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Compartilhamos com alegria e em primeiríssima mão os aparatos da edição da Companhia das Letras de A BÍBLIA DO CHE, de Miguel Sanches Neto, que nos foram enviados pela editora e preparadora de textos Lucila Lombardi. Muito bem feitos, elegantes, trecho do romance sabiamente selecionado para a quarta capa, os textos apresentarão o livro com precisão ao leitor que manusear a edição nas livrarias. A BÍBLIA DO CHE estará no mercado dentro de um mês.

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A BÍBLIA DO CHE

Miguel Sanches Neto

Quarta capa:

“— Segundo consta, naqueles dias ele não deixava de lado uma Bíblia em português.

— Medo da morte?

— Não, estava encantado com Jesus. Lia os evangelhos e tomava nota.

— O seu cliente viu essa Bíblia?

— Diz que sim. E está disposto a perder um bom dinheiro para ter esse exemplar.

— Coleciona raridades da guerrilha?

— Isso mesmo. A maior biblioteca sobre o comunismo no Brasil. Só primeiras edições.

Havia alguma perversão nisso. O ex-rebelde enriqueceu e agora coleciona documentos da época em que corria risco de vida.

— O que sabemos sobre a Bíblia do Che Guevara?

— Só o que falei.

— Apenas isso? Nem o nome de algum antigo guerrilheiro que a viu?

— Usavam nome falso, e meu cliente não ficou muito tempo com eles.

— Um guerrilheiro a posteriori.”

 

Orelha:

Herói do romance A primeira mulher, o professor Carlos Eduardo viveu a última década em reclusão total. Morando no centro comercial de Curitiba, o professor quer distância das mulheres e dos criminosos que marcaram sua última aventura, e passa os dias entre o consultório abandonado de odontologia onde vive e uns poucos restaurantes à sua volta. Sua paz é interrompida pela visita de um velho conhecido, um operador financeiro que quer contratá-lo para uma missão insólita: localizar um exemplar da Bíblia com anotações que Che Guevara teria feito numa passagem pelo Brasil. A história conta que, numa temporada clandestina em Curitiba, Che teria se disfarçado de padre e carregado uma bíblia, em cujas margens fez supostos comentários.

Para além da incerteza que ronda a jornada do revolucionário pelo país, a tarefa tem um complicador, justamente na forma de uma dama fatal, a esposa do operador que o contratou. Peça-chave no mistério da Bíblia do Che, Celina enlaça o professor ainda mais na teia de intrigas que circunda o misterioso livro. Em pouco tempo, o operador aparece morto e a investigação de Carlos Eduardo, que antes pertencia ao âmbito dos colecionadores de livros raros, evolui para uma rede de crimes que envolve governo, construtoras, dinheiro sujo de campanha e caixa dois.

A busca colocará o professor no centro de um furacão político que assola o país. Entre empreiteiros corruptos, políticos escusos e paixões desmedidas — que ele não pôde evitar —, Carlos Eduardo precisa percorrer um labirinto de mentiras e intrigas que pode significar a sua própria morte. Um dos grandes romancistas brasileiros em atividade, Miguel Sanches Neto faz do suspense e do mistério terreno fértil para uma reflexão sobre vida, morte, poder e arte.

 

Biografia do autor:

Miguel Sanches Neto nasceu em 1965, no Paraná. É autor de mais de trinta livros, entre romances, crítica, poesia, crônicas, contos, com destaque para os renomados Um amor anarquista e A primeira mulher. Dele, a Companhia das Letras já publicou A máquina de madeira, traduzido para o francês e finalista dos prêmios São Paulo e Portugal Telecom.

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