janeiro 2016

capa_b

Ficou pronta a instigante capa da edição da Valentina de Quando finalmente voltará a ser como nunca foi?, de Joachim Meyerhoff, prestes a chegar às livrarias. Meyerhoff figura entre os mais respeitados e populares autores alemães da contemporaneidade. Esse livro, lançado originalmente em 2013 pela Kiepenheur & Witsch, cliente espetacular da VB&M, já foi lido por cerca de 300 mil leitores na Alemanha e traduzido em dez países.

Todos os livros de Meyerhoff são um sucesso, mas esse, baseado em sua própria vida, talvez seja o título mais querido. Romance de formação, conta a história de um menino que é filho de psiquiatra, a família toda residindo em um manicômico. Crescendo cercado de loucos, ele acha que aqueles comportamentos são o normal. Daí a frase que o editor Rafael Goldkorn aplicou na capa: “A loucura está do lado de dentro ou de fora?” Muito tocante, engraçado e profundo, até filosófico.

Quando, em 2013, fomos juntas pela primeira vez, Luciana e Anna, visitar as editoras alemãs em várias cidades, na temporada pré-Frankfurt, ficamos impressionadas com o sucesso do livro. Muitas colegas profissionais nas mais diferentes casas _ não na Kiwi _ nos disseram que Quando finalmente voltará a ser como nunca foi? era o melhor romance que haviam lido naquele ano. Afinal, um livro da concorrência delas.

Parabéns a todo mundo envolvido na publicação desse autor. Sorte para a Valentina e o Rafael. Que o leitor brasileiro saiba apreciar a fina ficção de Meyerhoff.

Sabedor do interesse do filho, Nelson Villas-Boas, por tudo relacionado à crise político-institucional brasileira, o advogado americano Raymond Moss partilha com ele toda e cada notícia publicada sobre o assunto na mídia eletrônica de língua inglesa. Ray assina muitas dezenas de sites legais, isto é, com assuntos ligados ao Direito, é impressionante. Hoje, horrorizado, ele descobriu no DLA Piper o programa de leniência do governo petista de Dilma Roussef que vai premiar empresas bandidas autorizando a repatriação legal de dinheiro roubado do povo com punições ridículas. Nelsinho tem um comentário a fazer:

“Minha mãe não comentou com o Ray o programa de repatriação dos recursos roubados do povo brasileiro que foram parar nas off-shores do mundo, da Suíça ao Panamá passando por Liechtenstein e todo o Caribe, bolado pela presidente Dilma e pela AGU. Coitada, Mami (é assim que Bebel, Miguel e eu nos referimos a ela) às vezes têm vergonha do Brasil, da corrupa generalizada do governo, da relação espúria de um partido que se supôs socialista com a lúmpen-burguesia mais historicamente safada do continente americano e, principalmente, da passividade do povo diante disso tudo. Por constragimento, ou por preguiça de traduzir, acaba omitindo uma ou outra história mais complicada nas conversas com o Ray. Coisas de casal binacional. Ela deveria pedir minha ajuda, pois eu sou perfeitamente bilíngue.
Daí que até ler o DLP Piper meu pai estava por fora do programa de leniência que vai permitir aos gângsteres do Brasil limpar suas barras devolvendo apenas um terço do que roubaram do povo. Ficou tão chocado que, às pressas, no meio da rotina louca de seus casos, me mandou uma mensagem curtinha, cheia de gralhas: This was passed for PT and PmTB!’ Ele queria dizer: ‘Isso foi aprovado para o PT e o PMDB’. Como se eu e minha mãe não soubéssemos.
Mostrei para ela, que, muito encabulada, teve que dizer a ele por skype: ‘Isso é notícia velha, Ray, até Nelsinho já está a par. Não quis comentar com você porque é um assunto que me incomoda.’ Pobre Mami, a crise brasileira faz mal a ela em todos os planos: ideológico, profissional, social, pessoal e até matrimonial.”

This was passed for PT and PmTB!
https://www.dlapiper.com/…/publications/2016/01/brazil-rep…/

foto (27)

Nelson Villas-Boas adora a comida do Antiquarius. É mais um ponto de concordância entre ele e o pai, o advogado Raymond Moss: restaurantes do Rio têm que ser os mais populares, tipo a lanchonete Bibi, que ambos acham o máximo, ou então aqueles que botam para quebrar nos preços. Entre estes, Antiquarius e Esplanada Grill são os preferidos.

Problema para o Nelson é que, ao contrário do que se passa no Bibi (e na Bottega del Vino, no Quadrucci, Origami, Jobi, Veloso, Diagonal e Sushi Leblon), ele conhece apenas a comida do Antiquarius, umas tantas vezes surrupiada da bancada da cozinha, não o ambiente do restaurante. Teve um arroz de pato para ele inesquecível. Mas ele nunca pôde frequentar o lugar, sua presença não é permitida.

Uma única vez Nelson entrou naquele recinto de acepipes dos deuses. Estava fazendo sua caminhada noturna com a mãe, a Luciana Villas-Boas, passou em frente ao restaurante e com seu poderoso narigão sentiu um cheiro irresistível; forçou a entrada em disparada. Muito inadequadamente vestida, Luciana teve que ir atrás do filho, toda avacalhada naquele ambiente chique, morrendo de medo de encontrar algum conhecido. Nelson acabou arrastado pelo maitre de uma mesa onde rapidamente fizera alguns amigos e dos quais esperava interessantes bocados.

Tudo bem, ele compreende que sua presença não seja tão bem vinda em ambientes fechados. Mas não dá para aceitar quando se sabe da ida do Eduardo Cunha ao Antiquarius, onde foi hostilizado por outros clientes mas defendido pelo pessoal do estabelecimento. Ficou indignado. Como assim um canino idôneo e de sabido bom caráter não pode entrar, enquanto uma lacraia ladrona é defendida pelo maitre? Indignação agravada no dia 31 de dezembro quando sua família foi injuriada pela presença de um certo advogado no Antiquarius.

Nelson pediu para dar um depoimento para o blog e que se enfatizasse que só o faz como introdução a outra postagem sobre assunto muito sério, o “Manifesto dos Advogados que Cobram de R$ 3 milhões a R$ 15 milhões de Honorários dos Maiores Bandidos da Nação”, veiculado com 104 assinaturas nos mais importantes jornais. Ele não está aqui para fazer crítica gastronômica e de restaurantes, e sim para analisar a conjuntura nacional e internacional. Fala Nelsinho!

“Meus pais escolheram o Antiquarius para a almojanta de fim de ano dizendo que era perto da agência e não haveria outros restaurantes abertos onde eu e minha filha, Maria Augusta Sader, pudéssemos ir. Tivemos que ficar do lado de fora, mas Deus é justo e nossa vingança – minha e de Guta – não tardou. Contarei aqui o que se passou exatamente como me foi relatado por eles, mamãe e papai, com algumas pequenas interferências minhas, porque mesmo do lado de fora meu ouvido capta tudo o que é dito em um recinto, inclusive atravessando obstáculos como paredes e muros. Tenho alguma contribuição a dar nesse episódio. Poucos humanos têm compreensão precisa de minha capacidade auditiva.

Assim que entraram, meus pais deram de cara com uma mesa redonda de umas seis pessoas com dois sujeitos bem esquisitos, um perturbador quadro de Bosch. Um deles, minha mãe conhecia; um tipo Nestor Cerveró mas bem piorado, se é possível, jornalista e político pedetista que teve um dia sua fama, Sebastião Nery. Minha mãe se lembra dele porque uma vez o tal sujeito vendeu para meu avô, Augusto Villas-Boas, um terreno que não existia de um suposto condomínio em Arraial do Cabo chamado Terramares de Quiçamã. Vovô sentiu pena do cara, pensou que ele estava chegando sem grana do exílio e comprou. Minha mãe, muito novinha, na tenra adolescência, adorou a ideia, sonhou muito com uma casa na praia e ficou desapontadíssima quando soube que não havia terreno algum, era tudo um esquema. O outro tipo estranho na mesma mesa do restaurante, um coroa na faixa dos 50 (bem mais jovem que o Nery, claro) com um cabelão nojento, pareceu familiar a Luciana, mas ela não conseguiu por nome na figura.

‘Que gente esqusita, desagradável’, traduzo aqui o comentário de minha mãe para meu pai, que batera o pé sobre a última refeição do ano ter de ser no Antiquarius. O maitre sentou-os relativamente perto da mesa que poderia estar retratada em um quadro de Bosch, e durante todo o almoço eles sentiram-se incomodados porque aquele pessoal falava muito alto. Em determinado momento, o cabeludo pegou o celular e gritou: ‘Saiu!’ Outros da mesa festejaram no mesmo diapasão: ‘Parabéns, Kakay!” Finalmente, para minha mãe, caiu a ficha; tratava-se do Advogado-Mor dos Grandes Ladrões da Nação, Antonio Carlos de Almeida Castro, o notório Kakay.
Minha mãe ficou transida de ódio. Todo mundo sabe que ela anda obcecada com o Brasil, com a destruição de nossa Pátria pelos gafanhotos petistas mancomunados com a mais ladrona e escrota oligarquia dos negócios brasileiros, os bandidos históricos da Nação que um governo socialista deveria ter posto para correr mas que viraram os irmãos de sangue da canalha do PT. Ela se levantou vermelha dizendo para o Raymond que não podia ficar mais um minuto na vizinhança daquela gente.

(Aqui entre nós, Raymond e eu achamos que Luciana está um tanto maluca com essa história. Papai se preocupa, diz que desconhece outro brasileiro mais afetado pelas revelações da Lava-Jato do que ela. Eu explico, digo a ele que compreenda e dê um desconto, pois evidentemente se trata de culpa por ter votado quatro vezes no Lula. Mamãe precisa voltar para seu antigo analista, Arnaldo Goldenberg, a fim de resolver isso. Não quero que meu pai interne minha mãe em um manicômio de Atlanta.)

Raymond disse que não deixaria que seu almoço fosse interrompido por causa de um bandido ou outro e pediu que ela explicasse o que estava acontecendo. Luciana confessou então que naquela virada do ano sua ideia-fixa era que os gângsteres da Lava-Jato não poderiam ter direito a passar o Natal em casa. Não pensava em mais nada; quando caía em seus longos silêncios, que tanto dão nos nervos de papai, era isso que lhe passava pela mente. A maior preocupação era o Marcelo Odebrecht, que, felizmente para a saúde mental dela, para minha família e para o Brasil, ainda está em cana. Se o Kakay gritou ‘Saiu!’, isso queria dizer _ explicou mamãe ao Ray _ que o Odebrecht fora solto, o que justificaria plenamente sua reação intempestiva.

Outro esclarecimento: minha mãe é do tipo que promete que não vai reagir no próximo assalto e sempre reage. Tem uma sorte danada, mas jamais ela poderá portar uma arma. Quando se sente ultrajada, simplesmente não se contém e, juro, é melhor não estar por perto.

Aqui me adianto para contar que Luciana, tendo que fazer uma pequena cirurgia no dia 4 de janeiro, passou o Dia da Paz e os seguintes pesquisando na internet o nome do ladrão liberado para chegar à conclusão que provavelmente o que saíra para o Kakay fora alguma grana, decerto com origem na roubalheira devastadora de uma empresa pública brasileira. E ela saiu da anestesia perguntando se o Odebrecht continuava no Pavilhão 6, vejam que louca.

Voltando ao Antiquarius: minha mãe pediu para meu pai mudar de lugar e ficou fotogrando o advogado dos bandidos, compulsivamente, sem saber para quê. Diz o Ray que os caras perceberam o transtorno dela e saíram rapidinho. Meu pai insistia sobre o fato de o sujeito ser só um advogado, não exatamente um bandido. Se fosse um Odebrecht qualquer ou um político petista envolvido nas roubalheiras, Ray até daria força para ela soltar um impropério, mas não era o caso. Só que depois, diante do “Manifesto dos Advogados que Cobram de R$ 3 milhões a R$ 15 milhões de Honorários dos Maiores Bandidos da Nação”, traduzido para ele no dia 16, meu pai disse que, estivesse a par do documento a 31 de dezembro, teria compreendido bem melhor um rechaço enfático, violento até, da minha mãe àquele esqusitão do cabelo sujo.

Aqui entra o meu ouvido tão poderoso quanto meu nariz. Digo a meus pais, e eles não me acreditam, mas pude entreouvir a conspiração sobre a redação do manifesto dos advogados de ladrões. Luciana e Ray dizem que as datas não batem, naquele momento ainda havia esperança de Odebrecht ser solto, não seria possível que o Kakay já estivesse elaborando a carta, mas tenho certeza disso. Por isso, dediquei-me a estudar e conversar por longas horas com o Ray, experiente advogado de casos de ‘whistleblower’ nos EUA, uma legislação americana espetacular que visa a defender o dinheiro dos cidadãos no Tesouro público, a fim de desenvolver minhas ideias, que agora as tenho muito claras, e algumas considerações sobre o manifesto dos advogados dos ladrões dos brasileiros. Este post aqui é só para criticar os restaurantes que preferem em seus recintos lacraias ladronas e advogados milionários dos bandidos mais deletérios ao Brasil a cachorros idôneos, mas me aguardem sobre o manifesto. Já deixo a pergunta de abertura: onde estavam esses advogados quando a Justiça brasileira fazia mofar nas penitenciárias criminosos perrapados, às vezes com a pena já cumprida, imagine falar de habeas corpus, em celas desumanamente lotadas, como, aliás, ainda acontece? Só reclamam da Justiça quando ela pune quem pode pagar honorários de R$ 3milhões a R$ 15 milhões? Estranho, né?”

Aguardaremos seu post, Nelsinho.

trump

Nelson Villas-Boas está irritadíssimo com o protagonismo de Donald Trump nas primárias republicanas. Nelsinho sempre detestou gente com cabelo da cor do dele. Acha que ninguém mais tem direito àquelas melenas louras. Passa um Golden Retriever pela frente nas ruas do Leblon e é brigalhada na certa, uma baixaria que mata Luciana (a Villas-Boas) de vergonha. Wanna a piece of me?, quer sair na porrada?, pergunta Nelson, que fora esses momentos é um gentleman, um cavalheiro, um gentledog.

Agora os incompetentes republicanos vêm com esse candidato boçal com cabelo igualzinho ao do Nelson, que desaforo. E como diz besteira. Que campanha de imbecilidades. Nelson se pergunta se os americanos estão fazendo assim para consolar os brasileiros mostrando que no geral político é safado e grosso em todo lugar.

Apesar das declarações de Trump de cunho bastante fascista a respeito dos imigrantes e das mulheres, de todas as frases estúpidas proferidas durante essas  primárias americanas a que mais ofendeu Nelsinho foi a de Ted Cruz sobre o rival. Dizer que Trump representa os valores de Nova York é demais. Ele e o pai, Raymond Moss, são legítimos novaiorquinos, Ray de Jackson Heights e Nelson um manhattanite da Lex Avenue, e acreditam que New York representa tudo de avançado, libertário e de bom gosto nos EUA. Raymond até tem uma ressalva ou outra a respeito do estilo profissional de novaiorquinos tanto na advocacia como no meio literário, mas Nelson admira a cidade e seus cidadãos incondicionalmente e adorou o pito que seu prefeito Bill de Blasio deu em Ted Cruz. Quando se trata de prefeito, o esnobe do Nelsinho diz que o dele é De Blasio, não Eduardo Paes.

Para Nelson Villas-Boas, o consolo foi a entrada de Bernie Sanders na campanha democrata. Porque ele o-deia Hilary Clinton, diz que o populismo dela é quase tão desonesto quanto o do Lula. “Pobres povos sem opção”, diz Nelsinho. Mas ele gostou muito do Sanders no debate com a Hilary e agora vai vestir a camisa, mergulhando na campanha presidencial americana. Aguardem uma entrevista com Nelson sobre Bernie Sanders em que explicará não só o que há de mais positivo no candidato como também por que ele tem chance de virar o jogo.

Ibraima Dafonte Tavares, a querida Ibra, uma das editoras que mais admiramos em toda a indústria do livro, partilhou hoje conosco um texto muito enriquecedor de Matthieu Ricard sobre o lugar comum que se tornou falar de “desenvolvimento pessoal”. Estranha coincidência, o texto simplesmente apareceu na timeline dela hoje de manhã. Excepcional, vale a pena ler.

Ibra contratou com a VB&M um livro que representamos para a 2-Seas Agency, de Marleen Seegers, que por sua vez tem a excelente editora Allary, na França, como cliente. A tradução literal do título da obra é TRÊS AMIGOS EM BUSCA DE SABEDORIA, um trabalho conjunto do monge Ricard com dois companheiros de longa data, o psiquiatra Christophe André e o filósofo Alexandre Jollien. Muito conhecidos na França, são gente verdadeiramente sábia, não essas contrafações que vêm dos EUA.

Allary lançou o livro dia 13 com uma tiragem de 110 mil exemplares. Esta semana, imprimiu mais 30 mil. TROIS AMIS está em primeiro lugar na maioria das listas de mais vendidos da França. O lançamento foi monumental, e Ibraima partilhou conosco também o fb com as imagens do evento.

No texto do Buda Virtual que Ibra nos enviou, mestre Ricard com toda sua suavidade destroi essa cultura narcísica e de auto-ajuda que fica de lero-lero sobre desenvolvimento pessoal.  Lembra que desenvolvimento pessoal é a gente melhorar, se aperfeiçoar, para ajudar mais ao outro, servir ao próximo. O resto é o egoismo reinante de sempre.

Tão bom quando gente boa e decente vai para o topo das listas com livros verdadeiramente importantes. Tomara que o sucesso francês de TROIS AMIS EN QUETE DE SAGESSE se repita no Brasil para a Alaúde. O livro é a cara da Ibra.

http://www.budavirtual.com.br/desenvolvimento-pessoal-a-quem-beneficia/

 https://www.facebook.com/RencontresPerspectives/photos/pcb.950686605025815/950684088359400/?type=3&theater

A edição 54 do Cândido, o excelente jornal literário mensal da Biblioteca Pública do Paraná, dedicado ao novo papel das bibliotecas na era da alta teconologia digital, traz na seção de inéditos trechos de dois romances de autores da VB&M. São um trecho de A BÍBLIA DO CHE, de Miguel Sanches Neto, a sair ainda neste primeiro semestre do ano pela Companhia das Letras, e outro de ANITA,  de Thales Guaracy, programado para o segundo semestre, pela Planeta.

Dois romances magníficos. O do Miguel é uma história de mistério muito atual em torno de um operador de propinas paranaense e explora com brilho as turvas águas ideológicas dos brasileiros, voltando até a mítica passagem de Che Guevara pelo Paraná, em meados da década de 60, antes de seguir para a guerrilha na Bolívia. O do Thales conta a vida de Anita Garibaldi pelos olhos de Giuseppe, o herói de dois continentes, que recorda suas batalhas e seu grande amor deitado em seu leito de morte.

Por suas temáticas, os dois livros despertam muito interesse dos editores estrangeiros, mas é praticamente impossível vender direitos de obras brasileiras antes da publicação entre nós. Mais ainda sem dispor de um texto final pós-revisão da editora no Brasil. (Há exceções, mas são quase milagre, e para a VB&M já aconteceu recentemente, em breve trombetearemos.) Por isso, estamos contando os dias para receber do super editor André Conti, da Companhia, o texto do Miguel, logo em seguida ao Carnaval, de maneira que Anna Luiza Cardoso possa divulgá-lo na Feira de Londres, em abril. (Eu, Luciana, não irei a Londres este ano.)

Segue  o link para o Cândido www.candido.bpp.pr.gov.br.

Aqui diretamente para o trecho do livro do Miguel dentro do jornal http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1027

E aqui para o de Thales: http://www.candido.bpp.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=1028

capas - mussa 3      os contos completo - mussa - capacapas - mussa 2

Ficou espetacular a capa dos CONTOS COMPLETOS de Alberto Mussa, que Carlos Andreazza lançará em breve pela Record. Todo o projeto gráfico da obra do Beto, assinado pela super designer Regina Ferraz, está, como se pode ver aqui, impressionantemente lindo.

Neste momento, Alberto Mussa está na reta final do próximo romance da pentalogia do Rio de Janeiro, um crime seminal ocorrido no Catumbi, em meados do século XIX, com o incrível título A HIPÓTESE HUMANA. Como se sabe, Beto desenvolveu a teoria de que não é a paisagem ou o temperamento das gentes o que define o caráter de uma cidade, mas seus crimes históricos ao longo dos séculos.

Compondo a pentalogia ficcional dos crimes fundamentais do Rio, ele já lançou O TRONO DA RAINHA JINGA (XVII), O SENHOR DO LADO ESQUERDO (XX) e A PRIMEIRA HISTÓRIA DO MUNDO (XV), mas A HIPÓTESE HUMANA conseguirá superá-los todos. Podemos afirmar porque se há alguma vantagem em ser agente literário é ter olhos privilegiados para ler com antecipação as grandes criações de nossos clientes.

No lançamento de A HIPÓTESE HUMANA, talvez valha a pena uma marca gráfica da pentalogia dentro do projeto para a obra de Alberto Mussa. De resto, torcer para que também o romance saia em 2016. Para fechar a série, faltará somente o século XVIII, que, sabemos, contará uma história da Inquisição brasileira. A HIPÓTESE HUMANA vai sacudir o ambiente literário.

foto (21)

Recebemos na agência o belo catálogo da holandesa Athenaeum para a primavera (do Hemisfério Norte, bem entendido) de 2016. Para nosso orgulho, ONHEIL OVER TAITARA, “Catástrofe sobre Taitara” , título que deram a SOMBRAS DE REIS BARBUDOS, de José J. Veiga, logo em seguida a VÊNUS E ADONIS, um dos três poemas longos de Shakespeare, e na página anterior VESÚVIO EM CHAMAS, as cartas de Plínio a Tácito, sobre a destruição de Pompeia, datadas de mais ou menos 1.900 anos atrás. No catálogo, figuram ainda Erasmo, Rilke, Jane Austen, Horácio, Goethe, entre outras obras seminais, em moderníssimas edições, com novos aparatos e estudos.

foto (22)

Athenaeum é uma sólida editora na Holanda, renomada pela publicação de clássicos. Diga-se que o mercado do livro holandês está longe de plenamente recuperado da crise que se abateu por lá em 2009. Publicam menos, oferecem adiantamentos significativamente mais baixos do que na época de ouro do mercado editorial. Mas como cada sociedade reage de maneira diferente às crises econômicas…

No Brasil, o editor enfrenta a crise publicando menos ficção e buscando bobagens da internet para lançar de maneira a ter algum retorno certo e rapidamente. Na Holanda, o retorno mais certo numa época de vacas magras vem da publicação de literatura realmente fundamental.

Não se trata de culpar o editor brasileiro. Ele publica para a sociedade em que atua. Editoras são empresas, não um hobby, como se tratava a Cosac & Naif. Se não atuam como empresas, as consequências podem ser devastadoras, vimos há pouco no processo de agonia e morte da Cosac. A vantagem do editor holandês reside em atuar numa sociedade em que a burguesia cumpriu sua missão de proporcionar educação universal de qualidade.

No Brasil, depois de 13 anos de governo supostamente socialista, a escola encontra-se mais vilipendiada de que em qualquer outra época. Até temos um pouco mais de leitores do que há 20 anos em termos absolutos e relativos à população como um todo. O que não temos são bons leitores, um mercado minimamente significativo para a grande literatura, gente capaz de fruir a expeirência literária em número suficiente para sustentar editoras com uma proposta sofisticada.

Talvez só o período da ditadura militar tenha dado contribuição equivalente à do PT ao rebaixamento literário e cultural do brasileiro. Por isso, a gente que se dê por muito satisfeito que a Companhia das Letras, com grande empenho, também esteja conseguindo republicar José J. Veiga em grande estilo, sem contar com compras governamentais.

Voltando a Veiga na Athenaeum, na página do catálogo, a editora situa-o com Kafka e Saramago. Está certo, é isso mesmo. Nosso consolo é que esperamos em breve ter notícia de tradução desse clássico maior da literatura brasileira em mais um território. Que nossa produção literária mais magnífica seja lida ao menos no exterior, se a Pátria Educadora não quer mesmo que cresçam e se desenvolvam seus leitores brasileiros.

0
0

ficcao-edney

Quem pensa que a ficção é descoberta tardia na vida de Edney Silvestre está muito enganado e vai se surpreender com a historinha desta postagem. Talvez por estar dedicado a reorganizar seus pertences, tendo se mudado de apartamento, talvez motivado por sua volta ao conto em 2016, com o maravilhoso (sem um pingo de exagero) WELCOME TO COPACABANA, que Carlos Andreazza vai lançar pela Record em abril, ontem Edney partilhou conosco essa capa da revista “Ficção: histórias para o prazer da leitura”, de julho de 1976, número no qual ele comparece em incrível companhia: Dalton Trevisan, José Louzeiro, Carlos Heitor Cony, João Silvério Trevisan, Ignácio de Loyola Brandão, Juan Rulfo e Pirandello. Para quem desconhece a revista, foi uma publicação marcante que durou de janeiro de 1976 a setembro de 1979, editada por outro time de sonhos: Cícero Sandroni, Eglê Malheiros, Fausto Cunha, Laura Sandroni e Salim Miguel. Tão importante naquela época para a produção brasileira de contos, que parecia então ser o gênero de vocação nacional, que em 2007 Miguel Sanches Neto antologizou-a para a Editora Leitura, de Belo Horizonte.

Diz Miguel: “com um projeto descentralizador, (a revista) uniu província e metrópole, fazendo um mapeamento da produção do país.” Misturava autores jovenzíssimos, como Edney, com gente já consagrada, como Cony, ou clássicos como Machado de Assis, ou ainda estrangeiros, como o mexicano Rulfo. O critério era o conto ser excepcional. Para o Miguel, deve ter sido uma luta compor a antologia.

Lástima o conto ter perdido no Brasil tanto espaço como manifestação literária da década de 70 para cá. Esperemos que o novo livro de Edney Silvestre possa contribuir um pouquinho para ultrapassar essa tendência, que não é só brasileira, mas internacional. Menos ainda que contos nacionais lemos a narrativa curta estrangeira, que tampouco é popular na Europa e nos Estados Unidos.

Em WELCOME TO COPACABANA, Edney evidencia mais claramente um talento seu quase único na literatura brasileira: a capacidade de recriar as vozes e as subjetividades de gente de todas as camadas sociais, do proletário ao burguês, do lumpen-proletariado à nossa tão característica lumpen-burguesia (conceito meu, Luciana), que de 2002 para cá passou a ocupar todos os recantos do poder no Brasil.

Temos grandes escritores que expressam a subjetividade do explorado e do trabalhador, como Luís Ruffato. Outros comunicam prioritariamente a crise do intelectual psicanalizado, ou da mulher oprimida pelo patriarcado. Edney transita por todas as almas, héteros e homos, homens e mulheres, velhos e crianças, ricos e pobres, marginais e bem-situados. No novo livro, tem o conto de um operador de propina em lua-de-mel com sua nova mulher personal trainer, na Itália, que a gente jura que conhece do noticiário, um cara entre Fernando Baiano e André Esteves, tão real que provoca o mesmo tipo de ânsia de vômito. Depois vem uma criança abandonada, seguida de um tipo já clássico dele, o imigrante brasileiro em situações insólitas nos EUA, a estrangeira em Copacabana _ o mundo. Em BOA-NOITE A TODOS, fomos dolorosamente apresentados à densa subjetividade de uma mulher de família tradicional do Rio de Janeiro em processo de perda de memória e identidade.

É uma ficção fincada tanto na literatura como na vida, o que é para pouquíssimos. Haja administração do tempo para saber dividido-lo tão bem entre leitura, escrita e experiência vivencial. Para dizer melhor que Marx: “Nada do que é humano me é estranho.”

Bateu uma vontade de ler esse conto de 1976 que a equipe da “Ficção” achou merecedor de publicação na revista. Vamos pedir para ele escanear e mandar? Será bom saber como e por quem da “Ficção” foi selecionado para figurar naquele número do remoto século XX, em tão boa companhia.