Nosso Blog

Ancelmo Gois noticiou ontem e PublisherNews repercutiu: sairá pela Companhia das Letras o novo romance de Miguel Sanches Neto, A BÍBLIA DO CHE, uma história de mistério que envolve o Professor Pessoa, velho conhecido dos fãs do autor desde A PRIMEIRA MULHER. Primeira ficção a refletir a mais recente lama ético-político-ideológica brasileira, A BÍBLIA DO CHE é um livraço, à altura de A SEGUNDA PÁTRIA, mais um título para consolidar a reputação de Miguel como um dos quatro ou cinco grandes escritores em atividade no Brasil.

Pessoa agora é um misantropo cinquentão, que vive em um antigo consultório de dentista, no tradicional edifício Asa, de Curitiba. Não quer contato com gente de espécie alguma, nem mulheres, onanista convicto.

O passado começa a assombrá-lo e ele se vê contratado por um operador de propinas (pixulecos, diria o petista João Vaccari Neto) para encontrar a bíblia que Che Guevara usou (e anotou) quando, segundo a lenda urbana, rondou clandestinamente o Paraná, a caminho da Bolívia, em 1967. Isso porque o milionário operador, o gordo e bufante Jacinto, casou-se com uma linda assessora da Assembleia Legislativa, formada em Sociologia, que tem fixação no Che, e o marido quer agradá-la.

A nota do Ancelmo acabou revelando um dado interessante da trama, mas um spoiler. Jacinto trama a própria morte. O curioso é que eu (Luciana) li o livro há alguns meses e posso garantir: Miguel já o havia escrito quando começaram os rumores sobre o deputado paranaense José Janene ter tramado a própria morte.

Não é a primeira vez que constato esse poder da literatura. Em TEMPOS EXTREMOS, de Míriam Leitão, é assassinado um velho militar, torturador na época da ditadura, que está colaborando com a Comissão da Verdade. O livro já estava nas mãos da editora Lívia Almeida, na Intrínseca, quando foi encontrado morto Paulo Malhães, terrível torturador que estava _ na vida real _ colaborando com a Comissão da Verdade.

O que significa isso? Não tenho a menor ideia. Só posso crer que escrever ficção seja uma atividade aparentada com a bruxaria. A VB&M tem uma clientela de grandes bruxos brasileiros.

 

Mercado

A arte imita a vida

O Globo – 16/07/2015 – Por Ancelmo Gois

Em sua coluna, Ancelmo Gois adianta que Miguel Sanches Neto, autor do sucesso A segunda pátria (Intrínseca), vai lançar pela Companhia das Letras A Bíblia do Che, primeiro romance brasileiro que reflete, em parte, a trama da Lava-Jato. A história se passa em Curitiba, onde atua o juiz Sérgio Moro. E mais: fala de um operador de esquema de propinas que teria armado a própria morte. Como se sabe, na vida real, a CPI já pediu a exumação do corpo do deputado José Janene, um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras, por suspeita de que teria simulado sua morte, em 2010.

Comentários ( 0 )

    Deixe um comentário

    O seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados com *