maio 2016

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A DEFINIÇÃO DO AMOR, lindo romance do jovem autor português Jorge Reis-Sá, originalmente publicado pela Guerra & Paz, de Lisboa, ficou pronto pela Tordesilhas e em breve estará nas livrarias brasileiras. Conta a história de um jovem cuja mulher é hospitalizada e mantida artificialmente viva ao mesmo tempo em que se descobre a sua gravidez. Dilacerante.

A notícia boa é que a noite de autógrafos será uma verdadeira conferência de cúpula literária, mais precisamente poética. Jorge  é também um grande poeta e conta com o apreço de nomes como Alice Sant’Anna, Antonio Cícero e Eucanaã Ferraz, que estarão presentes para leituras e um curto debate sobre o que, afinal, é o amor.

No dia 21 de junho. Assim que o convite da Tordesilhas ficar pronto, compartilharemos.

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A coluna do Ancelmo, no Globo, noticiou no sábado, 28 de maio, as próximas traduções de O ROMANCE INACABADO DE SOFIA STERN, novo livro de Ronaldo Wrobel, pela Giuntina, na Itália, graças ao trabalho da parceira Ella Sher, e pela Metailié, na França, com a cooperação da L’Autre Agence. Ella já recebeu uma oferta em Portugal, e logo será anunciada a editora portuguesa da obra. Giuntina e Metailié já publicaram o primeiro romance de Ronaldo, TRADUZINDO HANNAH.

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Refletindo uma tendência internacional de “criminal novels” sobre a era nazista, O ROMANCE INACABADO DE SOFIA STERN é um texto literário, que lemos como um thriller, sobre uma alemã que foge do III Reich para o Brazil e sua relação com o neto, Roni, que busca provar a identidade da avó para recuperar bens deixados para trás em Hamburgo. Cenários os mais variados: Copacabana de hoje, Hamburgo contemporânea e em 1938, vários pontos da Alemanha sob o Reich, Zurique e o Alpes suíços em diferentes momentos da história. Fascinante, pesquisa profunda.

A noite de autógrafos, dia 21 de junho, na Travessa do Leblon, terá mesa de debate mediada pelo editor Carlos Andreazza com a participação da escritora Luize Valente, que em 2015 lançou UMA PRAÇA EM ANTUÉRPIA, outro romance lindíssimo que também conta a história de uma refugiada do nazismo no Brasil. Será uma ótima oportunidade de refletir com seriedade sobre o Mal na História e na ficção.

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O PublishersMarketplace publicou a venda que VBM fez à Brinquebook dos direitos de publicação de um dos mais fofíssimos livros infantis que já vimos: SURF’S UP, de Kwame Alexander com o ilustrador Daniel Miyares, publicado originalmente pela Nord-Süd, linda editora com sede em Zurique. SURF’S UP conta a história de dois sapinhos, um surfista, outro leitor.

O surfista não entende a escolha do leitor que prefere ficar em casa mergulhado em um romance que obviamente é MOBY DICK até a última página. Ao final, ele ganha o surfista para a leitura; quando vai pegar suas ondas, o amigo fica lendo as aventuras da baleia e seus caçadores.

Seria um completo absurdo se esse livro não viesse encantar leitores brasileiros. O surf é como a Lava-Jato, um dos raros motivos de orgulho nacional.

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Nelsinho Villas-Boas, que andava muito ausente deste blog, retomou suas funções de gerente e amou abrir o pacote da Best Business com os lançamentos do César Souza pelo selo do Grupo Record: CLIENTIVIDADE: COMO OFERECER O QUE O SEU CLIENTE QUER, tinindo de novo, e VOCÊ É DO TAMANHO DOS SEUS SONHOS, já um clássico da auto-ajuda de negócios, tendo vendido mais de 200 mil exemplares em edições da Gente e da Agir, agora na BB todo revisto e com novos aparatos. Nessa crise, Nelsinho e as torcidas do Flamengo e do Corínthians querendo se reinventar para enfrentar os novos tempos. Os livros do César vêm muito a calhar.

 

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Apresentamos aqui a capa da Seven Stories Press para MERCADORES DE GENTE: O NEGÓCIO DO SEQUESTRO POR DENTRO DA CRISE DOS REFUGIADOS, de Loretta Napolioni. A tradução do título é nossa; não sabemos se será efetivamente esse o título definido por Ana Paula Costa, para a edição da Bertrand, no Brasil.
Seja qual for o título, livraço, leitura muito importante a sair por aqui em novembro. Deprimente mas fundamental, mostrando que a podridão não é exclusividade do Brasil. O mundo está desnorteado.

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A capa valerá para todas as edições em língua inglesa. Além dessa da SSP, nos Estados Unidos, a britânica e a australiana.

O Palácio do Itamaraty provoca em Míriam Leitão inusitada e linda viagem nostálgica, que ela compartilhou conosco primeiro pelo Blog do Matheus.

Segue aqui.

“O ministro estava ligeiramente atrasado, a equipe chegara cedo e montara o ambiente da entrevista em um canto do Mezanino do Itamaraty, tendo ao fundo a divisória em treliça de madeira com quadrados coloridos. Bem iluminado esse fundo vazado, que permitia entrever o resto do salão, dava ao ambiente um aconchego. Exceto pela nossa iluminação direcionada para as duas cadeiras, o resto estava escuro demais. Sinal dos tempos, pensei. Agora acendem-se apenas as luzes mínimas do mezanino. Aquele espaço é uma das maiores áreas suspensas do mundo, sem pilares de sustentação. Só precisa mesmo de todas as luzes em ocasiões especiais.

 De repente eu vi tudo iluminado, todos os ambientes do enorme salão e me vi circulando entre os convidados, menina ainda, atrás de notícias. Olhei a escada ao fundo, que dá para o terceiro andar, e me vi subindo para as salas de jantares. A sensação de volta ao passado havia me capturado, tão logo eu andei pela rampa sobre o lago da entrada lateral. Ao passar pela porta dos banheiros da entrada, dei uma gargalhada que ninguém entendeu.

 No governo Geisel, o general Vernon Walters, que tinha sido adido militar na época do golpe, veio ao Brasil para uma negociação. Os jornalistas o esperavam na porta lateral, ele entrou, nós o cercamos e ele foi andando e falando. Eu, a única mulher entre os jornalistas naquele dia, andava ao lado dele, anotando o que era dito. Quando o velho militar golpista passou perto do banheiro fez um movimento para entrar. Os jornalistas o seguiram. Eu também.”

Leia mais aqui:
http://g1.globo.com/politica/blog/matheus-leitao/post/andando-pelas-lembrancas-do-itamaraty.html

Já deveríamos ter festejado a entrada de A MÃE ETERNA, de Betty Milan, na lista de mais vendidos da Folha de S.Paulo, no sábado, dia 14 de maio. Na semana passada, chegamos a falar do livro na lista de nacionais da Livraria da Travessa e em 12º lugar no PublishNews. Mas na Folha A MÃE ETERNA comparece nos 10 +. Acima do título de Betty, nove livros de ficção estrangeira. Festejamos por se tratar de uma obra representada pela VB&M, mas também por outras razões mais largas, que podem ter repercussão no mercado editorial.

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Há quanto tempo não se vê um romance literário brasileiro na lista de mais vendidos? Que eu (Luciana) me lembre, o último foi FIM, de Fernanda Torres, em 2013, sem dúvida uma narrativa eficaz, mas cujas vendas foram obviamente arrastadas pela fama poderosa da autora como atriz. À exceção de FIM, há três anos, qual outro? Chocante, mas no Brasil é um feito chegar às listas um bom romance adulto (não se trata aqui de lançamentos para o público adolescente e jovem) de autor brasileiro sem outro reconhecimento que não pela atividade literária.

Quais as razões do sucesso? Obviamente, a própria extraordinária escrita de Betty e o tema da obra, um desafio existencial extremamente comum na vida real mas raro na ficção – a relação entre mãe e filha diante da velhice e da morte. Mas há algo mais para a popularidade de A MÃE ETERNA, se pararmos para lembrar dos livros lindos e impactantes, às vezes detentores de prêmios reluzentes, Jabutis, Oceanos e outros, que não alcançaram posição nem nas listas ampliadas das livrarias.

Para o romance de Betty, contou a aposta. O editor Carlos Andreazza, da Record, reconheceu o potencial do livro, fez uma tiragem de 8.000 exemplares, alta somente para títulos nacionais, mas já ambiciosa para amargos tempos dilmescos e pós-dilmescos, e ouviu e aceitou a proposta de plano de marketing da autora explorando o lançamento para o Dia das Mães. Mal se esgotou a primeira rodada, já nova tiragem estava engatilhada. A própria autora, sabedora da obra que havia criado, contratou uma assessoria de comunicação privada para se somar à da Record. Foi o suficiente.

Houvesse Andreazza ponderado as dificuldades do mercado e “a moderna facilidade de reimpressão e reposição de hoje em dia” para justificar uma tiragem de 5.000 em vez de 8.000, como acontecera com a mesma Betty em 2013 no lançamento de CARTA AO FILHO, um livro que ainda gera bons royalties autorais, a situação de  A MÃE ETERNA hoje seria outra. No caso de CARTA AO FILHO, a primeira tiragem esgotou-se rapidamente, e o pequeno hiato de abastecimento das livrarias foi bastante para diminuir muito a visibilidade do lançamento. Acontece com frequência em todas as editoras com a tiragem de 5.000.

A ficção brasileira padece da mesma crise que o Brasil: de confiança. Pior que o país, a falta de confiança da qual sofre é mais antiga. Se a credibilidade do Brasil começou a avacalhar-se mais profundamente há cerca de três anos, a ficção do autor brasileiro não é digna da fé dos editores há bem três décadas.

Que o exemplo de A MÃE ETERNA sirva para divulgar e ampliar a ideia de que o grande romance brasileiro, quando bem editado e lançado, tem tanto potencial de agradar ao leitor quanto a ficção de língua inglesa. Retomado o crescimento do país, minimamente recuperados o emprego e a renda, o leitor brasileiro poderá descobrir que a literatura criada em seu idioma fatalmente fala de suas descobertas e angústias, preocupações e alegrias, de maneira muito mais próxima, mais íntima, do que a ficção de outros países. Obviamente, nada contra o romance estrangeiro, não precisamos de um patamar norte-americano de provincianismo: somente a ideia de que o brasileiro, entre tantos desafios gigantescos, para ser plenamente feliz tem que resgatar do esquecimento sua própria literatura. Uma tarefa para os leitores e editores do Brasil.

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Compartilhamos com alegria e em primeiríssima mão os aparatos da edição da Companhia das Letras de A BÍBLIA DO CHE, de Miguel Sanches Neto, que nos foram enviados pela editora e preparadora de textos Lucila Lombardi. Muito bem feitos, elegantes, trecho do romance sabiamente selecionado para a quarta capa, os textos apresentarão o livro com precisão ao leitor que manusear a edição nas livrarias. A BÍBLIA DO CHE estará no mercado dentro de um mês.

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A BÍBLIA DO CHE

Miguel Sanches Neto

Quarta capa:

“— Segundo consta, naqueles dias ele não deixava de lado uma Bíblia em português.

— Medo da morte?

— Não, estava encantado com Jesus. Lia os evangelhos e tomava nota.

— O seu cliente viu essa Bíblia?

— Diz que sim. E está disposto a perder um bom dinheiro para ter esse exemplar.

— Coleciona raridades da guerrilha?

— Isso mesmo. A maior biblioteca sobre o comunismo no Brasil. Só primeiras edições.

Havia alguma perversão nisso. O ex-rebelde enriqueceu e agora coleciona documentos da época em que corria risco de vida.

— O que sabemos sobre a Bíblia do Che Guevara?

— Só o que falei.

— Apenas isso? Nem o nome de algum antigo guerrilheiro que a viu?

— Usavam nome falso, e meu cliente não ficou muito tempo com eles.

— Um guerrilheiro a posteriori.”

 

Orelha:

Herói do romance A primeira mulher, o professor Carlos Eduardo viveu a última década em reclusão total. Morando no centro comercial de Curitiba, o professor quer distância das mulheres e dos criminosos que marcaram sua última aventura, e passa os dias entre o consultório abandonado de odontologia onde vive e uns poucos restaurantes à sua volta. Sua paz é interrompida pela visita de um velho conhecido, um operador financeiro que quer contratá-lo para uma missão insólita: localizar um exemplar da Bíblia com anotações que Che Guevara teria feito numa passagem pelo Brasil. A história conta que, numa temporada clandestina em Curitiba, Che teria se disfarçado de padre e carregado uma bíblia, em cujas margens fez supostos comentários.

Para além da incerteza que ronda a jornada do revolucionário pelo país, a tarefa tem um complicador, justamente na forma de uma dama fatal, a esposa do operador que o contratou. Peça-chave no mistério da Bíblia do Che, Celina enlaça o professor ainda mais na teia de intrigas que circunda o misterioso livro. Em pouco tempo, o operador aparece morto e a investigação de Carlos Eduardo, que antes pertencia ao âmbito dos colecionadores de livros raros, evolui para uma rede de crimes que envolve governo, construtoras, dinheiro sujo de campanha e caixa dois.

A busca colocará o professor no centro de um furacão político que assola o país. Entre empreiteiros corruptos, políticos escusos e paixões desmedidas — que ele não pôde evitar —, Carlos Eduardo precisa percorrer um labirinto de mentiras e intrigas que pode significar a sua própria morte. Um dos grandes romancistas brasileiros em atividade, Miguel Sanches Neto faz do suspense e do mistério terreno fértil para uma reflexão sobre vida, morte, poder e arte.

 

Biografia do autor:

Miguel Sanches Neto nasceu em 1965, no Paraná. É autor de mais de trinta livros, entre romances, crítica, poesia, crônicas, contos, com destaque para os renomados Um amor anarquista e A primeira mulher. Dele, a Companhia das Letras já publicou A máquina de madeira, traduzido para o francês e finalista dos prêmios São Paulo e Portugal Telecom.

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image001Ancelmo Gois registrou a beleza do voto do senador Cristovam Buarque no processo de impeachment de Dilma Roussef acrescentando a notícia de seu novo livro, MEDITERRÂNEOS INVISÍVEIS, uma mescla de ensaio, reportagem e relato de viagem, que sairá pelas mãos de Andreia Amaral pela Editora Paz e Terra, hoje no Grupo Editorial Record. Aproveitamos a nota do Ancelmo para dar as boas-vindas ao Senador, cuja presença na lista de clientes da VBM nos enche de orgulho. Nas últimas semanas, a conversa com Andreia e o próprio autor sobre o novo livro, ao mesmo tempo que acompanhávamos sua atuação no Senado, foi estimulante, para dizer o mínimo.
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MEDITERRÂNEOS INVISÍVEIS revelará um novo pensamento de esquerda para o Brasil. Nova, verdadeira, erudita, realista e sincera, a proposta do livro de Cristovam é apontar caminhos para que os pobres do mundo – sejam os refugiados da Síria, sejam os jovens nordestinos abandonados – consigam atravessar os Mediterrâneos da miséria. Sem inchaço do Estado – o fracasso dessa trilha já está fartamente provado –, com transparência política e social e total prioridade à educação. Como diz ele, o socialismo possível é aquele da igualdade de oportunidades educacionais.

 

A vertiginosa política brasileira está destrinchada em mais esse lúcido e clarividente artigo de Sérgio Abranches.

“A decisão liminar do ministro Teori Zavascki afastando o deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados e do exercício do cargo eletivo é constitucional e lógica. Surgiu como surpresa na madrugada, embora a decisão fosse previsível, porque já havia pedido no mesmo sentido, embora com distinto fundamento, na pauta do dia. O ministro obteve confirmação unânime da medida cautelar. Outros fatos previsíveis, trazendo consequências irreversíveis, estão amadurecendo. Mas a previsibilidade do conhecido não afasta a possibilidade do inesperado.

A linha sucessória da Presidência da República é definida pela Constituição e condicionada pelo princípio da harmonia e independência dos poderes. O sucessor é o vice e os substitutos eventuais os presidentes da Câmara e do Senado. A decisão do ministro Zavascki respeita, com coerência, essa definição constitucional e estabelece isonomia nas decisões que o Supremo Tribunal Federal tem tomado ao longo dessa crise política. É mais um ato no processo de judicialização, provocado pela mediação do Judiciário na crise entre Executivo e Legislativo, que é a mãe das crises internas no Congresso. A decisão, apoiada por unanimidade, foi moderada. A obstrução da justiça, razão principal do afastamento de Cunha, no campo penal justifica a prisão preventiva, como lembrou o ministro Edson Fachin em seu voto. Não pode ser considerada uma intervenção indevida do Poder Judiciário no Poder Legislativo. Ela ficou na fronteira última da independência entre os poderes. Daí o relator defini-la como “excepcional, pontual e individualizada”. Ponto que também foi ressaltado pelo ministro Dias Toffoli, exatamente para deixar claro que não se trata de invasão de poder, de “empoderamento” do Judiciário em detrimento do Legislativo. O STF respeitou a reserva de poder constitucional do Legislativo ao apenas suspender o deputado de seu mandato como deputado e do cargo de presidente da Mesa. A cassação só pode ser decidida pela Câmara dos Deputados, a partir de manifestação da Comissão de Ética. A comissão fica agora sob forte pressão política e moral para aprovar o parecer pela cassação. Mas ela foi composta por Eduardo Cunha para evitar isso. Contudo, a política é dinâmica, move-se na direção dos ventos e eles sopram para longe de Cunha.”

Continua…

Acesse o link para ler mais: http://www.ecopolitica.com.br/2016/05/06/o-inexoravel-e-o-inesperado-no-momento-politico-brasileiro/