Nosso Blog

O Palácio do Itamaraty provoca em Míriam Leitão inusitada e linda viagem nostálgica, que ela compartilhou conosco primeiro pelo Blog do Matheus.

Segue aqui.

“O ministro estava ligeiramente atrasado, a equipe chegara cedo e montara o ambiente da entrevista em um canto do Mezanino do Itamaraty, tendo ao fundo a divisória em treliça de madeira com quadrados coloridos. Bem iluminado esse fundo vazado, que permitia entrever o resto do salão, dava ao ambiente um aconchego. Exceto pela nossa iluminação direcionada para as duas cadeiras, o resto estava escuro demais. Sinal dos tempos, pensei. Agora acendem-se apenas as luzes mínimas do mezanino. Aquele espaço é uma das maiores áreas suspensas do mundo, sem pilares de sustentação. Só precisa mesmo de todas as luzes em ocasiões especiais.

 De repente eu vi tudo iluminado, todos os ambientes do enorme salão e me vi circulando entre os convidados, menina ainda, atrás de notícias. Olhei a escada ao fundo, que dá para o terceiro andar, e me vi subindo para as salas de jantares. A sensação de volta ao passado havia me capturado, tão logo eu andei pela rampa sobre o lago da entrada lateral. Ao passar pela porta dos banheiros da entrada, dei uma gargalhada que ninguém entendeu.

 No governo Geisel, o general Vernon Walters, que tinha sido adido militar na época do golpe, veio ao Brasil para uma negociação. Os jornalistas o esperavam na porta lateral, ele entrou, nós o cercamos e ele foi andando e falando. Eu, a única mulher entre os jornalistas naquele dia, andava ao lado dele, anotando o que era dito. Quando o velho militar golpista passou perto do banheiro fez um movimento para entrar. Os jornalistas o seguiram. Eu também.”

Leia mais aqui:
http://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/andando-pelas-lembrancas-do-itamaraty.html

Comentários ( 0 )

    Deixe um comentário

    O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *