maio 2019

Começamos a semana ainda sob o impacto da vitória de A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, o filme de Karim Ainouz, na mostra Un Certain Regard, em Cannes. Tem início uma nova carreira para A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, o romance de Martha Batalha.

Minutos depois do anúncio do prêmio na sexta-feira, VB&M enviou para centenas de agentes e editoras internacionais uma newsletter com a notícia. Fantástica repercussão; euforia e animação da parte das editoras de EURÍDICE com a preparação das edições de bolso em “tie-in” com o filme, capa com o pôster e em coincidência com o lançamento nos cinemas europeus e norte-americanos.

O nome de Martha Batalha, para além de mencionado no Jornal Nacional, apareceu em inúmeras importantes publicações internacionais. Ganhou uma consagração que o escritor só conquista quando amparado por uma grande obra audiovisual. Diga-se que Karim Ainouz foi imensamente generoso e interessante a respeito do livro em todas as suas entrevistas.

Para consolo de muita gente, incrível pensar que há exatos quatro anos VB&M penou para encontrar editor para Martha no Brasil. De início, A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO foi rejeitado por todas as editoras mais consolidadas. Todas. Mas ninguém desistiu, nem Martha, nem VB&M.

Era um momento dificílimo do mercado editorial, o primeiro da grande debacle que temos presenciado, em seguida à comunicação da presidente Dilma Roussef de que daria um cano na indústria não só suspendendo novas compras de livros pelo governo, mas também não pagando aquelas já fechadas. Mas VB&M voltou da Feira de Frankfurt com cinco contratos estrangeiros para EURÍDICE na bagagem, assinados com algumas das melhores casas internacionais, mais o acordo com Rodrigo Teixeira alinhavando os direitos de adaptação audiovisual; e foi possível promover um pequeno e breve leilão visando à publicação do romance de Martha no Brasil: Companhia das Letras definida como editora da obra.

No processo, EURÍDICE deu a sorte de encontrar algumas leitoras-chave que anteviram a paixão que o livro provocaria no público. A primeira foi Sabine Erbrich, editora de obras de línguas portuguesa e espanhola na alemã Suhrkamp, primeira  a ler e contratar o romance, dando logo uma frase espetacular sobre o trabalho literário da Martha, elogio fundamental para a criação do “hype” em torno do livro na Feira de Frankfurt, o que levou aos quatro contratos seguintes. A segunda foi a então leitora e produtora da RT Features, Nina Kopko, que se apaixonou pelo romance e disse que Rodrigo Teixeira não poderia deixar de ler EURÍDICE imediatamente e comprar os direitos. Depois entraram na história dois visionários maravilhosos, o próprio Rodrigo, que percebeu a identidade da narrativa com a experiência de vida de Karim Ainouz, seu amigo pessoal, e esse diretor capaz de encontrar o tom perfeito para um melodrama essencialmente feminino e feminista. Karim tornou visível a obra de Martha Batalha, que havia trazido visibilidade literária para as mulheres invisíveis do Brasil.