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Para o blog da VB&M, o artigo rivotril de Eduardo Moreira. Recomendamos para quem está nervoso com a crise.

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Por Eduardo Moreira

Acalmem-se! O mundo não vai acabar! Por mais que relatórios econômicos, manchetes de jornais e programas de televisão tentem lhes convencer do contrário… Seus dias não merecem ser perdidos com um cenário que não irá se materializar. Acreditem, há razões de sobra para seguir adiante, otimistas, ousados e serenos.

Existe um mecanismo de preservação nos seres vivos chamado homeostase. É a capacidade de regular seu ambiente interno mediante múltiplos ajustes de equilíbrio, todos eles dinâmicos e inter relacionados. E é essa característica de se organizar naturalmente quando as coisas parecem caminhar para a direção errada que lhes da o nome de organismos. Curiosamente porém, na maioria dos casos, para a homeostase entrar em ação o desequilíbrio do organismo deve aumentar muito até que válvulas, gatilhos e outros mecanismos fisiológicos finalmente sejam acionados e o corpo volte a rumar para a direção do equilíbrio. As coisas costumam piorar antes de melhorar…

Com um país, desde que suas instituições sejam fortes, as crises funcionam de forma muito parecida. As coisas começam piorando marginalmente, a partir de um período de bonanza. Os que gozam do poder ignoram então os sinais de piora, e dobram a aposta no que vinham fazendo. Pequenas medidas paliativas e superficiais são implementadas mirando corrigir a manifestação dos desequilíbrios, e não os desequilíbrios em si. A percepção melhora, mas as causas dos desequilíbrios não. Pior, saem da mira dos governantes, e crescem sorrateiramente até surgirem muito maior adiante. E quando batem a porta para cobrar a conta que não foi assumida lá atrás, vem com aparência de monstros imbatíveis.

Quando as coisas chegam neste ponto, o processo de ajuste é dolorido. De certo, apenas sabe-se que ele acontecerá, queiram ou não, até que as coisas voltem a ser como eram. Só que ninguém gosta de sentir dor e, portanto, entram em ação mecanismos para abrevia-la. Se não em intensidade, pelo menos em tempo. Economistas, empresários e demais agentes econômicos desenham o caos. E, apesar de não terem esta intenção, fazem com que o cenário acelere-se em direção a ele. As taxas de juros sobem, a moeda se desvaloriza, as taxas de desemprego escalam, a inflação ganha corpo e os investimentos diminuem. Tudo numa velocidade enorme, para que a parte dolorida passe rápido. Até que no alto da montanha, na beira do precipício, prestes a cair, o vagão para. Para e começa a voltar para trás, na direção de onde veio.

As dividas passas a valer menos, porque a inflação come uma boa parte de seu valor. As commodities passam a valer mais, porque são negociadas em dólares. A terra para plantar, criar ou extrair, passa a custar menos, e a mão de obra fica também mais barata. As margens aumentam, e isto atrai investimentos, inclusive de estrangeiros que agora veem sua moeda valendo muito por aqui. A crise fez as empresas aprenderem a fazer mais com menos, e isto perdura por algum tempo, gerando eficiência na produção. E todo este ciclo faz a moeda voltar a se valorizar, os juros voltarem a cair, os investimentos voltarem a existir e a oferta de emprego aparecer novamente…

Economistas e analistas erram quase todas. Mas suas previsões catastróficas são essenciais para acionar os mecanismos de homeostase de uma nação e ajuda-la a voltar em direção ao equilíbrio. Os dias de bonanza sempre voltam. A única coisa que não volta é o tempo. Portanto deem um pouco menos de peso para o que os outros dizem e um pouco mais de peso para os momentos divertidos e prazerosos de seus dias. Lembrem-se que noticias como “A economia piorou um pouquinho” ou “Governo tem resultado na média dos últimos 10 anos” não vendem jornal nem propaganda…

Eduardo Moreira – Autor de Encantadores de Vidas, O Encontro, O Encantador da Montanha e Investir é para todos

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