setembro 2016

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PublishersMarketplace noticiou a venda VB&M, em nome da editora Houghton Mifflin Harcourt, do novo livro do autor best-seller Timothy Ferriss, TOOLS OF TITANS (As ferramentas dos titãs), para Lucas Telles, na Intrínseca. A negociação ocupou a agência na primeira metade de setembro.

Quatro editoras desde logo manifestaram interesse na obra, até antes de HMH anunciar a propriedade publicamente, duas disputaram o livro até o final, com ótimas apostas e compromisso com marketing de lançamento altamente profissional. Queremos crer que, ao longo de um mês agitado e promissor como não víamos desde maio de 2015, o leilão pelo livro de Ferriss aponte uma retomada do setor editorial, talvez ainda cautelosa, mas certamente refletindo um astral mais positivo, a confiança de que o Brasil vai melhorar a partir de 2017. Há muito tempo não vivíamos a excitação de um leilão na faixa dos cinco dígitos, muito menos em dólares…

É verdade que não se trata de qualquer aposta no escuro. Tim Ferriss é considerado um dos profissionais mais inovadores no mundo dos negócios, e seus dois livros publicados no Brasil, por diferentes editoras, são um imenso sucesso, altamente vendedores: TRABALHE 4 HORAS POR SEMANA e 4 HORAS PARA SEU CORPO, este, já da Intrínseca, que sempre sabe o tamanho de suas investidas.

TOOLS OF TITANS é resultado das entrevistas feitas por Ferriss para seu podcast, um dos mais populares do mundo, com mais de 100 milhões de downloads. No Tim Ferriss Show, ele entrevista gente que tem alto desempenho em qualquer campo – atletas, estrategistas militares, enxadristas campeões, artistas de todas as áreas – visando a descobrir seus métodos para dar certo e vencer. Para o livro, ele tratou de experimentar em sua própria vida as centenas de dicas, adaptou tudo, viu o que funciona mais e menos e está tratando de passar o conjunto para texto, que em breve será entregue na íntegra.

Entre os entrevistados, tem Jamie Foxx, Edward Norton, general Stanley McChrystal, montes de pessoas de sucesso. Mas quem mais serve de exemplo para a gente é o próprio Ferriss. Aos 39 anos, ele é bilionário, investidor anjo de várias start-ups que se tornaram mega, como Ali Baba e outras, está na maior forma, é um charme só.

INTERNATIONAL

Non-fiction
Brazilian rights to Timothy Ferriss’s TOOLS OF TITANS, to
Lucas Telles atIntrinseca, in a very nice deal, by Anna Luiza Cardoso and Luciana Villas-Boasat Villas-Boas & Moss Literary Agency, on behalf of Debbie Engel, at Houghton Mifflin Harcourt.

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A São Paulo Review of Books traz perfil de Marco Lucchesi assinado por ele próprio. Lindo de chorar. Sua relação com os mares e as bibliotecas; com a música e a poesia; com os idiomas, que ampliou para todos os continentes a partir de seu bilinguismo de nascença; com a cidade de Niterói, que vive dentro do escritor. Parabéns à SPR pela contribuição.

Ficou simplesmente divina a edição da Seguinte/Companhia das Letras para uma antologia de contos folclóricos do mundo todo com grandes personagens femininas e lindas heroínas, cujos direitos representamos no Brasil e em Portugal em nome da Feminist Press, de Nova York. O título original do livro é TATTERHOOD; o da Seguinte, muito bem sacado, CHAPEUZINHO ESFARRAPADO E OUTROS CONTOS FEMINISTAS DO FOLCLORE MUNDIAL. Está indo para as livrarias nas próximas semanas.

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Ethel Johson Phelps pesquisou, coletou e organizou a antologia. Tem histórias antiquíssimas e quase esquecidas, mas também outras que ainda são contadas nas famílias, como “Três mulheres fortes”, um clássico japonês. Tem folclore de várias regiões da Grã-Bretanha; da Noruega; do sul da África, do Sudão, da Costa do Marfim; do Punjab, no Paquistão; dos índios norte-americanos; de todo lugar. Para nós, foi uma surpresa descobrir que no mundo todo existe esse folclore de caráter feminista, que, no entanto, termina subjugado pelas histórias dos grandes príncipes valentes.

CHAPEUZINHO ESFARRAPADO tem que virar leitura adotada nas as escolas. Sugerimos fortemente que pais de meninas deem esse livro de presente no Dia da Criança, e não importa muito a idade da filha. Até se já for adulta!

Diga-se que a introdução do volume da Seguinte é assinada pela queridinha dos jovens leitores, Gayle Forman. As ilustrações de Bárbara Malagoli são de extasiar. A tradução de Julia Romeu, perfeita. Meninas e meninos modernos e antenados vão amar esse livro de folclore revolucionário.

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Rejane Dias dos Santos e Silvia Masini, da Autêntica, investiram na edição de A GAROTA NO GELO, de Robert Bryndza, que está indo agora para as livrarias pelo selo Gutenberg. A capa ficou lindíssima. O livro de Bryndza é daquelas narrativas de mistério inglesas, que não conseguimos largar até chegar ao final. E, quando chegamos ao fim, ficamos com gosto de quero mais.

Por isso, a segunda notícia boa sobre Bryndza no Brasil é que Rejane e Silvia já contrataram os dois livros seguintes a A GAROTA NO GELO, estrelando a detetive Erika Fosters: THE NIGHT STALKER (O perseguidor noturno) e DARK WATERS (Águas escuras). Na Grã-Bretanha, nos EUA e na Europa, Bryndza já é um sucesso fenomenal, número 1 e 2 de vendas na Amazon americana e britânica, 500 mil exemplares vendidos na terra do Brexit.

http://grupoautentica.com.br/gutenberg/livros/a-garota-no-gelo/1400

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A apresentação da banda alemã Rammstein em São Paulo, no feriado de 7 de setembro, deu direito a longo ensaio de Marcelo Backes na Folha de hoje sobre a poesia de Till Lindemann, vocalista e mentor do grupo. Ninguém melhor que Marcelo para discorrer sobre a produção de Lindemann, que com sua banda é personagem do romance A CASA CAI.

A poesia de Lindemann, por sua vez, é publicada pela Kiwi, editora alemã também cliente da VB&M no Brasil.

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2016/09/1809713-um-poeta-no-acougue-romantico-do-mundo-contemporaneo.shtml

Que Edney Silvestre é um grande autor, não há dúvidas. Mas o que a belíssima resenha de Daniel Moutinho Souza, mestre em Literatura Comparada pela UFRJ, sobre BOA NOITE A TODOS deixa muito claro é a excelência de uma produção literária simples, no sentido de ser boa de ler, e ao mesmo tempo exímia em sua construção e versatilidade. Com uma obra que a cada ano se torna mais robusta, Edney tem grandes chances de ser alçado ao panteão da crítica universitária. E não sou eu que estou dizendo…

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RESENHA DO LIVRO BOA NOITE A TODOS,

de Daniel Moutinho Souza, Mestre em Literatura Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro

O quarto livro de ficção de Edney Silvestre, Boa noite a todos (2014), confirma o autor como exímio criador e desenvolvedor de personagens e sua versatilidade no emprego de técnicas narrativas.

O romance de estreia de Silvestre, Se eu fechar os olhos agora (2009), era um thriller meio aventura, meio policial, em que dois meninos investigavam um assassinato na cidade em que viviam no interior do estado do Rio de Janeiro. Tendo como ponto de partida o dia em que o cosmonauta soviético Yuri Gagarin foi ao espaço, o tema central era a perda da inocência num momento símbolo da história da humanidade. No livro seguinte, A felicidade é fácil (2011), o fundo político emoldurava a ação – neste caso, as negociatas de agências de publicidade no financiamento de campanhas eleitorais na Era Collor. O sequestro por engano de uma criança era apenas pretexto para um projeto literário mais ousado: o crime é narrado de diversos pontos de vista, cada qual iluminando um personagem ou conjunto de personagens que se formam vivamente na imaginação do leitor. O terceiro romance, Vidas provisórias (2013), mais uma vez inovava na abordagem da ação. O enredo retoma um personagem de cada um dos livros anteriores, os quais têm em comum a experiência do exílio: Paulo, um dos protagonistas de Se eu fechar os Olhos agora, e Bárbara, coadjuvante em A felicidade é fácil. Suas histórias são continuadas em capítulos alternados, até um encontro surpreendente na sequência final, que então integra os universos das primeiras obras em um só.

Boa noite a todos é um passo à frente nessa trajetória em todos os aspectos: narrativo, linguístico, estrutural. Ele começa como uma novela, com apenas uma personagem: Maggie, que, após uma vida de intensa atividade social, casamentos com três homens de nacionalidades diferentes, se vê envelhecida, empobrecida, abandonada, e entra num hotel de luxo carioca disposta a suicidar-se. A narração se dá com interrupções do fluxo de memória da personagem, em discurso indireto livre. Porém, devido a uma sequência de derrames cerebrais sofridos por Maggie, as lembranças se confundem, são incoerentes e incompletas, dando à novela o tom angustiado de quem tenta organizar os pensamentos, reconstituir sem sucesso sua própria biografia:

Diga que está bem, que o tempo está ótimo, que a temporada na Côte está mais febricitante do que nunca, diga que Monte Carlo ferve com o beautiful people de toda a Europa, diga, escreva, bastam duas linhas ou três, conte que havia muito tempo que Courchevel não via tanta gente linda e interessante e que… Courchevel? Côte d’Azur? Ninguém mais vai a esses lugares. Que coisa mais démodé. Tanto quanto a própria palavra démodé. Você não vai mais, Maggie. Porque não pode. Não tem como.
(SILVESTRE, 2014, p.11)

Em recordações que vão e voltam, incertas como se levadas pelas ondas do mar, conhecemos os maridos dela: o “dourado” Harry, seu grande amor, herdeiro de uma rede de lojas nos Estados Unidos, que a trocou por um rapaz; Henri, diretor de filmes western baratos, ruins e muito lucrativos na Europa; e PR, brasileiro arrivista cujos hábitos Maggie refinou e que terminou por lhe extrair a maior parte dos bens e o que lhe restava de autoestima.

A narrativa caótica de Maggie, conduzida discretamente – mas com firmeza – por um narrador em terceira pessoa, é recheada de citações a árias, filmes, canções populares e celebridades da segunda metade do século XX, principalmente Jackie Kennedy, com quem Maggie teria semelhanças físicas e de estilo. A maioria dessas imagens tematiza a proximidade da morte, como a referência constante a Beim Schlafenghen, poema de Hermann Hesse, musicado por Richard Strauss, e a presença de livros das poetisas suicidas Sylvia Plath e Florbela Espanca na mala da protagonista.

Trata-se de um verdadeiro quebra-cabeças: quanto mais perto do fim, mais nitidez adquire o desenho formado. À medida que o leitor (re)constrói os fragmentos da personagem, o suicídio de Maggie torna-se não apenas inevitável, como desejável, uma libertação para uma vida que conheceu grandes momentos, frequentou a alta sociedade e se encontra sem rumo e sem esperanças. Um retrato de uma aristocracia decadente moral e economicamente, como no Leite derramado de Chico Buarque, mas com resultado ainda mais contundente.

Ao final, Edney Silvestre explica, em ligeiro ensaio sobre “A construção dupla” de seu livro, que “antes mesmo de se completar como prosa, Boa noite a todos começou também a brotar como texto teatral” (Ibid., p.179). Com efeito, é difícil ler a novela e não a imaginar como um monólogo teatral: um único cenário e uma única personagem, cujo discurso se desenrola aos olhos do leitor. Apesar disso, Silvestre conta que não pensou no texto “como monólogo, mas, sim, como uma peça de uma única personagem” (Ibid., p.179); por outro lado, não explica o que considera como a diferença entre eles.

O autor demonstra versatilidade em um terreno no qual ainda não se aventurara: o drama. Repórter de televisão experiente, Edney Silvestre está ciente dos diferentes tratamentos à linguagem escrita e a que visa à oralidade. “A peça originada da novela, que acabou por levar a transformações do texto em prosa”, oferece um interessante complemento à novela. Por exemplo, a canção Beim Schlafenghen, que pontua a narração, intensifica o potencial dramático da despedida de Maggie ao funcionar como trilha sonora. Apesar da inevitável redundância entre os dois textos – em prosa e dramático –, Silvestre alcança um resultado original e interessante, assim como a criação do discurso errático de Maggie.

A “construção dupla” de Boa noite a todos é, na verdade, tripla: novela, peça em um ato e o ensaio que o encerra e explica a estratégia de composição da obra. Ele reflete sobre diferenças entre os textos em prosa e dramático contextualizando algumas referências intertextuais da novela. Apesar de pouco profundo, é um acréscimo interessante, na medida em que permite que o leitor desbrave o propósito do autor, como um making-of.

Em vista disso, apenas seria dispensável, nas páginas finais do volume, o “mosaico de Maggie”, seção que volta a explorar diversas referências culturais e intertextuais presentes ao longo do texto. Uma narração em forma de quebra-cabeças, caracterizada por idas e vindas de uma mente debilitada e caótica, poderia deixar essa tarefa a cargo do leitor, como peças adicionais do jogo. Mas não é nada que ameace os méritos da obra, em especial o de lançar um olhar generoso e piedoso sobre uma personalidade destroçada, abstendo-se de julgá-la quando opta por interromper sua história.

Como retrato da decadência econômica e moral de uma pretensa aristocracia carioca, a obra de Silvestre alcança momentos de excelência. Boa noite a todos, em suma, torna mais próximo o momento em que a crítica universitária se verá diante da obra de Edney Silvestre.
Dados da obra resenhada: SILVESTRE, Edney. Se eu fechar os olhos agora. Rio
de Janeiro: Record, 2009.

http://www.revlet.com.br/artigos/326.pdf

A crônica de sábado de Míriam Leitão no blog do Matheus foi sobre a estranha temporalidade que estamos atravessando nesta época de crise política. Passado, presente e futuro se misturam atando-nos, imobilizando-nos. São “dias espessos”, como diz Míriam em um texto muito mais literário/existencial do que jornalístico/analítico.

 Dias espessos
* Por Miriam Leitão

Acordei neste sábado, como se parte de mim tivesse ficado presa nos dias anteriores. Como se, por alguma mutação da matéria, a velocidade da viagem no tempo fosse diferente para cada pedaço do meu corpo. Na semana, a intensidade dos eventos foi tal que os dias estavam sempre adiante de mim. A quarta feira começou e eu ainda estava na terça, tentava entender a quarta e já era quinta. Pegava o tempo com a mão e ele escorria pelos dedos. Nada o detinha: intrépido, fugaz, enganoso.

Na vertigem me perco e desentendo a vida. Passado e presente se fundiram em certo momento da semana. Fui levada a revisitar fatos remotos e as emoções se embolaram. Foi um acaso esse reencontro, mas ocorreu exatamente um dia depois que o presente havia exigido de mim a atenção máxima. Era conduzida nesse retorno a dias longínquos, sem sequer compreender os acontecimentos da véspera.

Foi quando o futuro apareceu com a mesma intensidade dos outros tempos e quis também ser previsto e descortinado. Como pedir isso de quem estava perdida no presente e emaranhada no passado? O tempo montou uma armadilha em três dimensões e tive que trafegar insone por todas as vidas vividas e por viver, as que poderiam ter sido, as que já se negam antes de ser, as que perdi e as que vislumbro no nevoeiro que me cerca. O futuro pode ser bom, concluí. Cheguei a vê-lo da forma que sonhei. Foi um visão rápida e vaga, nada mais, mas o suficiente para ter alguma esperança. Para esperá-lo com calma, contudo, será incontornável curar fraturas recentes e entender as marcas mais antigas.

Com esse sentimento partido, amanheci nesse sábado precisando recolher as partes de mim que ficaram presas em outras eras. Abri os olhos sabendo que teria que acalmar águas revoltas, escapar de um redemoinho, fechar as janelas e, assim, conter a forte ventania que tirara tudo do lugar.

A semana foi espessa, compacta, tornando difícil passar pelos dias como normalmente. Tentava vencer o dia e era vencida. Tentara conter as horas e elas escapavam. Extenuada, aguardava a noite, mas ela se encolhia amedrontada e tensa. O novo dia começava antes que a véspera tivesse abandonado a cena. Assim vivi estes estranhos dias superpostos, com a sensação de que era preciso procurar por algo perdido em alguma dobra do tempo. E, mesmo que me desdobrasse, chegaria tarde, porque era sempre tarde demais.

O sábado pode ser de descanso. Merecido. Mas é difícil silenciar os ruídos que ainda ecoam de todos os lados, como naqueles lugares em que a acústica nos devolve o som já emitido. A vida fica sendo côncava. O que foi, volta, o que é, escorre para longe.

O sábado permite entender as emoções, organizá-las para serem arquivadas, limpar a confusão que ficou do vendaval que passou por aqui. Tentarei arrumar a desordem e separar o que ficou misturado. Antes precisarei de um tempo no absoluto nada.

Para que o sol, que anda tímido e sumido, deite sobre a paisagem seus esclarecimentos é preciso que a semana aceite, resignada, o seu fim, que silencie o ronco de ruidosos acontecimentos, que seja informada que agora é parte do passado, porque a vida tem que fluir. Só assim eu poderei recolher, neste sábado, as partes esparsas de mim.

http://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/dias-espessos.html

Nossa cliente Seven Stories Press está radiante com a classificação de THE CASTLE CROSS THE MAGNET CARTER, de Kia Corthron, entre os sete finalistas (a “short list”) do Prêmio para Primeiro Romance patrocinado pelo Center for Fiction, uma organização criada em 1820 com o nome de Mercantile Library. O romance de Corthron é magnífico, contando a segunda metade do século 20 nos Estados Unidos a partir da trajetória de dois pares de irmãos, um nascido sob a égide da Klu Klux Klan, o outro tendo como referência o movimento dos direitos civis e a memória familiar de uma avó linchada.

Bastante longo, talvez por isso ainda não tenhamos encontrado o editor brasileiro de THE CASTLE CROSS THE MAGNET CARTER. Que venha o prêmio, há contribuir para a necessária publicação no Brasil. Necessária pela contundência política e existencial da narrativa.

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A saber, o Center for Fiction da Mercantile Library é simplesmente o máximo. Há quase 200 anos é a única organização nos EUA dedicada exclusivamente à promoção da… ficção. O objetivo explícito é encorajar as pessoas a lerem e valorizarem a ficção, apoiando sua criação e fruição. Tem uma biblioteca e uma sala de leitura maravilhosas, além de dezenas e dezenas de programas, cursos, palestras com os autores e esse prêmio, que dá US$ 10 mil ao primeiro lugar e US$ 1.000 a cada um dos sete finalistas.

Só para terminar, o desafio: adivinhem quem criou a Mercantile Library? A pista está no nome, e adiantamos que não foi o Estado. Sim, foram os comerciantes da cidade de Nova York, que em 1820 demonstraram esse tipo de sensibilidade. Não há de ser nada. Talvez com uns 250 anos de atraso em relação aos EUA, chegaremos lá e teremos o nosso Center for Fiction.

http://centerforfiction.org/awards/the-first-novel-prize/2016-first-novel-prize-short-list/

O maior e mais prestigioso jornal italiano, La Repubblica, publicou uma nota crítica muito legal sobre A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Martha Batalha. Na Itália, a Feltrinelli alterou o título para EURÍDICE GUSMÃO QUE SONHAVA A REVOLUÇÃO – que obviamente não funcionaria no Brasil a começar pela rima, mas que no italiano ficou ótimo.

A resenhista realçou a leveza e a ironia da linguagem de Martha contra o pano de fundo de profundas transformações sociais no Rio de Janeiro entre as décadas de 20 e 60 do século passado. “Um Rio muito diferente daquele das Olimpíadas”, ainda uma metrópole em formação.

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Estamos felizes porque JOGUE A SEU FAVOR, de César Souza, sai ainda este ano, para o Natal, pelas mãos de Sílvia Leitão, da Best Business (Grupo Record). O livro é mágico: desamarra os nós psicológicos de quem sonha abrir a própria empresa mas pensa que não sabe por onde começar. Considerando a esmagadora taxa de desemprego no Brasil de hoje, um texto fundamental, muito útil para todos, oferecendo o passo-a-passo da sobrevivência.

Abrir uma empresa é um desafio para todo mundo, mas muitos da geração milênio já entram no mercado com clareza sobre a inexistência do emprego seguro e a compreensão de que terão que ser os artífices da própria posição profissional. O desafio é maior para quem tem mais de 30 e poucos anos, foi empregado um dia e acostumou-se com aquela entrada certa do salário no fim do mês, ainda que sua produtividade não tivesse desempenho excelente numa semana ou outra.

Falo por experiência própria. Fui assalariada por 30 anos a fio sem ter de enfrentar – muita sorte – nenhum período desempregada. Em 2012, abri a agência literária VBM. Está dando certo, mas mudar a atitude mental de assalariada para empresária foi o maior obstáculo. JOGUE A SEU FAVOR cuida dessa síndrome e mais, mostrando como se faz um plano de negócios e se define e estrutura uma pequena empresa.

Para completar a manhã de boas notícias em torno do César, soubemos que a segunda edição Best Business de seu clássico VOCÊ É DO TAMANHO DE SEUS SONHOS está pronta e chegando às livrarias. O livro, que vinha com longa trajetória de muitas centenas de milhares de exemplares vendidos pelas editoras Gente e Agir, saiu pela BB em junho apoiando CLIENTIVIDADE, este sim lançamento, outro livro fundamental mas mais voltado para empresários e gerentes, para quem está empregado e já tem seus clientes.

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Sílvia Leitão e Bruno Zolotar haviam contratado toda a obra livre de César Souza para a Best Business no fim de 2015. Pois a primeira edição BB de SONHOS já foi. Parabéns ao autor e à editora. No início de 2017, sairá a reedição de VOCÊ MERECE UMA SEGUNDA CHANCE, narrativa que também toca em um sentimento profundo no coração do brasileiro. Até aqueles que por ventura sintam não precisar de uma segunda chance neste momento acreditam que o Brasil a merece desesperadamente.