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A escritora e jornalista Valeria Parrella, muito famosa e respeitada na Itália, com obra vasta já publicada, tem coluna literária na revista feminina Grazia e abriu espaço para A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, de Martha Batalha. Ela diz lindamente que “os leitores que amam a literatura sul-americana reconhecerão um rumor de fundo ao qual convencionamos chamar ‘realismo mágico’”.

Não é a primeira vez que a crítica italiana fala de realismo mágico em relação a Martha Batalha e EURÍDICE. Curioso, porque no Brasil não vemos realismo mágico na narrativa de Martha. Ela não busca dar verossimilhança ao fantástico. Somente usa humor e ironia para realçar a estranheza de aspectos de um cotidiano, que nós, brasileiros, sabemos ser perfeitamente reais e comuns.

Um leitor italiano de A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO, amigo da agência, Giovanni Cannistrà, celebrou o retorno de Jorge Amado em linguagem feminina e feminista, mas com um humor que faltava à literatura brasileira contemporânea, seguida por ele desde a Sicília, onde vive, depois de ter morado no Brasil por várias décadas. Jorge Amado não é nem nunca foi visto como um nome do realismo mágico brasileiro.

Não como José J. Veiga, querido cliente da agência por intermédio de Gabriel Martins, herdeiro e proprietário da obra, ou como Murilo Rubião, dois imensos autores hoje no acervo da Companhia das Letras. (Aliás, três, quatro autores, Jorge Amado e Martha, todos de quem estamos falando são Companhia.)

De fato, para mim (LVB), a construção das frases de Martha ecoa mais García Márquez do que Jorge Amado. Creio que a influência do mestre colombiano do realismo fantástico foi mais forte sobre ela do que as histórias de Gabriela, Dona Flor e Tieta. Vejam só o primeiro parágrafo de A VIDA INVISÍVEL DE EURÍDICE GUSMÃO. Mas Martha é de fato engraçada como Jorge e não temos dúvida de que sua capacidade de ridicularizar o machismo configure o principal fator para o deslumbramento dos europeus com EURÍDICE. Aguardem e apostem: a acolhida dos franceses a EURÍDICE será ainda mais apaixonada do que a dos italianos e portugueses.

Quando Eurídice Gusmão se casou com Antenor Campelo as saudades que sentia da irmã já tinham se dissipado. Ela já era capaz de manter o sorriso quando ouvia algo engraçado, e podia ler duas páginas de um livro sem levantar a cabeça para pensar onde Guida estaria, naquele momento. É verdade que continuava a busca, conferindo nas ruas os rostos femininos, e uma vez teve a certeza de ter visto Guida num bonde rumo a Vila Isabel. Depois esta certeza passou, como todas as outras que teve até então.

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