agosto 2015

Ray - Blog

Raymond Moss, sócio da VB&M, escreveu e publicou artigo na Folha de S.Paulo, assinado com o advogado brasileiro Fernando Costa Netto, sobre a lei americana em torno da figura do “whistleblower” _ o “tocador de apito”, a testemunha de um crime financeiro que o denuncia às autoridades _, e como essa legislação pode beneficiar os brasileiros . É uma das especialidades do Raymond, que recentemente teve uma vitória esplendorosa sobre uma empresa de atendimento médico para crianças, que superfaturava as contas que apresentava ao governo. A empresa teve de pagar perto de US$ 7 milhões a vários estados americanos e ao governo federal, e uma porcentagem dessa soma ficou com o (no caso “a”) “whistleblower”. A história teve ampla cobertura, principalmente no estado da Georgia, onde ocorreu o crime, como se pode ver na primeira página do Atlanta Journal-Constitution, mas também foi matéria da Bloomberg, Reuters e outros veículos.

Uma legislação como essa seria muito positiva para o Brasil, um estímulo na luta contra a corrupção. Infelizmente, temos baixa consciência do que significa um crime contra a Nação, contra o conjunto dos cidadãos pagadores de impostos. (Ou seja, todos, porque cada brasileiro, mesmo que não tenha renda, paga impostos altíssimos ao comprar o mais básico produto.) Lesou o Estado? Tem que devolver a grana com juros e multas, porque sua empresa cometeu um crime contra centenas de milhões de pessoas.

Se tivéssemos essa consciência, não assistiríamos ao ridículo debate sobre a correção ou não da “delação premiada” e das prisões preventivas da Lava-Jato. Nesses momentos, o que está em jogo é a Nação e _ dentro da legislação vigente e agindo com base em fortes e inequívocos indícios, como tem acontecido _ a lei tem que ser aplicada com toda dureza. Com a “delação premiada”, supostamente uma traição entre cupinchas do crime, entre pixulequeiros, para usar o novo vocabulário brasileiro, o delator está se redimindo diante da Nação, que deve ter um lugar superior no ordenamento ético do país.

Volta e meia surpreendo-me com gente, velhos amigos de alguma maneira ligados ao petismo (como eu, aliás, já fui) querendo que esses gângsteres sejam tratados com todo cavalheirismo. Não dá, não pode ser assim, porque não é assim que se trata com gângsteres. Com seus amigos nas mais altas esferas da política e da economia, eles logo estariam rindo da cara da gente, e temos que agradecer a Sergio Moro e à nova geração de procuradores que essa ordem das coisas esteja sendo finalmente alterada.

Enfim, três parágrafos que nada têm a ver com agenciamento literário ou mesmo com o Raymond Moss. Mas no fundo têm a ver com todos que trabalham honestamente e têm uma atividade produtiva no Brasil. Acompanhando diariamente a atividade advocatícia dele nos EUA, sou (Luciana) levada a essas reflexões e aproveito este espaço para expressá-las. (LVB)

 

http://app.folha.uol.com.br/#noticia/586410

http://www.myajc.com/news/news/local/whistleblower-turns-to-obamacare-to-win-688-millio/nnCJ4/

miriam 2

Dizem os invejosos (que nem são tantos mas, como a peçonha é muita, parecem numerosos): é porque é da Globo. Mas eles sabem que não é isso que explica o sucesso de Míriam Leitão.

O lançamento de HISTÓRIA DO FUTURO, na quarta-feira, bombou de tal maneira que, no dia seguinte, Jorge Oakim, presente com a família na Travessa do Leblon, ligou para Míriam dizendo que nunca na sua (brilhante) carreira de editor da Intrínseca vira noite de autógrafos tão cheia e prestigiada. Estavam lá desde as muitas fontes de HISTÓRIA DO FUTURO e admiradores de todos os matizes, até boa parte do poder político e econômico do Rio de Janeiro, incluindo o casal Gisela e João Roberto Marinho; o chefe de Míriam na TV, Carlos Schroder; o secretário João Mariano Beltrame com o filho, para comprar FLÁVIA E O BOLO DE CHOCOLATE; e o ex-ministro Pedro Malan.  Horas e horas de fila para pegar a assinatura e o abraço da autora. Raros escritores, de dentro ou de fora da Globo, conquistam esse tipo de consagração.

 Na mídia, Míriam teve tudo desde a semana anterior, de Saia-Justa até Bom-Dia, Rio; CBN; noticiários vários. Essa exposição chamou muita gente. HISTÓRIA DO FUTURO, com apenas dias de lançamento, apareceu na lista geral de mais vendidos de PublishNews em 11º lugar. Subirá todos os degraus. Neste sábado, o livro encontra-se em oitavo lugar na lista geral da Folha de S.Paulo, em primeiro na especializada.

O talento da escritora e jornalista é responsável por um bocado desse sucesso, mas não só. Se o livro não fosse espetacular _ profundo, fundamental e indispensável _  nada disso aconteceria. Tem que ser a base do próximo projeto de governo, numa era pós-Dilma Roussef.

O que garante a Míriam Leitão a admiração e o respeito de leitores, colegas e chefes é sua seriedade e dedicação ao trabalho. Às 5h da manhã Míriam está  de pé trabalhando seus livros, ou por eles, antes de começar a rotina da jornalista, que só para depois de meia-noite. Sua honestidade, além da capacidade analítica, para formular diagnósticos e apontar caminhos é inquestionável. Contra a deplorável paisagem do jornalismo atual, em que se veem tantos profissionais blogando mediante pagamento (em geral dos governos federal ou estaduais), Míriam nunca pôs ou porá sua opinião a soldo. É a ética protestante do seu pai, diz ela. É a ética de que precisamos no Brasil.

Links para conferir algumas das ricas entrevistas de Míriam Leitão a propósito de HISTÓRIA DO FUTURO.

http://gnt.globo.com/programas/saia-justa/videos/4387592.htm

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/videos/t/bom-dia-rio/v/temos-tudo-para-dar-certo-diz-miriam-leitao-sobre-futuro-da-economia-do-brasil/4389556/

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/bom-dia-rio/videos/t/edicoes/v/miriam-leitao-lanca-livro-sobre-as-projecoes-para-a-economia-brasileira/4386929/

http://www.intrinseca.com.br/blog/2015/08/lancamento-de-historia-do-futuro-no-rio-de-janeiro/

viviane

Já comentamos aqui como o romance de Míriam Leitão, TEMPOS EXTREMOS, e o novo livro de Miguel Sanches Neto, A BÍBLIA DO CHE, “previram”, anteciparam, fatos da vida real. No caso de Míriam, o assassinato de um ex-torturador do regime militar, que vinha confessando crimes e delatando cúmplices em depoimentos à Comissão da Verdade, exatamente quando a Intrínseca estava para lançar TE, que traz personagem e episódio rigorosamente idênticos ao que veio de fato acontecer. No caso de Miguel, há meu testemunho (LVB) de que li uma parte do livro sobre um operador de propinas em Curitiba que forja a própria morte antes de surgirem os rumores sobre o corrupto deputado paranaense José Janene, que acreditávamos defunto, estar possivelmente vivinho da silva. Agora é a vez de comentar MISSÃO PRÉ-SAL 2025, de Vivianne Geber.

Há três anos li o original de Vivianne e decidi assumir a representação literária dessa talentosa assessora jurídica da Marinha. Não tive dúvidas de estar diante de uma futura escritora. Fiquei feliz de ler um livro de espionagem internacional com personagens brasileiros sobre fraudes e roubo de tecnologia bélica _ submarinos movidos tanto a diesel como a energia nuclear _ made in Brazil. O que eu não poderia imaginar é que o livro viria a ser publicado pela Record em julho de 2015 coincidindo precisamente com a prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, até poucas semanas atrás presidente da Eletronuclear, acusado de fraudes bilionárias tanto na construção de Angra 3 como na construção de potentes submarinos nucleares e a diesel. Do thriller de Vivianne, não se pode pinçar uma passagem que seja perfeito espelho de alguma etapa do Petrolão _ ou melhor, Eletrolão, Atomicão, como queiram _, mas todo astral, ambientação, temática e personagens secundários são incrivelmente correlatos.

(LVB)

missao-pre-sal

Evangelia Avloniti

Nossa brilhante co-agente na Grécia, Evangelia Avloniti, divide conosco o artigo que escreveu para o Publishing Perspectives

http://publishingperspectives.com/2015/08/greek-publishings-summer-of-discontent/

sobre a situação do mercado editorial grego. “Greek Publishing’s Summer of Discontent”, algo como “o verão da desesperança do mercado editorial na Grécia”, é de certa maneira uma explicação e uma justificativa para os editores do país não estarem fazendo as remessas ao exterior dos royalties devidos, mas também descreve com grande nitidez um quadro terrível de desolação social.

Certamente, a situação grega é infinitamente pior do que a brasileira, e não só pela fragilidade estrutural da Grécia, se comparada com o potencial sócio-econômico do Brasil. Certamente, também os gregos são responsáveis e cavaram o próprio buraco financeiro, como fizemos os brasileiros _ mas só até certo ponto! Enquanto no Brasil não se pode apontar o dedo para ninguém de fora pela situação lamentável em que nos encontramos (a presidente Dilma insiste nessa atitude, mas há tempos ninguém dá crédito a suas explanações da crise em dilmês indecifrável), a Grécia foi em parte, mas de fato, vitimada pelo modo como se deu sua inserção na União Europeia _ e, aliás, continua sendo, pois sua derrocada tem sido muito benéfica para as potências regionais, principalmente a Alemanha. Certamente, o mercado editorial grego está muito mais desestruturado do que o brasileiro. Ainda assim, ou por isso mesmo, é relevante identificar os pontos em comum entre esse verão grego e o nosso inverno, além do calor excepcional para a estação nos dois países.

Desde o controle dos movimentos de capitais estabelecido em junho pelo Syriza, o partido de esquerda no poder, as cadeias produtivas de diversos setores foram implacavelmente quebradas na Grécia. No caso do mercado editorial, não se imprime mais nada porque não há papel nem maneira de comprá-lo, já que as contas bancárias foram bloqueadas, e as vendas das livrarias caíram entre 50% e 80%. Nem que quisessem, editores poderiam pagar royalties ao exterior, porque as remessas estão virtualmente proibidas pelo governo. Naturalmente, já começou o quebra-quebra das editoras, com a prestigiosa Script anunciando falência em pleno feriado bancário imposto pelo governo para impedir os saques de divisa.

No Brasil, a crise apanhou as editoras depois de um período de relativa bonança. Até o ano passado, compras governamentais garantiam bons resultados para a maioria das editoras. Se algumas delas, digamos, se viciaram nessa receita, o corte abrupto das compras não atingiu o mercado homogeneamente. Altamente capitalizadas, editoras como a Intrínseca e a Sextante, que nunca se dedicaram ao “canal governo”, não estão sentindo a crise de maneira aguda. Mesmo com a recessão já perfeitamente identificada, o setor livreiro ainda teve o maná dos livros de colorir no primeiro semestre.

Claro que a retração de movimento nas livrarias menos bem pensadas afeta e preocupa a todos, assim como juros altos doem no bolso de quem tem alguma dívida pendurada no banco. Por isso, a diminuição significativa do número de lançamentos, o esforço de redução de custos com dolorosas demissões em muitas casas e a restrição das contratações a livros de auto-ajuda; a títulos diretamente relacionados à crise, tanto de análise séria como de sátira; ou a obras de autores já colocados que a editora não queira perder de maneira alguma. Mesmo sem necessidade premente mas com desculpa para isso, algumas (poucas) editoras estão aderindo ao péssimo hábito de adiar ao máximo os pagamentos, ou simplesmente não cumprir seus compromissos, contribuindo para o ambiente de desconfiança, que só acentua a crise e deprime os agentes econômicos, piorando viciosamente o astral de todo mundo.

O que mais se aplica ao mercado brasileiro de tudo que traz de informação o artigo de nossa amiga Evangelia? É no mínimo curiosa, pelo que reflete de Brasil, a declaração da editora Chrysa Georgakopoulou diagnosticando a doença e morte de sua querida Scripta: “Livros nunca foram uma prioridade para os gregos. Sempre foram uns poucos que sustentaram o meio editorial grego em seu estado semi-comatoso.” Também a solução que a popular dublê de autora-editora, Soti Triantafillou, da Patakis, propõe: “estabilidade, uma moldura social que seja simpática aos negócios e alguma paz de espírito coletiva (para a sobrevivência).”  Nossa, Soti, a gente também quer!

Enquanto o Brasil decide se vale a pena ou não impedir Dilma, considerando a bandidagem política generalizada que há de permanecer até 2018, esperemos que não seja o intento da presidente e do PT conduzir a nau brasileira a um porto grego. Já entrou água demais em nosso barco, considerando o potencial e a riqueza de recursos de que dispomos. Quantas Grécias dão no Brasil, quantos ioles em nosso transatlântico? Mas, lembrem-se PT e Dilma, políticos em geral, quando naufraga, o transatlântico sofre muito mais do que o pequeno veleiro, e se vai embora primeiro o pessoal do porão, passageiros da primeira classe também não são poupados.

(LVB)

Former U.S. spy agency contractor Edward Snowden is interviewed

Sem a ironia do clássico russo de Mikhail Lermontov, Edward Snowden _ o analista da agência secreta (NSA), que comprovou para o mundo a espionagem do governo americano sobre a comunidade mundial _ entrará para a história como o grande heroi global da primeira metade do século XXI. É curioso que esse fato ainda não seja completamente óbvio para algumas pessoas: “o heroi de nosso tempo” poderia funcionar muito bem como subtítulo da biografia gráfica de SNOWDEN, escrita e desenhada por Ted Rall, a sair este mês nos Estados Unidos pela Seven Stories Press e já em novembro no Brasil, pela WMF.

Felizmente, Alexandre Martins Fontes, editor da WMF, percebeu imediatamente o que tinha em mãos quando demos a ele uma prova do livro, do qual ele não estava ainda a par, embora o texto já tivesse até parecer positivo da editora Luciana Veit. Como Anna Luiza contou em nosso FB, fechamos na hora os termos do contrato brasileiro durante agradável e produtiva reunião a quatro na magnífica Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista. Felipe Novo, da área de mídia da WMF, passou a notícia para a jornalista Raquel Cozer, que a deu abrindo a coluna Painel da Folha de S.Paulo no sábado 1º de agosto

A aura heróica de Snowden vai se ampliar e firmar enormente nas próximas décadas. Ele representa algo que cruza e bagunça todo limite ou concepção ideológica, e seu heroísmo impressiona o que se convencionou chamar de esquerda e direita, por mais que essa terminologia não funcione ou contribua para o entendimento de qualquer problema da contemporaneidade. Ao peitar o imperial governo dos Estados Unidos com uma coragem inaudita, Snowden conquistou a admiração da esquerda mundial, no Brasil todo o espectro de simpatizantes da (anti)governança dilmista e petista, até porque ele evidenciou a espionagem sobre a presidente Dilma Roussef, o que pôde ser aproveitado eleitoralmente entre nós. Ao peitar o “poder estatal abusivo”, para usar a terminologia de Noam Chomsky em seu elogio ao livro de Ted Rall, Snowden agiu como o protetor e vigilante de todos aqueles que temem um Estado excessivamente forte, e aí tem muita gente que não se vê como típico esquerdista.

Vou dar um exemplo aqui de casa para me explicar melhor. Raymond Moss é um advogado americano especializado na defesa de “whistleblowers” (literalmente, “tocadores de apito”, talvez mais bem definidos como “denunciantes”), pessoas que testemunhando uma fraude decidem levá-la  ao Ministério Público dos EUA, algumas vezes correndo grande riscos mas também almejando recompensa financeira. Raymond acredita firmemente que o Estado tem que se limitar a garantir educação universal e saúde de qualidade e alguns serviços mais à população, como Justiça, com o mínimo de burocracia possível _ e zéfini, não se meter em nada mais. Sendo Snowden o caso mais clássico e notório de “whistleblower” na sociedade americana, ainda por cima agindo em favor do respeito à privacidade de cada cidadão e indivíduo, Raymond é seu fã ardoroso, o que é óbvio. No entanto, sua defesa de Snowden desequilibra as visões e opiniões de meus filhos, Miguel e Bebel _ um, simpatizante do PSOL, outra, em algum momento eleitora de Dilma. Meus filhos têm uma visão mais estatista do mundo, como sói acontecer no Brasil, onde ideologias estatizantes se infiltraram no tecido social como em nenhum outro país, além talvez da Rússia e de Cuba (a China silenciosamente esperneia até hoje contra um modelo de Estado antagônico à tradicional mentalidade chinesa).

Quem une politicamente o Raymond e meus filhos? Edward Snowden, certamente. E ele une muita gente mais. Com seu destemor na denúncia do governo americano,  seu desprendimento optando pela condição de exilado e fugitivo, Snowden está tocando em milhões de corações e mentes (para usar um eficiente clichezinho da minha época de Internacional de JB, hoje já fora de moda).

Por isso apostamos que um primeiro livro contando a trajetória desse verdadeiro heroi de nosso tempo há de ser um sucesso. Felizmente, viu isso desde o primeiro momento Alexandre Martins Fontes, que herdou o talento de editor de seu pai, Waldir (a quem tive o privilégio de entrevistar para o saudoso caderno literárioIdéias, já que falamos de JB). Graças ao Alexandre, a biografia gráfica SNOWDEN, de Ted Rall, vai sair no Brasil apenas três meses depois do lançamento original.

(LVB)

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