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el rey de la habana 17

A agente Virginia Lopez-Ballesteros, cuja maravilhosa lista de autores de língua espanhola nós representamos para o Brasil, manda a notícia de que o filme EL REY DE LA HABANA, em processo de produção pela batuta do diretor maiorquino (de Maiorca) Agustí Villaronga, está quase pronto. Com Maykol Tortolo e Yordanka Salgado nos papeis principais, o filme será exibido nos festivais de Toronto e San Sebastian e estreia na Espanha no dia 25 de setembro. Depois seguirá para os festivais de Londres, Berlim e outros. Cuba fez de tudo para boicotar esse filme, baseado, como se sabe, no livro homônimo do escritor cubano Pedro Juan Gutierrez, mas em vão.

No Brasil, a notícia do filme há de alegrar especialmente o editor Marcelo Ferroni e sua equipe na Alfaguara. Há poucos meses, Marcelo contratou com a VB&M o novo romance de Pedro Juan Gutierrez, FABIÁN Y EL CAOS, uma de minhas mais comoventes leituras este ano, e aproveitou para renovar os dreitos de vários títulos do fundo de catálogo do autor já na Alfaguara e/ou Companhia das Letras, como O REI DE HAVANA.

O boicote de Cuba à produção do filme se deu sob várias formas mas a principal foi a proibição de filmar em Havana. Para o diretor, a proibição pareceu de início insuperável, porque a ambientação seria fundamental para o filme, e não se encontrava cenário em outro país que pudesse passar por Havana Velha. Como fazer fora de Havana um filme em que Havana é personagem, mais do que cenário? Finalmente, a equipe descobriu na República Dominicana um conjunto urbano bastante verossimilhante como ruas havanesas.

Estranho é que Cuba, tendo sido vítima por tantas décadas de um boicote americano, não soubesse que essa é uma tática que só funciona quando carrega algum elemento de justiça ou correção ética. Temer a arte é desprezível, querer punir um artista porque ele projeta uma visão crítica do regime é patético. Pronto, bem-feito, o filme está saindo da mesma maneira.

FABIÁN E O CAOS, o novo livro de PJG, é como toda sua obra duríssimo com a ditadura dos irmãos Castro. Pega os primeiros anos da revolução, que deveriam ter sido os melhores, e desvenda como o autoritarismo só funciona premiando os medícores; como o poder da mediocridade aplasta as personalidades mais frágeis, sensíveis, artísticas. No caso, Fabián, um jovem pianista que não consegue fazer carreira ou se mover pelos meandros burocráticos do mundo da música na Cuba revolucionária.

Como em todo seu trabalho autoficcional, PJG é personagem, mas secundário. Apesar de todas as diferenças de origem social e visão de mundo, Fabián e Pedro Juan são amigos, mas o segundo não consegue ajudar o primeiro a superar o caos objetivo e subjetivo que aniquila a todos, mas principalmente um talento como o do pianista. O título do livro é lindo, porque se trata da mais perfeita narrativa do caos.

(LVB)

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