março 2016

Compartilhamos com os amigos da VBM um presente que recebemos da cliente alemã Kiwi. Três links (em alemão, com legendas em inglês ou espanhol, e em francês) levando a um documentário para a TV sobre a nova literatura de mistério tendo como pano de fundo o III Reich. Dominique Manotti, Philip Kerr (grande autor inglês bastante publicado pela Record na virada do século) e Volker Kutscher (de quem representamos a magnífica série Berlim Noir) contam como lhes veio a ideia de escrever literatura policial ambientada na Alemanha nazista e por que são fascinados pela temática.

Como leitora, só aprecio de verdade a literatura policial quando tem um fundo político. Neste momento, aguardamos com expectativa o lançamento em maio de A BÍBLIA DO CHE, de Miguel Sanches Neto, que explora as ambiguidades morais da esquerda no poder. Vamos cultivar a esperança de que os crimes de corrupção (mas não só, pois é preciso voltar ao assassinato de Celso Daniel, entre outros delitos) que atualmente traumatizam a vida brasileira  sirvam ao menos para desenvolver entre nós um gênero de ficção.

Como disse Raphael Montes outro dia no fb, a realidade brasileira está criando dificuldades para os ficcionistas. Como superá-la? Mas o nazismo – um horror impossível de se conceber como ideia – como recorte da história factualmente passada talvez seja o maior tema da literatura e da filmografia contemporâneas. Que o thriller literário do Miguel seja o aperitivo de um grande gênero da ficção brasileira.

(Não me cobrem uma indevida comparação sobre o momento brasileiro e a experiência nazista. Quem gosta da comparação indigna e espúria são Dilma Roussef e Lula da Silva. Estou apenas tratando de matéria para a literatura.)

 

LVB

 

(http://www.arte.tv/guide/fr/053937-000-A/les-romans-policiers-et-le-troisieme-reich)  

(http://www.arte.tv/guide/en/053937-000-A/crime-novels-and-nazi-germany?country=DE)

(http://www.arte.tv/guide/es/053937-000-A/la-novela-policiaca-y-la-alemania-nazi?country=DE)

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Notícias sobre um livro essencial para os dias de hoje que representamos para a Feminist Press: SLUT – A play and Guidebook for Combating Sexism and Sexual Violence (PIRANHA – Uma peça e um guia para o combate ao sexismo e à violência sexual), editado por Katie Cappiello e Meg McInerney. A peça está em carta em Dixon Place e é programa altamente recomendável para quem tiver viagem marcada a Nova York, pois a temporada acaba de ser estendida. The New Yorker publicou um artigo curto sobre a volta da peça à cidade depois de uma turnê nacional.


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SLUT tem sido considerada um grande sucesso no sentido de provocar a discussão sobre a violência contra as mulheres, principalmente na juventude, e por isso terá agora uma versão para meninos, NOW THAT WE’RE MEN (AGORA QUE SOMOS HOMENS), a estrear este mês. A nova peça vai explorar as experiências dos rapazes na luta contra uma cultura de ódio sexual e de padrões impossíveis de masculinidade. Em livro, sairá no outono do Hemisfério Norte também pela Feminist Press.

Você se lembra da “piranha” de sua turma na escola? Esse livro revela o enorme custo psicológico e social de estigmatizar as meninas pelo seu comportamento sexual. Um comportamento que, às vezes em versões infinitamente mais acentuadas, nos meninos sempre foi aceitável, ou até motivo de admiração. Se você foi alguma vez chamada de “piranha”por exercer a sua sexualidade ou desejo livremente, ou sem razão alguma, apenas por inveja social, há de se sintar vingada quando ler esse livro.