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Uma lição que nós, brasileiros, temos a aprender com os americanos é a de recorrer sempre à Justiça quando percebemos que nossos direitos estão sendo atacados. Americanos não deixam mole. Correm atrás. Eventualmente, podem até não ganhar, suas reivindicações não serem atendidas em sua totalidade, mas dão trabalho, e a gritaria, manchando a imagem que empresários e/ou capitalistas pretendiam projetar, acabam dando algum resultado.

 

O nome disso é democracia, um sistema pelo qual o Judiciário é um poder forte e completamente independente do Executivo e do Legislativo, como já pregava Montesquieu 300 anos atrás, mas que entre nós infelizmente não é tão óbvio. O espúrio encontro em Portugal entre a presidente Dilma Roussef e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandovsky, foi uma prova de que estamos longe de respeitar plenamente a independência entre os poderes. Mas a intenção deste post não era nem de longe tratar da lama brasileira (parece que não consigo pensar em outra coisa), e sim da eterna briga da Amazon com o mundo do livro.

 

Nosso querido autor e cliente Edney Silvestre nos chamou a atenção para a matéria em O Globo nesta terça-feira, traduzida do New York Times, sobre a inédita união de livreiros,  autores e agentes americanos contra Amazon por meio de suas instituições, a American Bookseller Association, a Authors’Guild e a Authors United e ainda a Association of Authors’ Representatives. Liderado pelo autor best-seller Douglas Preston, da Hachette, o grupo tenta demonstrar ao DOJ (Department of Justice) que as práticas monopolistas da Amazon prejudicam até o consumidor final, o leitor, embora isso não esteja claro em um primeiro momento: a impressão que superficialmente se tem é que a varejista é muito boazinha e só quer praticar preços baixos. O ataque à toda ecologia do mundo editorial acabará custando caro para o leitor e para a literatura.

 

Só há um probleminha, provavelmente de tradução, na matéria de O Globo. No final, diz lá que a ABA representa 2.200 lojas, com 9.000 associados, citando em seguida autores importantes como Jennifer Egan e Richard Russo. Certamente, são os sindicatos de escritores que reúnem 9.000 associados. De resto, uma matéria relevante para quem está ligado de alguma maneira ao meio editorial e ao mercado do livro. (LVB)

 

Link para a matéria: http://m.oglobo.globo.com/cultura/comunidade-literaria-americana-acusa-amazon-de-violacoes-antitruste-leva-denuncias-justica-16751736

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