janeiro 2018

Alguns livros representados pela agência sumiram das prateleiras depois do Natal. Na primeira semana do ano, fomos à Argumento encontrar Martha Batalha, que estava no Rio para a temporada de festas. Luciana quis comprar A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO para compor um presente atrasado para seu médico, mas o último exemplar da loja tinha sido levado algumas horas antes. O curioso é que à noite Luciana descobriu o culpado: ela e Raymond foram jantar com o professor e físico Marco Moriconi, grande leitor de ficção, e havia sido ele, admirador incondicional do romance de Martha, que levara o último EURÍDICE também para um presente atrasado.

No pacote literário pensado para o médico, deveriam constar também OS NOVOS MORADORES, de Francisco Azevedo, O SOFRIMENTO É OPCIONAL, da Monja Coen, e SONATA EM AUSHCWITZ, de Luize Valente. Luciana acha que a cabeça e o gosto do dr. Francisco Abreu Lima vão por aí. Mas só conseguiu SONATA, de novo ultimíssimo exemplar; e a Ana da Argumento lamentou que passaria o primeiro fim de semana do ano sem os livros da Record, em recesso até dia 8 de janeiro. O estoque de EURÍDICE deveria estar reabastecido no dia 5.

Nada de EURÍDICE tampouco na Travessa de Ipanema. Felizmente, outros livros VBM ainda se viam em boas pilhas, como mostram as fotos.

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John Sargent, CEO da Macmillan norte-americana, enviou hoje uma carta aberta a todos os funcionários da editora chamando a atenção para a importância de se dar uma resposta firme ao presidente Donald Trump, que vem reunindo esforços para impedir a publicação do livro FIRE AND FURY, de Michael Wolff. A obra traz a público os bastidores da Casa Branca no primeiro ano de Trump à sua frente e despertou a ira do polêmico presidente. 

A nota de Sargent é digna de ser ressaltada. Representa não apenas os interesses da Macmillan, mas de todo o mercado editorial pela liberdade de se publicar o que deve ser publicado, sem qualquer tipo de censura ou intimidação. 

Confira aqui a íntegra da carta:

“To: All Macmillan Employees
From: John Sargent

Last Thursday, shortly after 7:00 a.m., we received a demand from the President of the United States to “immediately cease and desist from any further publication, release or dissemination” of Michael Wolff’s Fire and Fury. On Thursday afternoon we responded with a short statement saying that we would publish the book, and we moved the pub date forward to the next day. Later today we will send our legal response to President Trump.

Our response is firm, as it has to be. I am writing you today to explain why this is a matter of great importance. It is about much more than Fire and Fury. 

The president is free to call news “fake” and to blast the media. That goes against convention, but it is not unconstitutional. But a demand to cease and desist publication—a clear effort by the President of the United States to intimidate a publisher into halting publication of an important book on the workings of the government—is an attempt to achieve what is called prior restraint. That is something that no American court would order as it is flagrantly unconstitutional. 

This is very clearly defined in Supreme Court case law, most prominently in the Pentagon Papers case. As Justice Hugo Black explained in his concurrence:

“Both the history and language of the First Amendment support the view that the press must be left free to publish news, whatever the source, without censorship, injunctions, or prior restraints. In the First Amendment, the Founding Fathers gave the free press the protection it must have to fulfill its essential role in our democracy. The press was to serve the governed, not the governors. The Government’s power to censor the press was abolished so that the press would remain forever free to censure the Government.”

Then there is Justice William Brennan’s opinion in The New York Times Co. v. Sullivan:

“Thus we consider this case against the background of a profound national commitment to the principle that debate on public issues should be uninhibited, robust and wide-open, and that it may well include vehement, caustic, and sometimes unpleasantly sharp attacks on government and public officials.”

And finally Chief Justice Warren Burger in another landmark case:

“The thread running through all these cases is that prior restraints on speech and publication are the most serious and least tolerable infringement on First Amendment rights.”

There is no ambiguity here. This is an underlying principle of our democracy. We cannot stand silent. We will not allow any president to achieve by intimidation what our Constitution precludes him or her from achieving in court. We need to respond strongly for Michael Wolff and his book, but also for all authors and all their books, now and in the future. And as citizens we must demand that President Trump understand and abide by the First Amendment of our Constitution.”

— John Sargent

O grande poeta Lúcio Autran não é diretamente cliente da VBM, mas o pai dele é: um de nossos clássicos mais queridos, Autran Dourado, autor de ÓPERA DOS MORTOS, A BARCA DOS HOMENS e SINOS DA AGONIA, alguns de seus excelentes títulos em vastíssima obra. Do pai, Lúcio herdou o gênio literário, mas não para a prosa _ conto, romance, ensaios, memórias _, e sim para a poesia, que ele define como “pária na sociedade de castas da literatura brasileira”.

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Pois bem: o crítico paulista Alfredo Monte incluiu o livro de poesias publicado por Lúcio em 2017, FRAGMENTOS DE UM EXÍLIO VOLUNTÁRIO, na sua lista de melhores lançamentos do ano que passou no jornal A Tribuna. O autor diz que a lembrança mais confirma sua tese do que os méritos do livro – pura modéstia.

Os melhores lançamentos literários de 2017 - A Tribuna-1

Perfeita a resenha que saiu no Los Angeles Times do GRAPHIC CANON OF CRIME AND MYSTERY, editado por Russ Kick e publicado pela Seven Stories Press. Boa também a notinha do New York Times sobre o mesmo livro.

https://lareviewofbooks.org/article/creating-a-comics-canon/

https://mobile.nytimes.com/2017/12/26/books/review/new-noteworthy-bret-stephens.html

Russ Kick já editou três volumes de cânones gráficos da grande ficção universal e depois lançou um outro de literatura infantil. Com esse livro resenhado, inicia uma série de coletâneas de adaptações gráficas de literatura policial e de mistério.

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Um dos aspectos mais inteligentes e provocadores desse primeiro volume é que Kick não contempla exatamente a chamada literatura de gênero. Entre os livros de crime e mistério que pinçou para compor a antologia, tem CRIME E CASTIGO, A LETRA ESCARLATE, OS ASSASSINATOS DA RUA MORGUE, muitos outros clássicos imensos, além de Conan Doyle, Agatha Christie, Jo Nesbo. Todos na linguagem gráfica dos melhores artistas dedicados a essa forma literária.