dezembro 2017

O bate-papo entre Marina Colasanti e Miguel Sanches Neto, em torno da obra dessa autora, que aconteceu em outubro em Curitiba, como parte do projeto Um escritor na biblioteca, saiu inteirinho na edição de dezembro do Cândido. Lembrando que Miguel é o mediador perfeito para os interessantes encontros literários promovidos pela Biblioteca Pública do Paraná (BPP), um autor que reflete lindamente em sua obra a temática do amor pelos livros. Na VBM, seus contos em HERDANDO UMA BIBLIOTECA são muito queridos, sempre referidos, comentados, sempre surgindo em conversas na agência.

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 A edição de dezembro do jornal Cândido, publicado mensalmente pela Biblioteca Pública do Paraná (BPP), celebra os 80 anos de Marina Colasanti, uma das escritoras mais importantes do país, com cinco décadas de vida literária e 60 livros publicados. A autora participou da edição de outubro do projeto Um escritor na biblioteca, conteúdo editado e transcrito na edição, e durante o bate-papo, mediado pelo escritor Miguel Sanches Neto, Marina falou sobre a sua trajetória, produção e afirmou que não se fez leitora, uma vez que leu desde pequena: “Não tenho nenhuma memória de uma vida sem livros”. O especial conta também com um ensaio da professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie Marisa Lajolo, que analisa os principais aspectos da obra de Marina Colasanti e sua multiplicidade de temas e gêneros, do conto à literatura infantojuvenil, incluindo a crônica. “Qualquer que seja o assunto de suas crônicas, o resultado são novos olhos para olharmos o que vemos todos os dias. Saímos da leitura renovados”, escreve Lajolo.

O mérito dos artigos de Maicon Tenfen na Veja não está só na luz que ele joga sobre os assuntos quentes da pauta, tal como na semana passada sobre a histeria das denúncias de assédio sexual nos EUA (infelizmente chegando ao Brasil). Muitas vezes Maicon pinça temas sobre os quais ninguém falou.

É o caso desse artigo sobre a patetice dos formandos de hoje em dia. Estamos em plena temporada de formaturas, cerimônias que dão vergonha na gente se não da espécie humana, certamente da nossa condição de brasileiros.

O brasileiro não estuda, mas é louco por cerimônias de formatura

 

Nada se compara à mediocridade dos nossos estudantes, nem o cinismo e a picaretagem de um Brás Cubas

 

Se tem uma coisa que brasileiro detesta é estudar. Perdemos sempre que inventamos de competir com o estrangeiro, e não falo aqui dos nórdicos ou das demais nações europeias, mas das republiquetas africanas e dos países mais pobres da América Latina. Perdemos inclusive quando competimos com nós mesmos, haja vista a queda vergonhosa que os nossos índices de aproveitamento sofreram nos últimos 20 anos.

Mas isso não significa que desprezamos as pompas da educação. Pelo contrário: amamos os diplomas e as honrarias na mesma medida em que odiamos uma prova de linguística ou uma apostila de cálculo diferencial. Está na nossa literatura, em Machado, até agora a melhor radiografia do espírito nacional. “Talvez espante ao leitor a franqueza com que lhe exponho e realço a minha mediocridade”, diz em 1881 o personagem-narrador de Memórias Póstumas de Brás Cubas.

“Não digo que a Universidade me não tivesse ensinado alguma; mas eu decorei-lhe só as fórmulas, o vocabulário, o esqueleto. Tratei-a como tratei o latim: embolsei três versos de Virgílio, dois de Horácio, uma dúzia de locuções morais e políticas para as despesas da conversação (…) Colhi de todas as coisas a fraseologia, a casca, a ornamentação, que eram para o meu espírito, vaidoso e nu, o mesmo que, para o peito do selvagem, são as conchas do mar”.

Ah, se em 2017 os estudantes ainda decorassem a casca das matérias para as despesas da conversação! Parece que agora a regra geral é o formando bater no peito e gritar bem alto que passou os quatro ou cinco anos da faculdade sem entrar na biblioteca. Não é de admirar que muitos estejam nas redes sociais afirmando que a terra é quadrada ou que Hitler era um político de esquerda.

Você nunca viu um Brás Cubas ao vivo?

Basta comparecer a uma das cerimônias de formatura do chamado Ensino Superior que abundam nesta época do ano. Eis um retrato fidedigno da educação brasileira: amor pela simbologia e ódio pelo conteúdo. Valendo-se da ritualização medieval que tenta promover os formandos a nobres distintos da plebe, as instituições de ensino, na luta por mais visibilidade no mercado, transformaram as formaturas em showzinhos de marquetagem.

A cena que se repete no palco é de uma clareza assustadora: quanto mais malandro é o Brás Cubas da vez, mais comemora na hora de receber o “canudo”. Pula, grita, rebola, alguns até viram cambalhotas. É como se estivessem tirando um sarro do mundo, como se dissessem “consegui, apesar da minha indolência, mas só consegui porque vocês, professores, são mais medíocres do que eu”!

Os pais vão ao delírio — foi para esse momento que pagaram as caríssimas mensalidades —, mas a verdade é que toda simbologia funciona como uma faca de dois gumes. Geralmente, aquelas latinhas que os formandos recebem em triunfo vêm vazias, o que constitui uma excelente metáfora do nosso sistema de ensino. Estudantes ocos de conhecimento recebem diplomas que, comprados com dinheiro público ou privado, sequer existem no “rito de passagem”.

Nada em troca de nada — um saldo justo, afinal.

O brasileiro não estuda, mas é louco por cerimônias de formatura

 

É a voz de Maicon Tenfen na Veja. Para nós, ele diz, com brilho e graça, o óbvio. Mas nos dias de hoje tudo que é evidente torna-se motivo de gritaria na rede. Infelizmente nunca foi tão necessário repetir o óbvio. Felizmente para o Maicon, que já está entre os colunistas mais lidos da revista. 

Seu último comentário sobre a onda de denúncias de assédio sexual está uma delícia. No final, ele usa o conceito correto: histeria.

Quem tem um mínimo de contato com os EUA sabe que se trata de um país histérico. Pelo menos dois episódios de sua história demonstram a tese cabalmente: as Feiticeiras de Salem, da época colonial, transformado em peça clássica de Arthur Miller, e o macartismo da década de 50. Ambos episódios ancorados no puritanismo hipócrita que fundou a nação. 

Muito despistado quem não perceber a semelhança do momento atual com as acusações infundadas e falsas de crimes religiososo, sexuais ou políticos de épocas passadas. Tragédia é a mania brasileira de só adotar, adquirir, importar os que os EUA têm de pior _ pela esquerda ou pela direita, na cultura, na política e na economia. 

Passamos batido pelos muitos, inegáveis e inequívocos méritos da sociedade americana. Mas o politicamente correto mais histérico e contraprodutivo, os argumentos da luta contra o racismo que só se aplicam à experiência americana e que nada servem para combater a nossa forma de desigualdade e discriminação racial, o feminismo puritano e antierótico voltado contra os homens, que também em nada somam para uma convivência de harmonia e cooperação entre os sexos _ isso tudo, opa, é conosco mesmo junto com bonecas Barbie, McDonald’s e filmes de Hollywood de quinta categoria.

Clique aqui para ler a coluna de Maicon Tenfen na íntegra.

Morreu aos 85 anos o artista plástico e visual Ivan Chermayeff, que ilustrou um dos livros mais queridos pela equipe da VBM em seu catálogo de clientes estrangeiros: SUN, MOON, STAR, o maravilhoso infantil de Kurt Vonnegut, publicado pela Seven Stories Press.

Vale a pena ler o obituário do New York Times. Que figura Chermayeff.

Criador de inúmeros dos logos mais marcantes de nossa era _ da editora Harper Collins, da Mobil Oil, da Exxon, da Panam, do Smithsonian Institute, da New York University _, ele continuou ativo até o fim em sua empresa de artes gráficas e publicidade sem nunca ter chegado perto de um computador. Só na prancheta.

A newsletter Publishnews anuncia hoje o lançamento de A VERDADE SOBRE A TRAGÉDIA DOS ROMANOV, do conceituado historiador francês Marc Ferro. VBM agenciou a venda desse livro publicado na França pela Tallandier em nome de nossa parceira L’Autre Agence, e a Record aproveitou os 100 anos da Revolução Russa para lançá-lo em outubro deste ano.

Marc Ferro é particularmente polêmico nessa obra, quando defende que a tsarina russa e suas filhas foram poupadas da execução pelos revolucionários bolcheviques de 1917 graças a um acordo com a Alemanha. Em troca teriam prometido silêncio eterno sobre a própria sobrevivência.

Há muito tempo não surgia uma tese tão contracorrente a respeito do destino da família imperial russa, tida como fuzilada em julho de 1917. É o que consta sem espaço para dúvida na wikipeda “House of Romanov”, por exemplo. Mas Ferro argumenta muito bem, apoiado em vasta documentação, e o livro deve atrair os aficionados dos temas Revolução Russa e Romanov, que são em muito maior número do que se pensa, Nelson Villas-Boas apenas um entre muitos brasileiros que compram todos os lançamentos sobre esse período histórico.

Para conferir a matéria do Publishnews, clique aqui.