitz ouviu falar durante sua estada em Buchenwald, já bem perto do fim da guerra, com as tropas aliadas se aproximando a cada dia. A burocracia do campo era controlada por prisioneiros comunistas, que preparavam uma rebelião de maneira a escapar da grande marcha forçada pelos nazistas. É contrabandeado para dentro do campo vindo na mala de um prisioneiro de Auschwitz um menino judeu de três anos. Denunciar sua presença significa condená-lo à morte inapelavelmente. Escondê-lo significa comprometer o êxito da rebelião comunista e portanto da sobrevivência de toda a população de Buchenwald.

NU ENTRE OS LOBOS foi publicado no Brasil no início dos anos 60. É mais do que hora de ser reapresentado a várias gerações. Fundamental. A versão cinematográfica é candidata ao Emmy nas categorias melhor filme e melhor ator (Florian Stetter).

NU ENTRE OS LOBOS o filme é tão bom quanto o livro e por tudo que foi exposto merece nossa torcida. Mas diga-se que dá satisfação ver o Brasil liderar com número de produções finalistas ao Emmy.

http://www.hollywoodreporter.com/news/international-emmy-awards-2016-nominations-932574

Chegaram à agência os exemplares de cortesia de TENTATIVAS DE FAZER ALGO DA VIDA, de Hendrik Groen, que acaba de sair pela Tusquest, selo literário da Planeta Brasil, a quem vendemos os direitos em nome de Marleen Seegers, da 2-Seas Agency. O livro é holandês, publicado originalmente pela Meulenhoff. Sucesso enorme na Europa, muitas centenas de milhares de exemplares vendidos só na Holanda, o livro está traduzido para praticamente todas as línguas do continente, a edição britânica tendo saído há um mês.

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O herói de TENTATIVAS DE FAZER ALGO DA VIDA é totalmente improvável: um velhote de 83 anos, Hendrik Groen, pois o verdadeiro autor da obra permanece no anonimato. A narrativa é seu diário em um asilo. Como diz o texto de contracapa, lança um olhar terno e hilariante sobre a terceira idade, mas também “um devastador retrato de uma parcela da população esquecida pela família e pela sociedade”.

Com o aumento da população idosa, a velhice virou o tema quente da literatura e do cinema contemporâneos. Por exemplo, Aquarius, um dos melhores filmes brasileiros de safra recente. Aqui da agência com a Editora Record e Carlos Andreazza, A MÃE ETERNA, de Betty Milan. Ou mesmo BOA-NOITE A TODOS, de Edney Silvestre, que aborda o Alzheimer numa mulher de idade nem tão avançada. Os exemplos são muitos, não dá para listar.

O jornal Washington Post publicou uma bela entrevista com Innosanto Nagara, o designer, ilustrador e autor de literatura infantil, cuja obra sai pela Seven Stories Press. Nagara, que nasceu na Indonésia, tem três livros na SSP, todos surpreendente bem sucedidos.

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O primeiro foi A IS FOR ACTIVIST, A de ativista, que dá uma noção do ABC para a turminha até três anos, assim como COUNTING ON COMMUNITY, contando a e com a comunidade, que ensina matemática. O primeiro já vendeu incríveis 50 mil exemplares para SSP, que o publicou depois de uma edição independente.

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Na entrevista para o Post, Nagara defende a importância de se falar de assuntos sérios e política com as crianças. Elas captam muito mais do que o adulto tende a crer.

https://www.washingtonpost.com/news/parenting/wp/2016/11/15/a-q-a-with-innosanto-nagara-author-of-social-change-books-for-kids/

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Sai notícia no Publishers Marketplace sobre a venda VB&M de LES VIRTUES DE L’ ÉCHEC (As virtudes do fracasso) e LA JOIE (A alegria), de Charles Pépin, em nome da 2-Seas Agency e da editora francesa Allary, para a Estação Liberdade, de Angel Bonjadsen. O primeiro livro é um ensaio que faz a crítica da ideologia do sucesso, que nos diminui e oprime na contemporaneidade; o segundo, um romance filosófico.

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Principalmente o primeiro livro, recém publicado na França, é um sucesso com mais de 20 mil exemplares vendidos. Pudera. A leitura vem a calhar numa época extremamente desconfortável para a maioria das pessoas, principalmente os jovens, que vêem todas as portas fechadas mas sofrem uma cobrança desmedida sobre realização e carreira.

Portuguese Brazilian rights in Charles Pepin’s JOY and the nonfiction THE VIRTUES OF FAILURE, to Estacao Liberdade, at auction, in a two-book deal, by the Villas-Boas & Moss Literary Agency in association with Marleen Seegers at 2 Seas Agency on behalf of Allary Editions. Rights previously for THE VIRTUES OF FAILURE to Hanser in Germany, Garzanti in Italy and Niculescu in Romania.

No Facebook, João Carlos Rodrigues disse tudo e mais um pouco sobre ROGÉRIA, a biografia do “travesti da família brasileira”, escrita por Marcio Paschoal e lançada pela Sextante.

 

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Dica de livro: “Rogéria – uma mulher e mais um pouco”
Marcio Paschoal
Estação Brasil, RJ, 2016

Biografia de Astolfo Barroso Pinto, a Rogéria, o mais bem sucedido travesti brasileiro. Texto (bom e fluente) do escritor e jornalista Márcio Paschoal, também biógrafo de um artista antípoda: o primitivo e rascante maranhense João do Vale, um dos pilares da música nordestina, autor dos famosos “Pisa na fulô” e “Carcará”. Um dos lados mais interessantes deste novo livro é a descrição da vida de um travesti não-operado, documento sincero e esclarecedor para quem não sabe nada ou imagina coisas do arco da velha.
O livro flui em duas correntes paralelas. Na primeira o autor, auxiliado pelo amplo e excelente material fotográfico, narra na terceira pessoa a vida privada e profissional de Rogéria, as peças que fez, os países onde se exibiu, a amizade com a mãe e o meio irmão, alguns amores. Sim, alguns amores. Queriam o que? A vida sexual de alguma freira, alguma vestal? Entre eles o policial delinquente Mariel Mariscott, um astro do Esquadrão da Morte, assassinado em plena rua a mando de um famoso bicheiro. Um símbolo sexual carioca, pai de um dos filhos da atriz Darlene Glória. Criatura pouco recomendável, porém interessante.
Simultaneamente a esse lado digamos documental da biografia temos entremeados comentários na primeira pessoa feitos pela biografada, impressos em letras de cor violeta. Aqui estamos longe da compostura e mesmo do decoro a que Astolfo/Rogéria acostumou seu respeitável público, a ponto de ostentar o título surpreendente para alguém vindo do bas-fond de “o travesti da família brasileira”. Merda no ventilador.
Ela não delata propriamente ninguém mas dá boas pistas para exegetas da phophoca (com ph mesmo) e pesquisadores com talento para arqueologia. Quem será o jovem jogador do Santos que no Cairo em fevereiro de 1973, apesar de bem dotado, preferiu apenas o sexo passivo? Ou o tricampeão taradão da Copa de 70 que quase a estuprou no camarim do Canecão? Ou o ator, na época noivo de uma miss lindíssima que acabava de madrugada na casa da nossa estrela, fazendo sexo oral e outras sacanagens? Ou outro ator bem conhecido do cinema pornô que posava de machão mas na hora H pediu para ser passivo?
Adivinhe se puder. Também temos descrições de outras modalidades sexuais bastante heterodoxas mesmo para um travesti. Há quem sussurre no breu das tocas que Rogéria como grande comedora tem ou teve também uma boa lista de amantes do sexo feminino, mas nesse ponto imperou a discrição. Como convém a uma lady, porra. E mais não digo.
Como a curiosidade matou o gato, meu amigo leitor, compre o livro e verifique você mesmo. Fui.

https://www.facebook.com/joaocarlos.rodrigues.18/posts/1233789206660408?comment_id=1233863536652975

O livro de Tim Ferriss, AS FERRAMENTAS DOS TITÃS, que representamos para a Houghton Mifflin Harcourt e no Brasil sairá pela Intrínseca, deu show em Frankfurt. Foi vendido para a Random House na Grã-Bretanha, para Jarir Bookstore em língua árabe, para Sun Color e Citic na China (chinês complexo e simplificado), Meulenhoff na Holanda, Melvil na República Checa, Viisas Elama Oy na Finlândia, Leducs na França, Riva na Alemanha, Leya em Portugal, Politon na Romênia, Dobraya Kniga na Rússia e Seven Colours na Ucrânia. Ufa.

O livro é baseado nas entrevistas do super podcast de Ferriss, que conversa com celebridades e gente de destaque de todos os campos para saber de cada uma delas o segredo do sucesso e da boa forma. Só que para o livro Ferriss experimentou e testou cada uma das fórmulas em sua vida diária. Fez um resumão e vem portanto com um completo receituário do que vale a pena aproveitar e seguir no dia-a-dia da gente.

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O autor, Tim Ferriss.

Tim Ferriss tem livros muito populares já traduzidos no Brasil. TRABALHE 4 HORAS POR SEMANA (Planeta) e 4 HORAS PARA O CORPO (Intrínseca) são bíblias para milhares.

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Chegaram hoje à agência os exemplares de cortesia de MEDITERRÂNEOS INVISÍVEIS: Os muros que excluem os pobres e aprisionam os ricos, do senador Cristovam Buarque, publicado por Andreia Amaral, pela Paz & Terra, selo do Grupo Record. A edição do livro ficou bonita com uma capa eficaz de Sergio Campante.

Misto de ensaio, reportagem e relato de viagens, MEDITERRÂNEOS INVISÍVEIS aborda o problema dos refugiados do Oriente Médio na Europa dentro do quadro conceitual que o senador desenvolveu em A CORTINA DE OURO: depois da queda do Muro do Berlim, a divisão fundamental da humanidade passou a ser a apartação entre pessoas ricas e pobres. O livro começa com a viagem de Cristovam à fronteira da Turquia com a Síria, onde ele entrevistou refugiados e suas famílias; e a narrativa segue passando por vários outros lugares críticos, do Nordeste brasileiro a países africanos.

Cristovam Buarque, o “Senador da Educação”, tem mais de 30 livros publicados. Sua campanha à presidência da República em 2006 centrou-se  na defesa de uma revolução educacional no Brasil. Passada essa triste década de bolha e mentiras, a ilusão da distribuição de renda a partir de concessão de crédito para consumo completa e devidamente implodida, as teses de Cristovam Buarque não poderiam ter comprovação mais enfática.

Mais uma linda resenha para A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Martha Batalha, em sua edição italiana. Agora na seção de livros da F.

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O trabalho de Martha continua a nos propiciar imensas alegrias. Sua editora francesa, a Denoël, vai lançá-lo com grande festa no Favela-Chic, em Paris, em janeiro de 2017, e está tão confiante no sucesso que já nos apresentou oferta pelo novo livro de Martha, AREIA BRANCA: Um romance de Ipanema, que a autora ainda está escrevendo e só talvez venha a por ponto final em dezembro.

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A capa da edição francesa.

A resenha da F diz tudo sobre EURÍDICE QUE SONHAVA A REVOLUÇÃO, que é como ficou o título em italiano:

“É um romance de estreia, esse de Martha Batalha, mas riquíssimo: em torno das duas protagonistas, a autora desenha, na melhor tradição da literatura sul-americana, um mar de personagens menores (o marido Antenor, a prostituta Filomena, o comerciante Antonio), cada um com uma vida particular, que se encaixa perfeitamente no retrato de um país e de uma época.”