novembro 2016

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Míriam Leitão se diverte com Nelson Villas-Boas, que pediu a Luciana para ir ao lançamento de O ESTRANHO CASO DO SONO PERDIDO, na Livraria Travessa do Leblon, na tarde de domingo. “Ainda mais com o calorão que está fazendo na rua, é o melhor programa”, disse ele. “Encaro qualquer escada rolante de shopping para expressar minha admiração pelo trabalho infantil da Míriam”, completou.

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O grande cientista político e romancista Sergio Abranches, sempre no apoio a Miriam Leitão, recebeu Nelson com todo o respeito tratando-o como “o CEO da agência”. Com humildade, Nelson respondeu que é não mais do que gerente.

Realmente, estava um ambiente muito gostoso na Travessa, com a presença da editora de infanto-juvenil da Rocco, Ana Martins Bergen, contação de história para as crianças e a fila para os autógrafos sempre fluindo. Míriam assinou das três às sete da noite.

No sábado, o lançamento na Cultura de Brasília foi gostoso igual, com o diferencial para a autora da presença dos netos. Mariana, que inspirou O ESTRANHO CASO DO SONO PERDIDO, assinou os livros junto com a avó “workaholic” da história.

Um conto de Miguel Sanches Neto, “O outro lado de Kafka”, está no número da Revista de Divulgação Cultural que volta à cena depois de uma longa década em que a publicação foi interrompida. A revista, patrocinada pela Fundação Universidade Regional de Blumenau, existiu de 1977 a 2006.

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Retorna agora sob a batuta do escritor e professor Maicon Tenfen. Em formato grande, tipo “Piauí”, a RDC vai trazer um conto inédito de autor brasileiro em atividade a cada edição.

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Quando Maicon, autor do belo romance juvenil QUISSAMA, põe a mão em algum projeto, o resultado fica sempre excelente, tudo dá certo. Confiamos que ele conseguirá despir a revista, que é universitária, de todo ranço de linguagem acadêmica, aumentando sua circulação e impacto e contribuindo para a cultura desse Brasil decente que existe longe do eixo Rio-São Paulo e principalmente do covil brasiliense.

O Publishers Market Place anunciou ontem a venda que fizemos para Ana Paula Costa, na Bertrand Brasil, em nome da Seven Stories Press, do mais recente livro de Noam Chomsky, REQUIEM PARA O SONHO AMERICANO, considerado pelo próprio autor seu opus magnum.

Chomsky é um dos pensadores mais influentes da contemporaneidade e, pela primeira vez, dedica um livro inteiro, organicamente desenvolvido, não um conjunto de ensaios, ao tema da desigualdade de renda e riqueza. A franqueza sem precedentes com que expõe suas ideias políticas, a amplitude e profundidade de seu pensamento e o didatismo com que analisa questões as mais complexas são impressionantes. REQUIEM PARA O SONHO AMERICANO há de ficar para a posteridade como uma de suas contribuições mais importantes e seminais para o pensamento político.

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Baseado em quatro horas de entrevistas feitas pelos editores do livro com o autor, REQUIEM PARA O SONHO AMERICANO é um ensaio produzido junto com o documentário long-form homônimo, que vem angariando os mais entusiasmados aplausos nos mais diversos festivais e sempre que é exibido nas universidades americanas. O trailer do documentário, disponível no Netflix, está causando furor.

https://www.youtube.com/watch?v=zI_Ik7OppEI

A Seven Stories Press publicará o livro nos EUA em maio de 2017. Por aqui, a tradução será iniciada assim que for entregue o manuscrito final, prometido para muito breve. Por ora, sairá também na Itália, Espanha, Grécia, Croácia, Turquia, Japão e China. Mas a lista está crescendo! De nossa parte, fechada a negociação no Brasil, o foco agora é a terrinha.

A implacável e contundente denúncia do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero contra o desprezível comportamento do ministro Geddel Vieira Lima não foi suficiente para fazer o presidente Michel Temer tirá-lo do cargo. Pelo jeito, o que melhor ficará desse episódio será uma nova luz sobre a biografia do músico Renato Russo escrita por Carlos Marcelo, O FILHO DA REVOLUÇÃO, que ganhou espaço em matéria coordenada do noticiário de O Globo repercutindo mais esse capítulo de baixaria peemedebista.
A matéria ficou divertida porque os trechos da biografia abordando Geddel são divertidíssimos. A biografia é toda incrivelmente boa de ler e quanto mais divulgação, melhor.

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Renato Russo considerava o futuro ministro de Temer absolutamente “in-su-por-tá-vel”. Bloqueava sua entrada nos grupos de trabalho da escola.

Carlos Marcelo revela no livro, relançado em agosto pela Planeta, que o apelido de Geddel entre os colegas do Colégio Marista de Brasília era Suíno, um pateta gorducho que chegava para as aulas dirigindo um Opala na maior exibição, tirava péssimas notas, mas que já sabia então que seria político quando crescesse. Os brasileiros também sabem que a classe política brasileira só vem recrutando esse tipo de gente.

Na VB&M, não aprovamos usar outras espécies para agredir humanos repulsivos e de baixo nível. Não dá para chamar figuras como Dilma ou Geddel de vaca ou porco sem ofender profundamente esses animais, que, convenhamos, não merecem isso. Feita essa ressalva, Renato Russo era um gênio; além do talento musical, identificava de longe um chato oportunista, aproveitador e deslumbrado, do tipo que, adulto, será capaz de usar seu poder em cargo público para pressionar e obter vantagens privadas.

De resto, VB&M pergunta se além de manter Geddel no cargo o presidente Temer vai liberar o gabarito do edifício La Vue para agradar seu querido ministro, que comprou apartamento no 27º andar de um prédio em área autorizada a ter edificações de no máximo treze pisos, com a disposição de avacalhar de vez o centro histórico de Salvador para ter seu panorama oceânico. Caso positivo, podemos concluir que Geddel sabe muito mais a respeito de Temer do que sonha a nossa filosofia.

RR: O Brasil deveria ter levado em consideração até suas visões e ideias dos tempos de menino.

Carlos Marcelo: obrigada por essa biografia estupenda.

 

Pivô da demissão de Calero do MinC, Geddel era desafeto de Renato Russo no colégio
Passagem da biografia ‘O filho da revolução’ entrega desavença entre os dois

http://oglobo.globo.com/cultura/pivo-da-demissao-de-calero-do-minc-geddel-era-desafeto-de-renato-russo-no-colegio-20509509

 

 

 

 

Cory Silverberg, autor de SEX IS A FUNNY WORD: A BOOK ABOUT BODIES, FEELINGS AND YOU (“Sexo é uma palavra gozada: um livro sobre corpos, sentimentos e você) ganhou US$ 10.000 com o prêmio Norma Fleck, atribuído à melhor obra infantil de não-ficção segundo The Canadian Children’s Book Center (o Centro do Livro Infantil Canadense). Realmente o trabalho de Cory, publicado pelo Triangle Square, o selo para crianças e jovens da Seven Stories Press, é um primor de inteligência, generosidade afetiva e lucidez.

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Winners Announced for the
2016 Canadian Children’s Book Centre Awards

$145,000 in prize money awarded to Canadian children’s authors and illustrators

Sex Is a Funny Word: A Book About Bodies, Feelings, and You, written by Cory Silverberg and illustrated by Fiona Smyth, won the Norma Fleck Award for Canadian Children’s Non-Fiction ($10,000)

http://us8.campaign-archive1.com/?u=f4462418034e4d4e98484c8f0&id=f40dddccb8&e=91949da88c

O Brasil lidera em número de candidatos – nada menos que sete – concorrendo esta noite ao Emmy internacional, que premia produções para a TV feitas fora dos Estados Unidos. Mas nossa torcida vai para um filme alemão.

De todas as produções na competição, só assisti (no cinema, em festival nos EUA) a NUCKT UNTER WOLFEN, “Nu entre os lobos”, baseado no livro de Bruno Apitz e lançado originalmente nos anos 50. A super editora Márcia Batista, da Universo dos Livros, acaba de contratar esse clássico da literatura do Holocausto com a VB&M em nome da Aufbau, cliente da agência em Berlim, que vem conduzindo o relançamento da obra com enorme repercussão.

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Dramática é um adjetivo que não exprime a história, da qual Apitz ouviu falar durante sua estada em Buchenwald, já bem perto do fim da guerra, com as tropas aliadas se aproximando a cada dia. A burocracia do campo era controlada por prisioneiros comunistas, que preparavam uma rebelião de maneira a escapar da grande marcha forçada pelos nazistas. É contrabandeado para dentro do campo vindo na mala de um prisioneiro de Auschwitz um menino judeu de três anos. Denunciar sua presença significa condená-lo à morte inapelavelmente. Escondê-lo significa comprometer o êxito da rebelião comunista e portanto da sobrevivência de toda a população de Buchenwald.

NU ENTRE OS LOBOS foi publicado no Brasil no início dos anos 60. É mais do que hora de ser reapresentado a várias gerações. Fundamental. A versão cinematográfica é candidata ao Emmy nas categorias melhor filme e melhor ator (Florian Stetter).

NU ENTRE OS LOBOS o filme é tão bom quanto o livro e por tudo que foi exposto merece nossa torcida. Mas diga-se que dá satisfação ver o Brasil liderar com número de produções finalistas ao Emmy.

http://www.hollywoodreporter.com/news/international-emmy-awards-2016-nominations-932574

Chegaram à agência os exemplares de cortesia de TENTATIVAS DE FAZER ALGO DA VIDA, de Hendrik Groen, que acaba de sair pela Tusquest, selo literário da Planeta Brasil, a quem vendemos os direitos em nome de Marleen Seegers, da 2-Seas Agency. O livro é holandês, publicado originalmente pela Meulenhoff. Sucesso enorme na Europa, muitas centenas de milhares de exemplares vendidos só na Holanda, o livro está traduzido para praticamente todas as línguas do continente, a edição britânica tendo saído há um mês.

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O herói de TENTATIVAS DE FAZER ALGO DA VIDA é totalmente improvável: um velhote de 83 anos, Hendrik Groen, pois o verdadeiro autor da obra permanece no anonimato. A narrativa é seu diário em um asilo. Como diz o texto de contracapa, lança um olhar terno e hilariante sobre a terceira idade, mas também “um devastador retrato de uma parcela da população esquecida pela família e pela sociedade”.

Com o aumento da população idosa, a velhice virou o tema quente da literatura e do cinema contemporâneos. Por exemplo, Aquarius, um dos melhores filmes brasileiros de safra recente. Aqui da agência com a Editora Record e Carlos Andreazza, A MÃE ETERNA, de Betty Milan. Ou mesmo BOA-NOITE A TODOS, de Edney Silvestre, que aborda o Alzheimer numa mulher de idade nem tão avançada. Os exemplos são muitos, não dá para listar.

O jornal Washington Post publicou uma bela entrevista com Innosanto Nagara, o designer, ilustrador e autor de literatura infantil, cuja obra sai pela Seven Stories Press. Nagara, que nasceu na Indonésia, tem três livros na SSP, todos surpreendente bem sucedidos.

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O primeiro foi A IS FOR ACTIVIST, A de ativista, que dá uma noção do ABC para a turminha até três anos, assim como COUNTING ON COMMUNITY, contando a e com a comunidade, que ensina matemática. O primeiro já vendeu incríveis 50 mil exemplares para SSP, que o publicou depois de uma edição independente.

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Na entrevista para o Post, Nagara defende a importância de se falar de assuntos sérios e política com as crianças. Elas captam muito mais do que o adulto tende a crer.

https://www.washingtonpost.com/news/parenting/wp/2016/11/15/a-q-a-with-innosanto-nagara-author-of-social-change-books-for-kids/

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Sai notícia no Publishers Marketplace sobre a venda VB&M de LES VIRTUES DE L’ ÉCHEC (As virtudes do fracasso) e LA JOIE (A alegria), de Charles Pépin, em nome da 2-Seas Agency e da editora francesa Allary, para a Estação Liberdade, de Angel Bonjadsen. O primeiro livro é um ensaio que faz a crítica da ideologia do sucesso, que nos diminui e oprime na contemporaneidade; o segundo, um romance filosófico.

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Principalmente o primeiro livro, recém publicado na França, é um sucesso com mais de 20 mil exemplares vendidos. Pudera. A leitura vem a calhar numa época extremamente desconfortável para a maioria das pessoas, principalmente os jovens, que vêem todas as portas fechadas mas sofrem uma cobrança desmedida sobre realização e carreira.

Portuguese Brazilian rights in Charles Pepin’s JOY and the nonfiction THE VIRTUES OF FAILURE, to Estacao Liberdade, at auction, in a two-book deal, by the Villas-Boas & Moss Literary Agency in association with Marleen Seegers at 2 Seas Agency on behalf of Allary Editions. Rights previously for THE VIRTUES OF FAILURE to Hanser in Germany, Garzanti in Italy and Niculescu in Romania.

O Publishers MarketPlace noticiou esta semana a venda de MERCADORES DE GENTE, último livro de Loretta Napolioni, para a Ítaca, em Portugal. Isabel Castro e Silva, que fundou a editora e cuida sozinha da bela lista que vem construindo, já publicou A FÊNIX ISLAMISTA, livro anterior de Loretta, com grande sucesso na terrinha. Além de excelente literatura adulta e livros infantis de altíssima qualidade, ela vem focando em obras que questionem e dialoguem com a atual e ainda seríssima crise dos refugiados que vive a Europa.

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Em Berlim, de onde escrevo, tenho acompanhado de perto o desenrolar da situação. E é triste. Além do drama inicial da fuga, da perigosa travessia para a Europa e dos imensos obstáculos enfrentados na chegada, há um momento posterior de adaptação a um novo país, uma nova cultura, uma nova língua, combinados a uma espera longa, dura, e a uma esperança profunda de que a vida volte a andar no trilho, qualquer que seja ele. Esse pensamento me assalta por aqui a toda hora, nessa cidade à parte da Alemanha, habitada por estrangeiros de dentro e fora do país que é a capital alemã, e me põe a refletir sobre a importância de se pensar e falar sobre o assunto. Em tempos sombrios como os que vivemos, em que a intolerância parece se disseminar como praga, precisamos pensar sobre o outro. Sobre nós e sobre os outros. Tirar os olhos de nossos próprios umbigos e nos colocar no lugar do outro. O egoísmo e o desrespeito humanos são estarrecedores…

E é por isso que livros como os de Loretta Napolioni são importantes. Com linguagem acessível, ambos A FÊNIX ISLÂMICA/ISLAMISTA e MERCADORES DE GENTE dão ao leitor um panorama didático sobre a profunda crise humana que vivemos. Porque muito além de europeia, a crise dos refugiados é sintoma de uma doença da espécie, que vemos em metástase por todo o planeta. Enquanto A FÊNIX ISLÂMICA/ISLAMISTA dá o beabá do surgimento do Estado Islâmico, MERCADORES DE GENTE relata a cruel realidade da bilionária indústria do sequestro e tráfico de pessoas desenvolvida e explorada por grupos europeus em parceria a jihadistas no Oriente Médio.

No Brasil, MERCADORES DE GENTE está chegando às livrarias pelas mãos de Ana Paula Costa, na Bertrand, editora responsável também pela edição brasileira da FÊNIX. Recebemos as provas de capa e miolo recentemente e podemos garantir que o trabalho está impecável.

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Cumprida a missão da venda, ficamos na expectativa dos lançamentos. Que os livros tão cuidadosamente trabalhados possam chegar a seus leitores e neles despertar as reflexões e questionamentos que nos suscitaram. Afinal, essa é, também, mais uma das funções da literatura lato sensu.