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PARIS-BREST é uma delícia. Misto de memórias de viagem, romance e livro de gastronomia, é, acima de tudo, um mergulho de seu autor, o jornalista Alexandre Staut, em suas paixões: gastronomia, literatura, encontros. Verdadeira ode ao bem viver, ao deliciar-se com os pequenos prazeres da vida e ao encontro consigo mesmo a partir das sensações e aprendizados propiciados pelo novo, PARIS-BREST nos transporta para um mundo quase paralelo de sabores, aromas e texturas, numa paisagem de aquarela à beira mar apetitosamente descrita a partir de seu ambience gastronômico.

A capa de PARIS-BREST aberta.

A capa de PARIS-BREST aberta.

De sua chegada a L’Aber Wrach, pequenina cidade na costa bretã, sem dominar o francês e tendo por conhecido apenas o amigo e a partir de então sócio Yann Danjou, ao momento em que decide retornar ao Brasil, deixando para trás as diversas cozinhas de restaurantes e casas francesas nas quais viveu um par de anos de encontros e aprendizados – que nós, leitores, percebemos absorvidos na voz do narrador que anos depois nos conta suas memórias –, Alexandre deixa de ser menino para se tornar adulto, aprende a lidar com a vida como particular e intransferível e a fazer escolhas que só a maturidade pode permitir. Verdadeiro romance de formação, como bem escreveu Humberto Weneck no texto de orelha do livro, a narrativa cresce com o autor desvendando o descobrimento de um homem e o surgimento de um grande cozinheiro. Um cozinheiro, não um chef, porque este é profissão e aquele, aptidão; e a profissão de Alexandre – gratos somos nós pelo que descoberto foi em L’Aber Wrach – é escrever.

Mas não é só de tudo isso de que é feito o livro. Todo salpicado de receitas recriadas e aprendidas na Bretanha, Normandia e Loire, várias vezes dá vontade de fechá-lo e correr para a cozinha. E se muitas vezes a preguiça prevalece, o que não falta é água na boca e um desejo profundo de se transportar para o momento idílico e saboroso em que o livro se encontra. Os pratos são tão recheados de aroma e sabor que – quase – nos saciamos com sua descrição. Os personagens são tão vivos e delineados que às vezes dubitamos serem reais ou fruto da mais fina imaginação. E as cozinhas e os restaurantes, as dificuldades e as conquistas de se construir algo seu são tão sensorialmente descritos que nos parece estarmos lá. Quando nos damos conta, estamos vivendo um pedaço de uma história que parece nosso e de que não sabemos em que ponto deixa de ser história para se tornar ficção.

Ainda bem que na arte da literatura isso não importa. O que importa é a experiência ofertada pelo livro. E esta, em PARIS-BREST, é nada menos do que uma delícia.

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