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O editor Sérgio Machado, falecido na quarta-feira, 20 de julho, uma vez compartilhou comigo seu divertido critério no processo de tomada de decisões. Ele pensava sempre como constaria em seu obituário a ação a ser decidida. Se houvesse risco de figurar de maneira negativa, passava a tema fora de questão. Se não fosse algo a constar do obituário, não merecia seu tempo de reflexão. Mas se, ao contrário, fosse algo que afetaria positivamente o texto sobre sua vida, então mãos à obra.

Trabalhei com Sérgio durante 17 anos, sua principal executiva dentro do Grupo Record no posto de diretora editorial. Naturalmente, ontem, alguns jornalistas me pediram declarações sobre ele. Tentei realçar aspectos de sua trajetória que o próprio Sérgio gostaria de ver em destaque no obituário.

Primeiro, o fato de que mais que triplicou a Record em relação à empresa recebida de herança do pai, Alfredo Machado, pelos três irmãos _ Sérgio, Sônia e Alfredinho. Narcisista assumido após curto período de psicanálise no final dos anos 90 (narcisista dos bons, dos que realizam), ele encarava o desafio de deixar uma obra igual ou superior à do velho Alfredo, um modernizador da indústria e do mercado editorial brasileiros. Tinha pavor da figura do herdeiro sanguessuga, que dissipa a fortuna recebida, e se entregou ao trabalho de engrandecer a Record, corrigindo desvios de rumo dos quais uma editora _ devendo atravessar ao longo de sete décadas várias moedas nacionais e períodos de inflação de até 500% ao ano _ fatalmente não poderia escapar.

Como traço da personalidade, destaquei nas entrevistas a generosidade do Sérgio com o próprio conhecimento. Compartilhava sua experiência não só com discípulos eleitos como eu, ou mais recentemente o editor Carlos Andreazza, mas com toda a equipe. Gostava de ensinar, todo mundo aprendia com ele, que não escondia o pulo do gato.

Sérgio tinha um temperamento forte, e o meu também às vezes é explosivo. Tivemos brigas medonhas, mas a simbiose foi intensa. Tanta e, sem consciência de minha parte, tão visível ao olho externo, que ontem me surpreendi com a quantidade de mensagens de autores da Record e da VB&M e também de colegas do exterior que me escreveram notas de pêsames.

Chico Azevedo mandou email lindo falando do respeito que tinha pelo Sérgio, do orgulho de pertencer à Record, do trabalho “excepcional” que fizemos juntos e do mundo de lembranças boas e difíceis que deveriam estar passando por minha cabeça, uma história de “disposição e garra”. Ao voltar do velório, Míriam Leitão enviou mensagem recordando um almoço nós três que, para ela, foi o momento de deslanche de sua carreira literária.

Muita gente expressou a ideia de fim de uma era. Nossa amiga britânica Jessica Buckman, a agente mais linda e doce do mercado internacional, escreveu que sabia que já havia anos Sérgio e eu termináramos a colaboração profissional, mas foi tanto tempo juntos e formávamos uma equipe tão legal _ “you were such a good team” _ que “(a morte dele) deveria ser terrivelmente triste” para mim; “o fim de uma era”. Super carinhoso Rafael Cardoso imaginou que eu estivesse abalada e mandou um abraço: “é toda uma época que passou.” Muitos emails e muito nó na garganta.

Ao longo do dia e hoje ainda, conversei por telefone ou eletronicamente com as scouts Agnes Krupp, Louise Allen-Jones, Lucy Abrahams, que trabalham ou trabalharam para a Record. (Scouts são as olheiras que reportam para os editores clientes os originais com potencial que estão entrando no mercado em cada um de seus territórios.) Agnes quer organizar um serviço ecumênico no Frankfurterhof, durante a feira de Frankfurt, para dar oportunidade aos colegas americanos e europeus de também fazerem seu luto pela morte do Sérgio.

Acredito, porém, que o fim daquela era a que as pessoas se referem já havia se dado há mais de quatro anos, quando saí da Record para fundar a VB&M. A saída não foi fácil, não estava nos planos do Sérgio, e ele não gostava de ser surpreendido, mas depois a ferida fechou. Nos encontramos algumas vezes, tudo certo, uma relação então mais distante, mas pacificada. Como agente, com o Grupo Record e toda a equipe tão maravilhosa de lá, a relação continou densamente afetiva, pois em determinado momento chegamos mesmo a formar uma família _ os Machado, eu, o editorial, a contabilidade, o pessoal de vendas; um laço nos unia a todos.

A hospitalização do Sérgio, da qual tive notícia somente em março, e as notícias sobre sua condição de saúde reacenderam em mim a noção de quanto eu o admirava e lhe queria bem. Pensava nele todos os dias. Sonhei uma noite que o apresentava a meus pais (já falecidos) e eles o acolhiam e abraçavam. Acordei perturbadíssima tentando entender o significado do sonho.

Sua morte e as mensagens que recebi foram o que me fez refletir sobre a dupla que chegamos a compor, algo que realmente existiu, funcionou, teve consequências, sem que eu definisse o que era aquilo enquanto o vivia e sem lhe haver atribuído o devido valor. Éramos parecidos em muitos aspectos e creio que simplesmente tentávamos fazer a coisa certa _ empresarialmente, culturalmente, pessoalmente. A cada momento, mas sem maiores reflexões.

Eu gostava mais de livro do que ele, Sérgio media o sucesso das coisas mais monetariamente, mas ambos adorávamos o jogo editorial. Obviamente, eu não tinha prazer algum em dar prejuízo à Record, também queria livros que vendessem e uma editora líquida financeiramente, ao mesmo tempo em que tentava embicar a casa como vanguarda de tendências culturais e de gostos literários. Ele apreciava como eu as apostas inusitadas e confiava no meu taco.

Juntos, transformamos a Record numa verdadeira indústria de novos talentos brasileiros _ Alberto Mussa, Edney Silvestre, Francisco Azevedo, Luize Valente, Miguel Sanches Neto, Rafael Cardoso, Ronaldo Wrobel, me desculpem todos os outros cujos nomes tenho que omitir porque senão a lista fica longa demais; só dá para entrar os que primeiro me vêm à mente. Ao mesmo tempo em que buscávamos os novos, tentávamos conferir devida glória a imensos escritores até então patinando sem o reconhecimento merecido, como Cristóvão Tezza, Manoel de Barros, Lya Luft, Betty Milan e, em certa medida, também Adélia Prado, que contratamos ainda antes de ela ser representada por nossa amiga Lúcia Riff, e um clássico como Lúcio Cardoso.

Sérgio Machado, um liberal convicto, achava divertido sua editora transformada em plataforma da esquerda marxista na época do Fórum Social, entre 2001 e 2003, quando levei para a Record livros como SEM LOGO, de Naomi Klein, IMPÉRIO, de Antonio Negri e Michael Hardt, e um número sem fim de autores brasileiros engajados. Na época, eu ainda acreditava ideologicamente naquilo; hoje, embora não pense exatamente como ele, estou muito mais próxima de alguns de seus valores políticos. Claro que Sérgio achava divertida a esquerdice da Record _ localizada não só, mas bastante, no selo Civilização Brasileira, que ele adquirira já com esse perfil _, porque os livros vendiam espetacularmente.

Depois, em 2003, Lula assumiu a presidência, e a esquerda brasileira no poder começou a revelar sua verdadeira cara e natureza. Aquela brincadeira do Fórum, editorialmente, perdeu toda a graça. Para mim, o mensalão foi uma ducha de água fria, e o pensamento único esquerdinha ultrapassou todas as medidas do que eu podia tolerar. Precisamente, tanto Sérgio como eu gostávamos de épater, e nos divertimos chocando com a guinada da Record para LULA É MINHA ANTA, de Diogo Mainardi, e O PAÍS DOS PETRALHAS, de Reinaldo Azevedo. Sem chegar à loucura e à irresponsabilidade, Sérgio era muito corajoso como editor.

Nossos pontos em comum eram muitos eticamente e como temperamento. Na medida do humano e do possível, tentávamos ser leais e justos um com o outro e com as pessoas em geral. O ser humano carrega inerentemente seu egoísmo, e ser justo não é fácil, exige uma luta diária consigo mesmo. Sérgio se exasperava quando algo evidente não era compreendido por terceiros, ou quando percebia alguém querendo dar um jeitinho para lhe passar a perna. Acho que não me exaspero tanto diante de situações equivalentes, mas me irrito bastante.

Enfim, isso já não interessa a ninguém. Quero só terminar apontando uma característica que nos distinguia radicalmente: meu obituário não me importa a mínima. Tenho certeza, infelizmente, que Sérgio Machado não está podendo curtir as muitas páginas sobre seu falecimento e sua disseminada presença na internet hoje.

Comentários ( 1 )

  • RUY CAMARA diz:

    Minha querida Luciana, que texto preciso você escreveu sobre Sergio Machado. Tocante e sem pieguices, seu texto revela nuances de uma relação profissional e de amizade em que vocês se completavam enquanto trabalharam juntos. Estou certo de que você, com a sua sensibilidade literária, e ele com o faro monetário, consolidarem o que há de mais durável no catálogo da Record. Sou muito grato a você por tudo o que aconteceu comigo depois que a conheci, minha amiga. Espero que possamos nos ver um dia desses para falarmos das obras que venho escrevendo ao longo de 11 anos de andanças pelo mundo e que imagino que causem algum impacto ao leitores. Eu não sabia que o Sergio Machado estava tão gravemente doente e foi uma surpresa saber da sua partida, para mim, inesperada. Escrevi algumas linhas sobre ele, essas que envio para você. Um beijo com carinho. Ruy Câmara.
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    É com profunda tristeza que escrevo estas linhas em elegia ao meu editor no Brasil, Sergio Machado (1948 – 2016), presidente do Grupo Editorial Record, falecido na madrugada desta quarta-feira (19/20 de julho de 2016), aos 68 anos, em decorrência de uma cirurgia feita em novembro de 2015, no Rio de Janeiro, para a retirada de um intruso orgânico na meninge.

    O garoto Sergio Machado tinha 6 anos de idade quando seu pai, Alfredo Machado, em sociedade com seu tio, Décio Abreu, plantaram em 1942 a semente de uma distribuidora de quadrinhos e serviços de imprensa que viriam a se tornar mais tarde, o maior conglomerado editorial da América Latina.

    Aos 24 anos, o jovem Sergio Machado, estava infeliz na mineradora Vale do Rio Doce, em Vitória – Espírito Santo e retornou ao Rio de Janeiro para trabalhar com seu pai, suprindo com desenvoltura a lacuna deixada pelo seu tio, Décio Abreu, que havia se desligado da empresa em 1970.

    Naquela época, Sergio Machado deve ter visto tantos homens de letras pobres e desprezados pela sociedade, que preferiu não ser mais um a aumentar esse número e empenhou-se na tarefa de transformar palavras e ideais em papeis monetizados. Seu teste de fogo ocorreu no dia 17 de agosto de 1977, por ocasião do lançamento do romance “Tieta do Agreste”, de Jorge Amado. O ainda aprendiz de editor, produziu um tremendo impacto midiático no Rio de Janeiro, colocando um avião para sobrevoar as praias cariocas, propagandeando o livro. Em poucos dias a obra do escritor baiano se tornou um sucesso de público e de vendas.

    Em 1991, seu pai e preceptor faleceu e Sergio Machado, conservando a vocação paterna para os livros e finanças, assumiu o comando da empresa ao lado de sua irmã, Sônia Machado Jardim. Desde então o grupo Record não parou de crescer, nem de inovar, tornando-se vanguardista em infraestrutura, em aquisições de empresas e de selos, de novas tecnologias, em logística e, sobretudo, na contratação de autores nacionais e estrangeiros, consagrados e estreantes, tonando-se uma empresa 100% brasileira e líder absoluta em vários segmentos editoriais, notadamente no segmento dos não-didáticos.

    É consenso entre os autores, editores e agentes literários do mundo que, inobstante a expertise como empresário, o senso de oportunidade, a seriedade e a sensibilidade para reconhecer talentos, Sergio Machado não considerava o seu trabalho enfadonho, já que passava a maior parte do seu tempo isolado em seu gabinete, e mesmo açoitado pela urgência editorial, não se aborrecia se a sua rotina era tão previsível quanto a de um relógio na parede.

    Editora Record e outras

    E foi assim que ele ampliou muitas vezes o negócio herdado do pai, transferindo agora para seus sucessores uma diversidade de empresas sólidas e de selos editoriais que estampam com prestígio mais de 8 mil títulos ativos nos catálogos das editoras do grupo, a saber: Bertrand Brasil, José Olímpio, Civilização Brasileira, Paz e Terra, Verus, BestSeller, Best Business, BestBolso, Rosa dos Tempos, Nova Era, Viva Livros, Difel e os selos Galera Record e Galerinha Record.

    Além da publicação das obras de vários autores agraciados com o Prêmio Nobel de Literatura, e também de autores de obras sem tanto sucesso comercial, a aposta mais bem sucedida e que colocou o grupo Record na liderança do mercado editorial, foi sem dúvida a aquisição de um moderno equipamento de impressão (Sistema Poligráfico Cameron) único no continente, capaz de produzir até 100 livros de 200 páginas por minuto, seja de ficção; narrativas históricas e científicas; ensaios culturais, sociológicos, literários e filosóficos; reportagens; romances policiais e de suspense, literatura feminina e quadrinhos. O desafio que ele não pode concretizar, mas certamente o será pela sua sucessora, Sônia Machado, era adequar o grupo editorial aos novos tempos da era digital.

    Sergio Machado foi verdadeiramente um editor exemplar, arrojado e muito corajoso. Em 2004 eu andarilhava pela Flip, em Parati, perguntando-me intrigado: por que motivo a Record não está participando? No dia seguinte, já me sentindo um penetra e sem saber porque todos os autores da Record foram proscritos do evento, li na imprensa uma nota de protesto do Sergio Machado, dando conta de que o Grupo Record não participaria com seus autores daquele oba-oba, porque se tratava de um evento para atender aos interesses da Cia da Letras.

    Apenas para avivar as memórias de alguns pobres bonifrates que se presumem merecedores de prêmios e de glórias fictícias, em 2011 eu tive o prazer de enviar uma mensagem de apoio ao meu editor, parabenizando-o pela coragem de enfrentar a comissão do prestigiado Prêmio Jaboti, por discordar do prêmio que fora dado (de forma imerecida e sabe-se lá a que título) ao sambista, Chico Buarque de Holanda, já que os jurados o classificaram em 2º lugar na categoria Romance.

    Ele não recuou nem mesmo diante dos boicotes da camarilha que se amotinou e dilapidou a nação nas sombras do poder, nem das figuras publicas que tentaram de todas as formas impedir a publicação de certas obras biográficas. Tanto é verdade que os operadores dos negócios culturais públicos jamais conseguiram impedir que as suas editoras publicassem as obras de um punhado de autores que desde o início do século em curso, combatem as organizações criminosas que tomaram o Brasil de assalto, dentre esses autores incluo-me com a meditativa exatidão das minhas convicções.

    Um característica de Sergio Machado como editor foi o seu compromisso com a literatura brasileira, tanto que jamais deixou de publicar os autores nacionais, mesmo nos tempos mais difíceis. Contudo, ao longo do seu percurso de sucesso, é provável que tenha lamentado o fato de haver deixado de comprar por apenas U$ 5 mil o romance Harry Potter, da escritora britânica, J. K. Rowling, adquirido pela Rocco, tonando um sucesso mundial. Outra aquisição que deixou escapar por não haver aumentado a oferta em U$ 12 mil, foi “O Código Da Vinci”, do escritor norte-americano, Dan Brown, obra que se tornou best-seller no mundo inteiro, publicada no Brasil pela Sextante, empresa dos netos de José Olympio, fundador da editora homônima que faz parte do conglomerado da Record.

    Sabemos que Sergio Machado vinha há muitos anos escrevendo seu livro de memórias (onde estarão esses manuscritos biográficos?) mas, infelizmente, quis a flecha insensível do destino interromper sumariamente o seu processo criativo, privando o mundo e essa nação empobrecida por incúria de governos corruptos, de um convívio mais perene com as suas ideias e convicções, suas crenças e desafios, suas vitórias e problemas, seus amores e suas dores.

    Ouçamos o que diz a minha querida amiga, Luciana Villas-Boas, editora responsável pela minha estreia na literatura brasileira e diretora editorial do grupo até 2012: “Enquanto Alfredo Machado atraiu para a editora grandes nomes da literatura brasileira já consagrados, como Graciliano Ramos e Carlos Drummond, na gestão de Sergio a Record criou seus próprios autores, muitos deles hoje já quase canônicos”.

    Nosso editor cumpriu com plenitude e autarcia o seu papel de homem de negócios e e de editor consciente do seu ofício, e hoje fez a sua viagem para além das plagas dos imortais, deixando sua mulher, Maria do Carmo, suas três filhas e três netinhos, com a missão de continuarem o ofício iniciado pelo patriarca, Alfredo Machado, em um período negro da histórica trajetória humana (1942), quando as nações com seus homens e suas armas se matavam por muito pouco ou quase nada.

    Durante o velório de Sergio Machado, no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, sua irmã, sucessora e agora presidente do grupo, Sônia Machado, disse com solene ternura e convicção: “meu irmão deixa um legado e uma missão: a valorização dos nossos autores, que é o grande patrimônio da Record”.

    Sônia Machado

    Sônia Machado, que em 2004 me honrou com a sua presença por ocasião da premiação deste autor na Academia Brasileira de Letras, tem ao seu lado duas filhas com a garra e o tino herdado do editor, Roberta Machado e Rafaella Machado, que já trabalham no grupo, uma como diretora comercial e a outra como editora do selo Galera Record.

    Como membro dessa comunidade editorial que tão prontamente me acolheu, ao tempo em que eu escrevia apenas para contentar o próprio espírito, desejo de coração que toda a família se recupere desse tombo e que juntos e unidos levem adiante o sonho que o nosso editor realizou por puro desejo de sempre fazer o melhor, inclusive cuidando pessoalmente das edições dos autores nacionais e estrangeiros que tanto nos encantam e nos inspiram com as suas luzes possantes.

    Hoje o Brasil deveria ter as suas bandeiras (verde-amarela-azul-e-branco) hasteadas a meio mastro em todas as instituições de cultura e arte, como um gesto de reconhecimento e de gratidão ao Editor iluminista que dedicou grande parte da sua vida à produção de livros, ou melhor, ao mais eficiente instrumento para civilizar as gerações presentes e futuras com palavras e conhecimento.

    Ruy Câmara

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