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Começamos o dia com o coração pesado pela morte de Jorge Bastos Moreno. Não só o admirávamos como escritor, talentoso jornalista e homem boníssimo que era, nós o tínhamos um pouco como padrinho.

A publicação pela Rocco de seu criativo A HISTÓRIA DE MORA: A SAGA DE ULYSSES GUIMARÃES foi o primeiríssimo contrato intermediado pela VB&M, datado de 15 de março de 2012 . As atividades da agência só começariam oficialmente em 2 de abril.

Afora o grupo firme e duro que veio da Editora Record (Beto Mussa, Chico Azevedo, Edney, João Almino, Luize Valente, Miguel Sanches, Míriam Leitão, Rafael Cardoso _ com Lúcio _, Ronaldo Wrobel e Sérgio Abranches), Moreno foi o primeiro escritor para além de nosso círculo a nos procurar para que o representássemos literariamente. A HISTÓRIA DE MORA, que vinha se desenvolvendo nas edições do Globo aos domingos, era seu primeiro projeto literário.

Paulo Rocco logo identificou ali um livro importante para a história do Brasil e foi o primeiro a procurá-lo por meio de Eugênia Vieira, que então trabalhava em sua editora. Muito sensível, pouco apegado às coisas práticas, Moreno quis que a agência negociasse e formulasse o contrato de publicação de MORA com a editora.

MORA, para quem não sabe ou se lembra, era a mulher de Ulysses Guimarães, de quem Moreno sempre foi próximo, tendo atuado inclusive como seu assessor. Mora-Moreno, os nomes uniam, ligavam afetivamente e propiciavam jogos de palavras.

A trajetória de Ulysses, que precisa ser conhecida para a devida compreensão do Brasil, é contada por Moreno com inteligência e humor do ponto de vista de Mora, dando à narrativa um caráter literário. Vale ler MORA para atenuar saudades do Moreno.

 

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(LVB)

Volta e meia gente de esquerda chama os outros de fascistas. Devem achar que qualquer conservador ou liberal pode ser chamado de fascista e cometem um erro conceitual grosseiro.

Fascismo é um conceito histórico já bastante configurado. Envolve pessoas e grupos que não aceitam oposição ou divergência de ideias e comportamentos, muitas vezes incorporando também exclusão étnica, e acreditam que podem chegar ao poder por meio da imposição do medo pelo uso de ameaças e agressões físicas no espaço público ou invadindo o domínio privado do outro. Medo imposto pelas “tropas de choque” do movimento. No Brasil, só vejo atuação desse tipo da parte do PT, MST e MSTU entre outros agrupamentos da esquerda corporativista. Muitos vídeos na internet documentam essa afirmação.

Fascismo tem que ter base social. Se não tiver, não é fascismo. O comportamento de petistas ameaçando nossa brilhante e queridíssima cliente Míriam Leitão, uma das pessoas mais respeitadoras do outro que já conhecemos, é rigorosamente equivalente às gangues nazistas da década de 30. Lembremos a origem do termo nazista: nacional + socialista. É mais fácil tomar um esquerdista por fascista do que um liberal. Sem dizer que os liberais representem necessariamente tudo que é certo, eles são sim o verdadeiros antípodas dos fascistas.

Vamos estudar História, pessoal. Quem ainda não leu a coluna da Míriam de hoje no Globo, pode fazê-lo aqui.

LVB

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Em trânsito rumo a Berlim, recebo foto de A VERDADE É TEIMOSA, de Míriam Leitão, que a Intrínseca acaba de colocar nas livrarias do país todo. O amigo de décadas José Mário Pereira sempre me abastece de notícias, algumas que me dizem respeito diretamente, como esta, outras apenas de interesse intelectual. Todas informações valiosas.

José Mário elogia a edição do livro de Míriam e manda parabéns pela dedicatória: “para Luciana Villas-Boas sobretudo pela amizade”. Concordo que merecer essa dedicatória de Míriam é mesmo para parabéns. Tenho imenso orgulho dessa amizade.

Essa teia envolvendo José Mário _ que conheci numa mesa com Darcy Ribeiro, quando? 1985? 1986? _ e o livro da Míriam com a tocante dedicatória me pega desprevenida e emociona. Será que algo importa mais na vida do que esse constructo de relações cheias de afeto que atravessam décadas?

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Na gostosa sessão “By the Book” do suplemento literário do New York Times, o premiado escritor Viet Thanh Nguyen, que conquistou o Pulitzer de ficção com THE SYMPATHIZERS, endossou o romance de Kia Corthron, THE CASTLE CROSS THE MAGNET CARTER, que representamos para a Seven Stories Press. À pergunta “qual foi o último grande livro que você leu”, Nguyen respondeu citando o trabalho de Kia, que, aliás, também já foi premiado como estreia em ficção:

“Esse longo romance, ambicioso e desafiador, mereceria muito mais atenção. Conta a história dos EUA no século XX por meio das vidas entrecruzadas de dois irmão brancos e dois negros. É alternadamente terno, brutal e gratificante.”

Na entrevista, Nguyen citou ainda outro título da SSP, POSTCARDS DO FIM DA AMÉRICA (Cartões postais do fim dos EUA), de Linh Dinh _ uma crônica da decadência americana através das viagens do autor pelo país. Depois da vitória de Donald Trump para presidente dos Estados Unidos, muitos intelectuais e autores de esquerda passaram a considerar que está na hora de um esforço com vistas a entender e fazer contato com o país profundo. Foram esses o objetivo e a obra de Linh Dinh, e suas conclusões estão no livro.

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“Kia Corthron’s “The Castle Cross the Magnet Carter.”

This big, ambitious, challenging novel should have gotten much more attention. It tells the 20th-century history of the United States through the intersecting lives of two white brothers and two black brothers. It is, by turns, tender, brutal and redemptive” –Viet Thanh Nguyen, Pulitzer Prize winning author of The Sympathizers.

Chega amanhã às livrarias da França, pela Allary Éditions, um livro importante e bom de ler que representamos no Brasil em nome da 2-Seas Agency. O título é POUR QUE LA PHILOSOPHIE DESCENDE DU CIEL, “para que a filosofia desça do céu”, que não soa bem em português. Estamos nos referindo ao precioso texto de Alexandre Lacroix como “Filosofia pé no chão”, mas a chamada desse cartaz publicitário da Allary também propicia outros títulos fortes como “filosofia portátil” ou “de mão”.

A mensagem de Lacroix é que os conceitos filosóficos têm origem na vivência humana do dia-a-dia. As pessoas não precisam _ não devem _ temer a filosofia pensando que se trata de algo muito elevado, que intimida, nos faz sentir limitados intelectualmente. A escrita de muitas obras de filosofia criou e disseminou essa imagem, esse bicho papão, o que é uma pena, porque o ser humano precisa e é capaz de refletir filosoficamente em sua vida.

Refletir filosoficamente é pensar criticamente a partir dos acontecimentos do cotidiano. Como diz o release da editora, a filosofia não é uma disciplina escolar, e sim uma emanação da vida.

A proposta de Lacroix é aproximar as pessoas comuns da filosofia. Ele dá o passo-a-passo.

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Clique aqui para acessar as informações do livro no site da Allary. 

A coluna de Ancelmo Gois noticiou o próximo lançamento de ANITA, UM ROMANCE SOBRE A CORAGEM, de Thales Guaracy. É a volta do Thales à ficção, depois de A CONQUISTA DO BRASIL, com um livro lindo e magnífico, sobre Anita Garibaldi, personagem da história brasileira e mundial que realmente enaltece as mulheres. Um monstro de coragem e desapego aquela guerreira.

Thales usou um brilhante artifício literário para reconstruir a vida de Anita, particularmente na infância e juventude em Santa Catarina, sobre as quais não há documentação factual. Quem narra a história é, às vésperas da morte, Giuseppe Garibaldi, que certamente ouviu dela lembranças dos tempos de menina. Ao lado da segunda mulher, muito mais jovem, uma boa moça italiana, enciumada e um tanto limitada intelectualmente, Garibaldi faz em pensamento um balanço de sua vida e chega à conclusão que Anita sim, não ele, foi a grande figura heróica de dois continentes.

Anita e Giuseppe surgem imensos nesse livro, profundamente humanos. O romance sai pela Record em abril, e nós recomendamos a leitura com ênfase.

http://blogs.oglobo.globo.com/ancelmo/post/jornalista-lancara-livro-sobre-anita-pelos-olhos-de-giuseppe-garibaldi.html

Venda de direitos audiovisuais que VB&M concluiu com RT Features foi noticiada pela coluna de Ancelmo Gois: romance inédito do premiado autor paranaense Domingos Pellegrini, MULHERES ESMERALDAS, é o novo projeto do super produtor de cinema Rodrigo Teixeira (de “Indignação”, “Frances Ha”, “O filho eterno” e outras joias). Rodrigo disse do livro para a VB&M: “essa história de um grupo de mulheres mineradoras de ouro e esmeralda é absolutamente incrível, e a narrativa do Domingos, um feito porque consegue dar total verossimilhança. Mas imaginem a força dessa trama no cinema.”

MULHERES ESMERALDAS conta a história de um repórter da Playboy apenas retornado do exílio que, em 1984, quer fazer um ensaio fotográfico para a revista numa mina explorada por mulheres na Amazônia profunda. Domingos foi repórter da Playboy nessa época, cobriu Serra Pelada e ouviu falar dessa mina. No livro, as moças aceitam uma, digamos, cara proteção do delegado do município de Alta Mata em troca de uma parcela do ouro que produzem. O que ele não sabe é que, lideradas por uma ex-enfermeira americana, elas buscam também um veio de esmeraldas. Quando o repórter bate por lá, as mineradoras, que sempre evitaram todo contato com gente de fora, recebem-no muito bem, mas a ideia é usá-lo como cobertura para a fuga delas com um grande carregamento da preciosa pedra verde.

Grande thriller emocionante, com uma fuga espetacular e assustadora de carro e avião pelo Brasil afora, MULHERES ESMERALDAS é também um delicado romance, uma história de amor de dar nó na garganta. Marianne, a ex-enfermeira, é maravilhosa, filha de um major americano recrutado por Daniel Ludwig, aquele do mal-fadado Projeto Jari, para trabalhar na Amazônia. Quando morre, o major deixa para a filha, que sempre viveu meio no Brasil, meio nos EUA, um mapa para a mina de esmeraldas. Ela é completamente independente, muito forte fisicamente e emocionalmente, ninguém manda em Marianne, e o jornalista corta um dobrado para acompanhá-la.

O cenário é a Amazônia do início da década de 80, depois São Paulo e Rio de Janeiro. O pano de fundo é a transmissão televisiva das Diretas e, depois, com os protagonistas já no Sudeste, a cobertura da agonia de Tancredo Neves. Um livro realmente extraordinário que vai impressionar o mundo literário quando for publicado. Teremos notícias em breve sobre a editora da obra.

Cinema

‘Mulheres esmeraldas’, de Domingos Pellegrini, vai virar filme

por Tiago Rogero

21/01/2017 14:05

“Mulheres esmeraldas”, o mais recente romance do escritor paranaense Domingos Pellegrini, vai para a telona. O produtor Rodrigo Teixeira, da RT/Features, acaba de acertar a adaptação para o cinema com a literária VB&M.
O livro de suspense trata de um grupo de quatro mineradoras, mais um repórter da “Playboy”, fugindo de um delegado corrupto pelo Brasil afora, de Rondônia a Rio e São Paulo, com uma preciosa carga de esmeraldas. O pano de fundo envolve as “Diretas Já” e a morte de Tancredo de Neves.

PublishNews noticia hoje a participação da VB&M no Books at Berlinale com o romance O REMANESCENTE, de Rafael Cardoso. Books at Berlinale é um evento que propicia o encontro de agências literárias e editoras com grandes produtores de cinema internacionais para falar de livros com potencial de transposição para a telona. Imensa oportunidade e ideia brilhante bolada pela Feira do Livro de Frankfurt e pelo Festival de Cinema de Berlim. 

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Visando à participação no evento, VB&M submeteu uma lista de títulos à Berlinale. A disputa é duríssima. Este ano foram 130 candidatos. Doze foram selecionados. De nossa lista, O REMANESCENTE, livro que admiramos imensamente, publicado em novembro pela Companhia das Letras e, na Alemanha, pela Fischer. Em breve sairá na Holanda com a Nieuw Amsterdam.

A história da queda do banqueiro judeu Hugo Simon, ministro da Economia em Weimar e mecenas das artes, descobridor do expressionismo alemão e de pintores como Edvard Munch, é tremenda e certamente rende um filme extraordinário. Logo da tomada do poder por Hitler, Simon, também um pioneiro do ambientalismo, tornou-se inimigo público número 1 da Alemanha. Literalmente, o primeiro da lista a ser preso.

Hugo Simon fugiu com a família para a França em 1935, de onde financiou a resistência. Com a chegada dos nazistas a Paris, ele fez a clássica fuga cheia de riscos, medo e emoção até Marselha, onde pegou o navio para um melancólico exílio no Brasil. O exílio brasileiro foi muito triste, porque ele gostaria de estar nos EUA agitando com seus grandes amigos Thomas Mann, Einstein e Brecht na guerra de propaganda contra o nazismo.

O escritor Rafael Cardoso, bisneto de Hugo Simon, tem pedigree literário, sendo, pelo lado materno, sobrinho de Lúcio Cardoso, autor de CRÔNICA DA CASA ASSASSINADA. Mas O REMANESCENTE é um romance. Embora preso aos fatos históricos, Rafael deu-se a liberdade de criar falas e diálogos e tratar a narrativa com a linguagem da ficção.

Já sabemos, já sabemos: falamos demais de Martha Batalha e Eurídice Gusmão. É que elas nos dão o que falar, além de muita alegria. Os leitores desse blog hão de compreender e perdoar.

LES MILLES TALENTS D’EURIDICE GUSMAO, linda versão da editora Denoel para o romance de Martha, foi para o primeiro lugar na Amazon francesa. Saiu até uma nota do Ancelmo, no Globo. A crítica na França foi consagradora, como se pode ver no material publicitário preparado pela editora.

“Pequena joia de humor e ironia”, disse Livres Hebdo. “Engraçado e delicioso”, definição de Madame Figaro. “Lindo retrato de uma mulher em busca da independência”, essa foi do Lire. Não está bom? Querem mais? “Um livro que nos poupa os clichês habituais sobre o Brasil, sempre transmitindo o lendário bom humor desse país”, afirmou Valeurs Actuelles. Na França, Eurídice foi indicada por Nathalie Iris no programa Télé Matin

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Na Alemanha, as leitoras também estão enchendo os blogs com elogios aos talentos das irmãs Gusmão, edição da Suhrkamp. Mas aí só Anna Luiza Cardoso para traduzir. É quem lê alemão na agência.

Mais uma boa notícia foi a venda que acabamos de concluir na Bulgária, conquistada por nossa amiga Katalina Sabeva, da Anthea Rights. É a 11ª venda de direitos de tradução de A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, que já está publicado em Portugal, Itália, Holanda, França e Alemanha. Em breve na Inglaterra.

Está para sair do forno, e a Editora Intrínseca já vem divulgando, o novo livro de Míriam Leitão, com o título imbatível de A VERDADE É TEIMOSA: DIÁRIOS DA CRISE QUE ADIOU O FUTURO, nas livrarias em fevereiro. Reúne comentários de Míriam publicados no Globo desde 2010, durante a primeira campanha presidencial de Dilma Roussef, quando quem falasse de crise anunciada era recebido e tratado como chato e bobo, até o final de 2016, no momento mais frágil do novo governo de Michel Temer.

Impressionante a clarividência dos artigos de Míriam nesse arco de tempo. A palavra é essa, clarividência, visão clara.

Como eu já disse uma vez, Míriam Leitão não cantou a bola, mas o jogo inteiro desde lá atrás, quando dizia que o PT estava, por meio de suas decisões equivocadas, empenhando-se demais para reconstruir a desordem fiscal e o quadro inflacionário com vistas a lançar o Brasil numa recessão jamais vista, vivida, intensamente sofrida. Cantou o jogo sem alarmismo, com ponderação, com generosidade para ouvir o pessoal do governo, sem bronca ou rancores, mas com a calma, a precisão, a linguagem clara e a elegância daqueles que realmente sabem e têm a coragem de desvendar a verdade oculta pelas mais grosseiras manipulações. 

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Nenhum outro livro de ensaios ou não-ficção conseguirá transmitir como A VERDADE É TEIMOSA o dia-a-dia de terror que a gente honesta e trabalhadora enfrentou nesse período, e por cujos desdobramentos nefastos essas pessoas _ nós todos _ continuam a pagar. A leitura das crônicas em sequência recria o movimento histórico à perfeição.

Depois de A VERDADE É TEIMOSA, talvez só a ficção para acrescentar à compreensão dessa fase de involução da sociedade brasileira, mergulhada na degola de todos os bons valores. Será que esse romance histórico caberá à própria Míriam, que em TEMPOS EXTREMOS tratou ficcionalmente da escravidão africana e da ditadura? Seu romance certamente injetaria a força necessária ao povo brasileiro para reconstruir tudo que foi perdido e retomar a luta por um país melhor.

(LVB)