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Former U.S. spy agency contractor Edward Snowden is interviewed

Sem a ironia do clássico russo de Mikhail Lermontov, Edward Snowden _ o analista da agência secreta (NSA), que comprovou para o mundo a espionagem do governo americano sobre a comunidade mundial _ entrará para a história como o grande heroi global da primeira metade do século XXI. É curioso que esse fato ainda não seja completamente óbvio para algumas pessoas: “o heroi de nosso tempo” poderia funcionar muito bem como subtítulo da biografia gráfica de SNOWDEN, escrita e desenhada por Ted Rall, a sair este mês nos Estados Unidos pela Seven Stories Press e já em novembro no Brasil, pela WMF.

Felizmente, Alexandre Martins Fontes, editor da WMF, percebeu imediatamente o que tinha em mãos quando demos a ele uma prova do livro, do qual ele não estava ainda a par, embora o texto já tivesse até parecer positivo da editora Luciana Veit. Como Anna Luiza contou em nosso FB, fechamos na hora os termos do contrato brasileiro durante agradável e produtiva reunião a quatro na magnífica Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista. Felipe Novo, da área de mídia da WMF, passou a notícia para a jornalista Raquel Cozer, que a deu abrindo a coluna Painel da Folha de S.Paulo no sábado 1º de agosto

A aura heróica de Snowden vai se ampliar e firmar enormente nas próximas décadas. Ele representa algo que cruza e bagunça todo limite ou concepção ideológica, e seu heroísmo impressiona o que se convencionou chamar de esquerda e direita, por mais que essa terminologia não funcione ou contribua para o entendimento de qualquer problema da contemporaneidade. Ao peitar o imperial governo dos Estados Unidos com uma coragem inaudita, Snowden conquistou a admiração da esquerda mundial, no Brasil todo o espectro de simpatizantes da (anti)governança dilmista e petista, até porque ele evidenciou a espionagem sobre a presidente Dilma Roussef, o que pôde ser aproveitado eleitoralmente entre nós. Ao peitar o “poder estatal abusivo”, para usar a terminologia de Noam Chomsky em seu elogio ao livro de Ted Rall, Snowden agiu como o protetor e vigilante de todos aqueles que temem um Estado excessivamente forte, e aí tem muita gente que não se vê como típico esquerdista.

Vou dar um exemplo aqui de casa para me explicar melhor. Raymond Moss é um advogado americano especializado na defesa de “whistleblowers” (literalmente, “tocadores de apito”, talvez mais bem definidos como “denunciantes”), pessoas que testemunhando uma fraude decidem levá-la  ao Ministério Público dos EUA, algumas vezes correndo grande riscos mas também almejando recompensa financeira. Raymond acredita firmemente que o Estado tem que se limitar a garantir educação universal e saúde de qualidade e alguns serviços mais à população, como Justiça, com o mínimo de burocracia possível _ e zéfini, não se meter em nada mais. Sendo Snowden o caso mais clássico e notório de “whistleblower” na sociedade americana, ainda por cima agindo em favor do respeito à privacidade de cada cidadão e indivíduo, Raymond é seu fã ardoroso, o que é óbvio. No entanto, sua defesa de Snowden desequilibra as visões e opiniões de meus filhos, Miguel e Bebel _ um, simpatizante do PSOL, outra, em algum momento eleitora de Dilma. Meus filhos têm uma visão mais estatista do mundo, como sói acontecer no Brasil, onde ideologias estatizantes se infiltraram no tecido social como em nenhum outro país, além talvez da Rússia e de Cuba (a China silenciosamente esperneia até hoje contra um modelo de Estado antagônico à tradicional mentalidade chinesa).

Quem une politicamente o Raymond e meus filhos? Edward Snowden, certamente. E ele une muita gente mais. Com seu destemor na denúncia do governo americano,  seu desprendimento optando pela condição de exilado e fugitivo, Snowden está tocando em milhões de corações e mentes (para usar um eficiente clichezinho da minha época de Internacional de JB, hoje já fora de moda).

Por isso apostamos que um primeiro livro contando a trajetória desse verdadeiro heroi de nosso tempo há de ser um sucesso. Felizmente, viu isso desde o primeiro momento Alexandre Martins Fontes, que herdou o talento de editor de seu pai, Waldir (a quem tive o privilégio de entrevistar para o saudoso caderno literárioIdéias, já que falamos de JB). Graças ao Alexandre, a biografia gráfica SNOWDEN, de Ted Rall, vai sair no Brasil apenas três meses depois do lançamento original.

(LVB)

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