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Recebemos na agência o belo catálogo da holandesa Athenaeum para a primavera (do Hemisfério Norte, bem entendido) de 2016. Para nosso orgulho, ONHEIL OVER TAITARA, “Catástrofe sobre Taitara” , título que deram a SOMBRAS DE REIS BARBUDOS, de José J. Veiga, logo em seguida a VÊNUS E ADONIS, um dos três poemas longos de Shakespeare, e na página anterior VESÚVIO EM CHAMAS, as cartas de Plínio a Tácito, sobre a destruição de Pompeia, datadas de mais ou menos 1.900 anos atrás. No catálogo, figuram ainda Erasmo, Rilke, Jane Austen, Horácio, Goethe, entre outras obras seminais, em moderníssimas edições, com novos aparatos e estudos.

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Athenaeum é uma sólida editora na Holanda, renomada pela publicação de clássicos. Diga-se que o mercado do livro holandês está longe de plenamente recuperado da crise que se abateu por lá em 2009. Publicam menos, oferecem adiantamentos significativamente mais baixos do que na época de ouro do mercado editorial. Mas como cada sociedade reage de maneira diferente às crises econômicas…

No Brasil, o editor enfrenta a crise publicando menos ficção e buscando bobagens da internet para lançar de maneira a ter algum retorno certo e rapidamente. Na Holanda, o retorno mais certo numa época de vacas magras vem da publicação de literatura realmente fundamental.

Não se trata de culpar o editor brasileiro. Ele publica para a sociedade em que atua. Editoras são empresas, não um hobby, como se tratava a Cosac & Naif. Se não atuam como empresas, as consequências podem ser devastadoras, vimos há pouco no processo de agonia e morte da Cosac. A vantagem do editor holandês reside em atuar numa sociedade em que a burguesia cumpriu sua missão de proporcionar educação universal de qualidade.

No Brasil, depois de 13 anos de governo supostamente socialista, a escola encontra-se mais vilipendiada de que em qualquer outra época. Até temos um pouco mais de leitores do que há 20 anos em termos absolutos e relativos à população como um todo. O que não temos são bons leitores, um mercado minimamente significativo para a grande literatura, gente capaz de fruir a expeirência literária em número suficiente para sustentar editoras com uma proposta sofisticada.

Talvez só o período da ditadura militar tenha dado contribuição equivalente à do PT ao rebaixamento literário e cultural do brasileiro. Por isso, a gente que se dê por muito satisfeito que a Companhia das Letras, com grande empenho, também esteja conseguindo republicar José J. Veiga em grande estilo, sem contar com compras governamentais.

Voltando a Veiga na Athenaeum, na página do catálogo, a editora situa-o com Kafka e Saramago. Está certo, é isso mesmo. Nosso consolo é que esperamos em breve ter notícia de tradução desse clássico maior da literatura brasileira em mais um território. Que nossa produção literária mais magnífica seja lida ao menos no exterior, se a Pátria Educadora não quer mesmo que cresçam e se desenvolvam seus leitores brasileiros.

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