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O AUTOR COMO LEITOR – MARINA CARVALHO

13 perguntas sobre livros e leituras

“Paula Pimenta foi minha inspiração para me tornar escritora”

Marina Carvalho é uma das expoentes dessa nova geração de escritores brasileiros, que, criando histórias voltadas principalmente para o público jovem, estabelecem pelas mídias sociais uma relação forte e direta com os leitores, sem intermediação da crítica universitária, de colegas autores, de recomendações ao editor. Seus primeiros livros foram publicados pela Novo Conceito –  SIMPLESMENTE, ANA; DE REPENTE, ANA; AZUL DA COR DO MAR e ELA É UMA FERA, releitura de A MEGERA DOMADA, que saiu apenas eletronicamente, mas é o ebook de mais alta vendagem da editora. Agora, Marina está lançando, desde a semana passada em grande turnê pelo Brasil, ELENA, que é a filha de Ana, um livro com o selo Galera Record, já considerado um sucesso dentro da editora.

Nascida na pequena Ponte Nova, Marina é mineira como tantas entre as mais exitosas escritoras do gênero (Laura Conrado, Paula Pimenta, Bruna Vieira) – um fenômeno que dá o que pensar. O que terão as mineirinhas para saberem conversar tão bem com os jovens? O certo é que o talento de Marina para esse diálogo não dispensou uma boa formação como leitora. Ela se graduou em jornalismo e chegou a trabalhar nessa área, mas hoje, além de escritora, é professora de Português e Literatura no ensino médio. Aliás, considera que esse contato diário com a garotada é fundamental para manter atualizado o seu registro linguístico da fala da juventude. Nesta entrevista a Gabrielle Cunha, Marina recorda que os mineiros Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino fizeram parte de seu repertório de criança, põe Érico Veríssim no panteão, mostra que está perfeitamente a par de tudo que suas colegas brasileiras de geração estão escrevendo, revela que sua inspiração para se tornar escritora foi Paula Pimenta e por fim conta de seu orgulho por conseguir que seus filhos sejam também leitores apaixonados.

Quais títulos poderiamos ver agora em sua mesa de cabeceira?

Boa Ventura!, de Lucas Figueiredo, um relato precioso sobre a exploração do ouro brasileiro no período colonial. Além dele, estou lendo um romance gostoso, da autora nacional Bianca Briones, O descompasso infinito do meu coração.

Quais foram seus livros favoritos na infância? Que tipo de leitora você foi?

Sempre gostei muito do Pedro Bandeira. Li todos os livros que ele escreveu para a série Os Karas e, em seguida, fui atrás de seus outros trabalhos. Pedro tem o dom de cativar, com sua linguagem envolvente, crianças e jovens. Mas também devorei toda a coletânea da série Vagalume, motivada especialmente pelo autor Marcos Rey, gênio dos romances policiais juvenis. Além deles, incluo as obras de Ana Maria Machado, os contos de Fernando Sabino e Paulo Mendes Campos, as histórias de Maria José Dupré e, claro, os quadrinhos de Maurício de Sousa. Fui uma criança muito tranquila, que se contentava com a diversão proporcionada pelos livros. E, por perceber esse meu amor pela leitura, minha mãe não media esforços para me disponibilizar obras de gêneros variados e de todas as épocas.

Qual livro provocou em você a vontade de escrever para jovens?

Acredito que foi Pedro Bandeira o responsável por isso, embora, na época, eu não soubesse que chegaria a escrever profissionalmente. Mas, se eu levar em consideração o momento em que concluí que poderia me tornar algo mais que uma escritora de gaveta, assumo que Paula Pimenta, autora mineira, contemporânea, de grande sucesso entre crianças e adolescentes, foi minha grande inspiração, com seu livro Fazendo meu filme. Assisti a uma palestra dela na escola onde trabalho e saí de lá pensando: “Por que não?”

Qual a sua personagem  de ficção chick-lit favorita (para quem não sabe, literatura que agrada às meninas e moças entre 12 e 30 anos)? Por quê?

Gosto muito das personagens criadas pela inglesa Sophie Kinsella, uma especialista em histórias do gênero. Entre elas, aponto a Becky Bloom como a mais engraçada, por ser uma mulher destemperada, mas, ainda assim, muito meiga e imbuída do objetivo de se dar bem na carreira, mesmo tendo que lidar com um vício (quase) incurável: sua compulsão por compras. Já dei muitas gargalhadas com essa personagem e, por causa dela, leio tudo o que a Sophie publica.

Qual livro você gostaria de ter escrito?

Se eu fosse uma mulher do passado, gostaria de ter escrito todas as histórias sobre o detetive mais egocêntrico do mundo, o belga Hercule Poirot, criado pela dama do crime, Agatha Christie. Na adolescência, eu ficava completamente perplexa com a sagacidade daquela mulher, tão genial naquilo que se propunha – escrever fascinantes livros de mistério – e na vida que levava também. Uma pioneira, sem dúvida. Também muito me agradaria ser a mente por trás da saga O tempo e o ventode Érico Veríssimo. Sou fã de histórias épicas, que envolvem questões familiares complexas e atrelam elementos da História, unindo ficção e conhecimentos gerais.

Que livro você leu, gostou, mas tem vergonha de admitir, porque não é considerado boa literatura?

Ah (risos)! Sério? Se tenho vergonha de admitir (e tenho mesmo!), como vou revelar? Mas, está certo, darei uma dica: o título une palavras e um numeral inteiro.

Você se lembra de alguma adaptação cinematográfica de obra literária que, como filme, tenha resultado tão bom quanto o romance que lhe deu origem como literatura?

Eu simplesmente adoro a versão cinematográfica produzida em 1959 do romance épico Ben-Hur. Para mim, é uma das poucas adaptações para o cinema consideradas tão fantásticas quanto o livro de origem. Por isso estou com medo do que Hollywood aprontará na nova filmagem, que estreará no ano que vem.

Qual o seu autor brasileiro preferido?

São vários, mas vou apontar apenas um: Érico Veríssimo.

Qual o seu romance histórico preferido?

A saga O tempo e o vento.

Com qual escritora contemporânea você gostaria de ficar conversando e tomando um chá de fim de tarde?

Eu diria que gostaria de fazer isso com várias, pois admiro o trabalho de tantas! Mas como ainda não a conheço pessoalmente e sou muito fã do trabalho dela, adoraria passar um tempo com a Carina Rissi, grande nome do chick-lit nacional.

Diga um livro cuja leitura você parou no meio, porque era aborrecidíssimo. Ou por qualquer outra razão (violentíssimo, por exemplo).

Recentemente eu comecei a ler A bibliotecária de Auschwitz, mas fui obrigada a interromper a leitura, porque fiquei extremamente deprimida ao revisitar o horror dos campos de concentração da Segunda Guerra Mundial. Já li tanto a respeito, mas sempre me choca pensar no sofrimento das pessoas naquela época.

Sua paixão pela leitura foi transmitida a seus filhos? Quais são os autores preferidos deles?

Sim, eles gostam de ler. Isso me faz uma mãe muito orgulhosa. O João, meu filho de sete anos, adora as histórias da Ana Maria Machado. Ele pega os livros dela na biblioteca da escola. Acho essa atitude a coisa mais linda do mundo. Já o Hugo, de 11 anos, é fanático por aventuras e mistérios. Já leu toda a série Percy Jackson, todos os livros da coleção Diário do Banana e, mais recentemente, tornou-se fã incondicional de Star Wars.

Você tem uma dica de leitura para a presidente Dilma Roussef?

Opa! Isso é bem difícil, não? Bom, sugeriria o próprio Boa Ventura!, do Lucas Figueiredo. Nunca é demais conhecer melhor a nossa história para que possamos entender nossas atuais condições, não é mesmo? E, a partir daí, tentar modificá-las.

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