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Anna Luiza Cardoso

O último livro do monge budista Matthieu Ricard se chama PLAIDOYER POUR LES ANIMAUX, EM DEFESA DOS ANIMAIS, e foi originalmente publicado na França pela Allary no final do ano passado. Trata-se de um belo ensaio sobre o amor aos animais e a compaixão por seus sentimentos, um apelo para que se respeite esses seres tão vivos quanto nós e tão sub humanamente tratados, como costumamos fazer com tudo aquilo e aqueles que julgamos menores que nós em nossa risível superioridade racional.

Quando do lançamento do livro, as críticas foram muitas, a maioria delas no sentido de menosprezar a necessidade de uma conscientização quanto ao modo como lidamos com os animais diante das mazelas humanas. Por que se preocupar com o sofrimento animal quando há tantos seres humanos sofrendo também? Por que defender seus direitos quando há pessoas em situações trágicas ao redor de todo o mundo? De que importa o sofrimento de um boi, um porco, um cachorro, um gato, qualquer bicho que seja, quando há gente sendo escravizada, torturada e humilhada? Não importa mais nem menos, na verdade, mas simplesmente importa. Todo e qualquer sofrimento importa e tudo o que é vivo merece respeito.

Do centro de nosso egoísmo e em meio ao universo feito de nosso próprio umbigo humano, exploramos e humilhamos os mais fracos, desrespeitamos a natureza, destruímos o que não nos dá retorno financeiro imediato. Esquecemos que somos todos feitos da mesma matéria energética basilar e subjugamos tudo aquilo que julgamos não pensar. Esquecemos do sentir. E, se egoístas que somos, esquecemos o que sentimos nós mesmos, que dizer do que sentem os outros? É nesse sentido que importa a compaixão e o amor à vida_ dos animais, das plantas, dos mares, da terra, dos seres humanos. Enquanto não aprendermos a nos amar e respeitar, continuaremos a destruir e fazer sofrer tudo o que e quem nos cerca, a começar pela própria espécie humana.

Felizmente, apesar da polêmica inicial, o livro foi muito bem recebido na França; publicado em meados de outubro, já ultrapassou a casa dos 50.000 exemplares vendidos. Ainda, tem encontrado editoras em diversos países _ EUA, Holanda, Alemanha, Espanha, Coreia_, o que permite pensar que a humanidade começa finalmente a se dar conta de seus equívocos. Um dia, quem sabe, olhará a maneira como tratamos os animais com o mesmo horror com que hoje lembramos a escravidão?

Aqui no Brasil os direitos de tradução ainda estão livres, mas no que depender da VB&M, encontraremos muito em breve a editora ideal para um ensaio tão importante como esse.

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