Nosso Blog

A newsletter Publishers Marketplace, na sua coluna Publishers Lunch de hoje, traz algumas notícias que sinalizam positivamente para o livro em papel. Como o digital tem suficientes defensores na mídia, é prazeroso para quem gosta de livro em geral, em qualquer formato, papel ou eletrônico, partilhar as boas novas.

A primeira notícia tem a ver com uma gigante entre as cadeias de livrarias do Canadá, a Indigo. No último trimestre fiscal, que fechou dia 26 de dezembro, a cadeia mostrou crescimento de 12.9% em relação ao mesmo período no ano anterior, $ 52.8 milhões de lucro líquido contra $ 33 milhões em 2014. É verdade que o crescimento teve a ver com _ argh _ livros de colorir, mas para provar que estes não são totalmente do mal, o aumento de circulação nas lojas provocou a subida das vendas de livros em geral. As vendas nas megalivrarias cresceram 15.5% e online, 17.9%. Espetacular.

A outra notícia interessantíssima é que o proprietário de uma cadeia gigante de shopping centers nos EUA, a General Growth Properties, diz que a Amazon está procurando centenas de lojas tijolo-cimento para abrir em todo o país. A notícia não foi confirmada pela própria Amazon, mas tampouco negada, e nem mesmo o porta-voz oficial da General Growth comentou. Mas tudo indica que é verdade.

Fortes sinais de que o livro em papel resiste bravamente a todos presságios e apostas em sua morte, que circulam há mais de 20 anos. Eu, Luciana, ouço falar do fim do livro desde que entrei nesse negócio, em 1995, na época por causa do CD-Rom. Quando saí do suplemento Ideias do Jornal do Brasil para a Editora Record, muita gente me cumprimentou dizendo que era legal a mudança, uma pena apenas que um pouco tardia, porque o livro não duraria muito.

Lembro-me de um debate na Casa Laura Klabin com o bibliófilo José Mindlin e o empresário Jack London, provavelmente em 1996, talvez 1997, em que o fim do livro já estava na pauta. Pobre Mindlin, o velhinho ficou assustadíssimo, triste mesmo, com os augúrios do London. Em privado com ele, ao fim da mesa, levei um bom tempo consolando-o e garantindo que não seria exatamente como o London profetizara. Também estava na mesa o Affonso Romano de Sant’Anna, me recordo. Os outros nomes já não me vêm.

Esperemos que a intenção da Amazon não seja abrir lojas físicas apostando na destruição de todas as cadeias já existentes. Seria um intento verdadeiramente do Mal, mas não totalmente impossível. Teria a ver com a referência de Rui Campos aos aventureiros monopolistas em sua coluna de estreia no PublishNews. Vamos acreditar que se trata tão somente do reconhecimento da parte do gigante digital de que a leitura e a vida podem ser mais múltiplas e divertidas do que a mera experiência eletrônica. (LVB)

Veja os links das notícias:

http://lunch.publishersmarketplace.com/2016/02/indigo-celebrates-big-holiday-quarter/ 

https://static.indigoimages.ca/2016/corporate/Indigo-Q3-PressRelease_February-2-2016.pdf

 

http://lunch.publishersmarketplace.com/2016/02/71060/

http://gizmodo.com/amazon-will-open-over-300-physical-bookstores-because-l-1756692355

http://www.nytimes.com/2016/02/03/technology/amazon-is-said-to-be-planning-an-expansion-into-retail-bookstores.html?_r=0

Comentários ( 0 )

    Deixe um comentário

    O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *