fevereiro 2017

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Às vésperas de ser apresentado a centenas de produtores cinematográficos inscritos no Books at Berlinale, acompanhado de somente outros onze títulos, O REMANESCENTE vem conquistando espaços. A mídia começa a projetar luz no romance de Rafael Cardoso sobre seu bisavô, Hugo Simon, banqueiro judeu alemão, socialista e exímio colecionador de arte, ministro das Finanças em Weimar, que morreu empobrecido no Brasil depois de financiar a resistência ao nazismo em Paris vendendo seus quadros.

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Ancelmo Gois noticiou a participação na Berlinale, o festival de cinema de Berlim. A Deutsche Welle publicou bela matéria sobre o livro, reproduzida no Terra. Claufe Rodrigues recomendou-o no GloboNews Literatura.

Marco Guimarães, que está com livro novo, O CORVO, representado pela VBM, participará do Salão do Livro de Paris com a exposição “Le polar et le roman fantastique: des ponts entre le Brésil et la France”, uma mesa só dele. Será no dia 24 de março.

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Autor de O ESTRANHO ESPELHO DO QUARTIER LATIN, entre outros romances entre o policial e o fantástico, Marco é médico e professor de medicina aposentado, agora vivendo em Paris inteiramente dedicado à literatura. MEU PSEUDÔNIMO E EU, de 2012, foi finalista do Prêmio Portugal Telecom. Ele tem inclusive um romance a quatro mãos com o autor angolano Manuel Rui, A BICHA E A FILA.

A morte de Tzvetan Todorov provocou outro obituário antológico de Sérgio Abranches para o blog do Matheus Leitão. Realmente, o ensaísmo e o pensamento sócio-político contemporâneo já levaram duas pancadas monumentais este ano. Há poucas semanas republicamos o obituário que Sérgio fez de Zygmund Bauman.

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Sérgio lembra que Todorov se definia “depaysé”. Mais que expatriados, eram, Bauman e Todorov, dois despatriados.

http://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/todorov-o-intelectual-insubmisso.html

 

Domingo, 12/02/2017, às 11:07,

Todorov, o intelectual insubmisso

* Por Sérgio Abranches

A humanidade perdeu neste início de ano dois grandes pensadores, ambos expatriados, ou depaysés, como escreveu Todorov, inconformados e avessos aos formalismos e formalidades que tendem a tolher o pensamento. Zygmunt Bauman, nasceu na Polônia e abrigou-se em Leeds, e Tzvetan Todorov nasceu na Bulgária, e fixou-se em Paris. Os dois conheceram a perseguição nazista e o peso da tirania soviética. Na celebração das vidas desses dois homens de ideias, eles foram identificados de maneiras muito distintas: filósofo, sociólogo, pensador, crítico social. Continuo a pensar que a melhor forma de identificar o papel social que os dois desempenharam de forma exemplar é chamá-los de intelectuais. Um termo fora de moda, gasto pelo mau uso, mas que continua a significar para mim, o pensador independente, crítico, comprometido e em sintonia com seu tempo. Os dois foram assim e estão entre aqueles que nos ajudaram de forma única e insubstituível a pensar a grande transição que vivemos. Escrevi sobre Bauman, quando morreu, ele viveu intensamente essa transição, com o corpo e com a mente.

Todorov era um homem cordial, compassivo, e seu pensamento refletia essa condição. Mas o que me atraiu mais nele foi o seu compromisso com a rebeldia. Seu último livro, Insoumis, é uma homenagem à insubmissão e renúncia de personalidades que fizeram história com sua oposição a distintos tipos de tirania. Outra afinidade para mim significativa era a proximidade de Todorov com o pensamento de Rousseau, sobretudo na sua defesa da liberdade e da vida coletiva solidária entre indivíduos em uma sociedade com igualdade de condições e espaço para as diferenças e as diversidades. É essa visão que o fazia ver no Iluminismo ainda a fonte de inspiração para navegarmos as águas tumultuosas dessa transição. Os valores do iluminismo para ele não morrem nem com o esgotamento dos modelos que ele inspirou nos séculos XIX e XX, nem com suas falhas, Valores como a exigência de autonomia individual, de igualdade social e respeito pela diversidade cultural, de aptidões e de desejos e sentido de finalidade das ações humanas. Em outras palavras a crítica permanente das formas de alienação do indivíduo. Também vejo como ele, na radicalização do iluminismo, um caminho profícuo para uma sociedade futura de liberdade, igualdade e diversidade. Afinidades podem ocorrer, mesmo quando há diferenças e divergências de interpretação. A crítica de Rousseau era às desigualdades socialmente determinadas, não às diferenças individuais que levam a modos de vida distintos.

Todorov, como Bauman, olhava o mundo atual de modo muito crítico. Cada um a seu modo. Nos dois, encontramos arguta crítica da economia financista e consumista dos dias de hoje. Nenhum dos dois vislumbrava futuro para esse modelo de especulação e consumo desmedidos. Todorov dizia que nós nos esquecemos de que a economia deve estar a serviço da sociedade e esta era uma das fontes de sua indignação. Ele era, acima de tudo, um humanista. E um otimista. Acreditava na agitação intelectual e no poder do povo de promover a mudança. Por isso era defensor intransigente da democracia, que alertava estar em perigo por toda parte, ameaçada principalmente por seus inimigos íntimos.

Essa foi outra afinidade que me ligou intelectualmente a Todorov. O diagnóstico comum de que a democracia está oligarquizada e as corporações e os grupos de interesses passaram a ter poder demais e a sociedade poder de menos. Via, com toda razão, ameaças nas oligarquias, econômicas, sociais e políticas, no populismo, no ultraliberalismo e no ultranacionalismo. Os governos estão cada vez menos tolerantes à contestação e, como ele dizia, se não há maneira de se opor à opinião do governo do momento, não há democracia. Falava da necessidade e da eficácia da resistência, mas não imaginava que a polarização radicalizada promovesse a democracia ou boas saídas para os impasses civilizatórios que enfrentamos. Imaginava ser preciso haver um terreno comum, valores básicos compartilhados, para que do dissenso pudessem nascer novas ideias e rotas para avançar nessa travessia.

Toda vez que perguntam se, realmente, concordo com alguém a quem faço uma referência elogiosa, penso que não importa concordar. O que importa é se as ideias respeitam a dignidade humana, o livre-arbítrio, mostram um mínimo de solidariedade com os outros e aceitam o diferente. Cada indivíduo, escreveu, é multicultural, as culturas não são ilhas monolíticas. Em O medo dos bárbaros, ele mostrou que o medo é, também, uma forma de tirania e inspira as piores ações possíveis. Ele intuiu, com precisão, que esse medo dos imigrantes, do outro, dos “bárbaros”, será um dos primeiros grandes conflitos da transição do século XXI. Todos os bárbaros não são idênticos, escreveu, em seu último livro. Bárbaros são os que negam a humanidade dos outros. Se temos medo dos bárbaros, nos arriscamos a nos tornarmos os bárbaros. Sua preocupação com a diversidade, com a aceitação e o respeito ao outro tem uma importância capital para os dias que correm.

Tzvetan Todorov foi um autor prolixo, morreu muito mais jovem que Zygmunt Bauman, mas nos legou também uma obra esplêndida. Seus livros passam pela literatura, pela crítica aos formalismos e por todas as questões contemporâneas relevantes que definirão os rumos que a humanidade tomará nas próximas décadas. Para ele é possível se comportar com dignidade moral, mesmo em situações extremas. Não deixou de apontar para os perigos desses tempos de ira e instabilidade crônica, mas procurou sempre mostrar a efetiva possibilidade da esperança.

A morte de um intelectual é uma interrupção dolorosa no fluxo de criação e pensamento. É uma perda. Não teremos mais as luzes de Todorov, nem a fluidez do pensamento de Bauman. A melhor forma de valorizar esse patrimônio de ideias que nos deixaram é refletir, criticamente por certo, sobre o que escreveram e disseram. Aceitar, sem transformar em dogma, discordar sem rejeitar ou desqualificar. Foi isso que fizeram toda a vida.

* Sérgio Abranches é cientista político, escritor e comentarista da CBN. É colaborador do blog com análises do cenário político internacional

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Em trânsito rumo a Berlim, recebo foto de A VERDADE É TEIMOSA, de Míriam Leitão, que a Intrínseca acaba de colocar nas livrarias do país todo. O amigo de décadas José Mário Pereira sempre me abastece de notícias, algumas que me dizem respeito diretamente, como esta, outras apenas de interesse intelectual. Todas informações valiosas.

José Mário elogia a edição do livro de Míriam e manda parabéns pela dedicatória: “para Luciana Villas-Boas sobretudo pela amizade”. Concordo que merecer essa dedicatória de Míriam é mesmo para parabéns. Tenho imenso orgulho dessa amizade.

Essa teia envolvendo José Mário _ que conheci numa mesa com Darcy Ribeiro, quando? 1985? 1986? _ e o livro da Míriam com a tocante dedicatória me pega desprevenida e emociona. Será que algo importa mais na vida do que esse constructo de relações cheias de afeto que atravessam décadas?

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Saiu no PublishersMarketplace a venda dos direitos de A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Martha Batalha, para a Bulgária. A editora se chama Colibri, um nome lindo para empreendimentos literários.

Bulgarian rights to Martha Batalha’s THE INVISIBLE LIFE OF EURIDICE GUSMAO, to Colibri, by Katalina Sabeva at Anthea Rights, on behalf of Villas-Boas & Moss Literary Agency.

O búlgaro será o 10º idioma de EURÍDICE se contarmos português de Portugal separadamente do original brasileiro, embora na verdade a editora Porto não tenha adaptado para seu mercado específico a linguagem de Martha, o que é uma distinção por lá. Não se inclui nessa contagem a edição da Companhia das Letras, que saiu no Brasil em maio.

Na verdade, os critérios para contar edições começam a ficar difíceis. Por exemplo, na França, acaba de ir para o mercado a edição de clube do livro, com 3.400 exemplares. Isso à parte da super edição da Denoel. Uma barbaridade.

Para a VBM, outro motivo de festa é que a venda búlgara consolida nossa parceria com uma agente muito legal, vibrante e apaixonada pela literatura brasileira, Katalina Sabeya, da Anthea Rights. Ela está investida da responsabilidade de levar muitos outros autores da VB&M para a Bulgária.

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Ficou pronto o catálogo da Books at Berlinale. Doze livros _ na nossa opinião quase todos fascinantes _, que serão apresentados a 126 produtores cinematográficos dos mais variados países, credenciados no programa organizado pelo festival de cinema de Berlim em parceria com a feira do livro de Frankfurt. Entre os 12, O REMANESCENTE, de Rafael Cardoso, que conta como romance a história real de Hugo Simon, banqueiro alemão, judeu e socialista, ministro das Finanças na República de Weimar, colecionador de arte e descobridor de gênios como Kokoschka e Munch, agricultor de preocupações ecológicas já nas décadas de 20 e 30, que morreu quase pobre no Brasil depois de trágica fuga da tirania nazista. Rafael é bisneto de Hugo Simon.

A ideia dos organizadores da Berlinale é aproximar o mundo da produção audiovisual ao pessoal do livro, que pode oferecer um manancial de belas histórias para o cinema. O grande evento de apresentação das obras é na terça-feira, 14 de fevereiro.

Luciana embarca para Berlim já nesta sexta a fim de participar de todas as reuniões preparatórias, mas também para usufruir do acesso livre à exibição de filmes e a instigantes mesas de debates, como as promovidas pelo Instituto Cervantes e a Conferência Cinematográfica Ibero-Americana de Berlim, inclusive uma em homenagem ao crítico brasileiro José Carlos Avellar, recentemente falecido.

Submetemos vários títulos de nossa lista a Books at Berlinale, foi selecionado O REMANESCENTE. Na rodada final da seleção, eram 130 candidatos para essas 12 vagas.

Luciana está nervosa pela responsabilidade de defender com competência a relevância de O REMANESCENTE como obra cinematográfica diante de tantos produtores de cinema de primeira linha, mas acredita que a força histórica e psicológica de Hugo Simon facilitará seu trabalho. VBM está orgulhosa de participar de Books at Berlinale, acompanhada de algumas da mais conceituadas editoras e agências literárias do mundo todo. Além de nós, pelo Brasil, agências da Alemanha, Bélgica, Grã-Bretanha e Finlândia; editoras alemã, finlandesa, duas francesas, uma holandesa e uma suíça.

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A Publishers Weekly, publicação que é referência no ambiente editorial dos Estados Unidos, fez uma lista de recomendações de livros infantis a partir das reedições que saíram nessa virada de ano. Dois livros da Triangle Square, o selo de infantis da Seven Stories, mereceram destaque.

A PW recomenda fortemente A IS FOR ACTIVIST, de Innosanto Nagara, um livro de alfabetização altamente politizado. Como os EUA nunca foram tão politizados como agora, vem a calhar.

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O outro é SUN MOON STAR, único livro infantil do clássico contemporâneo Kurt Vonnegut, um favorito da agência. O autor de MATADOURO 5 conta a história do nascimento de Cristo pelo olhos do próprio bebezinho Jesus. Comoventemente lindo.

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O grande autor português Helder Macedo lança seu novo livro em El Corte Inglés de Lisboa, ensaios sobre Camões e outros de seus mestres. O título é lindo: CAMÕES E OUTROS CONTEMPORÂNEOS. A editora, como sempre, é nossa querida Presença.
Dia 14. Bom programa para quem estiver passeando por Portugal. Além de coquetel e autógrafos, haverá a conferência de Helder, “Os Lusíadas: Portugal, Filho de Baco”.

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Entra no ar amanhã o blog semanal de Betty Milan, O ABC DA VIDA. Ela está compartilhando a seguinte apresentação:

O blog O ABC DA VIDA vida vai sair enfim. Foram dois anos para conceber  e viabilizar tecnicamente este blog que visa difundir os valores essenciais à vida. Nele,  eu focalizo os sentimentos e os comportamentos humanos. Por um lado, escrevendo sobre uma frase tirada de algum livro meu, como por exemplo, TENHO VOCAÇÃO PARA A TRISTEZA, MAS GOSTO DEMAIS DA ALEGRIA ou A PALAVRA É UM ABRA-TE SESAMO.

Por outro lado, escrevendo sobre uma experiência do cotidiano ou da arte, sintetizando-a em algumas linhas que configuram os nadinhas.

Trata-se de um blog semanal destinado aos que desejem refletir sobre a sua existência e mudar hábitos porque todos os hábitos são ruins, como dizia Clarice Lispector.

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O programa Allô Docteurs do canal France 5 fez uma seleção dos lançamentos literários do ano para sua seção de livros. Delícia de assistir, mas falam um francês rapidíssimo, entender tudo precisa de competente domínio da língua.

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Entre os poucos títulos escolhidos para comentários, figurou nosso querido LES MILLES TALENTS D’EURIDICE GUSMÃO. O resenhista disse que todas as mulheres deveriam ler o romance de Martha Batalha, no Brasil intitulado A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, “flamboyant” como o Brasil.